
até a próxima edição
Esse é um post mais emocional da minha relação com o SXSW. Não vou citar palestras que vi, coisas que aprendi, bandas que me encantaram, filmes que me emocionaram, esses ficam para depois, pois é muita coisa, muita informação, muita referência. São apenas minhas emoções e como foi estar na loucura que é o SXSW.
O festival completou 25 anos, mas cresceu vertiginosamente nos últimos anos. Quem esteve no ano passado, afirmou que já houve um salto grande para esse ano. A parte de interatividade ganhou força, os publicitários fizeram as malas e foram. Nada de evento Web 2.0, o evento da vez é o SXSW.
Foi minha primeira vez no festival, confesso que ele não é para fracos. Exige preparo físico, mental e emocional! Foram 10 dias com mais de 7.000 eventos oficiais, fora os não-oficiais, que muitas vezes são mais legais e pipocam em todas as esquinas. Austin se transforma numa plataforma 2.0 de uma forma inexplicável. Mais do que o conteúdo consumido dentro do festival, que tem interatividade, cinema e música, o festival em si é uma experiência que transcende tudo isso.
Difícil explicar. Martelei à beça para chegar num jeito bacana para traduzir o que o festival significou pra mim. Nos primeiros 5 dias rolaram Interatividade e Cinema, além de festas regadas a bebedeiras, boa música, geeks e publicitários. A galera indie ainda não tinha invadido a cidade e tudo pareceu um pouco mais fácil de acompanhar. Palestras diversas rolando paralelamente, passando por todos os assuntos que se possa imaginar dentro do universo interativo, não restringindo apenas a Internet, pois vai muito além disso. Tem de tudo: marketeiros, acadêmicos, pesquisadores, desenvolvedores, diretores de cinema, atores, músicos, produtores, criativos das mais diversas áreas.
Austin se move em torno do evento. Todos sabem sobre o SXSW, que é hoje uma das principais economias da cidade. A simpatia rola solta, todos estão interessados em saber se é sua primeira vez, o que está achando, se vai voltar. E a programação te surpreende a todo momento, pois muita coisa que não estava prevista na programação, surge de um momento para outro.

pra ficar muderno no sxsw
Nessa primeira fase (de 11 a 15) a programação começa recheada às 9h e segue até às 2h para os mais animados. O excesso de opção pode causar palpitação e crises de ansiedade. Eu mesmo fui vítima de uma.
Raramente você tem certeza se está vendo a melhor opção. Talvez nunca saiba. Quando percebe que caiu numa fria, não tem frescura, é levantar e debandar para outro local. Sempre vai ter um canto ideal para todo mundo.

1º show do festival: Matt & Kim
No primeiro dia rolou uma frustração da minha parte, pois as palestras que vi não me satisfizeram. Achei tudo mediano, então decidi seguir meu instinto, além de me deixar levar por palestras com nomes curiosos. Os keynotes na maioria vale a pena também. No final de 5 dias eu tinha visto palestras boas, ruins e algumas ótimas que me deixaram sem fôlego. Tive surpresas deliciosas e algumas decepções, mas faz parte quando se tem um menu tão farto de opções.

toro y moi de pertinho
Acabei também dando algumas escapadas para ver filmes a tarde, enquanto aproveitava para almoçar dentro da sala do cinema, afinal não dá para perder tempo e há cinemas que servem pequenos banquetes enquanto você se assiste um filme. Claro que aqui não posso deixar de lembrar da minha emoção ao abraçar o Dave Grohl na porta do cinema ao assistir o documentário do Foo Fighters, que eu concluí que seu final foi no show ao vivo do qual fomos brindados de supresa, no Stubbs, o local onde rolam os shows maiores do festival, mas que para o Foo Fighters era algo bem pequeno. Sem muita firula, apenas uma boa iluminação e um palco medio, não muito alto, mas com um som perfeito. Como disse Dave Grohl, estávamos em 1999 naquele momento. E foi, algo tão “pequeno” que pareceu não cabe-los e por isso tão incrível.

Dave Grohl e eu
Finalmente chegou o dia 15, quando começa a parte de música do festival e termina interatividade. O público muda completamente, a cidade lota ainda mais, parece que todos os indies do planeta aterrissam em Austin. Ruas são fechadas, o transito fica caótico, filas e mais filas nas portas de todos os bares e, claro, a tensão sobre qual show ir, qual melhor festa do dia, ver coisa nova ou já consagrada, ficar com os amigos ou abrir mão deles para ver algo completamente obscuro que só você quer ver, ir ver o amigo que vai tocar ou deixa-lo para uma próxima, pois você tem certeza de que oportunidade não irá faltar.

emoção de ver um show folk numa igreja
Além dos shows, há também palestras e mais palestras focadas em música, mercado, produção, distribuição, futuro, etc., além de continuar a maratona de filmes, que provavelmente nunca mais você vai ver a não ser lá.
E se a preguiça de enfrentar fila ou entrar em bar ou clube bater, é só ficar zanzando na 6th Avenida e ao redor dela, porque tem shows rolando em todas as esquinas no meio da rua, muitos deles bem interessantes.

a fervida 6th ave
O que gostei também foi de ver várias ações simples e pontuais rolando nas redes sociais para conseguir entrar num show, ir a uma festa, ganhar um premio. É isso, o SXSW é uma experiência social só de estar nele. Tudo que discutimos nas salas de palestras ou de reuniões, acontecem ali ao vivo.

eu & gaia (@goomtv)
O SXSW está naquele momento de virada, que talvez em não muito tempo se torne insuportável. Muita gente que o frequenta há tempos já reclamou, deixou de se inscrever e preferiu ficar na programação não-oficial, que também oferece opções que não acabam mais.
O aprendizado foi: se preparar com antecedência, dar uma boa estudada na programação de cabo a rabo para já ir com uma boa prévia do que ver, pois o resto vira lucro, dar uma malhada (juro que isso conta na hora de ter fôlego com a correria que o festival requer), saber que dá para se divertir sozinho, especialmente lá que sempre tem alguém puxando conversa com você.

amigos invadindo meu quarto
SXSW me proporcionou uma das experiências mais bacanas que já tive. Não acho que é algo que agrade a todos, mas com certeza a maioria que vai pela primeira vez, quer voltar.
O que me encantou do começo ao fim e superou minhas expectativas foi o festival em si. Muita novidade, muitas conclusões acertadas, muita troca de cartão, muita inspiração, muitas ideias brotando loucamente na cabeça, muita risada, muita gente interessante, muitas amizades novas, muita correria, muita falta de ar, muita cerveja, muita animação, muito cansaço e muita vontade de voltar na próxima edição. E Austin se torna uma cidade deliciosa nessa época. A minha conclusão é que se a terra fosse o planeta da música, ele seria o SXSW.

sim, eu curto o sxsw by #goomtv
E um valeu especial às pessoas que estiveram comigo por lá: @databasetrax @marinapires @bruno @djmulher @lucardoso72 @fascinated @leandroHBL @rosanafortes @gaiapassarelli, Mariana Metri, Romko entre outros. Que venha 2012!