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I’m throwing my arms around Paris

segunda-feira, janeiro 19th, 2009

Dar dicas de programas em Paris é correr o risco de falar do óbvio: você abre o roteiro de filmes e estão lá A Bela Junie e A Fronteira da Alvorada; você confere os lançamentos em música e Morrissey canta I’m throwing my arms around Paris. A cidade-luz é onipresente.

De qualquer maneira, como cada um estabelece uma relação com as cidades que mais gosta (tem seus locais preferidos, pratos que não deixa de comer, ruas que não deixa de passar), selecionei alguns passeios na capital da França. Se você lê francês, a primeira coisa é comprar a Inrockuptibles da semana e dar uma geral na programação cultural, além de aproveitar a ótima mistura de matérias de cultura francesa e internacional da revista. Amuse toi bien!

Paris vista a partir do Georges PompidouParis vista a partir do Georges Pompidou

Paris vista a partir do Georges Pompidou

.Les Catacombs (metrô Denfert-Rochereau)
São as catacumbas. Você anda por baixo da terra por cerca de meia hora, só vendo ossos e ossos de cemitérios que foram transferidos do que hoje é o centro de paris (Beaubourg) pra esse local. É surreal, frio e úmido. Gosto pelo inusitado.

. Château D’Eau (metrô Châteu D’Eau)
É uma região onde habitam africanos de ex-colônias francesas. Vale dar uma passeada porque tem mercadinhos com produtos indianos, restaurantes ótimos com comidas bizarras e acessíveis (menos de 10 euros a refeição), além de você ouvir as mais variadas línguas e dialetos, exceto o francês. Evidente que este bairro não aparece em nenhum guia. Ao descer do metrô, você será abordado por um monte de gente com ofertas para cortar cabelo e para vender coisas. Em Château D’Eau,  paga-se bem menos por produtos básicos (como cartões telefônicos para fazer ligações internacionais).

. Château Rouge (metrô Châteu Rouge)
Também bairro de descendentes de ex-colônicas francesas na África. Esse metrô é curioso, não parece Paris: muitos pulam a roleta,  óculos/cintos são comercializados nos corredores e os fiscais da RATP fazem vista grossa. Tipo Brasil. Saindo do metrô, você vai ver que de um lado tem milhões de ruelas, cheias de africanos vendendo comida na rua (de frutas a peixes) e bares mais trashs, estilo centrão. Do outro lado, atravessando o boulevard, você está quase em Montmartre – ou seja, o oposto. Dá pra seguir pela Rue Custine e subir uma escadinha que tem nela pra chegar no Sacre Couer.

. os arredores da estação Glacière do metrô
Gostava muito de caminhar e me perder por essas ruas. É totalmente parisiense: feirinhas, pequenas casas, hotéis baratinhos, lavanderias e todo o clima de Paris, inclusive a sede do jornal Le Monde.

. Bibliothèque Nationale de France François Mitterrand
Adoro o deck de madeira gigantesco e as linhas retas e áridas: é super fotográfico. Dá pra sentar e pegar um sol, dá pra ir no cinema e comprar dvds e livros, além de tomar um café.

. Parc de Bercy (metrô Bercy)
É lindo e tem a Cinemateca. Não tem como ir pra Paris e não dar uma passada por lá, seja pra ver algo ou pra pegar os guias de programação com vários textos longos sobre cinema cult.

. 13º arrondissement (metrô Place d’Italie)
O 13º é um bairro de urbanização mais recente, com torres e prédios altos. É, também, onde tem a maior concentração de restaurantes e supermercados de povos asiáticos. Um hit absoluto de podutos freak asiáticos é o supermercado Tang Frères  (48, avenue d’Ivry Paris): esse super vende suco de aloe vera, suco de coco queimado, além de outras delícias insuspeitas, como massas miojo turbinadas.

. Parc André Citroen (metrô Balard)
Tem que andar umas duas quadras a partir do metrô (veja no Google Maps). É um parque muito, muito legal e sem turistas. Tem parisienses, verde e a vontade de fazer piquenique.

. A creperia Chez Josselin (67, Rue du Montparnasse – metrô Edgar Quinet)
Um dos melhores crepes de Paris, segundo minha amiga francesa. Não é muito caro, é de fato bem bom e bem charmoso. De sobremesa peça o crepe de mel.

Programas óbvios que valem a pena
. Subir no Arco do Triunfo
A vista do Arco no fim de dia fala por si.  Não tem elevador; esteja preparado para enfrentar a escadaria.

