Archive for the ‘pessoal’ Category

Mais é nada

segunda-feira, setembro 6th, 2010

Lembro-me  da minha adolescência em que eu tinha paz ao ler calmamente os meus livros, as minhas revistas, ver os meus filmes, ouvir meus discos. Tudo chegava aos poucos, o dinheiro era ainda mais curto, então a lentidão aumentava, o que contribuía para não dar vazão à minha ansiedade.

Era uma coisa de cada vez. Tudo fluía ordenadamente, até o surgimento da web como a conhecemos, que se por um lado contribuiu em muita coisa na minha vida, por outro arruinou completamente a minha paz.

Nada é mais “uma coisa de cada vez”. Agora é “tudo ao mesmo tempo”. Claro que isso incomoda a minha paz, arruina o meu estômago e colabora imensamente para a minha ansiedade.

A vida deixou de ser tão simples. Quando eu encerrava meu dia já esgotada e completamente vesga pelo excesso de informações, surgiram os feeds. Lá fui eu feliz da vida juntar os poucos links que na época me interessavam. Diariamente eu conseguia facilmente dar conta de todas as novidades, mas elas foram aumentando. Cada dia surgia um novo link para agregar aos meus favoritos. De repente meus favoritos faziam parte de uma lista tão extensa, que nem um dia dedicada a ela eu teria a capacidade de dar conta.

Criei então a listinha do que eu considerava os melhores feeds, que, por sua vez, foi aumentando também. A impressão que eu tenho atualmente é que não dou conta de mais nada, que estou ficando pra trás, que as novidades rolam e quando chegam até mim, elas já são coisas do passado.

O que era minha terapia diária, virou meu pesadelo constante. Abrir meus feeds me causa uma dorzinha terrível de que não dou conta do excesso de informação. Não consigo ler meus livros, mal consigo terminar de folhear minhas revistas e a informação vai se acumulando. Fico cansada e frustrada.

Imagino-me discutindo com uma terapeuta qualquer que o meu drama é, simplesmente, não conseguir ler meus feeds. Hoje ao pular de alegria com novidades, e querer compartilha-las, eu recebo olhares enfadonhos (de que eu estou bem atrasada e todo mundo já está sabendo aquilo há dias!!!!), fez eu clamar de volta a minha vida em que o “menos é mais”, porque no momento meu sofrimento é apenas com o excesso, do “mais que não é nada”.

Concordo com o título desse estudo “o excesso de informação, a neurose do século XXI”. Eu super sofro desse mal!!!

The love is in the air

segunda-feira, setembro 6th, 2010

ola&eu

Na última sexta-feira (03/09) eu e o Ola resolvemos inovar.

Acordei passando mal e decidi que trabalharia em casa e depois iria ao Poupa Tempo fazer meu RG.

Enrolei-me de tal maneira, que melhorei sem perceber. Fomos almoçar num japa, tomar café, resolver coisas no banco, que consumiu meia hora nossa sem qualquer culpa. Quando saímos de lá, resolvemos resolver uma pendenga nossa: declarar nossa união estável para que o nosso país permita que o Ola more em paz comigo.

Essas idas e vindas à Polícia Federal já deu no saco. Ensaiamos fazer essa declaração várias vezes, mas acho que sempre rolou um medinho dessa decisão interferir psicologicamente na nossa relação. Bobagens. Uma declaração de união estável não é exatamente um casamento, mas você vai lá no cartório e assume assinando um papel que sua relação é séria.

Nãoo que a nossa não fosse, afinal moramos juntos há quase 2 anos entre idas e vindas do Ola para o Brasil.

Como para nós era mais resolver uma questão burocrática, não avisamos ninguém. Quando nos demos conta, estávamos diante de uma senhora à moda antiga no cartório nos declarando marido e mulher. Rimos, nos beijamos e quase fomos aplaudidos por uma pequena platéia.

No meu twitter, como eu falo pelos cotovelos, eu já tinha anunciado que estava no cartório casando com o Ola sem qualquer requinte e amigos à nossa volta.

Só nos demos conta do que tínhamos feito quando meu twitter começou a bombar com parabéns pelo casório. Foi aí que ambos transbordamos de emoção e decidimos assumir que, de alguma forma, estamos casados.

Foi uma comoção coletiva. De repente foi como se eu tivesse casado escondida e queria fazer surpresa. A verdade é que nada foi planejado. Falei com meu melhor amigo 15 minutos antes e sequer comentei, logo eu que não consigo esconder um segredo.

No final ganhamos até presente dos amigos, que com certeza tiveram que correr atras de algo só para não deixar passar batido.

