Scarlett Johansson – Anywhere I Lay My Head
quinta-feira, maio 29th, 2008
Muito se fala do da estréia de Scarlett Johansson no mundo musical e tudo o que eu li por aí foram opiniões divididas. Até mesmo entre os que o não ouviram bem, ou aqueles que são sempre do contra (e eu me incluo nessa categoria). Antes de mais nada, a fala “canta mal” como motivo para levantar ou baixar o polegar à estréia é pura balela de quem não tem paciência para ouvir ou pior, argumentos para opinar. Quantas vozes menos encorpadas fizeram alguns dos mais marcantes momentos da história da música popular? E, no sentido oposto, quantas de tons afinados nos deram algumas das mais insuportáveis canções? (Celine Dion está bom pra você?). Scarlett Johansson pode não ter as cordas vocais e os pulmões de uma diva, mas a sua estréia musical não parece ser apenas birra criativa de uma atriz mimada.
É certo que é fácil escolher um ícone incontestável para, no jogo do “diz que gosta”, se ganhar aparente respeito. Mas, mais que escolher uma mão-cheia de temas de Tom Waits, o álbum Anywhere I Lay My Head revela o entendimento da cantora-atriz com uma equipe de notáveis, reinventando as canções com um conjunto esteticamente coeso e capaz de acolher ouvidos dos mais refinados até os mais simplórios. Dave Sitek, dos TV On The Radio, é talvez a figura central neste filme, com o argumento de Tom Waits, que Scarlett Johansson interpreta como… uma atriz. Com David Bowie como ator secundário em algumas das melhores cenas, e também a participação não menos visível do guitarrista Nick Zinner (dos Yeah Yeah Yeahs).
O disco pede atenção antes do sim ou do não, principalmente nos momentos alucinógenos de “Falling Down” ou do fantasmagórico “I Wish I Was In New Orleans”, numa canção de ninar from hell. O álbum é todo construído de idéias concretas e conseqüentes, porém revela uma abordagem plástica de soluções semelhantes entre si que talvez demonstre falta de ginástica como complemento às boas idéias do ponto de partida. Mesmo assim, Scarlett Johansson não envergonha ninguém. E se escutarem álbuns pop de atores como William Shatner, Nichelle Nichols ou mesmo Johnny Depp, verão porquê…
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