Posts Tagged ‘2008’

Melhores álbuns de 2008

domingo, dezembro 21st, 2008

Top 10 é algo muito relativo. Ontem fiquei zapeando na web várias listas e comparando. Há unanimidades, mas há disparidades também. Nem sempre o que eu considero o melhor foi o que eu mais ouvi. Depois de pedir a cada um dos meus colaboradores para fazer suas listinhas eu esbarrei na dificuldade de fazer a minha. Percebi que o que mais ouvi este ano foram cds lançados no final de 2007 e que ando mesmo atrasada com a música. 2008 também foi um ano em que ouvi mais músicas soltas do que cds inteiros. Para mim 2008 foi o ano do remix. Então retirei muita coisa do fundo do baú que foi revisitado numa nova versão por alguém. Há três listas que preciso fazer: top 10 dos melhores lançamentos do ano, top 10 das melhores músicas do ano e top 10 do que eu mais ouvi no ano. Vou começar pela primeira lista.

O que eu acho é que em 2008 saíram muitas coisas boas do forno e 2009 é um ano que promete musicalmente. Vamos ao que, na minha opinião, foram os melhores álbuns deste ano que está chegando ao seu fim. Não leve a ordem em consideração:

1) TV on the Radio - Dear Science,

2) Cut Copy - In Ghosts Colours

3) Primal Scream - Beautiful Future

4) The Presets - Apocalypso

5) Nine Inch Nails - Slip

6) MGMT - Oracular Spetacular

7) Fleet Foxes - Fleet Foxes

8 ) Portishead - Third

9) Santogold - Santogold

10) Girl Talk - Feed the Animals

Ainda estico a minha lista para Hot Chip (Made in the Dark), Glasvegas (Glasvegas), Ladytron (Velocífero), The Kills (Midnight Boom), The Whip (X Marks Destinations), The Ting Tings (We started nothing).

Do top10 eu apenas vi 3 ao vivo este ano: NIN no Lollapalooza, MGMT no Lollapalooza e no Tim Festival e Girl Talk no Lollapalooza e no All Points West. O NIN foi o mais lindo e emocionante, o MGMT, apesar de um belíssimo trabalho de estúdio, não me empolgou ao vivo, mas durante o dia e em local aberto funcionou melhor do que no Tim e Girl Talk me proporcionou uma das experiências mais empolgantes da minha vida, quando eu saí da pista e virei dançarina dele no All Points West. Dos demais eu vi apenas a nova turnê do The Kills no Lollapalooza, que fez um show muito superior ao apresentado aqui há alguns anos atrás.

A minha expectativa é que em 2009 eu possa ver ao vivo o restante da lista e acho que não será uma tarefa tão árdua.

Confira também os top10 que a Dani, Ana Laura, Fabilipo, Renato e do João Perassolo fizeram aqui no blog. E a próxima lista será meu top 10 com os melhores shows que vi em 2008. Aguardem!

Tendências

quinta-feira, dezembro 18th, 2008

Eu sou viciada em relatórios de tendências. Tenho uma coleção deles e estou sempre baixando novos no slideshare e me frustro quando não tenho acesso a algum.  E esse, indiscutivelmente, foi o ano em que a Social Media ficou sob holofotes.

Aí vão dicas de alguns relatórios gratuitos e sites de tendências que valem a pena a visita:

- Most Contagious 2008:  o relatório mostra as melhores ações de 2008 em vários segmentos

- Springwise: site de tendências. Ele tem um banco de idéias bem interessante dividida por área.

Trendwatching: foco em estudo de tendências. Liberou recentemente o relatório 2009, que custa US$ 799,00. Dá para baixar o briefing que tem tudo que foi abordado no relatório final.

- When did we start trusting strangers: relatório feito pela Mac Cann analisando a evolução do poder e influência na compra através de conversas.

- Previsões de Social Media para 2009: análise do que aconteceu em 2008 nas redes sociais e o que promete para 2009.

