Hoje começou o 17? Festival Internacional de Arte Contemporânea SESC_VideoBrasil, com o dinamarquês Olafur Eliasson, que fala hoje às 17h, no Sesc Pompeia (entrada gratuita, é necessário retirar convites com 2h de antecedência). A exposição se estende à Pinacoteca, onde há também obras expostas do Olafur.
Dá uma olhada na chamadinha que criaram para o festival convidando as pessoas a saírem da rotina:
Incrível esse projeto, que foi feito com 9.217 rolhas de vinho usadas em 50 horas. O vídeo foi feito com uma foto tirada a cada minuto. O artista aceita doação de rolhas para novos retratos: gundersen.scott@gmail.com.
Gosto bastante de grafite, não só de Banksy, mas tenho uma leve frustração porque mesmo em Londres, eu não vi um trabalho seu sequer. Nas minhas viagens acabo muito mais contemplando grafite ao acaso, do que necessariamente procurar por artes específicas, o que eu considero um erro. Apesar de sempre me deparar com trabalhos incríveis, seja em São Paulo, NY, LA, Londres ou Berlim, às vezes faltam referências para saber melhor o que eu estou vendo.
Enfim… o post nem era para divagar muito a esse respeito. Comecei a escreve-lo pelo aplicativo Banksy Locations que acabei de descobrir. A busca por trabalhos do Banksy pode ser feita de diversas formas: pela localização, através da galeria do app ou nome da obra que quer ver. Além disso também há vídeos e uma área só de notícias a respeito do artista. Para quem é fã, vale cada centavinho dos US$ 1,99 que custa.
Um mini documentário feito no Transmediale Festival, que rolou na semana passada em Berlim. Para quem se interessa por arte e aprecia uma discussão a respeito. O filme apenas inicia uma longa conversa e convida o público para participar e opinar sobre ela.
O Google lançou um projeto incrível com o Google Street View, em que “invadiu” alguns dos principais museus do mundo e agora você pode percorrer seus corredores sem gente te empurrando, sem precisar dar saltos para conseguir ver a obra, com apenas um clique. O Google Art Project te dá o gostinho de visitar vários museus sem sair do seu sofá.
Acho que é um jeito legal também de se preparar previamente para visitar um museu. Alguns dos meus favoritos estão por lá. Ah, e passa no Van Gogh, que é o museu que me fez chorar emocionada. Eu senti falta do Museu do Prado e D’Orsay.
Outra coisa bacana é que é possível criar uma coleção de arte, reunindo suas obras favoritas.
Eu amo projeções e super babei no trabalho do VJ Spetto, no Planeta Terra, no Main Stage com seu video mapping. Hoje quem me tirou o fôlego e fez arrepiar os pelinhos do pé, foi a agência MUSE. Eles preparam um super show de projeção 3D com mapeamento do prédio da nova flagship da H&M, que abriu no último dia 22 de novembro, em Amsterdam.
Sempre gostei muito de pessoas que entregam seus corpos à arte, seja em performance, body art, dança, etc. Não conhecia o trabalho da iugoslava Mariana Abramovic (ou não lembrava dela), que é uma das pioneiras na arte da performance. Em 1973 ela estreava com seu primeiro trabalho, Rhythm 10 e depois disso não parou mais.
Na Monocle desse mês ela conta toda sua experiência e também faz uma análise bem crítica sobre o trabalho do artista, em que defende veemente que artista não tem que produzir obra pra ganhar dinheiro. A partir do momento que ele produz algo como um produto, isso deixa de ser arte.
Claro que quando você analisa todas as conquistas dela, que hoje tem 3 propriedades em NY, você fica com aquele ponto de interrogação na testa. E não são quaisquer 3 lugares: são um loft no SoHo, um teatro na Hudson (é, um teatro!!!) e uma casa no formato de estrela, onde vive, na Upstate NY. Parece um tanto contraditório depois de entender sua crença, mas pelo que acabei pesquisando sobre ela, posso dizer que não é, suas conquistas são apenas consequencia do trabalho que tem feito.