Agora estamos nos sentindo casados, mas sequer conseguimos ter uma lua de mel. Acordamos no dia seguinte às pressas, depois de uma rápida brindada no Vegas com poucos amigos, nos olhamos, rimos e nos perguntamos “tá sentindo alguma coisa diferente?”.

Quem nos casou foram os amigos, os conhecidos e até alguns desconhecidos que me seguem no Twitter. Acabamos nos divertindo um bocado com a reação dos amigos proximos que ficaram chocados e, de alguma forma, se sentiram traídos por nao termos contado nada e muito menos convidado para nossa “cerimonia”, que teve uma escrivã como testemunha.

Claro que isso nos animou a querer uma festa, que para nós vai ser para celebrar nossa relação que fará 2 anos no proximo dia 14 e, de forma bem cafona eu digo: relação que so tem trazido alegria.

Agendem aí: dia 23 de outubro e ja vai pensando no modelito, porque queremos ver todos num traje de gala celebrando toda essa história com a gente.

Motion Portraits, Motion Photography.

terça-feira, agosto 24th, 2010

Paula Burlamaqui e Daniel Alvim : O amante

Giselle Itié

Long portrait, motion portrait, motion photography… sei lá como vamos chamar isto, mas é isto. Fiz estes dois para o site da Revista IstoÉ Gente durante as sessões de fotos para a revista impressa e só posso dizer que estou gostando muito desta coisa aí.

Na verdade, acho que está demorando até demais para isto virar algo usual por aqui. Revistas, internet, ipads, iphones… demorou, ne?
Mas enquanto não vira mesmo, vou fazendo quando dá. Outro material parecido com isto que fiz e gosto foi este aqui para o site da Revista Elle, durante uma sessão de fotos para revista também.

A modelo é Andressa Fontana, da Way model, o make é da Simone Barcelos. A trilha sonora de todos estes vídeos é original, as duas primeiras eu fiz usando loops prontos e neste último para a Elle a trilha foi feita pelo Rabih (que até canta) + Fábio Smeili (RRR) e isto é uma das coisas que curto muito nestas experiências: envolver mais gente, mais amigos. Todos vídeos tem resolução fullHD e foram feitos usando uma canon 5dmkII e luz natural.

1 ano de saudades

sábado, agosto 21st, 2010
foto by benoit paille

foto by benoit paille

Hoje celebrarei e brindarei às minhas lembranças, aos nossos bons momentos e as saudades apertadas e doloridas que sinto há exatamente um ano.

Ela foi uma das pessoas mais próximas que eu perdi, que se foi depois me dizer adeus e que me amava, mas que seria melhor assim. Chorei noites e noites e achei que essa dor nunca passaria. Essa amenizou, mas as saudades se intensificaram, as perguntas morreram e deram lugar a uma estranha compreensão.

E sinto muita falta, penso muito nela e, de alguma forma, ela sempre estará presente do meu jeito. Confesso que às vezes converso com ela, pois ela sempre foi uma pessoa que ficava feliz quando eu compartilhava minhas alegrias. Ela ria e vibrava comigo. Éramos tão diferentes, mas tínhamos tantas coisas e anseios em comum.

Eu suporto os meus, ela não suportou os dela.

Sempre fico imaginando como seria se ela estivesse por aqui ainda e o que estaria fazendo. Acredito que ela esteja em paz onde quer que esteja. Tudo que eu queria era poder abraça-la como abracei várias vezes.

Muitas saudades, pois ela será uma pessoa que vou amar pra sempre!!!

Peugeot: como perder um cliente

sábado, maio 1st, 2010

Há tempos que ando ensaiando a compra de um carro. Entre um mundo de opções, acabei me decidindo por um Peugeot 207. Bom preço, boas referências e um carro bonitinho.

O negócio estava em andamento com uma concessionária até surgir o tal feirão no final do mês de março. Passei na loja Victoire, nome pomposo, mas onde o atendimento deixa bastante a desejar.

Esperamos cerca de 1 hora pelo atendimento, mas até aí minha empolgação relevou tal espera. Era feirão, mas não tinham colocado vendedores extras. De acordo com a recepcionista, não estavam todos os vendedores presentes da loja, pois era sábado. Ah, tá, é feirão, a busca aumenta, mas no quesito preparo para a demanda falharam. Foi aí meu grande erro em esperar um atendimento primoroso, mas aparentemente está tão fácil vender Peugeot, que a questão que fazem por você é bem mínima.

