Radiohead: 1+1=2
Ver o Radiohead uma vez já é algo grandioso, imaginem ver duas! Claro que isso para nós, brasileiros, que ainda não tivemos a grande sorte de tê-los por aqui e nem sempre temos a sorte de poder pegar um show deles lá fora, seja por falta de oportunidade de viajar ou pela falta de coincidência de agendas.
O meu grande objetivo de 2008, depois de passar meses me dilacerando com o “In Rainbows”, era ir para onde o Radiohead fosse. Deste ano não passaria, afinal sempre tenho pânico que depois de grandiosos trabalhos, a banda resolva “dar um tempo”.
Quando começaram a soltar os line-ups dos festivais e um deles apontou Radiohead como atração confirmada, eu decidi que seria para lá que eu iria. O festival era o All Points West, que estreou este ano de forma modesta em Nova York, mas com Radiohead como headliner nos dois primeiros dias. Logo soltaram a programação do Lollapalooza, que aconteceria uma semana antes em Chicago, aí decidi que iria para lá antes. Já tinha sacado que Radiohead é o tipo de banda que, se você nunca viu, precisa vê-los pelo menos uma segunda para digerir.
Era uma sexta-feira bem quente. A temperatura no Grant Central Park em Chicago chegava aos 38oC e festival grande é uma verdadeira maratona. Tentei me poupar para estar inteira na hora do show. Depois de dois dias praticamente sem dormir eu me dei conta que quando vamos ver algo que ansiamos por ano não precisamos de energia, ela surge do nada.
Às 20h cerca de 75.000 pessoas se acotovelavam diante de um dos palcos principais. Felizmente (ou não) colocaram apenas eles como headliners no primeiro dia, mas quem teria dúvida em escolher outra atração ao Radiohead?
O sol ainda raiava alto e não houve impacto visual causado pela iluminação imponente do show, mas Thom Yorke sem qualquer dificuldade causou um impacto maior ao entrar no palco com a canção “15 Step”. Silêncio absoluto na platéia e ao redor todos boquiabertos tentando digerir que estavam diante de Radiohead. Eu não conseguia me mexer, fechar a boca, cantar, piscar os olhos. Um arrepio percorreu meu corpo pela emoção de estar ali com aquela platéia gigante tão atenta ao show quanto eu, o que faz com que o momento seja ainda mais especial. Foram 2 horas de shows com direito a 2 bis e 24 músicas. Paranoid Android, House of Cards e Idioteque levou o público ao delírio.
Foi um dos primeiros shows que eu praticamente não me mexi. Uma hora depois fomos agraciados com a famosa iluminação desta turnê, quando finalmente o sol resolveu dar trela. O momento mágico foi quando fora do parque se iniciou uma queima de fogos com “Everything In Its Right Place”. Foi nesse momento que eu chorei e que alguma reação aconteceu, porque até então eu estava praticamente em transe. E então junto com o término da música e da queima de fogos, entrou “Fake Plastic Trees”. Haja coração para aguentar!
Não é preciso dizer que é um show intenso e forte. Quando entraram os acordes de “Idioteque” e o prenúncio de que seria a última música da noite, finalmente eu saí do transe em que estava e desabei. Assistir Radiohead ao vivo é uma experiência única que só foi superada por outro show da própria banda.
O final de semana foi recheado de emoções musicais, pois o line-up do Lollapalooza estava caprichadíssimo. Gnarls Barkley, The National, Broken Social Scene, Bloc Party, Explosions in the Sky, Gogol Bordello, Kanye West, Rage Against the Machine, NIN entre outras atrações. A cada saída do Grant Central Park era a sensação de uma noite perfeita com um final perfeito. E NIN e Kanye West fechando a última noite foi uma noite quase tão grandiosa como a primeira com o Radiohead.
Aí veio a ansiedade pela próxima sexta-feira em que eu veria novamente o Radiohead no Parque da Estátua da Liberdade em NY. Depois de uma tarde com ótimos shows e ainda tendo sido convidada para ser dançarina do Girl Talk, foi a vez de me acotovelar para novamente ver Radiohead. Desta vez o público era menor. Cerca de 40.000 pessoas, mas o público era menos atento, o que facilitou a minha chegada mais próxima ao palco.
A noite caiu cedo e desta vez o impacto foi duplo: Thom Yorke e a iluminação. Como o primeiro show digerido, o segundo eu curti de uma forma diferente. É como se de repente a banda tivesse ficado mais próxima e mais “real”. O show teve a mesma duração e a mesma quantidade de músicas, mas algumas alterações no playlist e o final veio com “Everything In Its Right Place” e a estátua da Liberdade reinando absoluta no fundo do público parecia parte do cenário que se fechava à frente com os infindáveis leds no palco.
Neste segundo show eu dancei, eu cantei, eu pulei, eu gritei. Thom Yorke também estava mais solto no palco e falou mais. Foram duas horas não só de contemplação como na primeira vez, mas de curtição. Dei-me conta de que precisei de um show só para me dar conta de que eu estava realmente vendo Radiohead e digerir o que eles são ao vivo. E outro para tirá-los um pouco do altar que eu os coloquei e curti-los num grandioso show de rock, que é o que eles sabem fazer muito bem.
(texto publicado originalmente no site Página Dois)
Tags: lollapalooza, Radiohead

















Wow!
[...] empolgada. Já escrevi tudo que tinha que escrever sobre os dois shows que vi, mas a sensação que tenho é de que vou [...]
Carakas depois de 22 março de 2009,
vou ter que velos outra vez, é isso ???
; P