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Balanço SXSW

quarta-feira, março 23rd, 2011

até a próxima edição

Esse é um post mais emocional da minha relação com o SXSW. Não vou citar palestras que vi, coisas que aprendi, bandas que me encantaram, filmes que me emocionaram, esses ficam para depois, pois é muita coisa, muita informação, muita referência. São apenas minhas emoções e como foi estar na loucura que é o SXSW.

O festival completou 25 anos, mas cresceu vertiginosamente nos últimos anos. Quem esteve no ano passado, afirmou que já houve um salto grande para esse ano. A parte de interatividade ganhou força, os publicitários fizeram as malas e foram. Nada de evento Web 2.0, o evento da vez é o SXSW.

Foi minha primeira vez no festival, confesso que ele não é para fracos. Exige preparo físico, mental e emocional! Foram 10 dias com mais de 7.000 eventos oficiais, fora os não-oficiais, que muitas vezes são mais legais e pipocam em todas as esquinas. Austin se transforma numa plataforma 2.0 de uma forma inexplicável. Mais do que o conteúdo consumido dentro do festival, que tem interatividade, cinema e música, o festival em si é uma experiência que transcende tudo isso.

Difícil explicar. Martelei à beça para chegar num jeito bacana para traduzir o que o festival significou pra mim. Nos primeiros 5 dias rolaram Interatividade e Cinema, além de festas regadas a bebedeiras, boa música, geeks e publicitários. A galera indie ainda não tinha invadido a cidade e tudo pareceu um pouco mais fácil de acompanhar. Palestras diversas rolando paralelamente, passando por todos os assuntos que se possa imaginar dentro do universo interativo, não restringindo apenas a Internet, pois vai muito além disso. Tem de tudo: marketeiros, acadêmicos, pesquisadores, desenvolvedores, diretores de cinema, atores, músicos, produtores, criativos das mais diversas áreas.

Austin se move em torno do evento. Todos sabem sobre o SXSW, que é hoje uma das principais economias da cidade. A simpatia rola solta, todos estão interessados em saber se é sua primeira vez, o que está achando, se vai voltar. E a programação te surpreende a todo momento, pois muita coisa que não estava prevista na programação, surge de um momento para outro.

pra ficar muderno no sxsw

Nessa primeira fase (de 11 a 15) a programação começa recheada às 9h e segue até às 2h para os mais animados. O excesso de opção pode causar palpitação e crises de ansiedade. Eu mesmo fui vítima de uma.

Raramente você tem certeza se está vendo a melhor opção. Talvez nunca saiba. Quando percebe que caiu numa fria, não tem frescura, é levantar e debandar para outro local. Sempre vai ter um canto ideal para todo mundo.

1º show do festival: Matt & Kim

No primeiro dia rolou uma frustração da minha parte, pois as palestras que vi não me satisfizeram. Achei tudo mediano, então decidi seguir meu instinto, além de me deixar levar por palestras com nomes curiosos. Os keynotes na maioria vale a pena também. No final de 5 dias eu tinha visto palestras boas, ruins e algumas ótimas que me deixaram sem fôlego. Tive surpresas deliciosas e algumas decepções, mas faz parte quando se tem um menu tão farto de opções.

toro y moi de pertinho

Acabei também dando algumas escapadas para ver filmes a tarde, enquanto aproveitava para almoçar dentro da sala do cinema, afinal não dá para perder tempo e há cinemas que servem pequenos banquetes enquanto você se assiste um filme. Claro que aqui não posso deixar de lembrar da minha emoção ao abraçar o Dave Grohl na porta do cinema ao assistir o documentário do Foo Fighters, que eu concluí que seu final foi no show ao vivo do qual fomos brindados de supresa, no Stubbs, o local onde rolam os shows maiores do festival, mas que para o Foo Fighters era algo bem pequeno. Sem muita firula, apenas uma boa iluminação e um palco medio, não muito alto, mas com um som perfeito. Como disse Dave Grohl, estávamos em 1999 naquele momento. E foi, algo tão “pequeno” que pareceu não cabe-los e por isso tão incrível.