Apesar de ser feirão, eles não tinham também o carro para pronta-entrega, mas fizeram o pedido de modelo 2011 com preço de modelo 2010. Como o desconto era razoável (menos que 10%, diga-se de passagem), eu não me importei com o risco da volta do IPI, pois a vendedora Leandra me deu um prazo de 15 dias para a entrega.

Assinei o pedido, fiz a lista dos opcionais e fiz uma ficha para financiar o carro. Na semana seguinte entraram em contato comigo para pegar algumas indicações pessoais e dados do meu banco.

No 15º eu liguei para a Leandra para saber o status de entrega do meu carro, pois ninguém tinha entrado em contato comigo até então. Não consegui falar com ela, pois estava fora. Voltei a ligar no 23º dia e só fui atendida ao dizer para a recepcionista, que tinha informado que a Leandra estava com uma cliente, que eu só desligaria quando ela me atendesse.

A resposta foi bem vaga, mas gentil. Talvez o carro seja entregue na semana que vem, mas não temos data. Como não tem previsão de algo que tinha sido garantido a entrega em 15 dias? Falei para ela que eu sairia para ver carros e caso encontrasse algum que me agradasse e fosse pronta entrega, eu ligaria de volta para cancelar o pedido.

Não liguei e também ninguém me ligou. No 27º liguei novamente, mas a Leandra estava de folga. Insisti à recepcionista que verificasse o meu pedido no sistema e me desse alguma posição. Ela falou com o gerente e voltou com a informação que o carro chegaria em 2 dias. Acalmei os ânimos e resolvi que esperaria.

No dia prometido, eu liguei à Peugeot novamente, mas a Leandra não pode me atender, pois estava com um cliente. Dei um chilique no telefone e então ela me ligou na sequência. Quando perguntei sobre a entrega do carro, ela exclamou surpresa:

- Mas você cancelou o pedido!

Como eu cancelei o pedido? Ela insistiu para eu repensar e não cancelar e eu disse que pensaria a respeito, veria outras oportunidades e caso eu decidisse pelo cancelamento, eu retornaria a ligação, diferentemente dela que nunca me ligou para dar uma posição sequer sobre o meu pedido. Ela disse que iria verificar e voltaria a me ligar. Não me ligou, mas como sou bem insistente e gosto de ver até onde as coisas vão, eu liguei para ela 6 horas após o contato. A resposta foi:

- O banco não aprovou seu crédito.

Até poderia me convencer disso, mas o banco sequer me pediu qualquer documento, ou seja, o banco não teria como analisar a minha ficha financeira. Caso eles verificassem o meu saldo médio dos últimos dois anos, acho muito pouco provável que reprovariam a minha ficha. E era muita coincidência ela dizer primeiramente que cancelou o meu pedido e retornar com essa informação.

Mesmo que isso tivesse sido verdade, eu imagino que um atendimento primoroso (o que eu achava que teria de uma concessionária oficial da marca) teria entrado em contato para me informar e perguntar se eu teria alguma outra opção. No dia da compra eu informei a ela que eu tinha crédito do meu banco para financiar o carro, mas acabei optando pelo banco com quem eles trabalham porque a taxa era um pouco inferior. Ok, ela não deve se lembrar disso.

Para encurrala-la, eu a relembrei a informação e disse que estávamos no 30º da data do meu pedido, então eu mandaria para ela no dia seguinte meu crédito aprovado e ela poderia liberar meu carro. A resposta foi que o meu carro não tinha vindo, que ela tinha um “perolado”. Quem compra carro perolado? Só se o desconto for realmente nas alturas. Você vai investir quase R$ 40.000 num produto e não pode escolher a cor que você quer? Seria o mínimo, não?

Expliquei toda a situação delicada em que ela me colocou, pois eu não contava com um atraso de 30 dias nessa entrega e então ela explicou que todas as entregas estavam atrasadas. Alguém já ouviu falar em planejamento de fábrica?

Isso aconteceu na quinta-feira e a tal vendedora Leandra, da concessionária Victoire, que fica na Av. Rebouças, 2357, disse que voltaria a me ligar para dar um posicionamento. Ela ligou para você? Não? Porque para mim também não.

Sou uma pessoa muito fiel às marcas que consumo e primo muito pelo serviço oferecido. Não basta ter um bom produto, precisa alia-lo a um bom atendimento. Sei que temos uma deficiência na qualidade de serviços por aqui, mas nessa guerra de marcas que vivemos atualmente e em tempos de mídias sociais, em que os consumidores tem uma voz muito mais poderosa, é um risco tremendo cometer esse tipo de deslize. E o CRM existe antes mesmo das mídias sociais e algumas marcas inteligentes o utilizam muito bem.