- Hot Trends for 2009: highlight de idéias de tendências para 2009. Curtinho e interessante.

- FEED 2008: The Razorfish Consumer Experience

- Creativity: de campanhas à discussões e outras lições para 2009

- Digital Youth: relatório sobre comportamento de crianças e adolescentes com gadgets e novas mídias

- WGSN: já tinha postado aqui. A WGSN fez 10 anos e disponibilizou gratuitamente todo os seu conteúdo até o final de dezembro. Ainda dá tempo de dar uma boa vasculhada por lá. Só é uma pena que não tem relatórios para baixar. Da-lhe “copy/paste”

- EMarketer: tem dois tipos de cadastro no site, um gratuito e um pago. Tem um newsletter diário que vale a assinatura, que é gratuita.

(mais…)

10 conclusões musicais em 2008

terça-feira, dezembro 16th, 2008

Como minha memória anda falha, resolvi apelar para o last.fm para ver o que mais escutei nesse ano:

lastfm

Vendo a lista toda, eu tirei 10 conclusões musicais para esse ano:

  1. Eu não escutei muito nada de novo esse ano, exceto Vampire Weekend
  2. Desenterrei Bangs, Mclusky, Julie Ruin e a trilha sonora de Ruas de Fogo
  3. Amo bandas com vocalistas mulheres: Bangs, Sleater-kinney, Cat Power – tá, eu sei que não é uma banda – e Be your own Pet
  4. Da lista das 10 músicas mais ouvidas nos ultimos 12 meses, 8 são do Sigur Rós – talvez porque é o único CD que tenho no computador do trabalho
  5. Nas últimas semanas tenho escutado Mogwai non-stop
  6. De discos lançados esse ano, nessa lista eu escutei: Vampire Weekend,  með suð í eyrum við spilum endalaust (Sigur Rós) e o get Awkward (Be your own Pet) – a Cat Power não entra aqui porque eu escutei os discos antigos mesmo
  7. O melhor nome de música é do mclusky: The world loves us and is our bitch
  8. Eu não escuto muita música eletrônica
  9. Eu consigo escutar Sigur Rós sem ter vontade de chorar agora
  10. Songbird é o melhor player do ano, dando um pau no itunes, e você deveria baixar se não baixou ainda

Minha trilha de 2008

sábado, dezembro 13th, 2008

Depois do post do João, fomos todos convocados a relacionar aqui os 10 discos mais ouvidos em 2008. Eu, de novo, tremi na base, porque todo mundo sabe que música não é meu forte, e eu sempre acho que vou falar bobagem. Por isso, me reservo o direito de apenas listar os álbuns que eu MAIS OUVI, e que não necessariamente foram lançados em 2008, ok?

1. Cut Copy – In Ghost Colors

2. MGMT – Oracular Spectacular

3. The National – Boxer

4. Primal Scream – Beautiful Future

5. m83 – Saturdays=Youth

6. Calvin Harris – I Created Disco

7. The Ting Tings – We Started Nothing

8. Hot Chip – Made In The Dark

9. Radiohead – In Rainbows

10. Guillemots – Red

Meu 2008, na música, foi assim:

quinta-feira, dezembro 11th, 2008
capa do disco do Crystal Castles

Capa do disco do Crystal Castles, o melhor do ano

Não resisto a fazer, todo fim de ano, minha lista de melhores discos. Pois:

1 – Crystal Castles, Crystal Castles: a dupla de 8-bit/electro nervosa ganhou a primeira posição pela atitude. Irônicos, criativos e debochados, mandam barulhinhos de videogame tosco numa época saturada de eletrorock e superproduções. Estão olhando pro chão na capa e nas fotos de divulgação, abrem o disco citando Death From Above 1979, falam de cocaína em espanhol e terminam com uma faixa que poderia ter sido composta pela Enya. Em uma palavra? GÊNIOS.

