Archive for the ‘pessoal’ Category

A invenção da mentira

domingo, março 7th, 2010

Desde a infância aprendemos que é feio mentir, mas mesmo assim passamos a vida mentindo. Sejam pequenas e tolas ou grandes e perigosas as nossas mentiras.

Eu entrei em parafuso há um tempo atrás sobre esse assunto, pois às vezes a mentira toma proporções que fogem ao controle e transforma a vida do seu interlocutor num “mundo faz de conta”. Uma fábula em que ele acredita fazer parte. A mentira nesse caso não era minha e sim de duas pessoas que faziam parte da minha vida. É, duas! Para lidar com o assunto, o destino me encaminhou duas pessoas com perfis bem similares e como eu sou uma pessoa que acredito no ser humano, caí como patinho na balela de ambos.

Muitas vezes tentei entender se ambas eram mitômanas ou se realmente as mentiras foram saindo do controle a ponto de ter que criar uma vida baseada nela. Desisti.

Li bastante a respeito, revi minha própria vida e minhas próprias mentiras que se transformaram em verdades. Não sou expert no assunto, mas ele me interessa bastante. Livros sobre o assunto não faltam.

Ricky Gervais é para mim o mestre de trazer assuntos cotidianos de uma forma incrível para a tela. Vide The Office. Um de seus últimos lançamentos foi o filme “The invention of lying“, em que Gervais escreveu e dirigiu à quatro mãos com Matthew Robinson.

O filme conta a história de um mundo em que a mentira não existia, tanto que no momento em que ela surge, o personagem Mark (Ricky Gervais) fica procurando uma palavra para descrever a mentira e não encontra. Acaba o diálogo dizendo que não existe uma palavra para definir o que fez e tenta explicar de maneira prática a mentira, porém como ela não existia, seus interlocutores não entendem.

O filme é simples e genial. Ele beira o insuportável, já que as pessoas falam o tempo todo o que elas realmente sentem. Ninguém poupa ninguém, a vida é sem graça, as emoções parecem contidas e, obviamente, todo mundo acredita no que todo mundo diz, até que Mark descobre a “manipular a verdade” e começa a usá-la para conquistar uma mulher.

O elenco é primoroso: a mulher pela qual Mark se apaixona é vivida pela atriz Jennifer Garner, além de John Hodgman (do Daily Show with Jon Stewart), Tina Fey (30 Rock), Rob Lowe, Jonah Hill, Christopher Guest, Jeffrey Tambor e o comediante Louis C.K.

O filme deixa claro que seria insuportável viver sem a mentira. O mundo fica tão real, que parece artificial. O filme não foi lançado por aqui, mas vale ir atrás e assisti-lo:

A arte do silêncio

segunda-feira, fevereiro 15th, 2010

Eu sempre falei pelos cotovelos. Na infância eu tinha a árdua tarefa de semanalmente levar advertências escolares para que meus pais assinassem, sempre por falar demais durante as aulas. O que eu tinha a meu favor é que sempre tirei notas boas, mas isso não me poupou de broncas intermináveis de que eu deveria falar menos.

Isso vem de família. Quem conhece meu pai sabe bem sobre o que eu estou falando. Uma das coisas, entre várias, que eu mais admiro nele é a maestria em contar histórias.

Quando cresci o meu maior problema era o fato de gostar tanto de falar ao telefone, tanto que não tive meu primeiro estágio prolongado, porque eu recebia ligações o tempo todo e eu era apenas uma estagiária.

Hoje não gosto de falar ao telefone. Tenho pressa em desligar e para mim o telefone é algo para conversas rápidas. O que eu menos uso no meu celular é a função básica dele, que é falar. Porém, continuo a tagarela de sempre. Talvez em doses menores, mas gosto de falar. Sempre tive uma dificuldade imensa de ficar de boca calada e acho que meu grande desafio no início do meu namoro foi lidar com o silêncio, pois o Ola é uma pessoa mais calada e contemplativa.

