Archive for the ‘arquitetura’ Category

Decorar pela internet, é possível?

quinta-feira, junho 24th, 2010

Inventaram uma resposta que soluciona qualquer tipo de problema: Google. Certo? Nem sempre. Se tem um circuito em que a internet ainda não conseguiu substituir totalmente o tête-a-tête é na sempre penosa e cara hora da obra. Todo mundo já passou por uma reforma e todo mundo saiu traumatizado. Orçamentos estourados, atrasos, falta de material, um desgaste sem fim, mas afinal inevitável. Obra significa mão na massa, e nessa hora o computador não pode ajudar muito.

Um novo site acabar de surgir para tentar diminuir o stress de quem se aventura a redecorar sem a ajuda de um arquiteto. O DecoradorNet é um serviço de consultoria, em que você diz que ambiente quer mudar, responde um questionário para tentar definir o que quer no final, e uma equipe de arquitetos prepara um manual de algo que você pode seguir. Para tanto, eles contam com o Studio DWG, um escritório novo, mas que já participou de mostras importantes como a Casa Cor SP e a Casa Hotel, e com parcerias com lojas conceituadas que supostamente oferecem descontos exclusivos para usuários do site. O cliente escolhe ainda uma das 7 arquitetas virtuais, cada uma com um estilo, para direcionar seu gosto: casual, urbano, masculino, teatral, romântico, espirituoso ou natural.

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As imagens mostram como o projeto é entregue ao cliente: planta, conceituação e tutorial, perspectiva e indicações de móveis e objetos.

A iniciativa é bem interessante e o visual do site é moderno e convidativo. Os projetos completos feitos pelos arquitetos que custam a partir de R$520,00 e em 15 dias o DecoradorNet entrega seu projeto, mas enquanto isso vc acompanha seu andamento pelo site e por email. Vc recebe o seu projeto todo detalhado, com um passo a passo e uma lista de móveis com descontos exclusivos! Se precisar de alterações, vc tem 20 dias úteis para solicitar mudanças e ajustes

Problemas são comuns no começo de qualquer obra/reforma, e esse é um que acho que pode evoluir, e muito, para se tornar algo real e presente na vida das pessoas, como aconteceu com o internet banking ou o e-commerce.

Papai Noel sem dramas

domingo, dezembro 13th, 2009

Para ter pelo menos algum tipo de confraternização de fim de ano, reunimos um grupo de amigos (muitos deles colaboradores aqui do blog) e montamos um tradicionalíssimo amigo-secreto. Feito o sorteio, começaram os dramas: ninguém sabe o que dar. Parece que hoje em dia todo mundo é ‘difícil de presentear’. Mas sejamos sinceros. Achamos que todo mundo já tem tudo ou que não gostam de nada, por isso a apreensão. Eu sempre gostei mais de dar presente do que receber, então estou sempre atrás de boas dicas no assunto, e acho que a melhor saída para essas sinucas é procurar coisas inusitadas, divertivas e diferentes. Então vou contar alguns dos meus segredinhos para ajudar todo mundo que está suando frio com esse Natal.

Sei que não é para todos os bolsos, mas a Micasa, estandarte-mor das lojas de bom design, está com promoções que podem valer a pena. Eu não resisti e comprei uma caixa de algas dos irmãos Bouroullec com 20% de desconto. Outra opção incrível é a obra do artista Felipe Morozini, com fotos de bonecos de toy-art em situações inusitadas. Fora isso, e tirando os móveis com preços salgados, você encontra minuiaturas de móveis da Vitra, livros, espelhos, um monte de coisa que você só vai descobrir percorrendo os 3 andares da loja incrível do escritório Tryptique. Só o passeio já vale.

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Ali do lado foi inaugurado o Coletivo Amor de Madre, em outubro. Criado em 2004 por Ivan Hurtado em Medellín, Colômbia, e integrado em 2007 por Olivia Faria, o espaço se propõe a promover, apoiar, buscar parcerias, expor e comercializar as criações de talentos promissores, aliados a outros já consagrados. Lá você encontra peças de Lost Art, Jun Matsui, Leo Padilha, Coca Aguiar e muitos outros. Com tendência colaborativa, lá você encontra obras, objetos de decoração e design, jóias, acessórios de moda, e utilitários para uso doméstico e pessoal. Um mix de produtos exclusivos e limitados, com preço acessível e valor agregado elevado. Nem adianta citar peças. Tem que passar lá e conferir, pois cada canto esconde centenas de opções.