Obviamente a Peugeot é uma marca que eu risquei do meu caderninho. Das referências que tive, agora me volto às negativas que algumas pessoas me deram quando compartilhei minha decisão.

Não sei se existe uma marca ideal, mas vou atrás de alguma que me respeite como consumidora, porque se para alguns o respeito é “falar gentil”, as pessoas estão bem mal informadas sobre qualidade.

Se alguém comentar que vai trocar de carro (e ouço isso bastante), talvez eu  não dê a recomendação esperada, mas vou dizer “ah, só não procure a Peugeot, porque o atendimento pode fazer você ganhar uma gastrite”.

Mixtape no ar

segunda-feira, abril 5th, 2010

Demorou, mas finalmente fiz um mixtape para o Deep Beep. Ao invés de juntar minha barulheira toda, eu preferi focar em vocais femininos e contar minha história através delas.

São mulheres que marcaram minha adolescência, como a Patti Smith, as que me acalentaram nas minhas fossas, como Mazzy Star (e olha que deixei Portishead de fora dessa), que me fizeram rodopiar na pista, como YYY e uma que faz parte da minha trilha da minha história com o Ola, Fever Ray.

Aterrisse lá, baixe e ouça.

Espero que curta.

Time Away

sábado, abril 3rd, 2010

Estou aqui divagando com meus botões sobre o tempo, esse que me encanta e me assusta. Ando nostálgica, mas também de momentos que não vivi. É um cheiro, uma cor, uma sensação, uma lembrança, um sonho.

Hoje revirei livros, revistas e meus feeds. Todos eles trouxeram apenas o passado. Foi Bela Lugosi, Anais Nin, fotos antigas, postais de Paris e de repente, esse vídeo lindo, que é uma promo feita para a joalheria Bjørg, por Matias&Mathias, que me fez afundar no meu sofá e mergulhar de volta às minhas lembranças.


TIME AWAY – BJØRG 2010 from Matias&Mathias on Vimeo.

A invenção da mentira

domingo, março 7th, 2010

Desde a infância aprendemos que é feio mentir, mas mesmo assim passamos a vida mentindo. Sejam pequenas e tolas ou grandes e perigosas as nossas mentiras.

Eu entrei em parafuso há um tempo atrás sobre esse assunto, pois às vezes a mentira toma proporções que fogem ao controle e transforma a vida do seu interlocutor num “mundo faz de conta”. Uma fábula em que ele acredita fazer parte. A mentira nesse caso não era minha e sim de duas pessoas que faziam parte da minha vida. É, duas! Para lidar com o assunto, o destino me encaminhou duas pessoas com perfis bem similares e como eu sou uma pessoa que acredito no ser humano, caí como patinho na balela de ambos.

Muitas vezes tentei entender se ambas eram mitômanas ou se realmente as mentiras foram saindo do controle a ponto de ter que criar uma vida baseada nela. Desisti.

Li bastante a respeito, revi minha própria vida e minhas próprias mentiras que se transformaram em verdades. Não sou expert no assunto, mas ele me interessa bastante. Livros sobre o assunto não faltam.

Ricky Gervais é para mim o mestre de trazer assuntos cotidianos de uma forma incrível para a tela. Vide The Office. Um de seus últimos lançamentos foi o filme “The invention of lying“, em que Gervais escreveu e dirigiu à quatro mãos com Matthew Robinson.

O filme conta a história de um mundo em que a mentira não existia, tanto que no momento em que ela surge, o personagem Mark (Ricky Gervais) fica procurando uma palavra para descrever a mentira e não encontra. Acaba o diálogo dizendo que não existe uma palavra para definir o que fez e tenta explicar de maneira prática a mentira, porém como ela não existia, seus interlocutores não entendem.

O filme é simples e genial. Ele beira o insuportável, já que as pessoas falam o tempo todo o que elas realmente sentem. Ninguém poupa ninguém, a vida é sem graça, as emoções parecem contidas e, obviamente, todo mundo acredita no que todo mundo diz, até que Mark descobre a “manipular a verdade” e começa a usá-la para conquistar uma mulher.

O elenco é primoroso: a mulher pela qual Mark se apaixona é vivida pela atriz Jennifer Garner, além de John Hodgman (do Daily Show with Jon Stewart), Tina Fey (30 Rock), Rob Lowe, Jonah Hill, Christopher Guest, Jeffrey Tambor e o comediante Louis C.K.