. Canal de Saint Martin
Mais uma das incontáveis atrações lindas da cidade. Vá percorrendo toda a extensão do canal, a pé. Tem bares, cafés, lojas de livros e roupas e acessórios descolados, inclusive fotografia. Branché (descolado), como eles dizem.

. Parc de La Villette (metrô Porte de La Villette)
Parque gigante, onde rolam vários shows no verão. Vá em dia de sol! Tem um cinema incrível, com a arquitetura em formato de bola metálica, La Géode, que passa filmes numa tela que te cobre inteiro, tipo 360 graus (ok, não é 360 graus, mas você entendeu o que eu quis dizer).

Praia no Rio? Que praia?

terça-feira, janeiro 6th, 2009

Fui passar alguns dias no Rio de Janeiro para aproveitar coisas ótimas que a cidade oferece, exceto as praias – que, vamos convir, são todas meio iguais: mar lindo e agitado e uma vista com morros, eventualmente tomados por favelas.  Me interessava pesquisar a vida fora da areia, maneira pela qual cheguei a quatro vibes muito características do Rio (fin-de-siècle, anos 20-30, anos 50-60, anos 00), todas com atrações bacanas, pra você ficar bem longe de quem quer se bronzear comendo biscoito globo.

. Fin-de-siècle: sabe a virada do século XIX pro XX, naquele espí­rito famí­lia real e decoração carregada? Os cariocas adoram e mostram as razões pelas quais já foram a cidade mais importante do paí­s. Aqui entram a Confeitaria Colombo do Centro (a do Forte de Cocapabana é um truque pra captar turistas), que nem tem doces tão bons assim, mas vale pelos lustres absurdos, espelhos e elevadores de época; o Paço Imperial (tipo a Pinacoteca de São Paulo), que exibia uma ótima exposição sobre o Roberto Burle Marx, incluindo os estudos feitos à mão da calçada de Copacabana e do Aterro do Flamengo projetados por ele, além de tapeçarias, gravuras e pinturas; e o Palácio do Catete, com os jardins grandes e toda a exuberância (monótona) de museus que contam histórias de governantes.

. Anos 20-30: é muito legal pegar o bondinho na Lapa e subir o morro até Santa Teresa, ambos bairros hypados pelo Noel Rosa e a galera do samba. Santa Teresa enfileira casarões caindo aos pedaços, não tem sinal de celular nem caixa eletrônico, mas seus largos, restaurantes e lojas de artesanato fino compensam muito o trabalho de chegar até lá. Aqui, o samba antigo e os “malandros” são originais. Desça também de bondinho e ande pelos arredores pra ver a arquitetura bizarra e encantadora dos prédios da Petrobrás e da Catedral Metropolitana.

. Anos 50-60: a letra de Lí­gia, do Tom Jobim, resume tudo. A bossa nova hypou Ipanema, Leblon e Copacabana, antes do Rio praticamente estacionar nos anos 70 e se alimentar de saudosismo, até hoje. Quer algo mais a cara do Rio do que uma foto amarelada tirada na praia de Copacabana? Vale cada centavo da revelação do filme. Seguindo na onda o barquinho vai, a tardinha cai, destaco o suco de cupuaçu vendido nas várias lojas de frutas da rua Visconde do Pirajá, em Ipanema; e as confeitarias Garcia & Rodrigues e Talho Capixaba, ambas na Ataulfo de Paiva, no Leblon, que servem sanduí­ches perfeitos, feitos com os melhores ingredientes. Não é difí­cil comer bem no Rio – muito pelo contrário, é uma nova possibilidade de sabor em cada esquina. 

. Anos 00:  são os poucos pontos superconectados da cidade, livres do ranço praia/samba e que poderiam estar em qualquer metrópole. Aqui incluo o único local em que fui bem atendido, o ótimo restaurante Zuka, no Leblon. De entrada você pede a experiência de foie gras; como prato principal, o filé negro com purê de pequi; e, para a sobremesa, o brownie de pistache com calda de frutas vermelhas. Falar em 00, o famoso 00, no Planetário da Gávea, também tem um restaurante com cardápio delicioso, junto com uma pista e um deck com bar ao ar livre – tem algo em São Paulo assim, que junte bar/restaurante/pista e dê super certo? Ah! E o Dama de Ferro, que todos conhecem, é a balada em que vi mais gente animada dançando bom som eletrônico no meio de uma estrutura fria de aço, vidro e luz vermelha – inferninho chique.

