Archive for the ‘devaneios’ Category

HUNGER DOMINATES MY SOUL

quinta-feira, setembro 1st, 2011

Luísa Moraes para Revista Status, por Manuel Nogueira (eu! rsrsrs)
Styling : Juliano Pessoa e Zuel Ferreira
Beauty : Lavoisier
Trilha composta por Bruno Serroni com vocal e letra da própria Luisa Moraes

Ecofriendly, Ecofail

quarta-feira, setembro 30th, 2009

Nunca me considerei exatamente uma ameaça ao meio ambiente. Ah, separo minhas latinhas das outras coisas, não jogo lixo na praia, e fico comovida de verdade olhando ursinhos polares bebês no Discovery agonizando porque a casinha deles está derretendo e tal. A consciência começou a apertar mais ultimamente. Iniciou-se a saga em um churrasco que organizei outro dia, no qual participarem um casal de homo sapiens ambientalicius (aquelas colegas que tem casa ecológica com energia solar e tudo mais) – que apontaram, desapontados, minha incauta escolha de talheres, copos e pratos: descartáveis.

Como tais convidados não eram exatamente íntimos, achei de bom tom não sugerir que eles limpassem os práticos utensílios e cinzeiros com a língua, fazendo o favor. Superior, iniciei uma ardente discussão sobre as dificuldades de ser ecofriendly na “vida real”. Essas nossas, moradores da cidade grande, cujo edifício não tem coleta seletiva, a máquina de café do escritório já sai com copinho e que não são legítimos proprietários de 50 conjuntos de pratos e talheres à disposição nos seus churrascos.

Comentaram-nos tais elucidados, que todos nós temos a responsabilidade por mudar as pequenas decisões do dia-a-dia e consumir de forma consciente, que o fardo da saúde do planeta está nas nossas costas. Ou seja, me chamaram basicamente de assassina de ursos polares bebês. Culpada, resolvi assumir um desafio: tentar por 7 dias uma vida Ecofriendly e relatar para eles minhas descobertas e incautos.


[Gostei do meu momento Globo Repórter. Posso até ver a chamada “E a seguir, a saga de uma garota normal da cidade de São Paulo. Quais as dificuldades atuais da vida ecologicamente correta? Como mudar seus hábitos em poucos dias? Veja após os comerciais”. ]

Compartilho com vocês também.

consumption

1º dia – Segunda-feira- 28/09
Um ser superior

Acordei empolgada com a idéia, que nem primeiro dia de regime que você come alface no café da manhã. Guardei a chave do carro. Que ônibus que nada, caminhada! Super ecológico. Foi divertido caminhar ao lado do parque Ibirapuera, nem tanto engolir fumaça na São Gabriel, mas o planeta merece. Logo descobri que demoro tanto chegando a pé quanto de carro, vejam só. Menos gasolina E calorias.

No escritório, minha primeira dose de café – achei uma caneca feia de empresa de seguros no armário. A descoberta de como tirar café da máquina, sem cair o copinho, deveria me dar direito a um diploma de engenharia (ei, eu não consigo instalar um DVD, mereço o mérito).

Passei o dia sem imprimir uma folha sequer. O relatório de 100 páginas revisei na tela mesmo. Demorou umas 2 horas a mais (damn emails, facebook e MSN), mas saiu. Em algum lugar do mundo, uma árvore sorriu.

Supermercado à noite. Desfilando com minha linda ecobag preta, de mais de um ano de idade e segundo dia de uso, olhei com ar superior para todos demais clientes consumidores de malignas sacolas de plástico.

Verduras orgânicas e xampu ecológico, que não é testado em animais. Na área de frios, solicitei para tirar a bandejinha de isopor. O moço me olhou com cara de cuméquié. Expliquei, pacientemente: - Veja bem, Sr. seu Zé, que isopor na natureza demora mais de 930 anos para se deteriorar, por isso é melhor não utilizarmos sempre que for possível. [Não, eu não sei quantos anos se deterioram isopores, mas achei um bom chute e o Sr. Seu Zé também achou, pareceu.] Coloquei o queijo e peito de peru bamboleando dentro do carrinho.