2 – Fennesz, Black Sea: guitarra + laptop. Um dos meus artistas preferidos, Christian Fennesz é um instrumentista que divide sue tempo entre Viena e Paris e faz música cheia de texturas, sem vocal nem acolhimento ao ouvinte. Beleza, estranha beleza.

3 – The Kills, Midnight Boom:  entrada triunfal do The Kills na pista de dança. Como se eles deixassem de tocar num inferninho abafado, aqueles com luzes vermelhas, e passassem a se apresentar num clube maior, onde o ar-condicionado funciona e a vodka é de (muito) melhor qualidade.

4 – Benoît Pioulard, Temper: gosto e cheiro de areia molhada depois da chuva no segundo álbum desse artista do Oregon. Ele é do tipo que se produz sozinho, sabe?, gravando em casa e fazendo as fotos dos discos. Não basta ser músico, tem que fazer também belas imagens.

5 – Ladytron, Velocifero: menos açúcar, menos deslumbre anos 80 pra pista de dança, mais animosidade. Tem gente que torce o nariz, mas o quarto disco do Ladytron é… sofisticado. Os sintetizadores estão mais pesados, e o clima dark ronda o electro do grupo – dessa vez, com algumas letras em búlgaro.

6 – Grouper, Draggin a Dead Deer Up a Hill: “dark ambient” foi o melhor rótulo que li nas descrições por aí. Imagine um som escuro, sombrio, com dedilhados de violão abafando o vocal redentor de Elizabeth Harris. Parece que o disco foi gravado dentro de um poço de água fundo, muito fundo: aumente bem o volume dos fones, caso contrário você não vai conseguir distinguir os intrumentos.

7 – Moscow Olympics, Cut The World: o Moscow Olympics vem das Filipinas (!!!) e mistura  vocais e linhas melódicas anos 80 (tipo New Order) com um verniz shoegaze por cima. Entendeu? Cut The World: é o ep de estréia do grupo. Músicas bonitas, que inspiram confiança. Não é pouco.

8 – Mogwai, The Hawk is Howling: e não é que os mestres do post-rock deram uma desacelerada? A banda escocesa fez um disco calmo, quase cem por cento introspectivo (a exceção é a heavy metal “Batcat”), em dez faixas sem vocal algum. Só climinha.

9 – Hearts by Darts, Hearts by Darts: essa foi a descoberta do ano, aquela banda que você ouve meio do nada, e então ouve de novo e plim! Só a voz feminina e o cover da “Candy Says”, do Velvet Underground, já valem. Hearts by Darts é um belo disco de rock. Não, de pop. Não, de pop rock, com aquele espírito artesanal de compor as faixas, lo-fi de cantinho.

10 – Primal Scream, Beautiful Future: jamais esperaria um disco cheio de vida e esperança do Bobbie Gillespie. Ele não só fez, como fez maravilhosamente bem. O Primal Scream é a banda que melhor traduz o zeitgeist, saca?  Se todos fazem eletrorock, eles vão lá e fazem o melhor eletrorock da praça, tipo “aprendam como faz”. Beautiful Future é uma delícia.

Melhores do ano para a Rough Trade Records e para a revista Mojo

segunda-feira, dezembro 1st, 2008

E começaram as listas de melhores discos do ano. A primeira importante a sair foi a da Rough Trade Records, loja e selo referência para o indie rock, que recém divulgou sua seleção de cinqüenta. Os três primeiros lugares parecem óbvios e preguiçosos (Bon Iver, Fleet Foxes e Vampire Weekend), mas o Metronomy em quinto foi acertado – disco original e divertidíssimo. Também gostei de ver o TV On The Radio em décimo-primeiro e o som 8-bit do Crystal Casltes em décimo-quinto, e achei mais justo ainda colocar o Third, do Portishead, láááá atrás, em quadragésimo-primeiro: um disco apenas bom, cujo hype é maior que o conteúdo, e que recebe uma posição apenas boa. A grande surpresa foi o Street Horrrsing, do Fuck Buttons, em vigésimo-quinto, disco difícil e bem experimental, colocado muito à frente de Foals, Breeders e Of Montreal. (A propósito, se você está indo para Londres ou está por lá, não deixe de dar uma passada na loja de Notting Hill: espaço pequeno e charmoso, atrolhado de discos, para amantes de música.)

