Archive for the ‘viagem’ Category

A primeira vez que vi neve

terça-feira, agosto 16th, 2011

Diariamente dou uma zapeada no Vimeo atrás de vídeos que me emocionem de alguma maneira. Não bastam as emoções que o dia-a-dia me causa, quero também me emocionar com o restante.

Achei esse vídeo lindo da neve caindo sobre o Cuba Mall, na cidade de Wellington, onde raramente neva. As pessoas se surpreendendo e curtindo o momento:

Assisti-lo me trouxe à tona a primeira vez que vi neve na vida, afinal a primeira vez a gente nunca esquece. Era 1997 e eu tinha ido passar uma temporada na Suécia. Estava lá há mais de um mês esperando o inverno chegar. O inverno chegou, mas a neve demorou um bocado. Antes dela chegar na cidade, eu acabei mesmo vendo neve pela primeira vez em alto mar. Estava num cruzeiro de final de semana super tosco, que ia da Suécia para a Finlândia (o Ola entrou debaixo da mesa de vergonha quando contei pra família inteira sobre tal viagem, aparentemente a reputação do cruzeiro é péssima), quando um pouco alta pelo excesso de um drink chamado San Francisco, eu resolvi subir na proa do navio. Logo que saí pela porta e me deparei com aquela imensa escuridão e um mar nada gentil, eu senti a neve e fiquei toda emocionada, mas como estava escuro, eu mal vi alguma coisa. Resumindo: eu senti a neve pela primeira vez nesse dia, mas não vi.

A primeira vez que vi foi logo que voltei para Örebro. Acordei pela manhã, abri a janela e a neve estava caindo em floquinhos sob o telhado, que já estava branco. Eu fiquei pulando e rindo sozinha no apartamento. Não via a hora de sair pra rua e poder sentir a neve, pisar na neve, ver a neve de pertinho. E sim, eu me emocionei e curti da mesma forma que as pessoas que estão nesse vídeo, com o mesmo sorriso, brilhos nos olhos e alegria.

Agora vejo a neve com frequência, mas a emoção é sempre a mesma….

Avião com bar

quarta-feira, agosto 3rd, 2011

O que eu adoro viajar de trem, é passar meu tempo tomando uns drinks e comendo umas bobagens no vagão-bar. Sou meio caipirona… gosto de sentar na janelinha com a sensação de estar num bar com uma paisagem mutante.

Eu amo viajar, mas acho um porre o tempo que ficamos num avião, especialmente se estamos na classe econômica. A ABSOLUT inovadora como é, fez uma super parceria de primeira com a Air Korean, montando um bar no novo avião A-380, mas como nem tudo são flores, o bar é restrito aos passageiros da classe executiva e da primeira classe.

via @olapersson

La petite cuisine à Paris

segunda-feira, agosto 1st, 2011

Foto: Leo Farrell www.leofarrell.com

Eu tenho minhas fofices e sempre estou separando elas por aí, mas acabo não compartilhando. Algumas coisas são mais descartáveis, outras são dicas valiosas (nem por isso deixam de ser fofas).

Uma que super me instigou ontem foi o “La petite cuisine à Paris”, que vi na revista Elle. Seguindo a moda de chefs que abrem suas cozinhas de casa para receber pessoas, como a nossa versão brasileira “Les Amis” com o jantar “Portas Abertas para 12 pessoas, a chef inglesa Rachel Khoo cozinha às quartas e sábados, quase semanalmente, na casa dela para apenas 2 pessoas. Ela se compara à Carrie Bradshaw, que colecionava bolsas, sapatos, roupas, mas ao contrário, ela coleciona gadgets, utensílios e tudo que pode deixar uma cozinha mais moderna e eficiente. A parte mais legal é que ela cobra apenas os custos do jantar que conta com 3 pratos e uma garrafa de vinho.

Imagina o quanto deve ser concorrido. Para arriscar uma vaga é necessário se inscrever no mailing list dela ou segui-la no twitter ou facebook, onde ela anuncia as chamadas de última hora. Obviamente, não existe reserva.

Nesse link dá para ver o que ela já preparou nos jantares anteriores. A cozinha fica fechada até o final de agosto e reabre em setembro. Então se está em Paris ou tem planos de ir pra lá, se joga no mailing, porque eu acho que deve valer super a pena a experiência.