Dúvida surgiu na garrafa de água: PET deve estar errado. Acho até descobrir o que fazer, vou ter que tomar água ligeiramente amarelada da torneira de casa.

Nota mental ao chegar em casa: comprar uma ecobag cuja alça não estoure nas duas quadras caminhando de volta. Graças a deus, todos meus produtos amigos-de-bichinhos continuam intactos.

2º dia – Terça-feira – 29/09
Ecofail

Acordou chovendo. Juro que pensei em ir para Congonhas a pé. Observem que, apesar de eu estar colaborando com o meio ambiente, ele não está colaborando comigo. Fui de táxi.

E avião para o Rio.

Resultado: Sentimento de culpa equivalente a big mac, milk shake e bolo prestígio no segundo dia de regime.

3º dia – Quarta-feira – 30/09
Reenergizando

Sem desanimar, acordei com a brilhante idéia de neutralizar minhas emissões de carbono. Fui pesquisar  e calculei quanto custou ao planeta minha viagem ontem. Com uma árvore apenas consigo neutralizar não só minhas emissões, como mais 80 passageiros!

Vim de carro (coloquei na conta da árvore). Como um sinal divino, ali na R. Veneza do Jardim Europa. um caminhão de árvores com placa “Jabuticabeiras Produzindo”. R$ 25,00.

Sabe aqueles raciocínios que você pensa pela metade? Assim foi a compra da jabuticabeira produzindo. Pobre jabuticabeira, produzindo no meu porta-mala.

Alguma idéia onde enfiar uma jabuticabeira produzindo em SP?

(Obs 1: Algo me diz que perguntar na internet onde enfiar uma muda não gerará boas recomendações.

Obs 2: Continuarei oportunamente o relato da semana, incluindo o ainda incerto destino da muda de jabuticabeira produzindo. [Propaganda para você não trocar de canal. Quer mais Globo Repórter que isso?])

Preços de shows no Brasil

quinta-feira, agosto 13th, 2009

Li uma reportagem esses dias (não me lembro onde, se alguém souber comenta por favor) falando sobre os preços dos shows do The Killers no Brasil. A reportagem falava que o ingresso mais barato vai custar R$200,00 e o mais caro vai ser R$350,00. O texto começava então a fazer uma comparação de preços do mesmo show em países da América Latina (no Chile e na Argentina sairá por cerca de R$ 80,00) e nos Estados Unidos (eles tocaram no Lollapalooza no final de semana passado e o ingresso custava US$80 (R$160,00 ou menos nos dias atuais) por dia de evento – ou seja, você via Killers mais uma porrada de banda). Isso tudo para mostrar o quanto estamos pagando caro por shows, não só nesse, no Brasil.

É claro que existem algumas causas para essa diferença: as coisas são mais baratas no Chile e Argentina; nos EUA se marca mais de 10 shows no país, o que acaba barateando a turnê; e aqui ainda joga-se muito a culpa do preço alto em cima da carteirinha de estudante, já que grande parte do público paga metade do ingresso.

Porém, mesmo com todos esses pontos, eu ainda acho que rola um abuso grande por parte dos organizadores. Talvez a Lalai por estar mais envolvida nesse meio tenha uma opinião diferente, mas para mim é muito “não haverá outra oportunidade, então posso jogar o preço lá em cima”.

E vocês, por que acham que a gente paga tão caro por shows no Brasil?

you are not alone, lindsay.

quarta-feira, abril 8th, 2009

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A gota d’agua para escrever este post foi ver a cara de cachorro sem dono da Lindsay Lohan,  falando sobre o término do seu namoro com Samantha Ronson.

Baixarias e tabloides a parte,  acabar um namoro ocupa um lugar proximo a apertar o dedo na porta do carro na ESCALA DA DOR. A gente sofre, vive no esquema REHAB- um dia de cada vez – além de começar a se identificar com as personagens mais  toscas da industria cinematografica.

O ponto nao é voltar a ser solteira, mas encarar a decepçao de nao ter conseguido levar a relaçao como voce queria.

