TIM Festival, do divino ao descartável.
Eu ia fazer um post rápido escrevendo só uma frase que seria mais ou menos um pedido aos organizadores do TIM Festival que ano que vem, ao invés de trazerem um Kanye West da vida, pra eles pegarem o tal cachê de milhões de dólares (e isso não é uma metáfora, é a realidade, ao que consta) e dividirem essa dinheirama toda em vários shows de bandas como The National.
Num festival em que um rapper mauricinho que se acha “a estrela mais brilhante do universo” e que faz um show que parece um musical infanto-juvenil baseado tanto em 2001 como na Xuxa, dirigido por alguém do nível do Hans Doner cobrando por um lixo desses o que cobra. Ainda por isso a organização cobra vergonhosos R$ 250,00 de entrada fazendo com que um público minguado assistisse a palhaçada espacial do Kanye, não dava pra esperar mais nada o resto dos dias. E esse foi o primeiro deles. O show é tão meia boca que o telão poderoso falhou várias vezes durante a apresentação e em vários momentos o Kanye tinha que se virar pra alguém que estava no canto do palco, na mesa de controle do elevador que tinha no meio do palco e pedia pra baixar a tal plataforma ou subí-la e insistia, quebrando qualquer possível clima que ele vinha tentando criar durante sua apresentação. Na minha opinião, o único momento bom do show foi a música Gold Diger, que nada a ver com o tema futurista, pareceu um oásis no meio de um deserto (marciano?) de lixo pseudo-cabeça-espacial.
O bom é que no outro dia, na quinta feira, teve Neon Neon e Klaxons, duas bandas que mostraram que num festival decente com mais gente tocando e não com atrações diluídas em vários dias pra poder cobrar uma entrada abusiva por dia, o TIM seria muito relevante, como vai ser com certeza o Haagen Dasz Mix Music e o Planeta Terra.
Neon Neon mostrou que a mistura do indie com a eletrônica é super pertinente e funciona muito bem e surpreendeu os incautos presentes que não pararam de dançar com a banda de abertura. E o melhor, a atração principal Klaxons, uma banda porrada que faz o real disco-punk, não parava de falar do Neon Neon e elogiar e dedicar música, isso pra dar idéia da relevância de uma Gruff Rhys do Super Furry Animals no cenário da música atual. Klaxons quebrou tudo, não deixou ninguém parado e a ótima banda ao vivo parecia melhor ainda que suas músicas gravadas. Foi surpreendente ver os caras não deixando pedra sobre pedra.
Eu perdi a sexta feira, o Gogol, Yoda, Dan Deacon e afins, me arrependi, mas paciência, minha sexta foi um cu mesmo!
Mas sábado, ah, sábdo. The National mostrou que eu estava certo em esperar tanto esse show e estava mais certo ainda por ter passado horas e horas e mais horas esse ano ouvindo tanto seu álbum Boxer. “I know I dreamed about, for 29 years before I saw you”. Uma banda com uma letra dessas numa música não é qualquer coisa, gente. Que banda, que músicos, que engenheiro de som fudido que equalizou o som perfeitamente durante o show, deixando com que todos nós tivéssemos a oportunidade de nos deliciarmos com canções perfeitas tocadas e interpretadas mais perfeitamente ainda. Eu confesso que em dois momentos eu chorei durante o show de alegria e de emoção: Matt Berninger, o vocalista, é o tipo de cara que durante uma canção morre e faz com que morramos juntos. Fazia tempos que eu não via um show de rock que me pegasse não só pelas entranhas, mas também pelo cérebro e pelo coração. Geralmente essas coisas de dissociam num show de rock, que pra mim é o melhor de música ao vivo que existe. Eu pirei com Muse uns meses atrás ao vivo, mas The National, ai ai ai , me lembrou os shows do Nick Cave, do Jesus And Mary Chain, do Radiohead no lançamento do OK Computer. Foi o show do ano pra mim.
E depois veio a farsa MGMT. O que me irrita em bandas hoje em dia é essa necessidade de se mostrarem roqueiras, com influências do heavy metal, nesse caso do Led Zeppelin. Bom, geralmetne essas bandinhas aparecidas são umas farsas e o MGMT não é exceção. Bandinha que começou com uma pegada psicodélica, hippie porcaria e que agora resolveu que o leggal é fazer show e vem tentando ao vivo. Eles deviam ensaiar uns 2 anos e em 2010 saírem em turnê. Alguém por favor avisa pra eles que deixar o som super alto não atenua a falta de talento? Com 3 músicas boas, um show de 1 hora é um saco, constrangedor.
