Modernos de SP aderem às lomos

Faz mais ou menos um ano que o hype fotográfico Lomo tomou conta dos modernos de São Paulo. Impulsionados pela câmera Holga – feita de plástico, com uma lente praticamente sem foco e que utiliza filmes de médio formato – os descolados deixaram as digitais em casa e passaram a fotografar as baladas e os amigos com esse e outros aparatos fotográficos russos, comercializados pelo site oficial da Sociedade Lomográfica Internacional, a LSI – www.lomography.com. A mania cresceu, atingiu as páginas da Vejinha e se espalhou por diversas galerias da cidade. Fotografo com lomos há quatro anos (www.flickr.com/photos/cavalera) e nunca tinha visto uma onda tão forte de fotógrafos e amadores interessados na boa e velha película.

Originalmente, a lomografia surgiu quando estudantes austríacos foram passar férias na República Tcheca e compraram uma câmera russa pequena, preta, com corpo resistente de metal chamada Lomo Kompakt Automat, a LC-A. Era início dos anos 90. Ao voltarem pra casa e revelarem as fotos, tomaram um susto: cores estouradas, vinhetagem (centro da imagem claro e bordas escuras) e muito, muito contraste, efeitos determinados por uma “falha” na lente. Reza a lenda que o governo da ex-União Soviética estimulava os cidadãos a comprarem a LC-A para registrarem suas famílias e seu país.

Praia da Joatinga

A Sociedade Lomográfica Internacional, com sede em Viena, foi formada a partir deste episódio, tendo como base a LC-A, câmera lomo-mãe e xodó da maioria dos lomógrafos. Conforme a mania foi se espalhando entre os trend-setters das capitais do mundo, a LSI cresceu os olhos pro lado estritamente comercial e passou a comercializar muitas câmeras sob o codinome lomo. Algumas são pequenas pérolas, estoques russos dos anos 80 (como a série de câmeras Smena), vendidos em suas embalagens e manuais originais, mas a maioria são verdadeiras porcarias (as com quatro, oito e nove lentes, por exemplo, todas de plástico e com uma vida útil duvidosa).

No limite, toda e qualquer foto tosca, tirada com uma câmera kodak que você compra na farmácia, pode ser considerada lomo. A origem com a LC-A e os demais aparatos de melhor qualidade não se perdeu, mas ficou restrita a um pequeno nicho de aficionados, pelo menos aqui no Brasil. Alguém poderia usar o alto custo da LC-A, em torno de U$ 200, como argumento, mas uma Holga (repito: é uma câmera de plástico!) é vendida por R$ 550 nas lojas da moda…

Embora a maioria das exposições de fotos tiradas com lomos em São Paulo sejam somente for fun, mostrando mais o conceito das câmeras de plástico do que imagens com qualidade (composição de elementos, luz, exploração dos recursos da película), o hype lomo é muito bem-vindo, pois afasta um pouco a frieza das digitais e ajuda a manter a beleza da cultura analógica, além daquele friozinho na barriga que dá na hora de mandar os filmes pro laboratório.

Para saber mais: www.lomography.com

No Brasil: www.lomography.com.br

Lista de discussão LomoBR: lomobr_subscribe@yahoogroups.com

Alguns lomógrafos brasileiros

http://www.flickr.com/photos/cavalera/ (eu!)

http://www.flickr.com/photos/damiaosantana

http://www.flickr.com/photos/andretakeda

http://www.flickr.com/photos/ricd/

http://www.flickr.com/photos/juliofranca/

http://www.flickr.com/photos/mardruck/

http://www.flickr.com/photos/lomotar/

http://www.flickr.com/photos/tato

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One Response to “Modernos de SP aderem às lomos”

  1. julio_dx disse:

    Puts, procurando uns acessórios pras famigeradas plásticas da minha coleção esbarrei no teu post aqui, perassolo. É verdade então que a lomomania tomou de assalto a sampaiada? Olha, eu e minha namorada somos os poucos, senão únicos, lomomaniacos da região de taubaté-sp, tentando aliciar novos viciados.
    Legal isso aqui, não lia, agora vou ler.
    Abraço.
    Ps. Valeu o link pro meu fricka!

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