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Para o bolso que está apertado, ou para aquele amigo-secreto com valor limitado, uma ótima opção continua sendo o Segredo do Vitório. Uma loja online sediada em Curitiba cheia daquelas coisinhas engraçadas, coloridas e inusitadas que a gente enche a mala quando para para fora do país, com bons preços e boas idéias. Formas de gelo de Batalha Naval, bonecos de pelúcia de grandes filósofos e escritores, carimbos para torrada e muito mais. Você pode até fazer uma busca diretamente pelo valor que quer gastar. Em três dias a encomenda está na tua casa, só falta embrulhar.

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Agora, se mesmo assim você achar que teu amigo secreto não vai gostar do presente, melhor trocar de amigo.

Papel de parede que nunca enjoa

segunda-feira, setembro 28th, 2009

Já faz uns 3, 4 aninhos que todo mundo que quer se moderno põe papel de parede na parte mais destacada da casa. E nada daquelas palhinhas bege, ou floraizinhos singelos. Todo mundo se jogou nas cores vibrantes, nos motivos geométricos, na psicodelia dos 70’s, e outras ousadias mais. Mas todo mundo que vai comprar os rolos da moda acaba sempre hesitando naquela pergunta besta: ‘Mas será que eu não vou enjoar?’

Pois hoje chegou uma indicação deliciosa do Julian Lopes, de um projeto incrível do motion graphic designer Gregor Hofbauer para a agência de eventos Hirzberger em Viena. Junto com o estúdio de design Strukt, ele bolou um papel de parede digital, que funciona com dois projetores que mapeiam as paredes, e o ambiente vira um delicioso videogame.

Hirzberger Events – Digital Wallpaper from Gregor Hofbauer on Vimeo.

Como disse o autor do projeto, nada melhor do que um cliente que te dá liberdade para criar, e tem coragem para aceitar as idéias inovadoras. Acho que esse é o melhor caminho para a inovação.

Guggenheim inaugura fórum de discussões

segunda-feira, junho 22nd, 2009

Hoje o Guggenheim abriu suas portas “online” para abrigar um fórum de discussões sobre arte, arquitetura e design. O fórum é mediado e a discussão que inaugurou o fórum hoje foi “Between Over- and Undesign”, questionando como os arquitetos, designers, urbanistas e o restante de nós podemos tentar construir de forma harmoniosa e integrada com nosso ambiente, como acreditava fazer o arquiteto Frank Lloyd Wright. As perguntas são sobre valorização do espaço e o que podemos aprender a partir de diferentes soluções de design através da história e diferentes culturas?

Caso o assunto o interesse, o espaço promete ser um bom lugar para exercitar a mente em discussões inteligentes (que é o que o fórum almeja). Já tem um boa discussão por lá rolando.

Selby

terça-feira, março 17th, 2009

Estava procurando referências para compor um ambiente lá em casa, na verdade o único ambiente – moro numa kit na Bela Vista pertinho do centro e me deparo com o site the selby. Nele são apresentadas características fotográficas, pinturas e vídeos de pessoas interessantes que abrem a porta de suas residências para que Todd Selby registre tudo.
Destaque para o humilde estúdio de Micheal Stripe e seu companheiro Thomas Dozol, clique aqui e veja ele esfregando na sua cara os Warhols dele

Casa inspirada no Justice

quarta-feira, janeiro 7th, 2009

Quero morar nela:


GENESIS † HOUSE from PLANDA on Vimeo.

Dica do Lorenzo Mendonza

Estava com saudade de Lisboa e olha o que eu achei.

terça-feira, dezembro 16th, 2008

A minha cidade preferida no mundo acaba de ganhar um hotel design de verdade. Não é daqueles que pretendem ser, mas que são mesmo. Eles nem tinham que ter se preocupado tanto com a decoração dos quartos, uma vez que você abre a janela e dá de cara com o Mosteiro dos Jerônimos, um dos lugares mais bonitos da cidade. Mas eles se preocuparam sim, e fizeram umas instalações de cair o queixo. E que reforçam o que eu sempre digo: Lisboa não é mais aquela cidade veiuca, desdentada, cheia de mulher de bigode. Quem acreditar em mim, não se arrependerá. Mas enfim, propaganda de Portugal a parte (desde que saiu minha dupla cidadania, eu tô assim), o achado chama-se Jerônimos 8 e fica no Bairro de Belém. Sim…. exatamente onde fica a Fábrica de Pastéis de Belém, também conhecidos como pastéis de nata. Os quartos chamados “superiores” – lê-se que a tarifa também é superior – têm varandinha com vista pro mosteiro. Pode pagar mais que vale a pena. 

