Archive for the ‘psicologia’ Category

Roleta russa da internet

quinta-feira, fevereiro 25th, 2010

Depois das inúmeras tentativas (meia-boca) do Google de emplacar novos formatos de interação virtual, de milhares de redes afundarem por falta de pura graça, como o formspring, eis que mais uma idéia absolutamente trivial se transforma em uma febre mundial. A bola da vez é o Chatroulette, um chat de design tosco, de propósito zero, e que dá liberdade a muita, muita esquisitice.

Você se loga, abre a webcam, e imadiatamente você entra num chat com um completo estranho pelo mundo. Casey Neistat fez um vídeo bem bacana para tentar desvendar e explicar o Chatroulette.

chat roulette from Casey Neistat on Vimeo.

Criaram até um Tumblr do site, com situações absurdas e conversas surreais, que acabam sendo mais divertidas do que realmente participar dos chats. No fim das contas, essa é só mais uma ferramenta para provar que o ser humano é muito bizarro, seja ele de onde for.

Para começar bem o sábado

sexta-feira, março 6th, 2009

Para fechar a semana, fica este curta-metragem de um diretor australiano. A dica foi do Alexandre Weerth.

O vídeo tem um quê de comunicação, tem um quê de psicologia, tem um quê de ‘o amor vale a pena’. São 12 minutos que merecem sua paciência pelo carregamento e a sua atenção.

É de uma delicadeza…

Gostou? Vire fã no FaceBook.
Mais do diretor aqui.

*Mark também edita o Blog do Editor.

Como fugir de uma saia justa no MSN

quinta-feira, maio 15th, 2008

pessoa X diz: vc conhece a pessoa Z?

pessoa Y diz: sim, ela é legal

pessoa X diz: é?

pessoa X diz: isso que eu queria saber

pessoa Y diz: q… estranho

pessoa X diz: pq?

pessoa Y diz: pq pq

pessoa Y diz: pq pq

pessoa X diz: pq pq?

pessoa Y diz: pqpqpqpqpqpqpqpqp

pessoa X diz: pqp

pessoa X diz: pq?

pessoa Y diz: opa! uma flecha em meu pescoço.. morri

pessoa Y diz: – FIM -

pessoa X diz: oi?

pessoa X diz: OI!…….. :’S

PS: Pessoas X e Y são colaboradores desse blog, que preferem manter-se incognitas.

Paranoid House

sábado, março 15th, 2008

Trabalhar com arquitetura é uma experiência quase sociológica, principalmente quando o objeto de projeto é a casa do cliente. A arquitetura institucional, comercial, industrial, ou qualquer outra, lida acima de tudo com o atendimento e a organização de espaços eficientes para cada atividade. Eficientes no sentido prático, estético, sinestésico e ergonométrico. A arquitetura residencial avança sobre um campo bem mais nebuloso e muito menos científico que é o do sonho. Quando alguém coloca a mão no bolso para construir e/ou decorar o espaço que vai chamar de ‘lar’, ela inclui neste investimento uma série de expectativas indizíveis que cabe ao arquiteto decifrar.

A casa é onde nos protegemos e nos abrigamos. Onde comemos, dormimos, descansamos. Todas as atividades mais básicas acontecem lá. Mas a casa funciona também como o símbolo máximo de quem somos, ou quem queremos ser. A partir dela organizamos todo o nosso cotidiano, nossas investidas na cidade, nossos horários, nosso hábitos. Lá guardamos o que gostamos, recebemos quem gostamos, contamos a nós mesmos nossos mais obscuros segredos. Alguns usam a casa para trazer o mundo para perto, outros a usam para excluírem-se dele. E ninguém está a salvo da saudade de casa.

Eu categorizo três tipos de casa: a casa-abrigo, a casa-palco e a casa-lar.

A casa-abrigo em geral mostra desleixo por todos os cantos. Móveis velhos e malcuidados (quando os hão), paredes nuas, falta de qualquer senso estético e desconhecimento completo da palavra conforto. Nesse tipo de casa o destaque certo é a TV, pois quem mora assim apenas dorme e toma banho lá. O tempo livre indoors é preenchido com a preguiça mórbida da televisão.

A casa-palco é o oposto. Vestida com a metidez de tudo que está em voga agora, ou o que já foi moda láaaaaa atrás, e hoje de apoia na muleta do ‘clássico’, essa casa tem um apuramento de detalhes assombroso. Seja nas alvíssimas superfícies minimalistas, ou nos maneirismos das coleções de bibelôs em cristaleiras de jacarandá, tudo tem seu lugar, perfeitamente espanado, e o visitante se sente automáticamente um intruso. É neste ligar que sentamos com a postura ereta na ponta do sofá, e sempre tem um chá com biscoitos a nossa espera (alguém pensou em Desperate Housewives?).

A última, a casa-lar, é aquela que combina o sofá italiano com a mancha de vinho do último aniversário. O quadro da Beatriz Milhazes está na mesma parede que a foto da primeira comunhão. O piso de mármore reflete as cortinas bordadas que a avó fez. A palavra de ordem aqui é conforto, e quem chega pela primeira vez já pode se jogar no sofá e tirar os sapatos. Aqui perigamos cair na maior cafonália possível, ou beirar o esnobismo das revistas de decoração, mas sempre haverá aquela coleção de bugigangas divertidas ou a marca de pé do filho na parede para contar um pouco a história do dono e nos deixar mais íntimo daquele espaço.

Toda essa dissertação surgiu porque ando reparando que atualmente as pessoas andam com um referencial deturpado das categorias acima. Muitas delas chegam pedindo uma casa-lar, mas na hora do vamos ver elas querem a casa-palco. Muito branco, muito bege, nada de bolhas nas paredes, por menor que sejam. Grandes estresses na hora da entrega da obra, brigas homéricas sobre o risco da maçaneta da lavanderia, lágrimas molhando o lascado da madeira. Essas pessoas se tornam muito infelizes com os pequenos detalhes, e deixam de ser felizes no contexto global, que é a premissa da última categoria.

Daí entra o papel do arquiteto-psicólogo, que tem que lidar com todas as inseguranças e as frustrações que as pessoas trazem do mundo para dentro de seus lares, e ali as querem compensar. Talvez hoje a arquitetura deva ser feita com receita médica, e eu que estou atrasado (ou careta) demais. Sou do tempo que lar se construía com história, não com Botox nas paredes. Também sou do tempo que em TOC era coisa de hospício, e não manchete da capa da Vogue.