Uma realidade alternativa começa a ser formar em torno de voce: horoscopos e sites de numerologia tornam sua principal leitura, voce procura a tag #fimdenamoro no twitter para ler e se confortar com o sofrimento alheio,afinal, one is the loneliest number that will ever do (two can be as bad as one though – o que a gente geralmente esquece mesmo com um relacionamento falido).

Pode ficar TRANKS que eu nao vou chorar as minhas pitangas e dissabores aqui.

Hoje eu vou pagar de PSICOLOGA E RECURSOS HUMANOS  e apresentar uma dinamica intitulada JOGO DO CORAÇAO PARTIDO.

(mais…)

Feliz 2009!

quarta-feira, dezembro 31st, 2008

Adoro fazer meu balanço de final de ano e este não será uma exceção. Já fiz minha listinha de resoluções para 2009, mas há coisas que gostaria de compartilhar por aqui.

2008 foi um ano incrível e realizando coisas do começo ao fim:

- cresci profissionalmente na agência Click;
- firmei a festa Rebel junto com a Debut e temos lotado todas as nossas sexta-feiras;
- a Crew foi a festa que mais se destacou, fez barulho, amizades e inimizades. Foi um projeto que me tomou um tempo absurdo, mas valeu a pena cada minutinho gasto. No final levamos pelo guia da Folha como melhor projeto do ano tanto pela crítica quanto pelo público.;
- nasceu a Fcku, que é um projeto da Rebel em conjunto com a festa Funhell, que tem entre o trio, o Fabrício Miranda com que eu já venho namorando há algum tempo para fazer um projeto junto;
- entraram pessoas incríveis na minha vida este ano como a Ana Laura, a Biti, o Gui, a Cristi, o Rabih, a Marisa entre outras pessoas bem especiais;
- fui ao Lollapalooza, vi Radiohead duas vezes e dancei no palco com o Girl Talk no All Points West;
- fiz uma viagem incrível para Chicago e NY com a Dani, que eu amo muito;
- conheci o Ola, me apaixonei e tivemos uma história maravilhosa juntos;
- coloquei a vida financeira em ordem, que foi o objetivo número 1 para 2008;
- pedi demissão com a cara e a coragem e agora estou preparada para alçar bons vôos solos e alguns bem acompanhada;
- achei o apartamento dos meus sonhos;
- me reúni com alguns dos amigos mais queridos e vim fechar 2008 aqui em Buenos Aires.

E agradeço a todos que deram uma baita força, estiveram juntos, que foram nas festas, que aguentaram meu mal-humor, que deram risadas comigo.

E desejo a todos um feliz ano novo e que 2009 seja um ano ainda mais incrível!!! 

Nos vemos em breve. FELIZ AÑO NUEVO!

O efêmero e o inesperado.

segunda-feira, dezembro 15th, 2008

Desculpem o desabafo.

Como esse blog é coletivo, sempre achei que não era o melhor lugar pra falar de mim mesmo. Por isso sempre escrevo de coisas que eu gosto, de coisas que eu acho interessantes pra diversnao mesmo, sem maiores pretensões. Mas hoje eu acordei meio estranho e resolvi desabafar um pouco e também mostrar um vídeo que eu fiz outro dia que é meio que essee clima que estou hoje.

Minha vida sempre foi um inesperado atrás do outro. Coisas que eu nunca imaginei que aconteceriam comigo acabaram acontecendo e me dando novas perspectivas e novos horizontes. Hoje em dia eu me concentro cada vez mais pra ser um pouco mais “previsível” comigo mesmo, o que na verdade nem sempre acontece. E isso é uma ilusão de pé no chão, que de alguma forma eu teria que ter. Mas esse meu pé no chão acaba me trazendo mais dor de cabeça do que minhas “irresponsabilidades adolescentes tardias” e isso não me ajuda em muito, eu garanto.