Essas minhas recentes viagens à Suécia tem me dado boas oportunidades de aprender a lidar com o silêncio. Na última semana, como todos sabem, ficamos em uma estação de esqui em Trysil, na Noruega. No último dia eu encarei uma caminhada de 6km, que exigiu toda a minha concentração para que eu mantivesse meu equilíbrio e não caísse na neve. Foi uma das pouquíssimas vezes que minha mente esvaziou por completo. Eu não tinha a menor vontade de falar e/ou pensar em algo. Eu queria apenas ouvir o som das minhas pisadas na neve, do vento e contemplar a imensidão branca à minha volta.

Passei cerca de 3 horas, com algumas paradas, num mergulho no silêncio. Depois me dei conta como é difícil acalmar nossas mentes, que não param, que estão sempre tendo ideias, buscando soluções, preocupando-se com problemas diários, sonhando, pensando bobagens.

Sempre soube que o silêncio era uma arte, mas muito distante para mim, afinal ficar em silêncio não significa que “você está em silêncio“. Talvez eu esteja apenas ficando velha, mas cada vez mais quero férias da minha mente louca.

Não me recomendem retiros, não é essa a intenção… pois adoro alternar meu novo silêncio com conversas leves sobre o nada.

E mais um curta lindo que traduz um pouco esse post:


Hello Again – A short film
from Session 7 Media on Vimeo.

2010: a vida passa tão rapidamente

domingo, janeiro 31st, 2010

Ontem, dia 30 de janeiro, algumas pessoas ainda me desejavam “feliz ano novo”. Brinquei que hoje é último dia para desejar feliz 2010 a alguém, afinal amanhã já é fevereiro.

Não sei se é com todos, mas a impressão que tenho é que cada vez mais o tempo passa mais rápido. Não sei ainda se isso é bom ou ruim, se isso é devido a nossa velhice que avança e a nossa vida que voa. Só sei que essa passagem rápida do tempo faz eu tentar correr contra o relógio cada vez mais.

Anseio por mais realizações, mais experiências, mais calma. Quero estar mais com as pessoas que eu gosto, quero fazer coisas simples e me deleitar com elas, quero viajar, conhecer mais lugares, ler mais livros, ver TV sem culpa apenas para me desligar dessa pressa, quero jantarzinhos, cafés, quero ficar horas na cama abraçada com quem eu amo, quero dormir mais, mesmo que isso consuma tempo em que eu poderia estar vivenciando algo. Quero apenas não me culpar por achar que estou deixando de fazer coisas porque estou à toa.

É incrível quando paro para pensar no que eu já consegui fazer nesse primeiro mês do ano, que faz eu ansiar pelo que farei nos próximos 11. Quero pensar menos no tempo no formato em que ele é, pois essa “contagem” que me causa friozinho na barriga por achar que não vou dar conta de tudo.

É como se “antigamente” fosse mais devagar e o “agora” simplesmente nos devora com sua ansiedade tão marcante nesse novo século. Ou sempre foi assim e tudo isso é apenas impressão porque estou vivendo mais?

Um vídeo lindo indicado pela @evolucaolacoste de boas-vindas a 2010, que já parece ter chegado há tanto tempo:


We love 2010 from Soleil Noir on Vimeo.

Parabéns Ola!

segunda-feira, janeiro 4th, 2010

Hoje o Ola completa 24 anos e juntos completamos 1 ano, 3 meses e 20 dias, porém é a primeira vez que vamos comemorar juntos. Eu não poderia deixar passar a data em branco, mesmo sendo num dia meio lento em que todos estamos voltando de férias e com enxaqueca pela negação do término delas.

O Ola é uma das pessoas mais especiais que conheci e que me proporcionou a relação mais saudável da minha vida. Ele é divertido, irônico, inteligente, bonito, tem bom gosto, ouve boa música, é geek, tem olhos azuis, tem sangue vicking, cozinha como ninguém, cuida de mim, me faz cafuné, é obstinado, aventureiro, easy going, tem um ótimo senso estético, o que ajuda a nossa casa a ficar mais bonita, tem um gosto apuradíssimo por queijos e sempre me faz uma surpresa deliciosa, tem ótimas piadas, não me enche o saco perguntando o que eu tenho quando eu não quero falar nada, deixa eu falar sozinha quando o assunto não merece ser discutido, especialmente quando estou na TPM, respeita meu espaço, é companheiro, animado, vai comigo onde precisar a hora que for, é designer, um ótimo fotógrafo entre outras cositas e não leva meu ciúmes tolo a sério.