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A coroa da rainha

quarta-feira, março 26th, 2008

Saiu o resultado do concurso da comemoração dos 120 anos da mundialmente famosa Torre Eiffel, proposto pela Société d’Exploitation de la Tour Eiffel. O vencedor foi o escritório Serero Architects, com um projeto que não poderia ser mais surpreendente e ao mesmo tempo polêmico, considerando que estamos mexendo no âmago do orgulho francês.

Nova cara da Torre Eiffel

A torre, que hoje é o maior emblema do turismo arquitetônico mundial, foi concluída em 1889 pelo engenheiro Gustave Eiffel como uma base para comportar os mais diversos equipamentos para estudos relacionados à gravidade e à força do vento, sendo portanto, capaz de abarcar inúmeras vezes o peso suportado hoje. Tanto que até a Primeira Guerra Mundial, a torre servia de suporte para inúmeras antenas de rádio com transmissão para todo o país. Com seu sucesso do seu potencial turístico, a estrutura centenária foi despida de suas capacidades físicas e científicas, mas se viu refém de seu próprio sucesso, e hoje opera em capacidade máxima, deixando seus visitantes esperando até mais de uma hora por uma viagem ao topo.

Vista inferior

Tendo estas premissas em mãos, unindo tecnologia de ponta e uma boa dose de ousadia, o escritório vencedor propõe uma plataforma temporária que dobra a área do terceiro andar da torre (de 280 para 580m2), e com isso reduz as filas no térreo. A estrutura é feita em Kevlar, uma fibra polimérica da Dupont cinco vezes mais resistente que o aço, que além de ser apenas amarrada e não interferir na estrutura original, pesa absurdos 1.200kg (você pensou certo, o peso de um carro médio).

Para mim, como velho e cansado brasileiro, o fato mais chocante deste projeto é o custo previsto da obra, em míseros 1,3 milhões de euros, dinheiro que aqui seria suficiente para TALVEZ construir um ponto de ônibus. E dos mais simples, nada de sofisticação, hein? Por isso vou começar a guardar minhas moedinhas para ver se consigo conferir de perto o aniversário da ‘dama de ferro’.

Paranoid House

sábado, março 15th, 2008

Trabalhar com arquitetura é uma experiência quase sociológica, principalmente quando o objeto de projeto é a casa do cliente. A arquitetura institucional, comercial, industrial, ou qualquer outra, lida acima de tudo com o atendimento e a organização de espaços eficientes para cada atividade. Eficientes no sentido prático, estético, sinestésico e ergonométrico. A arquitetura residencial avança sobre um campo bem mais nebuloso e muito menos científico que é o do sonho. Quando alguém coloca a mão no bolso para construir e/ou decorar o espaço que vai chamar de ‘lar’, ela inclui neste investimento uma série de expectativas indizíveis que cabe ao arquiteto decifrar.

A casa é onde nos protegemos e nos abrigamos. Onde comemos, dormimos, descansamos. Todas as atividades mais básicas acontecem lá. Mas a casa funciona também como o símbolo máximo de quem somos, ou quem queremos ser. A partir dela organizamos todo o nosso cotidiano, nossas investidas na cidade, nossos horários, nosso hábitos. Lá guardamos o que gostamos, recebemos quem gostamos, contamos a nós mesmos nossos mais obscuros segredos. Alguns usam a casa para trazer o mundo para perto, outros a usam para excluírem-se dele. E ninguém está a salvo da saudade de casa.

Eu categorizo três tipos de casa: a casa-abrigo, a casa-palco e a casa-lar.

A casa-abrigo em geral mostra desleixo por todos os cantos. Móveis velhos e malcuidados (quando os hão), paredes nuas, falta de qualquer senso estético e desconhecimento completo da palavra conforto. Nesse tipo de casa o destaque certo é a TV, pois quem mora assim apenas dorme e toma banho lá. O tempo livre indoors é preenchido com a preguiça mórbida da televisão.

A casa-palco é o oposto. Vestida com a metidez de tudo que está em voga agora, ou o que já foi moda láaaaaa atrás, e hoje de apoia na muleta do ‘clássico’, essa casa tem um apuramento de detalhes assombroso. Seja nas alvíssimas superfícies minimalistas, ou nos maneirismos das coleções de bibelôs em cristaleiras de jacarandá, tudo tem seu lugar, perfeitamente espanado, e o visitante se sente automáticamente um intruso. É neste ligar que sentamos com a postura ereta na ponta do sofá, e sempre tem um chá com biscoitos a nossa espera (alguém pensou em Desperate Housewives?).

