Entrei numa reunião e lá estava ela, super fashion, sorridente e imponente. Não tive dúvida, eu a queria como amiga Tanto a admirei. que na saída da reunião, eu a convidei para almoçarmos juntas. Aos poucos fomos nos aproximando, mas em menos de 2 meses já sabíamos tudo sobre a vida uma da outra e não nos desgrudamos mais. Eu estava fascinada.
A Marisa sempre foi pra mim o sinônimo de uma pessoal “cool”. Era sempre a mais bem-vestida, a mais risonha, a mais inteligente, a mais intensa. Tinha um bom gosto incrível e era uma das poucas que tinha coragem de colocar os assessórios mais espalhafatosos sempre chocando o pessoal que trabalhava com a gente. Para ela mais era mais e fazia isso muito bem. Foi ela quem me ensinou a fazer ppt.
Lembro-me dos seus altos e baixos, das suas alegrias, chateações, paixões. Seus sonhos tão simples e seus medos, às vezes tão bobos. A Marisa não tinha noção da sua beleza e grandeza. Era tão boa no que fazia, que oportunidade não lhe faltava. Trabalhamos grudadinhas por uns 6 meses, almoçávamos todos os dias juntos e algumas vezes dividíamos uma pizza no jantar enquanto estávamos internadas na agência. Seu trabalho era sempre impecável e eu morria de inveja dos ppts lindos que ela fazia. Acho que foi a Marisa a responsável por eu ter feito as pazes com o power point.
Nosso trabalho conjunto era tão fluído, que por um tempo a gente não conseguia se ver trabalhando uma sem a outra. Algumas oportunidades que surgiram, a resposta sempre era “eu só vou, se ela for junta”, independente de qual das duas que estava recebendo a proposta. No final ela foi, eu fiquei… e na última terça-feira discutíamos compartilhar o mesmo espaço e voltar a tê-la por perto.
Algumas vezes ela me deixava maluca. Tinha semanas em que só reclamava, se sentia cansada e aí eu, à minha maneira, dava broncas para ela não reclamar tanto. Ela se acalmava. Quando era eu quem entrava no modo reclamona, era a vez dela pegar no meu pé. Às vezes deixávamos o Jeff, que era nosso chefe, maluco com nossas fugas no meio do expediente para ir até a academia comer alguma coisa, falar bobagens para dar uma relaxada da pressão das propostas, das concorrências, das ideias. Como na agência, as salas de reuniões eram chamada por cores, eu apelidei a nossa sala da academia de sala cinza, que logo ela aderiu. Essa foto eu tirei dela no meio de uma das nossas fugas:

Entre tantas qualidades, nada se equipara à generosidade dela. Era daquelas pessoas, que mesmo quando não estava bem, arrumava forças para ficar bem caso precisasse ajudar alguém.
A Marisa trouxe para a minha vida uma das pessoas mais especiais que conheço, a Biti. Foi um dos maiores presentes que me deu.
Ontem me lembrei rindo de uma vez em que estávamos todos muito bêbados no Ritz, e de repente eu soltei um grito. A Marisa estava debaixo da mesa e tinha dado uma mordida na minha perna, que me valeu uma marca suspeita por uma semana. Essa era a seu lado apaixonante. Ela sempre sabia surpreender. Era chique, mas às vezes uma menina levada. Era cheia de malícia e provocação, o que sempre chocava alguém que não a conhecia e aí, claro, ela se divertia mais ainda.
Qualquer lembrança que me vem à cabeça é sempre dela rindo ou com sua gargalhada espalhafatosa, a última que ouvi foi na terça em que, juntas, viramos algumas taças de vinho. Eu que cheguei de gaiato num jantar dela com minha amiga Gaby, passei uma hora com as duas apenas gargalhando. Essa era sempre a parte boa de poder encontrá-la, pois sempre os encontros eram regados à muita risada. Eu ainda consigo ouvir sua risada.
Acho que ela se definiu bem no seu perfil em algumas redes sociais: “Quem me conhece diz que sou intensa, resmungona e mimada, mas também dedicada, alegre e inteligente. E meiga. Praticamente uma flor que anda. O cinismo vem de brinde.”
O que a fez ser uma das pessoas mais fascinantes e fantásticas que conhecia. Lamento tardiamente não ter passado mais tempo com ela, isso acaba trazendo uma boa reflexão para analisarmos como estamos cuidando dos nossos amigos e da nossa família, pois estamos sempre ocupados. A Biti hoje me falou algo muito verdadeiro: “nos ocupamos com as coisas urgentes e esquecemos as importantes”.
O que eu nunca falei para a Marisa, é que ela foi uma das minhas musas inspiradoras. Quem a conheceu, teve muita sorte e eu me sinto ainda mais sortuda por ter usufruído bastante de sua companhia.
Vou sentir muito a falta dela, das nossas conversas longas e quase diárias no gtalk, das suas reflexões, da levantada de moral que às vezes ela me dava, do mundo de referência que ela me trazia, das bobagens e até das nossas fofocas.
Que ela descanse em paz.
Má, te amo! É difícil homenageá-la como eu gostaria, mas eu precisava escrever isso e é como se em algum lugar você pudesse saber as coisas que não deu tempo de te contar.