Por minha causa ele largou tudo na Suécia e algumas boas expectativas de trabalho na Europa só pra ficar comigo; começou a discotecar e agora passa pelo menos umas 3 horas diárias treinando; perdeu a estimada prancha de windsurf quando se mudou para o Brasil; se tornou mais paciente, mais sociável e faz milhares de planos comigo.

Ola velejando, uma das coisas que ele mais ama fazer

Ola velejando, uma das coisas que ele mais ama fazer

O Ola foi um dos melhores presentes que a AgClick me deu, afinal foi por lá que eu o conheci quando ele participava do programa da FarFar trabalhando na Criação. Nesse período que estamos juntos a gente nunca se desentendeu, estamos sempre em paz e se enroscando por todos os cantos.

Ola te amo muuuitoooo!!! Feliz aniversário e vou continuar fazendo tudo que estiver ao meu alcance para contribuir na sua felicidade.

Na sexta-feira ele comemora o novo ano na festa It’s Alive, que acontece no Vegas, no lobby e toca por lá por volta da 1h30.

Bem vindo 2010

sábado, janeiro 2nd, 2010
foto by Richy

foto by Richy

Nenhuma passagem de ano que tive foi tão simbólica como essa. A minha eterna lista de planos para o novo ano, algumas decisões bem importantes, além de uma limpeza com mágoas que possam ter se esticado além do necessário.

Ficamos numa cobertura na Enseada, no Guarujá, em que pudemos assistir a queima de fogos de camarote enquanto saltávamos na piscina ao invés das habituais sete ondas. Antes da meia-noite uma procissão infindável de pessoas seguiam rumo à praia. A noite de ontem não anunciava o dilúvio que tomaria conta do primeiro dia do ano.

Foi um dos reveillons mais tranquilos e deliciosos que tive em anos. Mente tranquila, assuntos pendentes resolvidos, coração apaixonado e eu me sentindo feliz como nunca. O que se chega à conclusão (óbvia) é que sempre o que vai importar é o grupo de pessoas com o qual você está e não o lugar. Claro que um lugar fantástico ajuda bastante, mas dessa vez bastou uma boa casa, 6 pessoas incríveis à minha volta e paz. Ah, às vezes nessa loucura em que vivemos esquecemos da paz, mas como é bom tê-la. Há tempos eu não ficava acordada até o sol começar a raiar pelo puro prazer de estar com as pessoas com quem eu estava.

Espero que a virada de ano tenha sido fantástica para todos também e que tenham a mesma certeza que eu: que 2010 será um ano incrível.

Agradeço novamente todo mundo que tem feito parte da minha vida.

Que 2010 chegue com tudo!

sexta-feira, dezembro 25th, 2009

Todo ano faço minha retrospectiva e 2009 foi o ano com maiores mudanças na minha vida. Perdi pessoas queridas de forma abrupta e ainda sofro por essas perdas, mas vou me confortando com as boas lembranças que restaram. Lembranças das risadas, das conversas, das filosofias, dos cafés, das trocas de ideias, dos planos em conjuntos, dos projetos que gostaríamos de dividir, dos sonhos, das desilusões e agora, das saudades, que lido bem mal, que faz eu chorar algumas noites, que faz eu ficar tentando achar respostas, que faz eu querer voltar no tempo. São as sensações que sempre acompanham os que ficam.

E cada perda é uma lição que a gente aprende, que muitas vezes são óbvias. É o momento que você não dedicou à pessoa e de uma lista de coisas que queriam ter feito juntos. E aí novamente me pego nas lembranças e acaba virando um processo cíclico, que talvez vai se amenizando com o tempo, mas hoje sei que nunca esquecemos as pessoas que marcaram nossas vidas, estejam elas por aqui ainda ou não mais.

Apesar das perdas, eu também tive um ano de grande revolução. Iniciei 2009 sem emprego e querendo me dar um ano sabático, mas que acabou não acontecendo, pois felizmente trabalho e projetos não faltaram.