Tem pra vários gostos e bolsos, e é super prazeroso andar pelas ruas super arborizadas, se sentindo sempre num cartão postal. Mas esteja preparado para o serviço precário, uma constante nos estabelecimentos do Rio: você tem que reforçar seu pedido em média três vezes, e ter muita paciência. Apesar de ser uma cidade turí­stica, a  comida demora pra vir, os garçons são atrapalhados e a conta sempre traz itens a mais.  Nessas horas, nem a certeza de ter sempre uma vista linda de mares e morros é consoladora.

Santa Teresa, no Rio de Janeiro

Dica de flickr: tons pastéis

segunda-feira, dezembro 15th, 2008

Todo mundo adora aquelas fotos antigas, dos anos 60 e 70, que encontra quando mexe nas caixas do fundo do armário da casa dos pais. Este flickr reúne uma coleção absurda desse tipo de imagem, com cliques que têm um espírito  entre o ingênuo, a memória e a ironia. Viva os tons pastéis!

Foto do flickr Superbomba

Meu 2008, na música, foi assim:

quinta-feira, dezembro 11th, 2008
capa do disco do Crystal Castles

Capa do disco do Crystal Castles, o melhor do ano

Não resisto a fazer, todo fim de ano, minha lista de melhores discos. Pois:

1 – Crystal Castles, Crystal Castles: a dupla de 8-bit/electro nervosa ganhou a primeira posição pela atitude. Irônicos, criativos e debochados, mandam barulhinhos de videogame tosco numa época saturada de eletrorock e superproduções. Estão olhando pro chão na capa e nas fotos de divulgação, abrem o disco citando Death From Above 1979, falam de cocaína em espanhol e terminam com uma faixa que poderia ter sido composta pela Enya. Em uma palavra? GÊNIOS.

2 – Fennesz, Black Sea: guitarra + laptop. Um dos meus artistas preferidos, Christian Fennesz é um instrumentista que divide sue tempo entre Viena e Paris e faz música cheia de texturas, sem vocal nem acolhimento ao ouvinte. Beleza, estranha beleza.

3 – The Kills, Midnight Boom:  entrada triunfal do The Kills na pista de dança. Como se eles deixassem de tocar num inferninho abafado, aqueles com luzes vermelhas, e passassem a se apresentar num clube maior, onde o ar-condicionado funciona e a vodka é de (muito) melhor qualidade.

4 – Benoît Pioulard, Temper: gosto e cheiro de areia molhada depois da chuva no segundo álbum desse artista do Oregon. Ele é do tipo que se produz sozinho, sabe?, gravando em casa e fazendo as fotos dos discos. Não basta ser músico, tem que fazer também belas imagens.

5 – Ladytron, Velocifero: menos açúcar, menos deslumbre anos 80 pra pista de dança, mais animosidade. Tem gente que torce o nariz, mas o quarto disco do Ladytron é… sofisticado. Os sintetizadores estão mais pesados, e o clima dark ronda o electro do grupo – dessa vez, com algumas letras em búlgaro.

6 – Grouper, Draggin a Dead Deer Up a Hill: “dark ambient” foi o melhor rótulo que li nas descrições por aí. Imagine um som escuro, sombrio, com dedilhados de violão abafando o vocal redentor de Elizabeth Harris. Parece que o disco foi gravado dentro de um poço de água fundo, muito fundo: aumente bem o volume dos fones, caso contrário você não vai conseguir distinguir os intrumentos.

7 – Moscow Olympics, Cut The World: o Moscow Olympics vem das Filipinas (!!!) e mistura  vocais e linhas melódicas anos 80 (tipo New Order) com um verniz shoegaze por cima. Entendeu? Cut The World: é o ep de estréia do grupo. Músicas bonitas, que inspiram confiança. Não é pouco.

8 – Mogwai, The Hawk is Howling: e não é que os mestres do post-rock deram uma desacelerada? A banda escocesa fez um disco calmo, quase cem por cento introspectivo (a exceção é a heavy metal “Batcat”), em dez faixas sem vocal algum. Só climinha.

9 – Hearts by Darts, Hearts by Darts: essa foi a descoberta do ano, aquela banda que você ouve meio do nada, e então ouve de novo e plim! Só a voz feminina e o cover da “Candy Says”, do Velvet Underground, já valem. Hearts by Darts é um belo disco de rock. Não, de pop. Não, de pop rock, com aquele espírito artesanal de compor as faixas, lo-fi de cantinho.