Dave Grohl e eu

Finalmente chegou o dia 15, quando começa a parte de música do festival e termina interatividade. O público muda completamente, a cidade lota ainda mais, parece que todos os indies do planeta aterrissam em Austin. Ruas são fechadas, o transito fica caótico, filas e mais filas nas portas de todos os bares e, claro, a tensão sobre qual show ir, qual melhor festa do dia, ver coisa nova ou já consagrada, ficar com os amigos ou abrir mão deles para ver algo completamente obscuro que só você quer ver, ir ver o amigo que vai tocar ou deixa-lo para uma próxima, pois você tem certeza de que oportunidade não irá faltar.

emoção de ver um show folk numa igreja

Além dos shows, há também palestras e mais palestras focadas em música, mercado, produção, distribuição, futuro, etc., além de continuar a maratona de filmes, que provavelmente nunca mais você vai ver a não ser lá.

E se a preguiça de enfrentar fila ou entrar em bar ou clube bater, é só ficar zanzando na 6th Avenida e ao redor dela, porque tem shows rolando em todas as esquinas no meio da rua, muitos deles bem interessantes.

a fervida 6th ave

O que gostei também foi de ver várias ações simples e pontuais rolando nas redes sociais para conseguir entrar num show, ir a uma festa, ganhar um premio. É isso, o SXSW é uma experiência social só de estar nele. Tudo que discutimos nas salas de palestras ou de reuniões, acontecem ali ao vivo.

eu & gaia (@goomtv)

O SXSW está naquele momento de virada, que talvez em não muito tempo se torne insuportável. Muita gente que o frequenta há tempos já reclamou, deixou de se inscrever e preferiu ficar na programação não-oficial, que também oferece opções que não acabam mais.

O aprendizado foi: se preparar com antecedência, dar uma boa estudada na programação de cabo a rabo para já ir com uma boa prévia do que ver, pois o resto vira lucro, dar uma malhada (juro que isso conta na hora de ter fôlego com a correria que o festival requer), saber que dá para se divertir sozinho, especialmente lá que sempre tem alguém puxando conversa com você.

amigos invadindo meu quarto

SXSW me proporcionou uma das experiências mais bacanas que já tive. Não acho que é algo que agrade a todos, mas com certeza a maioria que vai pela primeira vez, quer voltar.

O que me encantou do começo ao fim e superou minhas expectativas foi o festival em si. Muita novidade, muitas conclusões acertadas, muita troca de cartão, muita inspiração, muitas ideias brotando loucamente na cabeça, muita risada, muita gente interessante, muitas amizades novas, muita correria, muita falta de ar, muita cerveja, muita animação, muito cansaço e muita vontade de voltar na próxima edição. E Austin se torna uma cidade deliciosa nessa época. A minha conclusão é que se a terra fosse o planeta da música, ele seria o SXSW.

sim, eu curto o sxsw by #goomtv

E um valeu especial às pessoas que estiveram comigo por lá: @databasetrax @marinapires @bruno @djmulher @lucardoso72 @fascinated @leandroHBL @rosanafortes @gaiapassarelli, Mariana Metri, Romko entre outros. Que venha 2012!

1 ano de saudades

sábado, agosto 21st, 2010
foto by benoit paille

foto by benoit paille

Hoje celebrarei e brindarei às minhas lembranças, aos nossos bons momentos e as saudades apertadas e doloridas que sinto há exatamente um ano.

Ela foi uma das pessoas mais próximas que eu perdi, que se foi depois me dizer adeus e que me amava, mas que seria melhor assim. Chorei noites e noites e achei que essa dor nunca passaria. Essa amenizou, mas as saudades se intensificaram, as perguntas morreram e deram lugar a uma estranha compreensão.

E sinto muita falta, penso muito nela e, de alguma forma, ela sempre estará presente do meu jeito. Confesso que às vezes converso com ela, pois ela sempre foi uma pessoa que ficava feliz quando eu compartilhava minhas alegrias. Ela ria e vibrava comigo. Éramos tão diferentes, mas tínhamos tantas coisas e anseios em comum.