Aqui tem um passeio pela cozinha dela para aumentar ainda mais a vontade:

E aqui uma entrevista com ela:

Fotos:
The Cook by Leo Farrell www.leofarrell.com
The Kitchen by www.thelittlepariskitchen.com

Hotel para quem gosta de música

segunda-feira, agosto 1st, 2011

Demoraram para criar o primeiro hotel focado em música, mas finalmente o projeto saiu do papel e está lá LINDO e fica em Berlim. Infelizmente fiquei sabendo um pouco tarde, pois passei pela cidade e não fui visita-lo (eu queria mesmo era ter me hospedado nele).

O Nhow Berlin tem como intenção reunir amantes da música do mundo todo, lembrando que Berlin é considerada uma das capitais do mundo da música eletrônica, ou seja, o hotel nasceu mais do que no lugar certo.

O hotel conta com um estúdio panorâmico com uma vista da cidade de tirar o fôlego, uma programação de eventos como festas, DJs sessions, shows, fashion week, etc. O projeto arquitetonico ficou nas mãos do Sergej Tchoban e o design com Karim Rashid, que abusou das cores, sua assinatura. A boa notícia é que ele é acessível nos preços com quarto duplo a partir de 100 euros.

Let’s rock it!

via e @olapersson

Festivais de verão na Suécia

quinta-feira, julho 28th, 2011

O que eu percebi na minha última viagem, é que nesse ano uma leva muito maior de brasileiros seguiu rumo à Europa através dos festivais de verão. Alguns dos principais já rolaram, mas a Suécia abriga alguns bem interessantes no eixo Gotemburgo-Estocolmo para quem ainda está decidindo como pegar carona nos festivais e ter um bom motivo para, finalmente, conhecer a Suécia, especialmente agora com os dias longuíssimos com cerca de 3h apenas de uma escuridão bem mais ou menos.

Aí vão 3 bons motivos para embarcar na Suécia em agosto, não só para quem gosta de música, mas também para quem é apaixonado por cultura em geral. De quebra ainda visita as duas cidades, que ainda está fora do circuito de turismo do brasileiro no geral.

O Way Out West acontece em Gotemburgo entre os dias 11 e 13 de agosto, reunindo grandes nomes da música que inclui pop, rock, hip-hop e eletrônica, como Prince, Kanye West, Pulp, Robyn, Fleet Foxes, Thåström, Explosions In The Sky, Janelle Monáe, James Blake, Santigold, Aloe Blacc. A programação acontece durante o dia e à noite, se estendendo aos clubes da cidade, teatros, museus, igrejas e parques. O passe para acesso a tudo custa em média R$ 350,00. Mais informações aqui (infelizmente já está quase tudo esgotado).

Na semana seguinte, entre os dias 16 e 21 de agosto, em Estocolmo, a grande pedida é o Festival da Cultura que rola na cidade. São cerca de 500 shows apresentados por cerca de 250 artistas, sendo que 99% da programação é gratuita, já que parte da programação acontece nas ruas e tem atraído anualmente cerca de 300.000 visitantes no período. O festival abrange jazz, opera, música clássica, pop, rock, soul, standup comedy, atividades para crianças, leituras, street art, fimes, artes, dança, etc. Clique para saber mais.

Para quem gosta de teatro, performances e dança, entre os dias 24 e 27 de agosto acontece o Stockholm Fring Festival, com artistas de mais de 40 países, que são escolhidos através de inscrições que são abertas para quem tiver o que mostrar. O valor é quase simbólico, R$ 65,00. Corra aqui para ver como funciona.


Para ver o que mais rola nesse verão sueco: http://www.sweden.se

*Esse texto foi produzido originalmente para Volvo Brasil

NY te amo

quarta-feira, março 2nd, 2011

by Ola Persson

Já babei por aqui falando de NY. Fui apenas duas vezes, a primeira me devastou, a segunda já me senti mais em casa. Lembro-me ainda da primeira sensação ao pisar na cidade, a excitação de entrar numa van caindo aos pedaços que seguia de Newark ao Brooklyn, onde ficaria, mas não tem jeito, a sensação de NY é de fato quando se atravessa a ponte e chega em Manhattan, afinal tudo que a cidade tem na nossa memória de tanto que a gente convive com ela através da tela, seja da TV ou do cinema, se materializa do lado de lá.