Quando eu acho que tudo vai bem, um piano de cauda cai na minha cabeça. E esse piano sempre me traz, além da dor na cabeça, uma tristeza imensa. E pra piorar, essa tristeza acaba me fazendo enxergar muito mais coisas e problemas do que eu deveria sequer supor, porque daí eu já tô com umas teclas do tal piano encravadas no meu cérebro e ele acaba funcionando de formas misteriosas para o meu desagrado.

Lidar com fantasmas do passado e suas loucuras e suas oscilações de humor e educação também é uma coisa que me detona, muitas vezes até mais que o piano e suas cordas que me estrangulam e suas teclas que me perfuram. No meu mundo ideal, todo mundo seria feliz e ninguém dependeria de outro pra felicidade. A história de que a nossa felicidade está dentro de nós mesmos é a mais pura verdade. Mas o que fode com o mundo é que todo mundo acha que a sua felicidade depende de outra pessoa, ou de um amor, ou de um amigo ou de um amante. E é mentira isso. Outras pessoas podem te deixar feliz, mas eu duvido que te faça feliz. As pessoas não acreditam nisso e eu não aprendo a lidar com as pessoas que não acreditam nisso, Sim, sou cabeça dura, burro e idiota e o pior, eu acredito nas pessoas, acho que elas mudam, acho que elas são ótimas e dou todo o meu voto de confiança até que POW, levo porradas e mais porradas na cara. Daí dias depois ouço desculpas pela conduta e explicações vãs e vagas que não me convencem nunca. E eu dou mais um voto de confiança, mais outro e mais outro. E continuo apanhando e levando e chego em casa triste, desiludido e me acabo.

Eu acho que um dia, quando eu estiver velhinho, morando no meio do mato da Escócia (sim, meu plano é esse), eu vou aprender a relaxar, tenho certeza. Mas enquanto isso continuo por aqui apanhando e levantando e aprendendo. O vídeo é meio sobre tudo isso, melancólico e solitário.

E o Radiohead, hein?

quarta-feira, dezembro 3rd, 2008

Hoje só pipocam mensagens no meu msn perguntando o seguinte: 

- E aí, qual vai ser o esquema para comprar ingresso para o Radiohead?

- Hmmmm… não sei. Antes da meia-noite de amanhã já estarei de plantão em frente ao computador para clicar “comprar” assim que der 0h!

- Acho que vai travar. Tem plano B? Eu quero ingresso para os dois shows. – todos meus amigos querem ir nos dois shows.

Num momento de total arrogância eu respondo com um belo gostinho na boca:

- Ah, Radiohead tem que ver 2x mesmo. Uma para assimilar e outra para curtir. Como eu vi duas vezes e vou entrar em crise econômica, vou ter que me contentar com apenas um show. E vai ser o terceiro. – Sorry!

Sinto que do outro lado há uma vontade imensa de me matar, mas só vem uma risada na mensagem.

- E o plano B?

Estou empolgada. Já escrevi tudo que tinha que escrever sobre os dois shows que vi, mas a sensação que tenho é de que vou vê-los pela primeira vez, afinal Radiohead é uma das bandas da minha vida. Vamos ver o que nos espera na sexta-feira, se será felicidade por ter conquistado um ingresso na madrugada ou o medo de ficar na mão.

E ontem no canal do Radiohead no Youtube, eles divulgaram mais um vídeo do concurso de animação. A música é 15 Step, que foi a música que abriu o show do Lollapalooza. A animação foi feita pelo Kota Totori:

Gui Jotape – o cara

terça-feira, novembro 25th, 2008

Esse é o cara. Ele senta do meu lado na agência, tem um bom-humor incrível, está sempre fazendo ótimas piadas, cantando, rindo e criando. Lembro-me a primeira vez que eu vi este cara sentado na recepção esperando pelo horário da entrevista. Ele me pareceu simpático, mas não chamou minha atenção. Logo que começamos a trabalhar juntos eu descobri nele um ser bem curioso, para não dizer fascinante. Ele é o cara que eu adoro conversar sobre qualquer coisa: idéias, chorumelas, trabalho, viagens e mesmo papo furado. Ele foi uma das primeiras pessoas a saber que eu estava apaixonada pelo Ola. Confidenciei como o faria para minha melhor amiga. Ele riu e falou “que ótimo”.

