Como eu queria estar só

Acabei de ler um trecho do livro “Um, nenhum e cem mil” do Luigi Pirandello, que fez eu pensar um monte de coisa sobre um bom bate-papo que tive hoje. Às vezes penso no que fazer quando me canso de mim. Nessas horas só há uma saída, que é se reinventar. Fácil não é, mas muitas vezes o nosso “eu” se torna tão intrágavel, que mal podemos nos olhar no espelho e eu acho fantástica a ideia de poder “renascer”, por isso sempre falo que ser “um” é ser limitado demais e se considerar “perdido” é pura falta de criatividade.

Vejam que lindo esse trecho:

Assim eu queria estar só. Sem mim. Quero dizer, sem aquele “mim” que eu já conhecia ou pensava conhecer. Sozinho com um certo estranho que eu já sentia obscuramente não poder afastar para longe, que era eu mesmo: o estranho inseparável de mim.

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6 Responses to “Como eu queria estar só”

  1. dessa disse:

    Pirandello é fantástico!

  2. absoluto disse:

    Lalai Truqueira, cadê a festa do Fábio Rex?

  3. Chiara disse:

    Sei o que é, e das formar mais estranhas o ato de se reinventar. Achar novos “eus”, onde vc não imaginava ter mais nada.
    Gosto mais ainda do poder que a gente tem de ser vários sem perder a própria identidade!
    É um elixir, bem isso!

  4. Lalai disse:

    ow Mr. Absolut, quem disse que a festa do Fabio Rex não vai acontecer? Vai acontecer e antes do que você imagina… só queria lembrar que não sou eu quem produz as festas da Absolut.

  5. Daemonarch disse:

    Pirandello, na tradição freudiana do duplo, tendo o escritor como demiurgo de si mesmo (ou dos seus personagens que ganham vida e questionam sua existência, como em ‘seis personagens em busca de um autor’) é simplesmente impossível viver apenas uma vida, um ‘eu’. Na obra de Pirandello, como em (Willian Wilson de) Poe, Cortazar e Borges não há sinceridade em relação ao mundo e ao próximo. Não há um ‘eu’ autentico.

  6. fep disse:

    “por isso sempre falo que ser “um” é ser limitado demais e se considerar “perdido” é pura falta de criatividade.”

    Adorei esse seu trecho!! E esse livro é realmente muito bom, não é a tôa que demorou para ficar pronto.. E as reflexões são ótimas, acho que se encaixam muito nos tempos que vivemos hoje..

    Bjos!

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