Mizrahi’s revival
Houve um tempo (mais precisamente entre 1990/95 ), onde o foco da imprensa de moda estava voltado para Nova Iorque. os olhos de todo mundo pairavam sobre os estilistas, lifestyle, empresas e artistas desta cidade (supermodels, Guess??, erotica/sex book/Madonna, CK One, Deee Lite, Herb Ritts, Bruce Weber, Vogue América, etc). NY era o epicentro do que a “America” necessitava e aspirava para o mundo. uma época onde a moda era ”fashion”, uma preocupação diária, divertida e de extremo interesse entre os jovens (mesmo com a revolução do movimento anti-estética ”grunge”).
Emergia para o “mainstream” um seleto grupo de estilistas cheios de energia, humor e criatividade dando um “tempero” diferenciado à esse mercado tão famoso por seu volume de vendas e produção. Anna Sui, Stephen Sprouse, Marc Jacobs, Todd Oldham e Issac Mizrahi eram o “link” entre as ruas e o mercado elitista que tanto a moda necessitava.
Issac sempre foi um destaque por sua delicadeza e elegância em misturar cores e tecidos, seus desfiles “chic” mas com um ar desprentensioso e seu incrível humor e ironia. Uma atitude e energia que movimentava flashes e câmeras para onde ele mirava uma nova empreitada (vale recordar e assistir seu filme-documentário “Unzipped”). Ele era um frescor para a rigidez da classe média americana, ávida por moda mas reticente aos estilistas europeus (mais classistas e históricos ). E como uma parábola, esse hiato nos presenteou com incríveis desfiles e recordações dentre o imaginário da indumentária.
Mais um ciclo se passou, conglomerados se fortaleceram (Karl Lagerfeld através da batuta de Maison Channel comprou a Issac Mizrahi, por exemplo), e a moda voltou seus olhares para a Europa (inicialmente para Londres-com sua dramaticidade/heroin chic e depois para Milão/Paris- moda extremamente burguesa e histórica ). Agora dentro de um cenário mundial que contesta valores, propósitos e atitudes, a América nos reserva algumas surpresas como o próprio Issac nesta semana de moda de NY. Largando a mão de uma perspectiva recessiva, ele nos embeleza com um desfile com todas suas melhores características já mencionadas anteriormente e nos faz (ao menos a alguns) dar suspiros de uma época única e original… “God blessed America !”.
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