Difícil iniciação

Todos os meus blogs tiveram algumas características muito marcantes em comum: a falta de assunto, um final arrastado e minguante, e principalmente uma dificuldade imensa em começar. A abertura sempre tem que ser algo grandioso para que logo de cara você consiga conquistar um mínimo de leitores cativos que te dêem o mínimo de ânimo para tocar o barco. Mas claro que Murphy sempre ajuda a estragar tudo e o post de abertura acaba sendo sempre algo sem sentido ou graça, e só vem a provar que a abertura de mais um blog, a insistência no assunto, só tem um único destino: o final arrastado e minguante.

Como o blog não é meu, sinto a incrível leveza no ombro de poder tratar de qualquer assunto. Posso falar da conjuntura mundial com a recessão do mercado americano em tempo de eleição, dos novos métodos de ensino para filhos de celebridades trash em reabilitação, da unha encravada que o meu All Star velho me presenteou, enfim… é tanta opção que estou há dias tentando achar algo que me anime, e a real é que eu não cheguei a nenhuma conclusão.

Que fazer então? Lição para manter um blog semi-vivo sem ajuda de aparelhos #1: fale de assuntos bem atuais, tão atuais que amanhã eles já serão ultrapassados. Assim você bate o cartão, ganha uma sobrevida, e a bobagem que você escrever amanhã já estará esquecida. Aula dada, vamos à lição de casa:

Assunto: Grammy

O que já foi dito: é uma festa para americanos (ZZZZ), ganha quem vende mais (ZZZZ 2), Amy Winehouse pôs um dente postiço e chorou com a mãe (e junkie agora não tem emoções?), Herbie Hancock alfinetou a academia (preguiça de jazz), Alicia Keys pagou muita grana para aparecer tanto (ou deu para alguém bem importante).

Amarelo tá na moda, mas as debutantes vão ter que se contentar com rosa esse ano.

O que não foi dito: Aretha Franklin, com a graça de um javali, roubou a cena e todo o etoque de seda amarela mundial pelos próximos 5 anos, Tina Turner parece a Alcione com artrite, o Cirque du Soleil virou a versão dos Beatles para os Saltimbancos, o Daft Punk discoteca com um Pense Bem, Beyoncé arrasou nas ceias de fim-de-ano, Fergie cantou uma música da trilha de Pocahontas, Jerry Lee Lewis dorme na morfina e Little Richard dorme no formol (e concorrerá a Tutankamon nas próximas eleições em Gizé), Rihanna comprou seus vestidos no mesmo camelô que tinha liquidação de guarda-chuvas, e o programador de comerciais da Sony tava de folga ou deu um gato no ‘silviço’ (quantas vezes temos que ver o American Idol Wannabe que rói e guarda as unhas ha 10 anos? Disgusting!)

Conclusão: se até o Grammy está cafona desse jeito, imagina o que vai ser o Oscar com todo esse bafo entorno da greve dos roteiristas blablablá de cu é rola? Eu que sempre fui um Awards-addicted, já estou pensando em jogar a toalha. Se bem que, pensando melhor, com toda a pieguice, pelo menos eu já tenho um post garantido para o dia 25. See ya!

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