Consegui tirar minhas merecidas férias e ir para uma das minhas cidades favoritas, montar meu apartamento do jeito que eu gostaria, rever amigos, montar minha agência com pessoas incríveis, tomar decisões importantes e me dei ao luxo de voltar atrás, fazer festas incrível, firmar novas amizades, das quais hoje eu não consegui pensar em viver sem e, claro, estar feliz da vida com o Ola, que largou tudo para viver comigo.

O grande balanço é que, apesar de vários perrengues, 2009 foi um ano incrível e ponto de partida de uma grande revolução, que sei lá onde vai dar, mas o que me move é a mudança, a possibilidade de experimentar coisas novas e ter novos desafios à frente.

Quero agradecer imensamente cada um que esteve presente na minha vida, aos que me apoiaram de alguma forma, seja diretamente ou não.

Desejo a boas festas, deliciosas férias e que 2010 seja um ano incrível recheado de tudo que almejamos: sucesso, $$, amor, risadas, alegrias, boas viagens e claro, um paz, porque a gente merece.

Fecho o post com uma música que amo e marcou época, é velha, mas “all is full of love”:

Como foi ter um carro que ninguém tinha por alguns dias

domingo, novembro 8th, 2009

Há um mês atrás mais ou menos, a Riot entrou em contato comigo perguntando se eu gostaria de testar por uma semana o novo carro da Chevrolet, o Agile. Não titubeei, apenas me preocupei porque minha carteira de motorista estava vencida, mas nada que um pulinho num despachante não resolvesse. Em três dias eu estava com minha carteira nova em mãos e na semana seguinte, a agência AG2 me entegrava o carro para o meu teste.

agile_01

Achei bem curioso terem me escolhido, afinal eu não sou fã de carros e entendo bem poucos sobre eles. Agora que estou cogitando em comprar um novo, eu tenho ficado mais atenta, mas sinceramente eu acabo analisando design, conforto, tamanho (prefiro carros pequenos), features e se o carro é econômico.

Ter feito o teste caiu como uma luva, afinal como falei acima, já que quero comprar um carro novo há algum tempo, mas meu apego somado à preguiça de decidir por um novo modelo, além do dinheiro que terei que dispender, tem feito eu me manter firme com meu surrado pretinho básico. Quando vi o carrão novo chegando, eu parecia uma criança abrindo uma imensa caixa de presente no Natal. Me senti tão insegura, que pedi ao rapaz que trouxe o carro para estacioná-lo na minha garagem.Vai que eu conseguisse a proeza de batê-lo na minah espremida vaga da garagem.

Logo na sequencia, peguei o namorado para já estrearmos o carro na ida para o meu escritório. Obviamente ele saltou no banco do motorista, pois estava tão empolgado quanto eu e acabou dirigindo (e testando) o carro antes mesmo de mim.

Passar uma semana com o Agile, que ainda não estava sendo vendido foi uma experiência bacana em três pontos:

1) a interação que as pessoas criaram comigo por causa do carro: muita gente me parou na rua para perguntar que carro era, fui mais paquerada no transito, motoristas não me deixavam passar, mas quando eu conseguia, eles diminuiam a velocidade para poder visualizar o carro. Eu virei por tabela o centro de atenções com Agile por uma semana, além de ter virado a caroneira oficial da turma, afinal todo mundo queria experimentar o carro.

2) o conforto do carro fez eu me desapegar rapidamente do meu pretinho básico e assumir minha preguiça em trocar de carro (apego era mera desculpa).

3) como eu ando com um pretinho básico moribundo, nem sempre eu deixo o carro com o manobrista em algum dos eventos que costumo ir, já que as pessoas te olham do dedinho do pé até o último fio de cabelo. Dessa vez eu fiz questão de deixar o carro com manobrista em tudo quanto era canto. Quando perguntavam “qual seu carro?” para buscá-lo e eu respondia “o Ágile”, pronto, não tinha que me dar ao trabalho de falar a placa.

Também não tinha cogitado comprar um carro Chevrolet, mas depois de testá-lo, eu fiquei bem tentada. Eu testei a versão completa e, como sou a desatenção em pessoa, cheguei a conclusão que eu preciso de um carro que pense por mim e ele pensou boa parte do tempo. Não precisei me preocupar com pequenos detalhes, pois ele tem sensor automático para tudo e mais um pouco.