Quem gosta da cidade e a conhece de perto ou não, pode entender bem o que estou falando. A segunda sensação mais fantástica que me fez sentir uma criança diante de um brinquedo novo, foi exatamente quando eu saí no metrô na Time Square, que é um dos lugares que menos gosto por lá, mas cheio de símbolos (e luzes e poluição visual). Não vou falar que não me decepcionei na primeira olhada, olhei pra Dani (que estava comigo) e falei “gente, é isso?”.

É, a nossa primeira saída do metrô não nos causou uma boa primeira impressão, mas bobagem, no dia seguinte já tínhamos tido saídas melhores de metrô com uma cidade muito mais incrível diante dos nossos olhos. Depois disso, foi só amor e saudades a deixa-la pra trás. Esse vídeo que segue me deixou nostalgica e trouxe pra mim tantas boas lembranças, jogações, bebedeiras e momentos incríveis que tive em NY.


Sub City New York from sarah klein on Vimeo.

Decido esse post a Dani Valentin, Ola Persson, Ana Paula PJ, Jones, Baunilha, Rabih e ao Larry Tee, que foram pessoas que fizeram a diferença por estarem lá comigo. <3

Viagens de luxo

segunda-feira, fevereiro 28th, 2011

Viajar está cada vez mais fácil. Os aeroportos se transformaram em grandes rodoviárias, os espaços entre os assentos diminuíram e aos poucos foram surgindo novos serviços para trazer o antigo luxo de volta, seja criando classes intermediárias entre a econômica e executiva; seja na personalização de pacotes turísticos.

Quando eu tinha 15 anos pensar em vôo era algo totalmente fora de cogitação para mim. Lembro-me de voar pela primeira vez aos 20 anos numa viagem para Natal, que paguei em várias parcelas. Apaixonada por história, decidi na época que trabalharia o suficiente para que quando eu chegasse aos 40, eu teria condições de dar uma boa rodada na Europa.

O plano real chegou, a esperança surgiu e as coisas mudaram. Viajar para fora já não era algo tão distante, ao contrário, foi ficando cada vez mais próximo. Aos 24 eu já fazia minha mochila e me aventurava por quase 7 meses na Europa. Depois dessa primeira investida, a segunda demorou para vir, mas aí não parei mais.

Como qualquer pessoa comum, viagens me fascinam, porém confesso ter algumas preguiças e meus roteiros sempre são o menos turístico possível. Foi assim que achei interessante aderir ao Couch Surfing, que proporcionava um contato diferente com os lugares visitados, já que contamos com locais para nos auxiliar e nos dar aquela mão.

Com o passar dos anos, eu já assumi que quero pequenos luxos, que são acessíveis ao meu bolso. Apesar de todo o ganho cultural com couch surfing, eu assumo que o que eu gosto mesmo é ter um quarto pra mim, pra entrar e sair na hora que eu quiser.

Foi publicado na edição de dezembro da Elle brasileira, uma matéria intitulada “Circuito Cult”, com vários roteiros personalizados, unindo moda, arte e gastronomia em roteiros de luxo. Os custos não são acessíveis, mas não custa sonhar. São hotéis de primeira, roteiros exclusivos, especialistas em diversas áreas e viajantes com os mesmos interesses.

A B360 Travel tem pacotes para diversos gostos. Em Paris, por exemplo, com visitas a badalados restaurantes e quase impossível de se conseguir uma mesa; percorrer o mercado municipal da cidade, o Marché de Rungis, com um chef francês a tiracolo; passear com um especialista em artes pelas galerias mais bem cotadas, além de um tour com um expert em moda da Rive Gouche à Droite e hospedagem em hoteis bacanas.

