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JJ

domingo, fevereiro 27th, 2011

Eu e o Ola vamos começar a colaborar para a fantástica revista Noize, que eu amo! A coluna vai ser sobre novas (ou não tanto) bandas que as pessoas precisam conhecer. Vou assumir que o primeiro texto é sempre o mais difícil, porque ainda há aquela insegurança de estilo, se as pessoas vão curtir, de não falar bobagem. Eu não sou boa em escrever críticas, acabo sendo embalada pelo meu coração e meus textos são sempre emotivos (quem lê meu blog, sabe disso). Tentei fugir um pouco disso, mas sem sucesso. Acho que a primeira colaboração vai assim, mas sei que logo volto ao meu lugar comum.

Enquanto eu e o Ola pensávamos sobre quem falaríamos, acabei conversando com alguns amigos para saber o que eles andam ouvindo de novo. Descobri várias delícias sonoras. Uma que embalou meu domingo, que está bem lento, foi JJ, uma dupla sueca lá da cidade do Ola, Gotemburgo.

No início do ano passado, quando lançaram o JJ Nº 1, a Pitchfork resenhou o EP e considerou a melhor nova música. O Stereogum colocou o álbum JJ nº 3 na lista de melhores álbuns de 2010.

O JJ é formado pelos loirinhos Joakim Benon e Elin Kastlander, ela que tem voz de anjo, dá um ar etereo a canções regadas de samples de sons de mar, crianças rindo, além de gaitas, pianos que transformam a música em pura contemplação nos remetendo a um universo onírico.

Lançaram no natal o mixtape Kills, que foi disponibilizado para download gratuito.


yours0158 from Sebastian Järnerot on Vimeo.


NO MORE YOU from JJ on Vimeo.

Ouça também “Let Them”, que tem o sample de “Intro”, do The Xx:

Jj – I’m the One Money On My Mind by Pretty Much Amazing

Conclusão: JJ é para embalar os sonhos.

A dica veio do Larry Tee e fez eu me dar conta de como em 2010 eu fiquei completamente em outro planeta, tendo perdido muita coisa boa. Agora bora correr atrás do prejuízo.

Para quem gostar do JJ, recomendo ir atrás dos suecos Air France, pois com certeza vai curtir também.

Bagagem extraviada pela Air France

domingo, setembro 20th, 2009

O Ola chegou em São Paulo no dia 1º de setembro pela Air France, mas a sua prancha de windsurf não. Antes mesmo que ele fizesse a reclamação de que a bagagem não havia chegado, ele foi chamado para ser comunicado de que sua prancha não tinha vindo no vôo. Isso não o surpreendeu, pois ele fez uma conexão em Paris, que chegou de Gotemburgo em cima da hora e ele foi o último a embarcar. Para poder embarcar sua prancha, ele teve que pagar excesso de bagagem e, por sorte, declarar o que continha, mas infelizmente não houve declaração de valor.

a prancha extraviada é a da foto

a prancha extraviada é a da foto

De qualquer forma, das duas bagagens, a de roupa chegou e a sua pequena bagagem de mais de 30 kilos e 2,5m de altura ninguém sabia para onde tinha ido. O que me choca é como uma bagagem nada discreta possa sumir dessa maneira. Quando comentei isso com ele, ele mencionou que eu só fico surpresa porque não pratico windsurf, já que parece que não é novidade o extravio de equipamentos de surf. Dei uma zapeada rápida no google e soube que uma brasileira perdeu em 2006 a chance de participar do Campeonato Mundial de Fórmula Windsurf por problemas similares e também com a Air France.

Hoje faz 27 dias que a prancha dele está extraviada. O máximo que tem ouvido da Air France é “não encontramos ainda, obrigado”. O equipamento total vale em torno de US$ 4,000 e pelo que vemos, ele terá uma grande briga pela frente.

Uma das coisas que fiquei pensando é como é fácil ter uma bagagem perdida ou mesmo roubada,  já que não há qualquer controle de bagagem na saída dos aeroportos. Em Chicago, por exemplo, a área de chegada das bagagens fica na parte aberta do aeroporto, ou seja, qualquer um que esteja passeando pelo local, pode ir lá e escolher qualquer mala.