Eu suporto os meus, ela não suportou os dela.

Sempre fico imaginando como seria se ela estivesse por aqui ainda e o que estaria fazendo. Acredito que ela esteja em paz onde quer que esteja. Tudo que eu queria era poder abraça-la como abracei várias vezes.

Muitas saudades, pois ela será uma pessoa que vou amar pra sempre!!!

mary e max – uma amizade diferente.

sexta-feira, junho 11th, 2010

um stop motion. um mix de stop motion com amizade. um filme sobre amizade.

Mary & Max from Wheelhouse Creative on Vimeo.

Que 2010 chegue com tudo!

sexta-feira, dezembro 25th, 2009

Todo ano faço minha retrospectiva e 2009 foi o ano com maiores mudanças na minha vida. Perdi pessoas queridas de forma abrupta e ainda sofro por essas perdas, mas vou me confortando com as boas lembranças que restaram. Lembranças das risadas, das conversas, das filosofias, dos cafés, das trocas de ideias, dos planos em conjuntos, dos projetos que gostaríamos de dividir, dos sonhos, das desilusões e agora, das saudades, que lido bem mal, que faz eu chorar algumas noites, que faz eu ficar tentando achar respostas, que faz eu querer voltar no tempo. São as sensações que sempre acompanham os que ficam.

E cada perda é uma lição que a gente aprende, que muitas vezes são óbvias. É o momento que você não dedicou à pessoa e de uma lista de coisas que queriam ter feito juntos. E aí novamente me pego nas lembranças e acaba virando um processo cíclico, que talvez vai se amenizando com o tempo, mas hoje sei que nunca esquecemos as pessoas que marcaram nossas vidas, estejam elas por aqui ainda ou não mais.

Apesar das perdas, eu também tive um ano de grande revolução. Iniciei 2009 sem emprego e querendo me dar um ano sabático, mas que acabou não acontecendo, pois felizmente trabalho e projetos não faltaram.

Consegui tirar minhas merecidas férias e ir para uma das minhas cidades favoritas, montar meu apartamento do jeito que eu gostaria, rever amigos, montar minha agência com pessoas incríveis, tomar decisões importantes e me dei ao luxo de voltar atrás, fazer festas incrível, firmar novas amizades, das quais hoje eu não consegui pensar em viver sem e, claro, estar feliz da vida com o Ola, que largou tudo para viver comigo.

O grande balanço é que, apesar de vários perrengues, 2009 foi um ano incrível e ponto de partida de uma grande revolução, que sei lá onde vai dar, mas o que me move é a mudança, a possibilidade de experimentar coisas novas e ter novos desafios à frente.

Quero agradecer imensamente cada um que esteve presente na minha vida, aos que me apoiaram de alguma forma, seja diretamente ou não.

Desejo a boas festas, deliciosas férias e que 2010 seja um ano incrível recheado de tudo que almejamos: sucesso, $$, amor, risadas, alegrias, boas viagens e claro, um paz, porque a gente merece.

Fecho o post com uma música que amo e marcou época, é velha, mas “all is full of love”:

Uma homenagem a uma grande amiga

sábado, agosto 22nd, 2009

Entrei numa reunião e lá estava ela, super fashion, sorridente e imponente. Não tive dúvida, eu a queria como amiga Tanto a admirei. que na saída da reunião, eu a convidei para almoçarmos juntas. Aos poucos fomos nos aproximando, mas em menos de 2 meses já sabíamos tudo sobre a vida uma da outra e não nos desgrudamos mais. Eu estava fascinada.

A Marisa sempre foi pra mim o sinônimo de uma pessoal “cool”. Era sempre a mais bem-vestida, a mais risonha, a mais inteligente, a mais intensa. Tinha um bom gosto incrível e era uma das poucas que tinha coragem de colocar os assessórios mais espalhafatosos sempre chocando o pessoal que trabalhava com a gente. Para ela mais era mais e fazia isso muito bem. Foi ela quem me ensinou a fazer ppt.