Já a agência Goute é especializada em roteiros gastronômico por alguns cantos do mundo. Um deles é o “Sabores Andinos”, com a Carolina Brandão, do restaurante Carlota, a tiracolo. São 5 dias com encontros com os principais chefs peruanos, com experiência exclusivas. Há também o Gouté a La Carte, com passeios com diversos especialistas que podem ser um passeio ao Mercadão com a Ana Luiza Trajano (Brasil a Gosto), aula de tapas no Eñe com os gêmeos Javier e Sergio Torres, aulas e degustação de vinhos. Como eu acho que experiência é o presente mais legal a ser dar para alguém, fica a dica para surpreender alguém. No blog da agência dá para acompanhar as novidades.

foto by bour3

A Prime Tour cria viagens temáticas de acordo com o que o viajante está buscando. É possível fazer um curso de fotografia com a equipe da National Geographic, uma expedição pelo Kilimanjaro ou participar da Tour de France. No site não dá para saber muita coisa. Na matéria que a Elle fez, há uma viagem chamada “Europa com Arte”, que dura 17 dias e passa por 7 países focada em arte, história, arquitetura e gastronomia. Cada trecho é um expert local num assunto que acompanha o grupo. Eu, sinceramente, acho 17 dias muito pouco para o roteiro. Deve ser uma correria.

O pacote mais inusitado é da GSP, que oferece uma viagem espacial com a Virgin. A agência é a única que vende o pacote no Brasil. A viagem é de 3 dias incluindo treinamento e a viagem orbital. O valor? US$ 200,000, mas dá para pagar em parcelas de US$ 20,000. Pelo que vi, a viagem ainda está em teste e não há data certa para ter a primeira.

A agência Latitudes é especializada em roteiros culturais e literários, incluindo visita à Inhotim. O pacote que me fez derreter foi “Escandinávia: filosofia e cinema – a geografia da alma de Soren Kierkegaard, Lars Von Trier e Ingmar Bergman“, conduzida pelo Luiz Felipe Pondé, que é filósofo, psicanalista, dá aulas na PUC-SP e é colunista da Folha. A viagem começa por Copenhagen, passa por Oslo, Estocolmo e Gotland, na Suécia num passeio de 11 dias. Para os mais empolgados, eles fazem uma extensão para Rejkjavik, na Islândia. Até tentei descobrir o preço, mas o dia da apresentação do pacote eu não pude ir e nunca consegui a informação por email, mas enfim, eu não poderia ir mesmo.

uma das casas do Bergman em Gotland

Claro que com muita pesquisa dá para fazer vários desses roteiros por conta, mas alguns são menos prováveis. São de fato pacotes para quem quer se dar ao luxo de algumas experiências diferentes e pode se pagar por elas.

Hoje veio na Vogue um convite para o Travel Week, que é justamente uma exposição de viagens exclusivas. Para os interessados pelo assunto, anota aí: www.travelweeksaopaulo.com.br.

Boa viagem!

Circuito R-Design: 1 dia por São Paulo – parte 3

sexta-feira, fevereiro 4th, 2011

foto by confissões de uma garota a beira dos 30

Depois de meio dia batendo perna no centro de São Paulo, foi a vez de dar aquela parada clássica para um almoço à altura do deleite visual que tive. O local escolhido foi o Sal Gastronomia, que fica dentro da Galeria Vermelho.

Foi uma tarde agradável, pois o merecido almoço merecia tempo suficiente para degusta-lo sem qualquer pressa. O Sal Gastronomia tem à frente o chef Henrique Fogaça, que em 2008 e 2009 foi premiado pela Veja São Paulo, como chef revelação. E vou falar, o homem é puro talento na cozinha, já que enquanto esperamos pela nossa mesa, ficamos no balcão degustando o couvert e suco de abacaxi com manjericão, que é refrescante, inusitado e energético. À frente do balcão é possível acompanhar todo o preparo dos pratos, feito por uma equipe robusta. A fome só vai aumentando, claro! O couvert vem com uma variedade de pães, uma deliciosa manteiga suave e adocicada e dois tipos de patês.

foto by confissoes de uma garota a beira dos 30

O local tem movimento intenso, por isso ir lá com pressa pode ser um tiro no pé. O Sal é pequeno e tem apenas 35 lugares disponíveis para sentar. O clima é aconchegante e despretensioso. Na decoração há trabalhos lindíssimos da artista Chiara Banfi.