Outra coisa é como o tratamento é quase de descaso. Se você não for atrás, não terá notícias porque ninguém vai te ligar dizendo “sinto muito senhor, mas até o momento não localizamos a sua bagagem”. Lembro-me que liguei na Air France 2 dias depois da data prometida para a entrega da prancha aqui em casa, a resposta foi “de acordo com nossos arquivos, a prancha seria entregue no dia 2 de setembro”, ou seja, não tinha sequer uma atualização de que até o momento a bagagem não tinha sido localizada. E assim segue, sem qualquer interesse aparente da companhia aérea.

O Ola é a terceira pessoa que conheço que tem bagagem extraviada pela Air France num período de 1 ano. Não sei e nem pesquisei sobre outras cias. aéreas o número de ocorrência e quem é campeã no assunto. E vejo que vamos ter algum desgaste aí pela frente. Qualquer sugestão será bem-vinda.

Desabafando sobre o acidente da Air France

quarta-feira, junho 3rd, 2009

A última segunda-feira foi um dos dias mais loucos da minha vida. Depois de passar dias trabalhando por 16 horas diárias, eu finalmente me rendi às merecidas férias e no último domingo eu embarquei para Paris.

A viagem foi turbulenta, mas não chegou aos pés da turbulência que foi meu primeiro dia por aqui. O meu vôo, que saiu de São Paulo, estava previsto para decolar às 19h10, porém acabamos decolando com mais de meia-hora de atraso. Como eu falei no meu twitter, eu estava numa baita ressaca e a minha previsão de que iria “morrer” no avião não aconteceu. Quando escrevi aquilo, eu fiz um trocadilho de “dormir” para “morrer”.

Tomei duas garrafas pequenas de vinho no jantar, mas mesmo assim eu não dormi e o saldo foi que eu assisti 3 filmes inteiros durante o percurso até Paris. Durante essas 12 horas, tivemos algumas turbulências, sendo que uma delas foi mais forte e meu filme foi desligado, mas mesmo assim o susto foi pequeno, pois já peguei turbulências bem piores.

Tentei dormir várias vezes e não rolou. Cheguei no Charles de Gaulle me sentindo um zumbi. O nosso desembarque foi normal, só depois é que caiu minha ficha de que a tripulação foi meio “seca” na despedida e lembro de na hora ter reparado isso. Eu falei “au revoir” para o comandante e ele me respondeu “good morning”, o que me fez achá-lo bem disperso. Essa ficha caiu quando soube do acidente e atribuí à tensão que eles deveriam estar sentindo, pois já deveriam saber o que estava rolando.

Não desconfiei que houvesse algo errado no aeroporto. Tudo parecia normal. Comprei meu bilhete e fui para a estação Rochereau Defort encontrar um amigo. Logo que cheguei foi que o mundo começou a desabar. Ele mal me cumprimentou e informou que tinha uma péssima notícia. Como ele é bem brincalhão, eu não levei a sério até ele terminar a frase “o voo da Air France que vinha do Rio no mesmo horário que o seu, caiu e ainda não o encontraram”.

Eu me senti chocada com a notícia e logo pensei nos meus pais, que com certeza estariam em pânico por não terem certeza se meu voo tinha alguma escala no Rio antes de seguir para Paris. Tentei ligar e só ocupado.

Depois disso o restante é história. Muita gente acompanhou no twitter a “comoção” em cima da minha possível morte. Como no Brasil ainda eram 9h da manhã, não imaginei que tivesse algo rolando a respeito, mas ao acessar meu email, eu fiquei chocada por ter 2 páginas só com pessoas me adicionando no twitter. Em 2 dias eu tive um aumento de quase 700 followers, o que me leva à uma reflexão do que faz as pessoas saírem adicionando loucamente alguém que muitas pessoas estão dizendo que morreu.