10 – Primal Scream, Beautiful Future: jamais esperaria um disco cheio de vida e esperança do Bobbie Gillespie. Ele não só fez, como fez maravilhosamente bem. O Primal Scream é a banda que melhor traduz o zeitgeist, saca?  Se todos fazem eletrorock, eles vão lá e fazem o melhor eletrorock da praça, tipo “aprendam como faz”. Beautiful Future é uma delícia.

Melhores do ano para a Rough Trade Records e para a revista Mojo

segunda-feira, dezembro 1st, 2008

E começaram as listas de melhores discos do ano. A primeira importante a sair foi a da Rough Trade Records, loja e selo referência para o indie rock, que recém divulgou sua seleção de cinqüenta. Os três primeiros lugares parecem óbvios e preguiçosos (Bon Iver, Fleet Foxes e Vampire Weekend), mas o Metronomy em quinto foi acertado – disco original e divertidíssimo. Também gostei de ver o TV On The Radio em décimo-primeiro e o som 8-bit do Crystal Casltes em décimo-quinto, e achei mais justo ainda colocar o Third, do Portishead, láááá atrás, em quadragésimo-primeiro: um disco apenas bom, cujo hype é maior que o conteúdo, e que recebe uma posição apenas boa. A grande surpresa foi o Street Horrrsing, do Fuck Buttons, em vigésimo-quinto, disco difícil e bem experimental, colocado muito à frente de Foals, Breeders e Of Montreal. (A propósito, se você está indo para Londres ou está por lá, não deixe de dar uma passada na loja de Notting Hill: espaço pequeno e charmoso, atrolhado de discos, para amantes de música.)

Quem também publicou a lista dos mais mais foi a revista Mojo, com o Fleet Foxes na liderança e Bon Iver em quarto. Pelo que parece, só eu achei Fleet Foxes muito chato e Bon Iver morno… O shoegaze ensolarado do Glasvegas está em sétimo e o Beck em décimo-nono, dois artistas que pra mim lançaram discos irrepreensíveis em 2008. E Fuck Buttons também aparece aqui, vejam só, em posição próxima à do MGMT, como na lista da Rough Trade (alguém duvida que o duo vai estar em todas as listas?). Estranhei eles não terem dado o Primal Scream, se até o Metallica (!!!) está na lista.

Aguardo ansioso para ver se vão figurar e em qual posição discos do Mogwai, Primal Scream e Ladytron. E Benoît Pioulard, queridinho de quem adora dizer que descobriu sons novos? A seguir, cenas dos próximos capítulos.

La ri ca!

sexta-feira, novembro 28th, 2008

Uma das atrações mais bacanas de São Paulo são as padarias. Poderiam ser simples casas que vendem baguetes, mas na paulicéia elas oferecem não só vários tipos de pães (integrais, com grãos, recheados, cobertos por queijos, etc), mas refeições básicas (coxinha, pão com manteiga na chapa) e sanduíches mais elaborados. E o mais legal de tudo isso é que você não precisa ir nas padarias hype da região da Paulista para comer boas iguarias: basta estar no seu bairro, ou andando pelas ruas da vizinhança. Vou dar dicas de lanches que descobri ao acaso e que viraram rotina:

Padaria Letícia (Rua Cerro Corá, 748 – Alto da Lapa): a tradicional Letícia tem um cardápio incrível. Os sanduíches no mini-ciabatta são o que há. Meu preferido é o Angra, com salame hamburguês, camembert e patê roquefort. Para variar peço o Cancun: mortadela com pistache, queijo brie e mostarda. Sim, todos têm nomes de praias.

Padaria Elite das Perdizes (Rua Cardoso de Almeida esquina com Caiubi – Perdizes): tradicional padaria de Perdizes que serve o melhor croissant misto que já comi em São Paulo. Peça prensado na chapa! Se você não estiver a fim de tanta massa, o básico sanduíche de rosbife no pão integral da casa dá conta do recado. Sempre cheio de manhã, pelo ótimo custo-benefício – cerca de R$ 6 por salgado e café.

Casa do Pão de Queijo (qualquer uma das unidades): esqueça o carro-chefe da casa, que é meio sem gosto, e peça o suco de morango com leite. É tipo um leite com quick turbinado, ou um iogurte feito na hora e mais saudável. Nem precisa pedir pra pôr açúcar, já é suficientemente doce. Só alegria!