Estávamos em 3 pessoas e ficamos durante a nossa espera pela mesa na maior crise para escolher nossos pratos. Um parecia mais apetitoso que o outro. Acabamos recorrendo às dicas deixadas no Foursquare. Por lá o campeão é o atum com arroz negro e o entrecote, que infelizmente não tinha.

Quando finalmente nos sentamos, a decisão foi pedir uma garrafa de vinho rosé para ajudar a refrescar a tarde que estava quente, enquanto martelávamos sobre os pratos. Eu e o Renato acabamos optando pelo atum com crosta de gergelim ao molho teryiaki, arroz negro, pupunha e cubos de tomate. O Ola foi de magret de pato ao vinho do porto, purê de mandioquinha, cebolinha ao caramelo de capim santo e banana. Duas escolhas acertadíssimas. Foi um almoço dos deuses. O purê de mandioquinha era de fechar os olhos para comer. Divino!!! Entendemos logo porque o Henrique Fogaça anda tão em alta e o Sal tão em evidência. Além de saborosos, os pratos se apresentam de tal forma que dá até dó desfaze-lo. É contemplação para os olhos e deleite para o paladar.

foto by Travel Avenue

Atum com crosta de gergelim

foto by Travel Avenue

magret de pato

Depois de tudo, o que eu mais almejei na vida foi uma rede e uma sombra bem fresca. Tomamos um café, encontramos alguns amigos que chegavam para almoçar por lá e com aquela preguicinha pós-almoço, fomos visitar a Galeria Vermelho.

A Galeria está abrigando atualmente a exposição “Livre Tradução” que reúne trabalhos dos artistas Gabriela Albergaria, Leya Mira Brander, Dora Longo Bahia, Marilá Dardot, Chelpa Ferro, Maurício Ianês, Detanico Lain, João Loureiro, Odires Mlászho, Fabio Morais, Rosângela Rennó, Dias & Riedweg, Marco Paulo Rolla, Daniel Senise, Ana Maria Tavares e Carla Zaccagnini.

foto by Ola Persson

A exposição apresenta obras que utilizam procedimentos técnicos próximos aos empregados em livros, catálogos e enciclopédias, como aforismos, citações, notas de rodapé, releituras, traduções ou verbetes. Livre Tradução fica em cartaz até 19 de fevereiro.

Vale a visita. Depois de rodar a galeria, foi a vez de ir para casa, se jogar no sofá para recarregar as baterias, afinal a noite terminaria no D-Edge.

novo D-Edge - fachada

Seria a primeira vez que eu tocaria no clube após a reforma. Aliás, seria a primeira vez que eu iria lá após a reforma. Convidei o Ola para dividir as pickups comigo e estávamos beeeem ansiosos pela responsabilidade. Afinal era uma sexta-feira, a festa era a concorrida Freak Chic com uma edição especial DFA. Sentiu a responsa??? O outro desafio é que tocaríamos no lounge. Quem diz que eu tenho música para tocar em lounge no meu case?

pista nova d-edge

No decorrer da semana fomos ouvindo várias coisas e tentando montar um set bem coerente e que não fugisse muito à proposta da noite, que tem house como base. Nos preparamos e lá fomos nós a bordo do C-30. Outro desafio: quem dirigisse não poderia beber! Hehehehe… claro que entreguei à missão ao Ola, afinal depois de um dia com tanta bateção de perna, eu super merecia ter uma noite regada a champagne.

Chegamos por volta da 0h15 e a fila já virava o quarteirão. Eu me surpreendi com a casa nova, que duplicou o tamanho e tem agora um terraço com uma vista incrível da Barra Funda e onde tem a maior concentração de pessoas por m2 no clube. O lounge é pequeno, aconchegante e com uma luz não tão baixa. Um ótimo lugar para encontrar os amigos, bebericar drinks e colocar a conversa em dia. Abrimos o lounge à 0h30 conforme previsto e em 15 minutos o local lotou. Acabamos nos rendendo e tocando eletro & house com umas pitadas funkeadas. Confissão: no final não resisti e soltei um break, Hands Up – Ed solo & Deekline – Stanton Warriors remix – West Bam Edit, e vou falar que todo mundo se reuniu em volta das pickups e formou uma pista à nossa frente com todo mundo dançando.

