“Sinédoque, Nova York”, filme doidão e muito bom.

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Se a gente procurar no dicionário a palavra surrealismo, acha algo mais ou menos assim: “movimento artístico nascido cerca de 1924, em França, que pretende não se interessar senão pelas manifestações do pensamento liberto de toda a preocupação lógica, artística ou moral.”

Nada melhor do que isso pra descrever “Sinédoque, Nova York”, filme escrito e dirigido pelo doidão americano Charlie Kaufman. O cara é bem conhecido e reconhecido como roteirista de filmes bacanas como “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança”, “Adaptação”, “Qeuro ser John Malkovich” pra citar alguns. Claro que algum desses você já viu então já sabe do que se trata, sempre mundo estranho, sempre coisas bizarras, enredos quase impossíveis mas roteiros brilhantes. Só que dessa vez, Kaufman não só escreveu como também dirige esse “Sinedoque, NY” e isso só mostra que tudo o que a gente via anteriormente que imaginava vir do cara, com esse filme a gente entende os porquês. Ou melhor dizendo, não entende porra nenhuma. Mas por isso mesmo a gente percebe quem é o cara, como ele chegou ali fazendo o que ele faz melhor, que é misturar a pseudo-realidade cinematográfica com sonhos e imaginação e todo um mundo não existente palpavelmente.

Vou tentar explicar o enredo do filme: Phillip Seymour Hoffman é um diretor de teatro casado com uma artista plástica, com uma filha pequena. Ao mesmo tempo que faz sucesso com sua carreira, seu casamento vai fracassando e a mulher e a filha se mudam pra Alemanha com a desculpa de uma exposição da mulher e por lá ficam. Ele ganha uma bolsa/patrocínio enorme e resolve montar uma peça contando o cotidiano… dele mesmo. Só que ele vai se perdendo no meio do caminho e a peça entra dentro de outra peça e os atores viram personagens reais que viram personagens da peça que precisam de outros atores para interpretá-los e assim Kaufman vai criando não um quebra-cabeças, mas quase que um rocambole de um atrás do outro atrás do outro atrás do outro.

Qaundo eu disse que tentaria explicar foi porquê não há condições de explicar mesmo. À medida que a vida do diretor de teatro vai se complicando, ele vai contando essa vida em sua peça que nunca fica pronta e seus personagens reais ganham contornos fctícios e por aí vai. Só que não nos esqueçamos que estamos assistindo um filme onde nada é real, certo, tudo é previamente ensaiado, filmado, montado etc. até chegar na sala de cinema pra assitirmos. E é assim que a gente se perde dentro do filme, ou melhor, que eu achei que tinha me perdido, porque ao chegar ao final do filme, percebi que…

Tá, não dá pra contar o que eu percebi, só dá pra dizer que o bode que eu senti durante a primeira hora do filme, foi na verdade um extremo desconforto causado pela estranheza do mundo peculiar desse doidão Kaufman. E dirigindo esse seu próprio roteiro, ao invés de entregá-lo nas mãos de algum diretor super competente americano, ele nos mostra que certas histórias devem ser contadas por quem as inventa numa primeira vez mesmo, e que depois pode ser recontada.

Tenho certeza que esse texto tá meio confuso, mas não poderia ser diferente pra falar de um filme escrito e dirigido por um cara que é descendente direto dos surrealistas clássicos. A única coisa que eu quero que fique clara é : não deixe de ver “Sinédoque, Nova York”.

Publicado com “Já Viu?”.

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