Ela acredita que acabou se tornando uma marca. Assim como as pessoas ouvem Coca-Cola e sabem do que se tratam, quando elas ouvem “Marina Abramovic”, elas sabem que é sobre performance e não sobre pintura. Por isso almeja abrir em 2012 um instituto de performance no teatro que possui, com seu nome.
Ela conta que depois de formada, ela (entre 75 e 80) viveu por 5 anos dentro de um carro, pois não tinha dinheiro, ninguém pagava pelo trabalho dela, mas ela acreditava no que fazia e persistiu. Hoje tá aí… fazendo o que acredita e faturando.
Esse ano muita gente falou sobre ela, pois rolou uma retrospectiva do seu trabalho no MoMa no primeiro semestre, a exposição “The Artist is Present”, que recebeu 700.000 visitantes. A performance totalizou 736,5 horas de trabalho da artista durante o tempo que ficou em cartaz e causou reações diversas. Algumas personalidades passaram por lá como James Franco, Rufus Wainwright, Matthew Barney, Björk e sua filha, Isadora, que conseguiu ficar 3 minutos encarando a artista.
Para essa retrospectiva, ela fez teste com 100 pessoas e selecionou 39 para trabalhar com ela. Ela mesmo afirma que o trabalho não foi fácil. Eles ficaram trancados na casa dela como sardinhas, ou seja, sem qualquer conforto; sem comer e falar por 3 dias (eu teria despirocado). Eles tomavam banho num rio geladíssimo e passavam o dia fazendo exercícios diversos (e severos). Um deles era separar areia de gergelim e depois conta-los. Ela também levou-os vendados para uma floresta e eles tiveram que encontrar o caminho de volta. Depois de 3 dias, parte da galera já andava desmaiando pelos cantos. Ela perguntou se eles queriam desistir, mas todo mundo quis ir em frente.
Ela diz que seus espaços favoritos são mosteiros e sanatórios, porque nesses lugares se lida com a regularidade. O corpo para ela é uma ferramenta de trabalho, como uma máquina. Ela acredita que o corpo tem que ter essa regularidade, como um relógio suíço, pois assim se consegue a almejada libertação da mente.
um dos seus trabalhos expostos na retrospectiva*
Gostei também do que ela fala sobre ideias, que surgem sempre como uma surpresa. Se temos uma ideia, gostamos dela, temos certeza de que a ideia é boa e é só executar, ela diz que provavelmente a ideia não é boa o suficiente. Marina afirma que uma boa ideia faz você ficar obcecado por ela, causando sensações diversas no estômago. Um misto de medo e pânico. Aí sim, pode levar a sério porque a ideia é boa. E é assim que ela vive, sempre atrás de ideias que a deixam atormentada, para só então se transformarem em algo concreto. Sua casa é cheia de blocos de anotações espalhados para que ela não deixe uma ideia escapar caso tenha uma.
Para a exposição “The Artist is a Present” ela teve uma preparação no nível de treinamento do programa espacial da NASA. Ela tinha uma nutricionista, que criou uma dieta com o mínimo que ela poderia comer, pois teve que regular o organismo para dias seguidos sem almoço, já que a performance durava 7 horas ininterruptas e às sextas-feiras, eram 10 horas! Ou seja, horas e horas sem comer e beber absolutamente nada.
Ela termina a entrevista falando sobre a última obra do Damien Hirst, o “Fim de uma era”. Ela enxerga como o fim da arte como mercadoria, o que ela considera insano. Para a artista, dinheiro não tem nada a ver com arte. Os artistas ficam ricos e a sociedade não vê nada de errado nisso. Mas não é a proposta de um artista: ser famoso e rico. Então a arte não funciona se o objetivo do artista é esse.
(*aliás, essa obra está exposta atualmente no Byblos Art Hotel, que coincidentemente vi no dia que comprei a Monocle e li a entrevista com a Marina Abramovic)
Sou várias e às vezes todas estão no mesmo lugar. Aqui escrevo sobre meus projetos noturnos, diurnos, andanças, leituras, música, tecnologia e claro, muito papo furado.