A vontade de continuar tocando rolou, mas infelizmente uma hora depois o DJ que entraria na sequência já preparava o equipamento.

Depois foi só relaxar e se jogar na pista. A noite foi ótima, já que muitos dos amigos estavam por lá. Então, além de ter tido o prazer de tocar (e tocar no D-Edge é sempre uma honra), foi bom colocar o papo em dia com pessoas que eu não via há um tempão.

Eu sempre recebo email de pessoas que me conhecem ou me acompanham de alguma forma, pedindo dicas do que fazer em uma rápida passagem em São Paulo. O Circuito R-Design é uma sugestão de uma tour pela cidade por um dia, com direito a comidinhas e badalação, além de momentos de puro prazer com essa cidade, que a princípio parece sisuda, mas é só uma armadura que esconde uma cidade encantadora.

**O Circuito R-Design foi feito a convite da Volvo, que nos cedeu um modelo C-30 T5 R-Design, turbinadíssimo para nos levar pra cima e pra baixo. Eu me derreti pelo meu circuito e também pelo carro. Essa sequencia de posts não se trata de publieditorial, é apenas um jeito de compartilhar toda a experiência que tive para desvendar charmes paulistanos. E isso tudo é apenas um “cadinho” de tudo de bacana que rola fazer por aqui. Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada por São Paulo. Quem quiser dicas, estou por aqui.

o Renato e nosso carro companheiro na empreitada by Ola Persson

Enjoy!

Circuito R-Design: um dia por São Paulo – parte 2

quinta-feira, fevereiro 3rd, 2011

O centro de São Paulo tem um ar nostálgico, os calçadões, o vai e vem de pessoas de todos os tipos possíveis, o ar que transpira pressa. No final de semana o ar nostálgico continua, mas dá lugar a calmaria que se instal nas suas ruas, as portas do comércio cerrado.

No post anterior, eu terminei o circuito R-Design no Edifício Martinelli, que eu coloco as mãos no rosto envergonhada ao assumir que pouco reparei nele até essa última passeada. Vou falar: a construção é de encher os olhos!!!! Imponente com seu estilo art-deco, ele deve estar no roteiro de quem está afim de se aprofundar um pouco mais na história da arquitetura da nossa cidade. Além disso, ele é um marco na arquitetura nacional e foi um símbolo de progresso para a cidade (na mesma época em que a bolsa de NY quebrou).

Para quem não sabe, a festa luxo de 15 anos do SPFW foi no topo do edifício. Dá uma olhada na vista incrível:

foto por Carlos Prates pra RG

Imprescindível conhecer. Ele é lindo de morrer. Aproveita e siga a minha dica final de marcar uma visita guiada e se jogar  nas histórias recheadíssimas que a construção abriga.

Subindo a Av. São João, eu cheguei no meu canto favorito dessa parte do Centro: a Praça Antonio Prado, que possui em estilo retrô um coreto, dois quiosques com engraxates à moda antiga, uma banca de jornal e cabine telefônica. Em volta tem a Bovespa (que eu tenho um certo fetiche, confesso), o famoso prédio do Banespa, que é um dos principais pontos da região e o São Jorge, para dar uma parada, sentar para contemplar esse delicioso canto enquanto se deleita com um copo de chopp bem tirado (recomendo sentar na varanda). Estando ali durante a semana, recomendo fortemente uma subida no topo do Banespa, que tem 161,22m de altura e proporciona uma das vistas mais lindas de São Paulo. As visitas rolam de 2ª à ª das 10 às 15h.

Os prédios que cercam a praça com o Banespa ao fundo:

foto by Eduardo Záratefoto tirada por Eduardo Zárate

Depois de uma relaxada por ali, seguimos para o Centro Cultural Banco do Brasil, que fica na Rua Álvares Penteado x Rua da Quitanda (olha no mapa antes, porque é super fácil se perder por ali). O prédio foi construído para abrigar a 1ª agência do Banco do Brasil, em São Paulo, nos anos 20. O arquiteto que executou o projeto foi Gustavo Pujol e se diferencia por janelas emolduradas por imensas pilastras. Quando decidiram transformar o local num centro cultural, acabaram convidando Luiz Telles para executar o projeto. O CCBB foi inaugurado em abril de 2001 com toda pompa merecida. A programação é sempre intensa e vale a pena ficar de olho. Várias exposições importantes, assim como espetáculos, já passaram por lá. Atualmente o CCBB está com a exposição “Islã: Arte e Civilização”, que reúne 300 obras contando 1.400 anos de história do Islã. A exposição fica por lá até 27 de março com acesso gratuito.