Conclusão? Só por terem trazido The National eu tiro meu chapéu pro TIM, via-se que era uma banda perdida no tipo de festival que fizeram. Mas, por favor, repensem ano que vem, façam direito, espelhem-se em quem tem feito certo.
(foto by HelenaN)
Tags: festival, gig, kanye west, klaxons, mgmt, national, neon neon, show, tim festival
















fui na sexta feira e pra mim foi o melhor dia.
um dia de festa de verdade, com cara de festival de verdade.
Por isso que eu te amo: penso o mesmo, MGMT é lixo disfarçado de bom. E para minha surpresa, Neon Neon é bem foda!
o tim deveria voltar as origens e olhar lá pra 2003 ou 2004 e ver que eles podem fazer um evento de boa qualidade [mesmo cobrando um preço por show]. lembro que em 2004 assisti kraftwerk por 80 reais [e nao tem desculpas - o dolar na época estava batendo os 3,5 reais].
Definitivamente, este ano foi o velório – do festival e da operadora. espero que ano que vem tenhamos o OI FESTIVAL !
Gente, o Ro7 e o Fabiano concordando sobre música… Choquei.
é a melhor crítica sobre o tim festival que já li até agora (apesar de não concordar com o penúltimo parágrafo, rs).
parabéns, really.
Eu queria voltar sobre o assunto “show do Mr West”.
Acho que tem pessoas que não entendem que Kanye é um artista rap, e pelo visto nunca assistiram um show de rap.
Eu já vi vários, tanto de artistas franceses como americanos. E tem que entender que na maioria dos shows os rappers so cantam um “verse” e um “chorus”, e depois outra canção, assim em diante. É comum ter show de apenas 30 minutos, que nem o ultimo do DMX no Elysée Montmartre em Paris.
Pessoalmente acho incrível conseguir fazer um verdadeiro space-opera de 2 horas com uma discografia de 3 discos.
O Kanye fez um verdadeiro show pop, e estético, por mais que as pessoas não conseguiram perceber, pelo visto…As mesmas pessoas alias que vão pular de alegria vendo a Madonna em dezembro depois de ter pago 2 vezes o valor do ingresso do show do Yeezy.
Foi um dos shows mais visual que eu já vi desde o do Daft Punk em 2006, sem querer comparar os dois, mas só para enfatizar sobre o visual do show e a importância dele para entrar no mundo que o Kanye criou para o show dele.
Agora a megalomania, mais uma vez, vocês escutam rap de vez enquanto? O Lil Wayne não se chama de best rapper alive since the best rapper retired (falando do Jay-z)? O T.I não fala que ninguém tem “swagger” como ele? O Jim Jones não reclama que ele é o mais estiloso e que as pessoas só sabem o copiar sem nunca igualar?
O Kanye só foi um passo para frente e estendeu esse jeito de ser dos rappers alem da musica, falando que é a maior estrela do mundo, e ponto.
Mas vejo até ironia nisso, pois estamos assistindo um show onde o Kanye viaja na galáxia, monte de estrelas ao redor dele, e o computador o chama de biggest star in the universe, era fácil demais esse jogo de palavra, e para mim é apenas um jeito de provocar. E acho que ele ta certo, se incomoda as pessoas, azar delas pois não precisam ir assistir um show duma pessoa que não gostam. E por mais que as pessoas o criticam, eu desafio essas pessoas de conseguir convencer a Louis Vuitton fazer uma mochila que só existe em uma peça para elas, e a Nike de criar um par de tênis para elas também.
Alias, tudo mundo sabe que ele gosta de se gabar, e prefiro um artista que faz um show que posso apreciar do que uma Amy que desiste de aparecer 2 anos seguidos no Rock en Seine e gera o ódio dos fãs dela. Pelo menos o Kanye faz tudo para agradecer o seu publico, não tendo vergonha até dos defeitos dele.
E olhem: o Steve Aoki esta vindo para o Brasil, vocês sabem que ele exagera na jogação, e a maior parte dos Djs o criticam porque acham que ele se acha demais uma rockstar pulando no publico cada vez que toca. Agora aposto que vocês vão, e vão criticar do mesmo jeito?
Tem que ser racional, vai num show sabendo da pessoa, curte o som ou vai embora.
Bom e do resto do Tim foi ridículo cortar o Switch no meio do set enquanto começava a soar “M.I.A/Santogold like”.