Lembro-me dos seus altos e baixos, das suas alegrias, chateações, paixões. Seus sonhos tão simples e seus medos, às vezes tão bobos. A Marisa não tinha noção da sua beleza e grandeza. Era tão boa no que fazia, que oportunidade não lhe faltava. Trabalhamos grudadinhas por uns 6 meses, almoçávamos todos os dias juntos e algumas vezes dividíamos uma pizza no jantar enquanto estávamos internadas na agência. Seu trabalho era sempre impecável e eu morria de inveja dos ppts lindos que ela fazia. Acho que foi a Marisa a responsável por eu ter feito as pazes com o power point.

Nosso trabalho conjunto era tão fluído, que por um tempo a gente não conseguia se ver trabalhando uma sem a outra. Algumas oportunidades que surgiram, a resposta sempre era “eu só vou, se ela for junta”, independente de qual das duas que estava recebendo a proposta. No final ela foi, eu fiquei… e na última terça-feira discutíamos compartilhar o mesmo espaço e voltar a tê-la por perto.

Algumas vezes ela me deixava maluca. Tinha semanas em que só reclamava, se sentia cansada e aí eu, à minha maneira, dava broncas para ela não reclamar tanto. Ela se acalmava. Quando era eu quem entrava no modo reclamona, era a vez dela pegar no meu pé. Às vezes deixávamos o Jeff, que era nosso chefe, maluco com nossas fugas no meio do expediente para ir até a academia comer alguma coisa, falar bobagens para dar uma relaxada da pressão das propostas, das concorrências, das ideias. Como na agência, as salas de reuniões eram chamada por cores, eu apelidei a nossa sala da academia de sala cinza, que logo ela aderiu. Essa foto eu tirei dela no meio de uma das nossas fugas:

marisabyme

Entre tantas qualidades, nada se equipara à generosidade dela. Era daquelas pessoas, que mesmo quando não estava bem, arrumava forças para ficar bem caso precisasse ajudar alguém.

A Marisa trouxe para a minha vida uma das pessoas mais especiais que conheço, a Biti. Foi um dos maiores presentes que me deu.

Ontem me lembrei rindo de uma vez em que estávamos todos muito bêbados no Ritz, e de repente eu soltei um grito. A Marisa estava debaixo da mesa e tinha dado uma mordida na minha perna, que me valeu uma marca suspeita por uma semana. Essa era a seu lado apaixonante. Ela sempre sabia surpreender. Era chique, mas às vezes uma menina levada. Era cheia de malícia e provocação, o que sempre chocava alguém que não a conhecia e aí, claro, ela se divertia mais ainda.

Qualquer lembrança que me vem à cabeça é sempre dela rindo ou com sua gargalhada espalhafatosa, a última que ouvi foi na terça em que, juntas, viramos algumas taças de vinho.  Eu que cheguei de gaiato num jantar dela com minha amiga Gaby, passei uma hora com as duas apenas gargalhando. Essa era sempre a parte boa de poder encontrá-la, pois sempre os encontros eram regados à muita risada. Eu ainda consigo ouvir sua risada.

Acho que ela se definiu bem no seu perfil em algumas redes sociais: “Quem me conhece diz que sou intensa, resmungona e mimada, mas também dedicada, alegre e inteligente. E meiga. Praticamente uma flor que anda. O cinismo vem de brinde.”

O que a fez ser uma das pessoas mais fascinantes e fantásticas que conhecia. Lamento tardiamente não ter passado mais tempo com ela, isso acaba trazendo uma boa reflexão para analisarmos como estamos cuidando dos nossos amigos e da nossa família, pois estamos sempre ocupados. A Biti hoje me falou algo muito verdadeiro: “nos ocupamos com as coisas urgentes e esquecemos as importantes”.

O que eu nunca falei para a Marisa, é que ela foi uma das minhas musas inspiradoras. Quem a conheceu, teve muita sorte e eu me sinto ainda mais sortuda por ter usufruído bastante de sua companhia.

Vou sentir muito a falta dela, das nossas conversas longas e quase diárias no gtalk, das suas reflexões, da levantada de moral que às vezes ela me dava, do mundo de referência que ela me trazia, das bobagens e até das nossas fofocas.