foto tirada por Ola Persson

Além da agenda cultural, o CCBB conta com um delicioso café, com uma charmosa área externa para dias ensolarados. Também tem uma pequena loja, que sempre tem achados literários e objetos de design.

foto tirada por Ola Persson

Vale se perder nas ruas XV de Novembro, da Quintada, Álvares Penteado, entre outras, apenas apreciando os edifícios construídos na primeira metade do século XX e que muito contam sobre a história de São Paulo.

Ao redor tem várias coisas, mas como o tempo estava se esgotando, acabamos nos refrescando no jardim do Pateo do Collegio, que tem um pequeno restaurante, com preços honestos e atendimento bem simpático.  Vale lembrar que o Pateo já tem cerca de 450 anos de história pra contar. Com um país tão novinho como o nosso, ele é super jovem. Super bem conservado, arborizado, com aquele sino imenso na entrada disponível para quem quiser tocar, o jardim interno e a vista de um lado da cidade mais degradado (o Parque Dom Pedro).

eu no pateo by ola persson

área interna do pateo by ola persson

O Pateo é sede de diversos eventos,casamentos, além de abrigar o museu, a cripta de José de Anchieta, a igreja no local onde foi realizada a primeira missa da cidade, a biblioteca temática, e abriga ainda diversos projetos sociais, como o Centro Loyola,projeto OCA e o projeto EMBU.

Eu tive o privilégio de tocar lá numa edição da Virada Cultural em plena luz do dia. Foi um contraponto para mim a festa e o local, o que eu adorei.

Para voltar para o local onde partimos, decidimos subir a Rua São Bento até a Praça do Patriarca, que em em 2002 ganhou o pórtico-cobertura-monumental de estrutura metálica e fatura ultra-contemporânea, projetado por Paulo Mendes da Rocha, juntamente com Eduardo Colonelli.

A Praça do Patriarca já foi um lugar bem feio onde eu sempre passava para ir até a antiga loja Woodstock, que ficava em frente ao metrô Anhangabaú. A nova obra deu uma cara mais acolhedora e artística ao local. Sempre há intervenções por ali, além dar uma visual bem mais arrojado, que contrasta com a arquitetura que cerca o pórtico:

Pórtico Cobertura @ Praça do Patriarca

Atravessamos o Viaduto do Chá, que dá uma bela visão do Vale do Anhangabaú por completo; atravessamos a Barão de Itapetininga até alcançar a Praça da República. Confesso que por ali pouco chama a minha atenção com exceção dos pregadores de vida extra-terrena, que estão sempre com cartazes e TV ligada no meio do calçadão.

Antes de terminar nossa jornada, acabamos caminhando até o Copan, um dos marcos mais lindos de São Paulo. Acabamos tirando fotos, percorrendo as lojas. Por ali há dois lugares que valem um parada, seja durante o dia ou à noite: o Bar da Onça (não sou fã de almondegas, mas eles fazem as melhores do mundo) e a Padaria Santa Efigênia (opte pelo sanduíche mineiro, que é com queijo branco e filé).

Copan by Ola Persson

No próximo post, que é a terceira e última do Circuito R-Design, eu falo sobre a parte gastronômica, que me fez lamber os beiços e também de onde a noite terminou (e foi longa!!!).

Circuito R-Design: um passeio por São Paulo – parte 1

quarta-feira, fevereiro 2nd, 2011

Como citei em um post anterior, a Volvo me convidou para testar o novo C30 R-Design. Não há como não se deleitar com o carro, que é super esportivo, bonitão, confortável, ótimo para dirigir. O objetivo não foi apenas para testa-lo, mas criar um roteiro de um dia por São Paulo.

A opção acabou sendo uma boa rodada no Centro da cidade, onde eu passei minha adolescência percorrendo religiosamente as ruas Barão de Piratininga, 23 de Maio, avenidas São João e Ipiranga, frequentando a Galeria do Rock, Woodstock, cinemas Marabá, Ipiranga e Olido, além de bater cartão na feira dominical da Praça da República.