The National foi A revelação do TIM para mim já que não conhecia.
MGMT não foi tão ridículo como descrito, mais uma vez, se não curte o CD inteiro em casa, não se precisa esperar novas musicas no palco né? Eu curti e não so os hits dele.
Achei Neon Neon fraco mas bonitinho, e as vezes engraçado: repertorio curto mas eclético.
Agora Klaxons, achei um dos piores shows, pois os caras chegaram com a atitude “já sabemos que conquistamos vocês antes de tocar”, só que eles não me tinham conquistado não, e não senti nenhuma empatia, nenhuma energia forte, nenhuma verdadeira empolgação.
FLOW, vc escreveu aí em cima exatamente o que eu quis dizer sobre os rappers. egocentrismo besta. não me convencem mesmo!
verdade que os irmaos Gallagher não são assim e nunca falaram por exemplo que ultrapassaram os Beatles
afff, me poupe
se não gostar de rap, não precisam ir num show dum emcee
that’s all
só pre terminar, Flow, eu gosto de rap sim.
mas Kanye, bah, lixo, desculpe.
posso não gostar?
porque ter ido?
don’t hate the player, hate the game, phoney!
phoney?
pffff
não foi “agressão” ahahha
desculpa se levou a mal
só que não entendo porque ir num show de alguem se for para criticar a atitude dele mais do que a musica
se as pessoas são incapazes reconhecer que tem um esforço muito grande atrás do show, azar delas, mas criticar quem a pessoa é, acho besteira total
o kanye é um dos melhores produtores/rappers do momento
(não estou falando das letras só, das qualidades dele quando se trata de escrever mais sim do conjunto escrever e produzir ao mesmo tempo, ser artista completo)
quem curte rap de verdade entende que tem de tudo neste meio e que tem que saber pegar só o que interesse
não cheiro mas posso curtir o cocaine rap do Rick Ross ou do Clipse
não sou sexista mas posso curtir os jogos de palavras e as onomatopéias do Weezy F. Baby
não sou de usar regatona e short gigante mas posso curtir um Petey Pablo e o som do dirrty souf
não sou anti-politicos mas admito que Immortal Tecnhique é o melhor lyricist
agora espero que esteja mais claro
eu tinha entendido já o que você tinha dito, Flow.
só quero que você tb entenda que eu nnao gostei do show e pronto.
eu fui, e recomendei que um monte de gente fosse, porque pelo que tinha visto e ouvido antes, achei que seria o show do ano,.
mas achei fraco. porcaria, mal feito.
a questão aqui nem é mais gostar ou não do Kanye, eu gosto, tem música dele que eu acho foda, sei da qualidade dele como produtor e tudo mais.
só que eu achei o show ruim, achei mesmo que parecia uma peça infantil, mal dirigido, visual bacaninha mas normal demais. pra mim não justificou MESMO o discurso egocêntrico dele no final.
de novo, não sabia que ia achar tão ruim. fui esperando um PUTA show.
e saí decepcionado.
foi uma pena. de verdade. juro que queria ter amado!
Flow, eu vi um pedaço do show do Kanye no Lollapalooza e ele me entusiasmou mais do que no Tim. Talvez pela estrutura colossala e pelo lugar ser aberto. Isso me causou um efeito mais arrebatador. Saí de lá sem folego e voltei ao Brasil convencendo meus amigos que o show valia o preço, pois eu nãou sou fã de rap e Kanye tinha me conquistado pelo grande espetáculo que fez. Aqui no Tim ele me causou um impacto menor e a impressão que tive é que o show era totalmente outro. Até perguntei ao Lucio e ao Thiago Ney, com que eu tinha cruzado no Lolla, se eles tinham a mesma impressão que eu e a resposta foi positiva. Acho que tiveram pecados da produção, mas para mim isso não chegou a comprometer o show. Mesmo não sendo o meu estilo de música preferida, Kanye me envolveu e eu o considero um show-man. Ele é dramático, o que acaba sendo engraçado. Ele não apenas canta, ele representa. Não é um show, é um musical. Mas confesso que achei de fato o show “menor” e as pessoas as quais eu tinha convencido de que veriam o show do ano, saíram de lá decepcionadas e o Fabilipo foi uma delas. Eu me diverti, dancei, pulei, gritei, mas o show é muito bom mas é brega. Ri em várias partes do show e quando ele deu aquela sentada no cantinho e começou a tocar “Don’t stop…”, eu confesso que não entendi. E bem, Madonna eu não vou (entendo sua comparação em relação). Steve Aoki eu vou, mas no caso eu acho que é outra história e sei que vou pular como uma louca na pista, pois ele toca o estilo de som que eu gosto e conheço, então me empolga. Quanto ao Fabilipo foi ele quem me convenceu a ver o show do Kanye lá fora, pois eu não tinha interesse algum por não curtir o som (como falei acima) e voltei falando o quanto tinha sido mega foda e aí eu entendi o desapontamento dele, pois eu ajudei a criar uma expectativa maior do que o show foi de fato. E aqui eu não estou falando da música, mas do show visual em si. Ah, já ouviu Adam Tensta? Curtiu?