Ele tem um “que” de artista. Quando penso nos encontros que os artistas faziam no século XVIII em salas mal-iluminadas cercados de álcool, ópio e muita poesia, eu vejo ele lá no meio.

O Gui é designer, foi parar no planejamento e agora é uma das ótimas cabeças de Social Media da AgênciaClick. Todo mundo quer o cara e vivem pensando em formas de roubá-lo para outras áreas. Enquanto isso ele pensa em novos formatos de áreas e idéias mirabolantes de como conquistar o mundo. É uma idéia atrás da outra. Ele é aquele cara generoso e com um ouvido do tamanho do mundo. Depois desses 3 meses que estamos trabalhando junto eu posso dizer que o Gui é um cara que agrega muito o tempo inteiro.

Ele foi o cara que fez a versão Obama na versão “caixinha de chocolates ao leite Pan” que tem roda a internet. E eu assisti o passo a passo até chegar na versão final.

Assim como eu, o Gui surta. A diferença é que ele não baba. Quando ele entra no modo autista, ele coloca o fone, pega o caderninho e começa a desenhar. E é nisso que eu queria chegar. O Gui é uma das pessoas mais talentosas que eu conheço. Eu sempre fico babando nos desenhos dele e torcendo para ele conquistar cada vez mais espaço como cartunista. E claro, continuar meu amigo, afinal pessoas interessantes e talentosas, que agregam na vida da gente, são as que valem a pena ter ao lado sempre.

Visite o blog Verborragia Gráfica, o Mundo segundo Jotapê com os “rabiscos” que ele faz sentado ao meu lado e o Learn with the Papa e conheça melhor o universo do cara de quem estou falando.

E o amor?

segunda-feira, novembro 10th, 2008

Quem me conhece sabe que sou quase uma tola romântica. Talvez os que me conheçam mesmo lerão esta primeira frase e se questionarão: “quase?”. Sempre fui assim: sonhadora e com os pés fora do chão. Talvez seja meu lado geminiano, insensato, desastrado, incontido. Eu não ligo. Vivi histórias e mais histórias. Choro e dou risada. Sou feliz muitas vezes e me ferro outras tantas. Mas não ligo. Como dizem “estamos aí”.

Os devaneios são causados pela atual situação do coração. Quando entramos em uma história, a gente nunca pensa no final dela. Aliás, final é algo que muitas vezes está fora de cogitação por mais rápido que ele possa chegar. É aquele que parece ser para sempre, antes da tal degradação que na maiorias das vezes vem. Aí vem a raiva, a tentativa frustrada de suícidio e pensamentos de que a vida não terá mais graça. Até chegar o próximo. E geralmente ele chega.

Fazia um bom tempo que eu não namorava. Namoro à moda antiga, afinal muitos relacionamentos correm solto sem que a gente assuma algo. Talvez para ter a “liberdade” no colo e dar uns pulinhos por aí sem a consciência pesar, mas de repente a gente se apaixona. E fica boba. Não conheço ninguém que se apaixonou e não emburreceu. Só as racionais, mas elas eu não conheço. Eu emburreço sempre. E fico cega. Dou risada à toa e falo mais bobagem que o normal. Fico insuportavelmente feliz.

Tudo foi tão rápido dessa vez. Talvez porque o tempo seja curto. Uma história que nasceu com data para terminar: 21 de dezembro de 2008. Não, ninguém vai morrer, mas ele vai partir. Você apenas saca que os objetivos de vida são muito diferentes e não se encaixam. Alguém teria que abrir mão. Eu não consigo. Parece que ele também não. A gente titubeia e até faz planos, mas lá no fundo a gente não acredita muito. Claro que a gente finge. Isso facilita demais para não antecipar o sofrimento da separação.

Eu já sei que passarei o natal deprimida, que vou chorar e vou morrer de saudades. No reveillon eu vou virar uma garrafa de champagne e fazer meus pedidos para a gente ficar perto novamente. Depois eu já não sei.