Quem também publicou a lista dos mais mais foi a revista Mojo, com o Fleet Foxes na liderança e Bon Iver em quarto. Pelo que parece, só eu achei Fleet Foxes muito chato e Bon Iver morno… O shoegaze ensolarado do Glasvegas está em sétimo e o Beck em décimo-nono, dois artistas que pra mim lançaram discos irrepreensíveis em 2008. E Fuck Buttons também aparece aqui, vejam só, em posição próxima à do MGMT, como na lista da Rough Trade (alguém duvida que o duo vai estar em todas as listas?). Estranhei eles não terem dado o Primal Scream, se até o Metallica (!!!) está na lista.

Aguardo ansioso para ver se vão figurar e em qual posição discos do Mogwai, Primal Scream e Ladytron. E Benoît Pioulard, queridinho de quem adora dizer que descobriu sons novos? A seguir, cenas dos próximos capítulos.

O que Obama está ouvindo?

segunda-feira, novembro 3rd, 2008

Em clima de Eleições (reality show) Americana, saiba o que Barack Obama tem ouvido durante a campanha:

1. Signs – Snoop Dogg and Justin Timberlake
2. Ain’t No Mountain High Enough – Marvin Gaye and Tammy Terrell
3. Torn and Frayed – The Rolling Stones
4. C’mere – Interpol
5. Use Me – Bill Withers
6. Numb/Encore – Jay-Z and Linkin Park
7. I Feel it All – Feist
8. Hey Hey What Can I Do – Led Zeppelin
9. Kick, Push – Lupe Fiasco
10. I’ll Be Around – The Spinners
11. Big Weekend – Tom Petty
12. I’m on to You – Neil Diamond
13. Bones – Radiohead
14. Down by the River – Neil Young
15. When the Stars Go Blue – Ryan Adams
16. Maps – The Yeah, Yeah, Yeahs
17. Daughter – Pearl Jam
18. Season of the Shark – Yo La Tengo

Via bog do Sérgio Dávila

Para ouvir tomando cerveja

terça-feira, março 18th, 2008

THE GUTTER TWINS, Saturnalia (2008)

The Gutter Twins

Quando Mark Lanegan resolve montar um grupo com Greg Dulli, o mínimo que se pode esperar é um disco incrível, certo? Certo. Lanegan foi o mentor do Screaming Trees, banda fundamental do grunge; depois, colaborou com o Queens of The Stone Age; enquanto isso, manteve em paralelo prolífica carreira solo, além de dividir vocais com Isobel Campbell em dois belíssimos discos. Dulli foi ninguém menos que o vocalista do Afghan Whigs, banda que influenciou 11 entre 10 indies de todos os tempos e entregou hits para as pistas de dança rockers; além disso, toca o Twilight Singers e outros projetos.

Saturnalia vai, certamente, figurar nas listas de melhores de 2008. A primeira metade do álbum flerta com o hard rock, e a segunda aposta nas baladas que bem poderiam estar num disco de Lanegan, mas aqui, com Dulli, só ficam mais tocantes. Os destaque são a bela concisão de “God’s Children” e a chuvosa “All Misery/Flowers” – anos de turnês e estradas poeirentas são precisos para compor essas preciosidades.

A estréia do duo celebra a face despretensiosa de Dulli com a voz rouca e curtida de whisky de Lanegan. Rock de gente grande feito para gente grande, com gosto de cerveja, clima soturno e atmosfera de bar no deserto.