RIP – A remix Manifesto pronto

No ano passado citamos o documentário “RIP – a remix manifesto” algumas vezes nesse blog. Finalmente ele está pronto e disponibilizado em vários capítulos na web para quem quiser ver. O documentário é sobre direitos autorais e a cultura de remix, tão em alta nos últimos tempos.

Esta é a primeira versão. Você pode ajudar, acrescentar e criar trilhar. Há várias maneiras de participar. Se animou? Saiba mais aqui. Segue o primeiro capitulo com Girl Talk, um dos meus artistas favoritos:

Via Ola Persson

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2 Responses to “RIP – A remix Manifesto pronto”

  1. Muito interessante. Não conhecia o Girl Talk.

    Fico pensando nessa mudança provocada pelo Romantismo, na necessidade de haver um gênio que cria do zero algo completamente diferente de tudo o que veio antes, algo baseado na própria nova noção de história linear (a singularidade de cada acontecimento), contrária ao tempo circular e cíclico da Antiguidade, vigente até o período clássico.

    O ‘gênio criador’ romântico foi cooptado pelos capitalistas que detêm os meios de produção/divulgação, a partir dessa arma terrível, o Copyright. Aí vêm as vanguardas e o modernismo, trazendo a intertextualidade presa a um sujeito fragmentário, mas ainda sujeito.

    O Sujeito é a marca, é seu carisma, é a exclusividade que transcende. O modelo para todos e para ninguém. É o paraíso dos marketeiros. As vanguardas sacaram isso e quiseram se apropriar desse processo com os manifestos.

    Eu diria que um precursor de Girl Talk foi Camões, ‘remixando’ Petrarca para o português (apenas para não ir mais atrás com Virgílio latinizando as epopéias gregas). Pulando os românticos e realistas e sua decadência assumida do fin-de-siècle, temos Joyce e seu Ulysses como um ‘mashup’ da Odisséia de Homero, Calvino sobre Marco Polo, Eco sobre Nabokov.

    Acho errôneo encarar o copyleft dialeticamente, como algo que vai ‘relativizar’ a autoria, abrindo-a de forma segura. Cada vez mais vão haver disputas e combates. E isso é muito bom. Se o mundo real se torna menor com a internet, os mundos possíveis se tornam muito maiores e mais numerosos.

    Como disse Joyce a propósito de seu ‘mashup’ mais ambicioso, Finnegans Wake: “there are thunderbolts in it”.

    Saudações do Löis.

  2. dani disse:

    Aos que se interessarem: o diretor do documentário, Brett Gaylor fez um esquema a la Radiohead – faça o download do filme e pague o quanto quiser. Nada mais justo, leia a entrevista – http://www.wired.com/underwire/2009/05/brett-gaylor-talks-rip-remix-manifesto/. Porém, por causa de alguma lei idiota, isso só é válido em território americano – http://www.ripremix.com/getdownloads/. Sim, people just don’t get it yet. De qualquer forma, o filme está disponível online e você ainda pode fazer uma doação se quiser: http://www.ripremix.com/donate/.
    dani

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