Adorei o conforto dos bancos e as várias opções de posição, enfim, dirigir virou um prazer, mesmo quando o transito estava completamente parado, talvez pela atenção que eu, ops, o Ágile chamava. A única coisa que me incomodou no carro foi o acabamento do painel e do interior das portas, que é de plástico, pois o carro é tão bacanudo, que merecia um acabamento melhor, mas essa foi a minha única reclamação.

No final eu ousei perguntar o porque eu tinha sido escolhida para testá-lo. A resposta foi que selecionaram vários perfis e eu fui a “baladeira” do grupo. A pergunta que ficou é: se eu tivesse sido pega pela polícia dirigindo após ter tomado duas cervejas, a Chevrolet me perdoaria? Tá, mas eu juro que não fiz isso, sou adepta do “bebeu? volta de táxi”.

No dia da devolução eu enrolei o máximo possível, só para ficar um pouquinho mais com ele, pois eu já estava sofrendo em ter que voltar para o meu velho carro.

O resumo da ópera é que fiquei animada o suficiente para comprá-lo, tanto por ter curtido a experiência por todos seus viés, quanto pelo preço, que está dentro do meu orçamento e ainda é um “big small car”.

Ecofriendly, Ecofail

quarta-feira, setembro 30th, 2009

Nunca me considerei exatamente uma ameaça ao meio ambiente. Ah, separo minhas latinhas das outras coisas, não jogo lixo na praia, e fico comovida de verdade olhando ursinhos polares bebês no Discovery agonizando porque a casinha deles está derretendo e tal. A consciência começou a apertar mais ultimamente. Iniciou-se a saga em um churrasco que organizei outro dia, no qual participarem um casal de homo sapiens ambientalicius (aquelas colegas que tem casa ecológica com energia solar e tudo mais) – que apontaram, desapontados, minha incauta escolha de talheres, copos e pratos: descartáveis.

Como tais convidados não eram exatamente íntimos, achei de bom tom não sugerir que eles limpassem os práticos utensílios e cinzeiros com a língua, fazendo o favor. Superior, iniciei uma ardente discussão sobre as dificuldades de ser ecofriendly na “vida real”. Essas nossas, moradores da cidade grande, cujo edifício não tem coleta seletiva, a máquina de café do escritório já sai com copinho e que não são legítimos proprietários de 50 conjuntos de pratos e talheres à disposição nos seus churrascos.

Comentaram-nos tais elucidados, que todos nós temos a responsabilidade por mudar as pequenas decisões do dia-a-dia e consumir de forma consciente, que o fardo da saúde do planeta está nas nossas costas. Ou seja, me chamaram basicamente de assassina de ursos polares bebês. Culpada, resolvi assumir um desafio: tentar por 7 dias uma vida Ecofriendly e relatar para eles minhas descobertas e incautos.


[Gostei do meu momento Globo Repórter. Posso até ver a chamada “E a seguir, a saga de uma garota normal da cidade de São Paulo. Quais as dificuldades atuais da vida ecologicamente correta? Como mudar seus hábitos em poucos dias? Veja após os comerciais”. ]

Compartilho com vocês também.

consumption

1º dia – Segunda-feira- 28/09
Um ser superior

Acordei empolgada com a idéia, que nem primeiro dia de regime que você come alface no café da manhã. Guardei a chave do carro. Que ônibus que nada, caminhada! Super ecológico. Foi divertido caminhar ao lado do parque Ibirapuera, nem tanto engolir fumaça na São Gabriel, mas o planeta merece. Logo descobri que demoro tanto chegando a pé quanto de carro, vejam só. Menos gasolina E calorias.

No escritório, minha primeira dose de café – achei uma caneca feia de empresa de seguros no armário. A descoberta de como tirar café da máquina, sem cair o copinho, deveria me dar direito a um diploma de engenharia (ei, eu não consigo instalar um DVD, mereço o mérito).

Passei o dia sem imprimir uma folha sequer. O relatório de 100 páginas revisei na tela mesmo. Demorou umas 2 horas a mais (damn emails, facebook e MSN), mas saiu. Em algum lugar do mundo, uma árvore sorriu.

