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Planeta Terra e a nova geração de festivais no Brasil

Esse texto foi escrito por rseefo.

Todo fim de ano é a mesma coisa: todo aquele marasmo do ano inteiro é compensado por uma enxurrada de shows que acabam com energia e o bolso dos mais animados. Confesso que eu sempre faço um pouco de corpo mole, mas chega em cima da hora eu começo a me desesperar por não ter comprado este ou aquele ingresso. Um dia vou conseguir fazer uma caixinha durante todo o ano para segurar a barra entre outubro e novembro.

Esse ano eu me adiantei e comprei logo de cara todos os convites que queria para o TIM Festival e o Planeta Terra. Depois apareceu show do REM, Cyndi Lauper, Duran Duran… Ainda por cima, um dos shows que eu estava mais empolgado, o Gossip, foi cancelado. Um zona! Acabei dando uma broxada. Mas vamos que vamos, porque depois nós passamos de dezembro a agosto lamentando a falta de shows.

No fim das contas o que eu mais tenho guardado minhas expectativas é mesmo o Planeta Terra. Nem preciso falar que o line-up é de primeiríssima qualidade (Bloc Party, Spoon, Calvin Harris… se mata), mas lembrando o festival no ano passado, a excitação só aumenta. Enquanto os festivais no Brasil contam com um longo histórico de má organização, este pelo menos mostrou que tem a mão para fazer um evento com refinamento europeu por aqui.

O line-up intercalado, que é tão corrente por lá, aqui começou a ser usado só agora aqui, e eu pelo menos ainda não aprendi a usá-lo decentemente. Ano passado acabei perdendo o show do Rapture por ficar extasiado vendo os tiozões do Devo até o fim. Verdade seja dita, não é o sistema ideal, mas é o que funciona melhor. Ou alguém quer acabar como no show do Killers ano passado, às 6 da manhã de segunda-feira?

No fim das contas, além de enxugar um pouco o tempo de shows, o sistema adotado pelo Planeta Terra acaba por evitar muvucas, apertos e esmagações tão comuns por aqui. Aliás, nesse quesito o festival do portal foi simplesmente impecável ano passado: nenhuma fila para entrar ou sair; muitas áreas para circular e fazer coisas bacanas entre shows; banheiros limpos, organizados com cheirinho de sauna por causa dos eucaliptos e pinheiros espalhados pelo chão.

A escolha da Vila dos Galpões na Marginal Pinheiros foi uma ótima sacada por oferecer algo mais interessante e melhor estruturado que o tedioso sambódromo. A cenografia valorizava muito as árvores e dava para todo o espaço um ar meio soturno, com luz bem baixa. Os galpões também carregavam uma cara industrial, bem de garagem, bem indie. O único problema que eu lembro era o galpão dos DJs, que ficou espremido em um canto isolado, difícil de achar e pouco integrado com a festa que rolava no resto.

Enfim, o problema de se montar um bom evento é que as expectativas vão lá para cima, e manter o padrão, ou até melhorá-lo no ano seguinte é uma tarefa árdua. Rezemos para Nossa Senhora da Música Boa para que não aconteça com o Terra o que aconteceu com o TIM, depois que eles se mudaram de vez para o Rio de Janeiro, e deram as costas de vez para o público paulistano. Quem esteve nos shows do Jockey, sabe o que eu estou falando.

3 Comments, Comment or Ping

  1. Devo foi sensacional! Planeta Terra, sem dúvida, um dos festivais mais organizados do Brasil.

  2. Olha, tenho de concordar com o texto. Adoro o TIM Festival, e desde 2005 eu fui em todas as edições. Mas sempre há um empurra-empurra, espaço mais que lotado, atrasos incríveis [como no ano passado, credo!] e a gente sempre sai esgotado de lá - show de domingo, que acaba com o sol nascendo na segunda-feira, ninguém merece! Já o Planeta Terra, não. Muito bem organizado, não houve um atraso sequer, não encontrei fila para coisa alguma - banheiro, alimentação, entrada e saída -, e as atrações foram sensacionais - apesar de ter apenas 21 anos, o melhor show da noite foi DEVO [mesmo não tocando 'Time Out For Fun', hehe]. Mas é isso, tomara que o Planeta Terra continue assim, muito bem organizado, com preços humanamente viáveis e divertido para todos os gostos. Aliás, este ano eu vou a trabalho, mas mesmo assim, a expectativa é a mesma! =)

  3. e esse ano o lineup está bem bom. JAMC eu não perco por nada.

Reply to “Planeta Terra e a nova geração de festivais no Brasil”

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Um post depois do outro e uma noite no meio. E por aí vai. Nesse blog tem um pouco de muitas coisas: compras, música, cinema, arquitetura, viagem, curiosidades e muito papo furado. Minha intenção é me divertir e, de quebra, dividir o meu universo com quem quiser ver. Para isso, incluo não só as minhas cismas, mas as de alguns dos meus melhores amigos. Se você achar alguma coisa que goste aqui, já me dou por feliz. Se não, volte amanhã porque eu não desisto fácil.