A Vila

Nunca mais voltarei para aquela cidade miúda, dizia. Nunca mais. E o nunca nunca significou tanto como naquela hora. Aquela gente pequena, naquelas ruas retas, as distâncias milimetricamente calculadas, sua família torta. Olhava agora para o passado como se olhasse para um muro. Um muro tão alto que mal conseguia enxergar o amor que havia deixado para trás. Engraçado como o sangue às vezes não significa nada. Nada. Seguia em negativas. Não conseguia mais distinguir o que era realidade e o que era a sua vida de agora. Sua mania de achar que tudo é relativo, sua mania de idealizar. Sofria por tudo que havia sentido. Sofria pelos outros. Sofria pela insignificância de todos esses assuntos que já nao fazem parte do seu cotidiano. Sentiu-se fraca. Saber que o mundo é muito maior do que uma vila às vezes não traz felicidade.

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