Que ela descanse em paz.

Má, te amo! É difícil homenageá-la como eu gostaria, mas eu precisava escrever isso e é como se em algum lugar você pudesse saber as coisas que não deu tempo de te contar.

Ode ao que restou…

sexta-feira, julho 24th, 2009

Há dias que eu não paro por aqui, talvez por pressa, talvez por preguiça, talvez pela falta de inspiração. Sei que esse blog nunca teve um intuito de ser um diário pessoal ou talvez teve, mas se perdeu no tempo, fazendo eu buscar outras alternativas para colocar para fora minhas angústias e escrever sempre foi uma delas.

Não sei se é o inverno, a distância e as saudades de um tempo que não vai voltar. Estou nostálgica, especialmente em relação aos amigos. Lembro das risadas, das bebedeiras, das músicas bregas, das festinhas na madrugada, dos micos, das promessas, das viagens, das milhares de ideias de projetos em conjunto, dos jantares, da cumplicidade. Eu, por muito tempo, não tive a preocupação de envelhecer sozinha. É como se isso não fosse possível, agora tem uma pontinha aguda que me remete ao medo da solidão.

Sempre que perco algo, eu penso no quanto eu ganhei antes. E acho que minha última perda, a mais dolorosa que eu já tive na vida, trouxe tantas coisas boas que faz eu não pensar nas coisas ruins. São referências, é ter me ensinado a assistir TV, ter me mostrado um universo ilimitado de boa música, de filmes, de séries, de escritores, de viagens. A companhia em horários inóspitos, o choro no ombro, a espera numa sala fria enquanto eu me desligava numa endoscopia, a coragem em atravessar a cidade em madrugadas ou em horário de rush pare me dar carona, os planos de viagens, os shows para serem assistidos juntos, as histórias inventadas, as desilusões, as broncas na hora certa que fizeram parte de uma história que durou tantos anos que eu sinto dificuldade em contá-los.

Sinto o coração despedaçado, porque nunca estamos preparado para perder alguém, especialmente se esse alguém for um grande amigo. Às vezes os sentimentos se misturam e me confundem.

Aí para me confortar me restam as boas lembranças dos nossos bons tempos com a certeza de que essa é a parte que vale eternizar. Sei que ainda vou chorar e não será tão simples aplacar minha tristeza que vai e volta. E uma hora eu fico bem e supero minha perda… mas sei que não vai ser de uma hora para outra como muitos esperam.


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O efêmero e o inesperado.

segunda-feira, dezembro 15th, 2008

Desculpem o desabafo.

Como esse blog é coletivo, sempre achei que não era o melhor lugar pra falar de mim mesmo. Por isso sempre escrevo de coisas que eu gosto, de coisas que eu acho interessantes pra diversnao mesmo, sem maiores pretensões. Mas hoje eu acordei meio estranho e resolvi desabafar um pouco e também mostrar um vídeo que eu fiz outro dia que é meio que essee clima que estou hoje.

Minha vida sempre foi um inesperado atrás do outro. Coisas que eu nunca imaginei que aconteceriam comigo acabaram acontecendo e me dando novas perspectivas e novos horizontes. Hoje em dia eu me concentro cada vez mais pra ser um pouco mais “previsível” comigo mesmo, o que na verdade nem sempre acontece. E isso é uma ilusão de pé no chão, que de alguma forma eu teria que ter. Mas esse meu pé no chão acaba me trazendo mais dor de cabeça do que minhas “irresponsabilidades adolescentes tardias” e isso não me ajuda em muito, eu garanto.

Quando eu acho que tudo vai bem, um piano de cauda cai na minha cabeça. E esse piano sempre me traz, além da dor na cabeça, uma tristeza imensa. E pra piorar, essa tristeza acaba me fazendo enxergar muito mais coisas e problemas do que eu deveria sequer supor, porque daí eu já tô com umas teclas do tal piano encravadas no meu cérebro e ele acaba funcionando de formas misteriosas para o meu desagrado.