Agora eu apenas tento não ficar na contagem regressiva. E aí eu sento e me pergunto: e o com o amor, como a gente faz? A verdade é que eu odeio quem vai embora.

O bom de momentos assim é que fico infantil. Fico manhosa e encano com todas as bobagens do universo. E até gosto, porque resgato um monte de coisas que parecem ter ficado tão distantes. Como a gente endurece, né? E eu não gosto disso.

E não tem jeito, falar de amor é sempre brega. Então vai um vídeo de uma música que diz tudo e que eu amo para ver se salva o post:

Devaneios sobre a fragilidade das relações

quarta-feira, outubro 29th, 2008

Às vezes eu me surpreendo no quanto nossas relações são frágeis. Um dia somos melhores amigos, amanhã deixamos de nos falar. Isso já aconteceu algumas vezes na minha vida, seja porque eu pisei na bola ou porque pisaram na bola comigo. O perdão muitas vezes não vem fácil e às vezes ele nem vem.

Pergunto-me, muitas vezes, o quanto vale uma amizade. Parece-me que às vezes ela vale muito pouco. Para quem errou. Para quem foi atingido pelo erro.

Eu já estive dos dois lados. No primeiro fui perdoada algumas vezes. No outro lado eu perdoei sempre. Se as relações voltaram a ser a mesma, é outra história, mas as verdadeiras superaram. Aí é questão da confiança que foi abalada e teve que ser reconstruída. O que eu acredito é que as pessoas erram. Erram por bobagens, por insegurança, por não pensarem nas conseqüências, por perderem a consciência e dar vazão a própria insanidade, por provocação, por desilusão, por vingança, por imaturidade e às vezes sem até saber que estão errando. Há má fé nas pessoas? Há também, mas neste momento eu estou falando das pessoas boas. Naquelas que eu conheço a fundo, nas que eu acredito, nas que eu sei que tão um coração gigante, nas que se magoam para não magoar o outro, mas que às vezes erram. Erram porque são humanas, porque não pensaram e deram vazão a um momento que, de repente ganhou uma dimensão tão gigantesca que só aí se deu conta do erro.

Meu pai sempre deixou claro para mim que eu ia errar um bocado na vida e que era para eu nunca me preocupar em ser uma pessoa perfeita. Ensinou-me que o importante é ser uma boa pessoa, mas que ser boa não me isentava de cometer meus delitos. Quando eu cometia meus deslizes infantis, eu era castigada. Ele me deixava horas sentada no sofá (e não podia dormir enquanto estivesse lá) pensando no que fiz e porque fiz. Depois conversávamos e aprendi muito com isso.

Felizmente cresci cercada de diálogo e com uma das pessoas mais humanas que conheço: meu pai, que sempre pediu para eu não ser egoísta e para pensar sempre nas pessoas à minha volta. Eu me considero uma pessoa generosa. Talvez menos do que meu pai esperava que eu fosse (já fui mais). Acho até que já fui mais magoada na vida por pessoas que gosto do que o contrário, mas sei que magoei algumas e paguei um preço bem alto, pois me magoei por ter feito o que fiz. Mesmo sabendo do risco de errar, eu sempre tentei não fazê-lo. Afinal ter cuidado é algo inteligente.

Somos humanos e errar é inerente. E claro, muitas vezes erramos justamente com quem mais amamos. Muitas vezes são nas pessoas próximas que descarregamos nossos infortúnios. Mas acho que (quase) todo erro merece perdão desde que o outro assuma o erro, que nem sempre tem um motivo. Só não espero perdão das pessoas perfeitas, mas ainda não conheci nenhuma. E estou falando dos erros que citei acima. Dos erros que cometemos, mas que necessariamente não mude todo o curso da vida de alguém.

Isso tudo pode ser clichê, mas funciona e ajuda dar leveza à minha vida. Sempre aprendi com meus erros e eles aumentaram meu cuidado para que sejam cada vez menores, mas sei que posso deslizar, assim como você que está lendo esse texto também.

E quem nunca errou que atire a primeira pedra no monitor.

(imagem: http://www.flickr.com/photos/pauljmuk/2692517585/)