A última, a casa-lar, é aquela que combina o sofá italiano com a mancha de vinho do último aniversário. O quadro da Beatriz Milhazes está na mesma parede que a foto da primeira comunhão. O piso de mármore reflete as cortinas bordadas que a avó fez. A palavra de ordem aqui é conforto, e quem chega pela primeira vez já pode se jogar no sofá e tirar os sapatos. Aqui perigamos cair na maior cafonália possível, ou beirar o esnobismo das revistas de decoração, mas sempre haverá aquela coleção de bugigangas divertidas ou a marca de pé do filho na parede para contar um pouco a história do dono e nos deixar mais íntimo daquele espaço.

Toda essa dissertação surgiu porque ando reparando que atualmente as pessoas andam com um referencial deturpado das categorias acima. Muitas delas chegam pedindo uma casa-lar, mas na hora do vamos ver elas querem a casa-palco. Muito branco, muito bege, nada de bolhas nas paredes, por menor que sejam. Grandes estresses na hora da entrega da obra, brigas homéricas sobre o risco da maçaneta da lavanderia, lágrimas molhando o lascado da madeira. Essas pessoas se tornam muito infelizes com os pequenos detalhes, e deixam de ser felizes no contexto global, que é a premissa da última categoria.

Daí entra o papel do arquiteto-psicólogo, que tem que lidar com todas as inseguranças e as frustrações que as pessoas trazem do mundo para dentro de seus lares, e ali as querem compensar. Talvez hoje a arquitetura deva ser feita com receita médica, e eu que estou atrasado (ou careta) demais. Sou do tempo que lar se construía com história, não com Botox nas paredes. Também sou do tempo que em TOC era coisa de hospício, e não manchete da capa da Vogue.

Salve-se quem tiver uma Mercedes!

terça-feira, março 4th, 2008

A revista Casa Vogue pode ser considerada talvez não tão felizmente assim, a melhor publicação mensal atual de arquitetura de interiores do Brasil. Afinal de contas, o mercado editorial do setor se tornou um monstro caquético que junta auto-ajuda-da-decoração com desfiles de projetos ‘jabazentos’ completamente insípidos e deslumbrados com o Alucobond e o vidro (’ainda esse assunto?’ diria João Perassolo). A Casa Vogue talvez seja a única que busca projetos com alguma personalidade no país, apesar de muitas vezes se entregar a modismos auto-inflingidos e babação de ovo para os bambambãs. Pode ser que a culpa seja da arquitetura brasileira em geral, mas isso não vem ao caso.

Todos os anos, a Casa Vogue lança duas edições especiais, uma em janeiro com o ‘melhor’ da decoração, e em fevereiro, o ‘melhor’ da arquitetura nacional. Essas publicações, que se propõem a ser o crème de la crème do assunto, como tudo nas terras americanas do sul, se tornaram um extenso e caro rol de projetos risíveis com espaços comprados a preço de eletrodoméstico de inox. Pouca coisa se salva, e geralmente são os projetos dos convidados, que praticamente prestam um favor à revista em colocar seu trabalho lá.

Tudo isso para dizer que está rolando maior bafafá em torno do projeto publicado na ultima edição de fevereiro pelo grande arquiteto Marcio Kogan, que não teve dó em colocar seu projeto vencedor de menção honrosa em um concurso no ano passado: LePont Gucci. A proposta era que os concorrentes projetassem uma ponte de ligação entre o eminente Shopping Cidade Jardim e a Daslu, evitando uma pequena favela às margens do Rio Pinheiros. Claro que a história toda era uma gozação com o ’setor de luxo’ que devora o urbanismo de São Paulo, e o aparecimento de um projeto desses numa revista como essa foi a mais saborosa cereja do bolo possível. Até a Vejinha entrou no bate-boca e colocou o arquiteto on the stand.

‘Uma sofisticada estrutura atirantada por bel?ssimas correntes gucc?ssimas de ouro 18k e largas tiras de tecido’ côtelé rouge et vert

Muito barulho por nada, porque os revoltadinhos da Grow com essa história são os mesmos que se pudessem não titubeariam em construir alguma das propostas. A nós mortais, e reles usuários de espaços públicos, resta nos divertir com esta e as outras propostas ‘guccíssimas’ apresentadas no concurso, e esperar o Dia do Índio para poder usufruir dessas regalias.