Supermercado à noite. Desfilando com minha linda ecobag preta, de mais de um ano de idade e segundo dia de uso, olhei com ar superior para todos demais clientes consumidores de malignas sacolas de plástico.

Verduras orgânicas e xampu ecológico, que não é testado em animais. Na área de frios, solicitei para tirar a bandejinha de isopor. O moço me olhou com cara de cuméquié. Expliquei, pacientemente: - Veja bem, Sr. seu Zé, que isopor na natureza demora mais de 930 anos para se deteriorar, por isso é melhor não utilizarmos sempre que for possível. [Não, eu não sei quantos anos se deterioram isopores, mas achei um bom chute e o Sr. Seu Zé também achou, pareceu.] Coloquei o queijo e peito de peru bamboleando dentro do carrinho.

Dúvida surgiu na garrafa de água: PET deve estar errado. Acho até descobrir o que fazer, vou ter que tomar água ligeiramente amarelada da torneira de casa.

Nota mental ao chegar em casa: comprar uma ecobag cuja alça não estoure nas duas quadras caminhando de volta. Graças a deus, todos meus produtos amigos-de-bichinhos continuam intactos.

2º dia – Terça-feira – 29/09
Ecofail

Acordou chovendo. Juro que pensei em ir para Congonhas a pé. Observem que, apesar de eu estar colaborando com o meio ambiente, ele não está colaborando comigo. Fui de táxi.

E avião para o Rio.

Resultado: Sentimento de culpa equivalente a big mac, milk shake e bolo prestígio no segundo dia de regime.

3º dia – Quarta-feira – 30/09
Reenergizando

Sem desanimar, acordei com a brilhante idéia de neutralizar minhas emissões de carbono. Fui pesquisar  e calculei quanto custou ao planeta minha viagem ontem. Com uma árvore apenas consigo neutralizar não só minhas emissões, como mais 80 passageiros!

Vim de carro (coloquei na conta da árvore). Como um sinal divino, ali na R. Veneza do Jardim Europa. um caminhão de árvores com placa “Jabuticabeiras Produzindo”. R$ 25,00.

Sabe aqueles raciocínios que você pensa pela metade? Assim foi a compra da jabuticabeira produzindo. Pobre jabuticabeira, produzindo no meu porta-mala.

Alguma idéia onde enfiar uma jabuticabeira produzindo em SP?

(Obs 1: Algo me diz que perguntar na internet onde enfiar uma muda não gerará boas recomendações.

Obs 2: Continuarei oportunamente o relato da semana, incluindo o ainda incerto destino da muda de jabuticabeira produzindo. [Propaganda para você não trocar de canal. Quer mais Globo Repórter que isso?])

CRM existe nas operadoras de celular? Não na Vivo

quarta-feira, setembro 23rd, 2009

Eu sou cliente Vivo há mais ou menos 4 anos e tenho um gasto mensal que gira entre 200 e 400,00. Optei por adquirir um novo aparelho, um iPhone 3G – 8GB. Consultei o site da Vivo:

1) ao entrar na loja, efetuei a compra e segui adiante para saber o valor que o aparelho custaria para mim, a navegação não foi mais possível, pois o menu está sem clique.
2) no site há uma oferta para novos clientes, em que o aparelho com o mesmo plano que o meu custa R$ 849, porém como cliente, o mesmo aparelho no mesmo plano custa R$ 1.250. Obviamente só soube do valor porque entrei em contato com a “Central de Relacionamento”.

Expliquei ao atendente que gostaria de ter os mesmos benefícios que o cliente novo, pois mesmo gastando o citado acima, minha pontuação me dá um desconto irrisório. Ele tentou de todas as maneiras arrumar descontos, mas o máximo que chegou foi em R$ 1.100.

Citei que outra operadora entrou em contato comigo oferecendo o mesmo celular com um plano similar por R$ 799 e que para mim seria bem prático fazer a troca, afinal agora temos a portabilidade do número. E falei para ele que queria apenas que ele me respondesse o motivo da Vivo ter uma boa prática comercial para ganhar novos clientes, mas nenhuma política de vantagens para reter clientes. Claro que ele não soube responder e disse que me passaria para o supervisor.