Lanchonete VIP (Rua da Consolação, 881, térreo – Centro): este prédio da PUC tem uma lanchonete insuspeita, que serve o enroladinho de presunto e queijo mais saboroso que já comi em São Paulo. Esqueça o ambiente feio, com aquelas mesas de plástico amarelas, e acredite nos salgados.

A sonhadora

quinta-feira, novembro 20th, 2008

Alice mora em Palmas, Tocantins, onde trabalha como guia turística e vai se casar com Henrique. Quando recebe a notícia da morte do pai, que não via há anos, ela vai a São Paulo para o enterro. Lá encontra a segunda mulher do pai e sua meia-irmã, Regina Célia. E acaba ficando na cidade para resolver questões da herança.” Se tivesse lido apenas essa sinopse, não teria ido atrás de assistir aos episódios de Alice, a série que a HBO Brasil produziu e exibe desde setembro, aos domingos. Fato é que a série tem direção geral do Karim Ainouz (o diretor dos longas Madame Satã e O Céu de Suely), o que já garante um nível mínimo de qualidade para cada um dos treze episódios. E a Alice do título, vivida pela atriz Andréia Horta, poderia ser qualquer jovem adulto que saiu de sua cidade e veio morar em São Paulo, casual ou propositalmente – e, em certo nível, ela é, também, a representação de boa parcela dos jovens adultos que moram na cidade onde este blog está sediado.

Tem um episódio em que ela está numa festa em uma cobertura com uma vista absurda da cidade, e, nesta mesma festa, ela conhece um carinha que consegue pra ela um frila na abertura da Mostra de Cinema. Quer situação mais São Paulo? Alice dá uns beijos num dj gringo em outra festa, que a leva para uma noite no Maksoud Plaza e, quando ela sai de lá, a câmera capta a Av. Paulista, o trânsito, os ônibus e a loucura habitual e cartão de visitas da cidade. Corta. Alice está no brechó da tia, localizado no edifício Copan. A série é, assim, uma bela homenagem à terra da garoa, de tal maneira que é muito bacana você ver um produto totalmente nacional e de viés mercadológico completamente fora dos clichês nordeste/Rio-violento/filme-cabeça/Globo-filmes.

Alice e a tia, Luli

Alice e a tia, Luli

Dicas de blogs de mp3

sábado, novembro 15th, 2008
Todos usamos torrents e redes peer-to-peer. Mas nada é mais prático do que baixar o disco de um blog de mp3. Então, fiz uma lista dos blogs que mais gosto – e todos postam os discos na íntegra. Para acabar com o espaço de qualquer hd.

http://diditleak.co.uk (Did it Leak) Pra começar: o Did It Leak não é um blog, é um site para você saber se o disco que você tanto espera já caiu na rede. Útil.

http://puht.blogspot.com/ (Puht) Blog de lançamentos, sinlges e remixes. Só o nome do disco e da banda, sem capinha ou qualquer info a mais. Mas tem tudo que é novo.

http://lazerguidedmelodies.blogspot.com (Lazer Guided Melodies) 
Do Gilberto Custódio, muito indie rock, lo-fi e folk. Geralmente umas bandas que você nunca ouviu falar na vida.

http://rockformasses.blogspot.com/ (Rock for Masses) Bom mix de rock antigo e novidades. Não leia as resenhas dos discos, são bem mal-escritas.

http://cdlandia.blogspot.com (Cdlândia) Raridades e alternativos do rock dos anos 90.

http://cdlandia2.blogspot.com (Hong Kong Garden) Mais alternativos dos anos 90.

http://takethepills.blogspot.com (Take the Pills) Pop fofinho: indie e twee pop. Açucarado.

http://luisxarope.blogspot.com (Lúcio Papeiro) Música experimental e oblíquia.

http://musikfactory.blogspot.com (Musik Factory) Metal, de todos os estilos (do trash ao punk pop). Posta sempre as discografias completas das bandas

http://musiteka.net (Musiteka) Blog mexicano, com muito post-rock e outros discos que o autor indica.

http://sinewave.com.br (Sinewave) Blog de post-rock e bandas/projetos experimentais do Brasil. Recomendo fortemente.

http://shoegazeralive2.blogspot.com (Shoegazer Alive) Só shoegaze, de todas as partes do mundo.

http://experimentaletc.blogspot.com (Experimental etc) Blog de música experimental, doenças sonoras e bizarrices musicais.  

http://ill-formed.blogspot.com (Ill-formed) Ambient, eletrônica experimental e shoegaze.  

http://onlybeatsandbits.blogspot.com (Beats and Bits) Electro e lançamentos.