Desde então posso dizer que nosso centro mudou bastante, os cinemas desapareceram, o cinema Olido se transformou numa galeria, o Anhangabaú ganhou nova roupagem, prédios foram (e continuam sendo) recuperados.

O nosso circuito começou na sexta-feira na frente do Alberta#3, que fica na Av. São Luiz, que é minha segunda avenida preferida da cidade, perdendo apenas para a Av. Paulista. O Alberta#3 é uma ótima opção para quem gosta de indie rock, lugar pequeno e despretensioso. A pista fica no porão e o único cuidado é com a escada caso você exagere na dose alcóolica.

Largamos o carro por ali e seguimos rumo ao Vale do Anhangabaú. No caminho paramos para contemplar a Biblioteca Mário de Andrade, que ficou três anos em reforma e foi reinaugurada no último dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. A biblioteca com formas geométricas e simples, segue uma linha arte déco e foi construída nos anos 30 pelo arquiteto francês Jacques Pilon. A construção imponente de 12.032m2 se mistura ao caos da Xavier de Toledo, um grande corredor de ônibus. Do lado de trás a tranquila Praça José Gaspar, que também recebeu novo paisagismo para acompanhar a revitalização da biblioteca, que é a segunda maior do país.

nova fachada da Mario de Andrade (by Ola Persson)

Descemos a Rua Xavier de Toledo até a frente do Teatro Municipal, está em reforma desde 2008. O que seria entregue em julho de 2009, ficou para julho desse ano. Resta aguardar. Por enquanto são tapumes e telas cercando uma das construções mais bonitas do centro.

Por ali recomendo prestar atenção no Edifício CBI Esplanada, um prédio de 33 andares, projeto do arquiteto polonês Lucjan Korngold, inaugurado nos anos 50 e que mantém suas características originais. Na época em que foi construído, o prédio era a maior estrutura de concreto armado do mundo. Ele fica na rua Formosa, na Praça Ramos e é o último à esquerda na foto abaixo:

foto by Ola Persson

Seguindo dali para o Vale do Anhangabaú, já se vê o edifício Sampaio Moreira atrás, na rua Libero Badaró, que chama atenção pela sua arquitetura estilo Luis XVI, projeto do arquiteto Cristiano das Neves. É chamado de avô dos arranha-céus de São Paulo, pois em 1924, época em que foi construído, era o prédio mais alto da cidade com 13 andares e 50m de altura. Atualmente ele está à venda por R$ 6,5 milhões e  recentemente abrigou o projeto Red Bull House of Art.

foto by Ola Persson

Mas antes de chegar nele, recomendo um olhar mais atento ao Vale do Anhangabaú, que reina absoluto cercado de verde e palmeiras imperiais. Se for num final de semana, vale até sentar na grama e contemplar a cidade que se forma em volta co mais atenção. Foi anunciado recentemente que o vale ganhará uma obra de revitalização. Seguindo pela lateral direita até os Correios, que fica na Av. São João, se vê uma obra gigante dos OsGemeos, que dá um tom alegre à região.

eu deitada na grama do Vale do Anhangabaú

Percorrendo a Libero Badaró se chega no famoso Martinelli, que em 1929 batia o recorde do Sampaio Moreira, se tornando o edifício mais alto de São Paulo. Inicialmente o prédio teria apenas 12 andares, mas a obra se concluiu em 1934 com 30 andares, 130m de altura e foi de fato nosso primeiro arranha-céu. Caso queira conhecer melhor a  história do prédio, basta agendar uma visita monitorada através do site. As visitas rolam às segundas, terças, sextas e sábados.

Edificio Martinelli

O nosso passeio (meu e do Ola, que aproveitou para conhecer melhor a sua nova cidade) levou mais da metade do dia. Ele se encantou ainda mais com o que viu, já que esses passeios são raros.

Para não prolongar muito o post, vou publicar o circuito em 3 partes e tem coisas bem bacanas e boa parte dos meus cantos favoritos da cidade. A primeira parte foi mais focada em arquitetura, a segunda em cultura/artes e a última gastronomia e diversão.