O filme deixa claro que seria insuportável viver sem a mentira. O mundo fica tão real, que parece artificial. O filme não foi lançado por aqui, mas vale ir atrás e assisti-lo:

A arte do silêncio

segunda-feira, fevereiro 15th, 2010

Eu sempre falei pelos cotovelos. Na infância eu tinha a árdua tarefa de semanalmente levar advertências escolares para que meus pais assinassem, sempre por falar demais durante as aulas. O que eu tinha a meu favor é que sempre tirei notas boas, mas isso não me poupou de broncas intermináveis de que eu deveria falar menos.

Isso vem de família. Quem conhece meu pai sabe bem sobre o que eu estou falando. Uma das coisas, entre várias, que eu mais admiro nele é a maestria em contar histórias.

Quando cresci o meu maior problema era o fato de gostar tanto de falar ao telefone, tanto que não tive meu primeiro estágio prolongado, porque eu recebia ligações o tempo todo e eu era apenas uma estagiária.

Hoje não gosto de falar ao telefone. Tenho pressa em desligar e para mim o telefone é algo para conversas rápidas. O que eu menos uso no meu celular é a função básica dele, que é falar. Porém, continuo a tagarela de sempre. Talvez em doses menores, mas gosto de falar. Sempre tive uma dificuldade imensa de ficar de boca calada e acho que meu grande desafio no início do meu namoro foi lidar com o silêncio, pois o Ola é uma pessoa mais calada e contemplativa.

Essas minhas recentes viagens à Suécia tem me dado boas oportunidades de aprender a lidar com o silêncio. Na última semana, como todos sabem, ficamos em uma estação de esqui em Trysil, na Noruega. No último dia eu encarei uma caminhada de 6km, que exigiu toda a minha concentração para que eu mantivesse meu equilíbrio e não caísse na neve. Foi uma das pouquíssimas vezes que minha mente esvaziou por completo. Eu não tinha a menor vontade de falar e/ou pensar em algo. Eu queria apenas ouvir o som das minhas pisadas na neve, do vento e contemplar a imensidão branca à minha volta.

Passei cerca de 3 horas, com algumas paradas, num mergulho no silêncio. Depois me dei conta como é difícil acalmar nossas mentes, que não param, que estão sempre tendo ideias, buscando soluções, preocupando-se com problemas diários, sonhando, pensando bobagens.

Sempre soube que o silêncio era uma arte, mas muito distante para mim, afinal ficar em silêncio não significa que “você está em silêncio“. Talvez eu esteja apenas ficando velha, mas cada vez mais quero férias da minha mente louca.

Não me recomendem retiros, não é essa a intenção… pois adoro alternar meu novo silêncio com conversas leves sobre o nada.

E mais um curta lindo que traduz um pouco esse post:


Hello Again – A short film
from Session 7 Media on Vimeo.

2010: a vida passa tão rapidamente

domingo, janeiro 31st, 2010

Ontem, dia 30 de janeiro, algumas pessoas ainda me desejavam “feliz ano novo”. Brinquei que hoje é último dia para desejar feliz 2010 a alguém, afinal amanhã já é fevereiro.

Não sei se é com todos, mas a impressão que tenho é que cada vez mais o tempo passa mais rápido. Não sei ainda se isso é bom ou ruim, se isso é devido a nossa velhice que avança e a nossa vida que voa. Só sei que essa passagem rápida do tempo faz eu tentar correr contra o relógio cada vez mais.

Anseio por mais realizações, mais experiências, mais calma. Quero estar mais com as pessoas que eu gosto, quero fazer coisas simples e me deleitar com elas, quero viajar, conhecer mais lugares, ler mais livros, ver TV sem culpa apenas para me desligar dessa pressa, quero jantarzinhos, cafés, quero ficar horas na cama abraçada com quem eu amo, quero dormir mais, mesmo que isso consuma tempo em que eu poderia estar vivenciando algo. Quero apenas não me culpar por achar que estou deixando de fazer coisas porque estou à toa.

É incrível quando paro para pensar no que eu já consegui fazer nesse primeiro mês do ano, que faz eu ansiar pelo que farei nos próximos 11. Quero pensar menos no tempo no formato em que ele é, pois essa “contagem” que me causa friozinho na barriga por achar que não vou dar conta de tudo.

É como se “antigamente” fosse mais devagar e o “agora” simplesmente nos devora com sua ansiedade tão marcante nesse novo século. Ou sempre foi assim e tudo isso é apenas impressão porque estou vivendo mais?

Um vídeo lindo indicado pela @evolucaolacoste de boas-vindas a 2010, que já parece ter chegado há tanto tempo:


We love 2010 from Soleil Noir on Vimeo.