 

CuerdosdementeS

quinta-feira, maio 15th, 2008

Olha que bacana essa flash mob. Um grupo de jovens em Barcelona encena um desfile de moda dentro do vagão de um trem, entre uma estação e outra, constituindo uma verdadeira TAZ (Zona Autônoma Temporária). Os atores se divertem, os passageiros ficam instigados e a câmera registra o resultado em um plano seqüência. Belíssimo.

Modernos de SP aderem às lomos

terça-feira, abril 1st, 2008

Faz mais ou menos um ano que o hype fotográfico Lomo tomou conta dos modernos de São Paulo. Impulsionados pela câmera Holga – feita de plástico, com uma lente praticamente sem foco e que utiliza filmes de médio formato – os descolados deixaram as digitais em casa e passaram a fotografar as baladas e os amigos com esse e outros aparatos fotográficos russos, comercializados pelo site oficial da Sociedade Lomográfica Internacional, a LSI – www.lomography.com. A mania cresceu, atingiu as páginas da Vejinha e se espalhou por diversas galerias da cidade. Fotografo com lomos há quatro anos (www.flickr.com/photos/cavalera) e nunca tinha visto uma onda tão forte de fotógrafos e amadores interessados na boa e velha película.

Originalmente, a lomografia surgiu quando estudantes austríacos foram passar férias na República Tcheca e compraram uma câmera russa pequena, preta, com corpo resistente de metal chamada Lomo Kompakt Automat, a LC-A. Era início dos anos 90. Ao voltarem pra casa e revelarem as fotos, tomaram um susto: cores estouradas, vinhetagem (centro da imagem claro e bordas escuras) e muito, muito contraste, efeitos determinados por uma “falha” na lente. Reza a lenda que o governo da ex-União Soviética estimulava os cidadãos a comprarem a LC-A para registrarem suas famílias e seu país.

Praia da Joatinga

A Sociedade Lomográfica Internacional, com sede em Viena, foi formada a partir deste episódio, tendo como base a LC-A, câmera lomo-mãe e xodó da maioria dos lomógrafos. Conforme a mania foi se espalhando entre os trend-setters das capitais do mundo, a LSI cresceu os olhos pro lado estritamente comercial e passou a comercializar muitas câmeras sob o codinome lomo. Algumas são pequenas pérolas, estoques russos dos anos 80 (como a série de câmeras Smena), vendidos em suas embalagens e manuais originais, mas a maioria são verdadeiras porcarias (as com quatro, oito e nove lentes, por exemplo, todas de plástico e com uma vida útil duvidosa).

No limite, toda e qualquer foto tosca, tirada com uma câmera kodak que você compra na farmácia, pode ser considerada lomo. A origem com a LC-A e os demais aparatos de melhor qualidade não se perdeu, mas ficou restrita a um pequeno nicho de aficionados, pelo menos aqui no Brasil. Alguém poderia usar o alto custo da LC-A, em torno de U$ 200, como argumento, mas uma Holga (repito: é uma câmera de plástico!) é vendida por R$ 550 nas lojas da moda…

Embora a maioria das exposições de fotos tiradas com lomos em São Paulo sejam somente for fun, mostrando mais o conceito das câmeras de plástico do que imagens com qualidade (composição de elementos, luz, exploração dos recursos da película), o hype lomo é muito bem-vindo, pois afasta um pouco a frieza das digitais e ajuda a manter a beleza da cultura analógica, além daquele friozinho na barriga que dá na hora de mandar os filmes pro laboratório.

Para saber mais: www.lomography.com

No Brasil: www.lomography.com.br

Lista de discussão LomoBR: lomobr_subscribe@yahoogroups.com

Alguns lomógrafos brasileiros

http://www.flickr.com/photos/cavalera/ (eu!)

http://www.flickr.com/photos/damiaosantana

http://www.flickr.com/photos/andretakeda

http://www.flickr.com/photos/ricd/

http://www.flickr.com/photos/juliofranca/

http://www.flickr.com/photos/mardruck/

http://www.flickr.com/photos/lomotar/

http://www.flickr.com/photos/tato