Fabilipo:
Agora ficou mais claro, e posso entender a “decepção” se esperava um show tipo Rolling Stones ou Madonna, mas eu não vivi o Tim assim, eu comparei mais com o q conheço dos rappers que vem até lugares minúsculos e super intimistas na França como a Maroquinerie para K-Os, ou Le Point Éphémère para Buck 65: dois exemplos de shows ótimos para os quais a simplicidade e a autenticidade combinaram com o show. Agora você tem o 50 cent que pede para ter um estádio, nem o enche e propõe a mesma coisa que os dois shows precedentes, ou seja ele + um DJ. Nenhum esforço, show curto.
Eu gostei do show do Kanye por ter demorado 2 horas e ter tentado propor algo novo no mundo rap: criar uma historia, uma “obra” pop. Por tanto, concordo que foi longe de ser perfeito.
Obs: nem sou fã dele, o defendo porque acho injusto tantas pessoas responder à pergunta “pq não gostou do show dele?”: “ele se acha”
Lalai:
1- sabemos que artista que toca na cidade onde nasceu não se compara com qualquer outra coisa. Ele já sabe que conquistou o publico, é quase tocar numa festa de amigos, puta (desculpa o palavrão) simbiose. Exemplo que vivi: ver Justice em Paris, ver Justice em São Paulo…nada ver…
Sabemos também que não se comparam o Solar e o Coachella, o Rock em Seine e o Häagen Dazs music festival. Acho bom ter um pouco de “piedade” hehehe (não acho a tradução correta do que quero dizer em português)
2- concordamos sobre o fato que o Kanye exagera, e também me faz sorrir. E só para provar da minha boa fé, depois de cada vez que tivemos que escutar “you can’t give up, you’re the biggest star in the universe”, gritei “no, it’s M.I.A” (e uma menina quis bater em mim)
3- acho que o que sai das nossas conversas é que teve decepção em relação a dimensão estética mais do que a idéia atrás do show e a performance que não achei ridícula. O que explica porque quero tanto defender o Kanye… a outra razão, que nem deveria admitir, é que ele foi o único a mudar de roupas durante o show dele, e o único a ter um tênis incrível que ninguém tem.
4- não conheço Adam Tensta =/ . Tem um myspace?
See ya at Häagen Dazs Music Festival folks!
Flow
primeiro, ninguém falou em Madonna nem Rolling Stones. não gosto, não vou. a gente tá falando na pretensão de um rapper e na qualidade do show que ele aresenta.
mas agora eu tô te entendendo, pra você o que contou foi ele ter trocado de roupa e ter um tênis fodão?
então blz. por isso, foi um puta show.
e nos vemos sábado, dae falamos melhor.
acessa lá http://www.myspace.com/adamtensta. Escrevi sobre ele aqui no blog (o Kanye West da Escandinávia). Ah, e ouve My Cool
Fabilipo, se quiser jogar com as palavras, te lembrarei que na frente das estrelas da musica que mencionei e que vc repetiu, escrevi a palavra TIPO
Outra coisa, não precisa se sentir agredido e chegar cheio de ironia.
Mantenho que no meu ponto de visto o show do Kanye foi bom. Se o Buck 65 fosse megalômano também, não é porque ele fica só no palco com o Mac dele que ia falar: o show é ruim. Os dois fazem esforços que poucos fazem: agradar de verdade os fãs e entrar totalmente no mundo deles durante o show. Agora se você não consegue admitir que foi um bom show de rap porque você esperava a chegada dos ETs no palco, azar o seu se limitar assim.
Minha observação ao respeito dos sneakers foi humor, uma coisa que falta em você pelo visto =)
Deixa a ironia para quem domina.
Lalai, valeu pela dica! Vou checar isso logo. E temos que conversar dos caras de Forma.T e do Teki Latex.