Faz exatamente 35 minutos que estou aguardando o supervisor me atender, o que faz eu concluir que o supervisor falou: “Ah, deixa esperar aí, uma hora cansa e desliga”, pois aparentemente ele também não tem a resposta, senão já teria falado comigo.

Nem preciso dizer a indignação em relação a isso, afinal é desrespeitoso com o cliente e vai contra as campanhas que operadora de celular Vivo faz.

Claro que o mais fácil agora é desligar o telefone, ligar para a outra operadora e fazer a troca sem grandes traumas, até porque a Vivo não possui sinal na rua em que eu moro no Jardim Paulista. Isso também me faz questionar o porque estar com a Vivo há tanto tempo, sendo que ela não me atende completamente no que vende e o “serviço de relacionamento” não existe.

Sei que as operadoras de celular no Brasil não são muito diferentes entre si. Eu migrei da Tim para a Vivo porque a Vivo na época me oferecia condições melhores. Sabia do risco e cá estou sofrendo as consequências da minha traição (agora já são 40 minutos esperando, pelo menos a ligação é gratuita).

Bem, Claro aí vou eu….. pelo menos é a única operadora que funciona 100% no meu prédio.

Vivo fail.

Bagagem extraviada pela Air France

domingo, setembro 20th, 2009

O Ola chegou em São Paulo no dia 1º de setembro pela Air France, mas a sua prancha de windsurf não. Antes mesmo que ele fizesse a reclamação de que a bagagem não havia chegado, ele foi chamado para ser comunicado de que sua prancha não tinha vindo no vôo. Isso não o surpreendeu, pois ele fez uma conexão em Paris, que chegou de Gotemburgo em cima da hora e ele foi o último a embarcar. Para poder embarcar sua prancha, ele teve que pagar excesso de bagagem e, por sorte, declarar o que continha, mas infelizmente não houve declaração de valor.

a prancha extraviada é a da foto

a prancha extraviada é a da foto

De qualquer forma, das duas bagagens, a de roupa chegou e a sua pequena bagagem de mais de 30 kilos e 2,5m de altura ninguém sabia para onde tinha ido. O que me choca é como uma bagagem nada discreta possa sumir dessa maneira. Quando comentei isso com ele, ele mencionou que eu só fico surpresa porque não pratico windsurf, já que parece que não é novidade o extravio de equipamentos de surf. Dei uma zapeada rápida no google e soube que uma brasileira perdeu em 2006 a chance de participar do Campeonato Mundial de Fórmula Windsurf por problemas similares e também com a Air France.

Hoje faz 27 dias que a prancha dele está extraviada. O máximo que tem ouvido da Air France é “não encontramos ainda, obrigado”. O equipamento total vale em torno de US$ 4,000 e pelo que vemos, ele terá uma grande briga pela frente.

Uma das coisas que fiquei pensando é como é fácil ter uma bagagem perdida ou mesmo roubada,  já que não há qualquer controle de bagagem na saída dos aeroportos. Em Chicago, por exemplo, a área de chegada das bagagens fica na parte aberta do aeroporto, ou seja, qualquer um que esteja passeando pelo local, pode ir lá e escolher qualquer mala.

Outra coisa é como o tratamento é quase de descaso. Se você não for atrás, não terá notícias porque ninguém vai te ligar dizendo “sinto muito senhor, mas até o momento não localizamos a sua bagagem”. Lembro-me que liguei na Air France 2 dias depois da data prometida para a entrega da prancha aqui em casa, a resposta foi “de acordo com nossos arquivos, a prancha seria entregue no dia 2 de setembro”, ou seja, não tinha sequer uma atualização de que até o momento a bagagem não tinha sido localizada. E assim segue, sem qualquer interesse aparente da companhia aérea.

O Ola é a terceira pessoa que conheço que tem bagagem extraviada pela Air France num período de 1 ano. Não sei e nem pesquisei sobre outras cias. aéreas o número de ocorrência e quem é campeã no assunto. E vejo que vamos ter algum desgaste aí pela frente. Qualquer sugestão será bem-vinda.