Devaneios sobre a fragilidade das relações

Às vezes eu me surpreendo no quanto nossas relações são frágeis. Um dia somos melhores amigos, amanhã deixamos de nos falar. Isso já aconteceu algumas vezes na minha vida, seja porque eu pisei na bola ou porque pisaram na bola comigo. O perdão muitas vezes não vem fácil e às vezes ele nem vem.

Pergunto-me, muitas vezes, o quanto vale uma amizade. Parece-me que às vezes ela vale muito pouco. Para quem errou. Para quem foi atingido pelo erro.

Eu já estive dos dois lados. No primeiro fui perdoada algumas vezes. No outro lado eu perdoei sempre. Se as relações voltaram a ser a mesma, é outra história, mas as verdadeiras superaram. Aí é questão da confiança que foi abalada e teve que ser reconstruída. O que eu acredito é que as pessoas erram. Erram por bobagens, por insegurança, por não pensarem nas conseqüências, por perderem a consciência e dar vazão a própria insanidade, por provocação, por desilusão, por vingança, por imaturidade e às vezes sem até saber que estão errando. Há má fé nas pessoas? Há também, mas neste momento eu estou falando das pessoas boas. Naquelas que eu conheço a fundo, nas que eu acredito, nas que eu sei que tão um coração gigante, nas que se magoam para não magoar o outro, mas que às vezes erram. Erram porque são humanas, porque não pensaram e deram vazão a um momento que, de repente ganhou uma dimensão tão gigantesca que só aí se deu conta do erro.

Meu pai sempre deixou claro para mim que eu ia errar um bocado na vida e que era para eu nunca me preocupar em ser uma pessoa perfeita. Ensinou-me que o importante é ser uma boa pessoa, mas que ser boa não me isentava de cometer meus delitos. Quando eu cometia meus deslizes infantis, eu era castigada. Ele me deixava horas sentada no sofá (e não podia dormir enquanto estivesse lá) pensando no que fiz e porque fiz. Depois conversávamos e aprendi muito com isso.

Felizmente cresci cercada de diálogo e com uma das pessoas mais humanas que conheço: meu pai, que sempre pediu para eu não ser egoísta e para pensar sempre nas pessoas à minha volta. Eu me considero uma pessoa generosa. Talvez menos do que meu pai esperava que eu fosse (já fui mais). Acho até que já fui mais magoada na vida por pessoas que gosto do que o contrário, mas sei que magoei algumas e paguei um preço bem alto, pois me magoei por ter feito o que fiz. Mesmo sabendo do risco de errar, eu sempre tentei não fazê-lo. Afinal ter cuidado é algo inteligente.

Somos humanos e errar é inerente. E claro, muitas vezes erramos justamente com quem mais amamos. Muitas vezes são nas pessoas próximas que descarregamos nossos infortúnios. Mas acho que (quase) todo erro merece perdão desde que o outro assuma o erro, que nem sempre tem um motivo. Só não espero perdão das pessoas perfeitas, mas ainda não conheci nenhuma. E estou falando dos erros que citei acima. Dos erros que cometemos, mas que necessariamente não mude todo o curso da vida de alguém.

Isso tudo pode ser clichê, mas funciona e ajuda dar leveza à minha vida. Sempre aprendi com meus erros e eles aumentaram meu cuidado para que sejam cada vez menores, mas sei que posso deslizar, assim como você que está lendo esse texto também.

E quem nunca errou que atire a primeira pedra no monitor.

(imagem: http://www.flickr.com/photos/pauljmuk/2692517585/)

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11 Responses to “Devaneios sobre a fragilidade das relações”

  1. Andre Galdino disse:

    Eu que o diga, erro pacas…
    Mas o bom de brigas de amigos é que a volta é mais divertida. Que nem com a namorada!
    Pelo menos comigo é assim!

  2. daniele disse:

    Acho que se é tão frágil, não é amizade. simples assim.

  3. Concordo com o que falou. Errar é humano, todo mundo erra. Mas e quando o erro abala tanto a relação a ponto da confiança ir pro espaço? Podemos até perdoar, mas como fazer pra reconquistar a confiança, se é que isso é possível?

  4. Neuza disse:

    Ter disposição para perdoar faz um bem danado… O duro é quando o perdão vem cheio de esperança de que a amizade vai ser a mesma, mas ao contrário. Os olhares se tornam envergonhados e o encontros desconfortáveis.

    Nem sempre é fácil aceitar o perdão. Alguma coisinha lá no fundo, às vezes prefere ser alvo de raiva, xingamentos e ‘tudo que merece’ para se auto perdoar.

  5. ivy disse:

    nossa lalai, muito verdade seu devaneio sobre a fragilidade das relacoes. tenho me pego pensando sobre isso ultimamente e seu texto foi uma surpresa, ou melhor, um conforto. de saber que o ser humano esta fadado a erros e acertos, e quando se trata de amizade, poe em jogo muitos valores. nossa vida eh uma linha tenue. fez bem pra mim le-lo. xxx

  6. Fabilipo disse:

    mais que um texto sobre errar e perdoar, pra mim é mais uma declração de amor ao seu pai!
    mais uma, né?
    lindo.

    btw, só tô epserando me ligarem, se é que você me entende!

  7. Tati Lie disse:

    o monitor continua intacto, ainda bem.

  8. manuca disse:

    po, desculpa entao, vai…

  9. Kramer auto Pingback[...] Devaneios sobre a fragilidade das relações [...]

  10. Ashmeday disse:

    O ser humano é extremamente previsível. Vem com receita colada na testa. O que interessa é saber se o erro (ou a maldade deliberada) é contextual ou inerente ao próprio. Daí o juízo formador/regulador de cada um poderá exercitar a arte/delírio do perdão, ou não.

  11. Mesmo os mais habilidosos cometem barbeiragens… E nem sempre aprendem algo com isso.

    No primeiro caso é difícil aceitar que um ato fuja ao nosso controle… No seguinte é fácil entender. ”Erro” é uma questão de perspectiva. Ponto de vista.

    O que parece absoluto sobre as atitudes e o julgamento que fazemos destas é o quanto somos honestos com a agente mesmo.

    Espero que seu recado tenha chegado ao destinatário “ideal”.

    Baboseiras a parte… Boa sorte!!!

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