Isso deixa claro o quanto o ser humano é mórbido e gosta de estar próximo a assuntos relacionados à tragédia. Na sequencia consegui falar com meu pai, que estava no meio de um pesadelo enquanto não tinha notícias, afinal as pessoas começaram a ligar para ele às 8h30 da manhã para saber se ele tinha notícias. Minha mãe levou um choque tão grande, que ficou de cama o dia todo e somente ontem é que começou a se reestabelecer. Na segunda ela não conseguiu falar ao telefone comigo.

Assim que eu postei que estava viva e bem, choveram mensagens e solicitações de entrevistas e quando eu vi, eu era notícia de um assunto que eu não tinha a ver com ele.

Confesso que eu chorei com tudo o que aconteceu e fiquei com a emoção à flor da pele. A sensação que tive é difícil explicar, mas é como se eu, de repente, fizesse parte de algo que eu não fiz. Foi como se eu estivesse realmente no voo que caiu e, por um milagre, acabei sobrevivendo. O acidente se tornou tão próximo, que hoje eu chorei ao passar na frente da Catedral de Notre-Dame, pois teria uma missa aos mortos na queda e tinham vários funcionários da Air France. Eu me senti tão próxima àquelas pessoas, como se eu fosse de fato parte daquilo. O que era algo distante tornou-se tão próximo. As pessoas me colocaram em algo que eu não estive.

Na segunda-feira eu passei muito mal no final do dia e ontem acabei me esgotando emocionalmente, tanto que fui dormir às 23h de ontem e hoje acordei ao meio-dia, sem sequer ter ouvido o barulho da britadeira que trabalhou insistentemente em frente à minha janela.

Concordo com o Cardoso sobre o que ele falou, as pessoas se apegaram as bobagens que eu falei no twitter antes de decolar para buscar algo impressionante, que não existia. Quando um jornalista me pediu para enviar uma foto minha no meu voo ou já em Paris, eu lembrei que tinha dormido com um protetor de claridade que ganhei da Chilli Beans em que está escrito “I see dead people”. Fiquei imaginando se as pessoas tivessem visto eu com esse protetor. Se eu falei que estava com azar, que morreria no avião e numa infeliz coincidência usei uma frase estampada nos meus olhos “I see dead people”, nada teve a ver com o que aconteceu. Não previ nada e nada teve de impressionante. Para mim o impressionante é um avião cair e matar mais de 200 pessoas. Quem não pensa na morte em algum momento quando faz uma viagem longa de avião? Eu pensei na morte sim quando passamos por uma das turbulência e mesmo antes de embarcar. Eu tenho medo de voar.

Fiquei imaginando várias coisas que seriam ditas caso eu estivesse no voo fatídico: depois de muito tempo eu consegui passar um tempo junto com meus pais; eu estou feliz demais porque meus negócios estão properando; estava pensando em casar; estava vindo para uma das minhas cidades favoritas para encontrar uma das minhas melhores amigas, que eu não via há bastante tempo; paguei todas as contas adiantadas; fiz um seguro de vida, algo que eu nunca pensei em fazer; eu completo 36 anos na próxima sexta-feira; embarquei num voo internacional em pleno domingo, algo que nunca fiz, etc. Diriam “nossa, ela sentiu que ia acontecer algo”.

Estamos sempre fazendo coisas, tentando acertar outras, dando rumos diferentes às nossas vidas e só porque uma desgraça acontece, tudo isso passa a fazer algum sentido?

Eu não ia escrever esse texto, mas ele é um desabafo de como a busca por fatos “impressionantes” e pelo sensacionalismo pode sugar nossas energias. Hoje eu estou bem, mas precisei chorar copiosamente na escadaria ao lado da Notre-Dame enquanto olhava os funcionários da Air France, a mídia ansiosa por mais notícias. Bateu uma tristeza sem fim e inexplicável. Talvez tenha sido também por alívio de na realidade ter estado longe de toda a tragédia e por ter me safado. Eu não estaria naquele voo, porque as chances de eu embarcar no Rio eram mínimas, mas de repente veio aquela sensação de que poderia ter sido meu voo e que eu poderia mesmo estar lá.

Agradeço pelo carinho de algumas pessoas que se preocuparam de verdade. Algumas próximas, algumas distantes, mas isso não fez eu me sentir mais especial. O que eu queria mesmo é que nada disso tivesse acontecido.