Lidar com fantasmas do passado e suas loucuras e suas oscilações de humor e educação também é uma coisa que me detona, muitas vezes até mais que o piano e suas cordas que me estrangulam e suas teclas que me perfuram. No meu mundo ideal, todo mundo seria feliz e ninguém dependeria de outro pra felicidade. A história de que a nossa felicidade está dentro de nós mesmos é a mais pura verdade. Mas o que fode com o mundo é que todo mundo acha que a sua felicidade depende de outra pessoa, ou de um amor, ou de um amigo ou de um amante. E é mentira isso. Outras pessoas podem te deixar feliz, mas eu duvido que te faça feliz. As pessoas não acreditam nisso e eu não aprendo a lidar com as pessoas que não acreditam nisso, Sim, sou cabeça dura, burro e idiota e o pior, eu acredito nas pessoas, acho que elas mudam, acho que elas são ótimas e dou todo o meu voto de confiança até que POW, levo porradas e mais porradas na cara. Daí dias depois ouço desculpas pela conduta e explicações vãs e vagas que não me convencem nunca. E eu dou mais um voto de confiança, mais outro e mais outro. E continuo apanhando e levando e chego em casa triste, desiludido e me acabo.

Eu acho que um dia, quando eu estiver velhinho, morando no meio do mato da Escócia (sim, meu plano é esse), eu vou aprender a relaxar, tenho certeza. Mas enquanto isso continuo por aqui apanhando e levantando e aprendendo. O vídeo é meio sobre tudo isso, melancólico e solitário.

Devaneios sobre a fragilidade das relações

quarta-feira, outubro 29th, 2008

Às vezes eu me surpreendo no quanto nossas relações são frágeis. Um dia somos melhores amigos, amanhã deixamos de nos falar. Isso já aconteceu algumas vezes na minha vida, seja porque eu pisei na bola ou porque pisaram na bola comigo. O perdão muitas vezes não vem fácil e às vezes ele nem vem.

Pergunto-me, muitas vezes, o quanto vale uma amizade. Parece-me que às vezes ela vale muito pouco. Para quem errou. Para quem foi atingido pelo erro.

Eu já estive dos dois lados. No primeiro fui perdoada algumas vezes. No outro lado eu perdoei sempre. Se as relações voltaram a ser a mesma, é outra história, mas as verdadeiras superaram. Aí é questão da confiança que foi abalada e teve que ser reconstruída. O que eu acredito é que as pessoas erram. Erram por bobagens, por insegurança, por não pensarem nas conseqüências, por perderem a consciência e dar vazão a própria insanidade, por provocação, por desilusão, por vingança, por imaturidade e às vezes sem até saber que estão errando. Há má fé nas pessoas? Há também, mas neste momento eu estou falando das pessoas boas. Naquelas que eu conheço a fundo, nas que eu acredito, nas que eu sei que tão um coração gigante, nas que se magoam para não magoar o outro, mas que às vezes erram. Erram porque são humanas, porque não pensaram e deram vazão a um momento que, de repente ganhou uma dimensão tão gigantesca que só aí se deu conta do erro.

Meu pai sempre deixou claro para mim que eu ia errar um bocado na vida e que era para eu nunca me preocupar em ser uma pessoa perfeita. Ensinou-me que o importante é ser uma boa pessoa, mas que ser boa não me isentava de cometer meus delitos. Quando eu cometia meus deslizes infantis, eu era castigada. Ele me deixava horas sentada no sofá (e não podia dormir enquanto estivesse lá) pensando no que fiz e porque fiz. Depois conversávamos e aprendi muito com isso.

Felizmente cresci cercada de diálogo e com uma das pessoas mais humanas que conheço: meu pai, que sempre pediu para eu não ser egoísta e para pensar sempre nas pessoas à minha volta. Eu me considero uma pessoa generosa. Talvez menos do que meu pai esperava que eu fosse (já fui mais). Acho até que já fui mais magoada na vida por pessoas que gosto do que o contrário, mas sei que magoei algumas e paguei um preço bem alto, pois me magoei por ter feito o que fiz. Mesmo sabendo do risco de errar, eu sempre tentei não fazê-lo. Afinal ter cuidado é algo inteligente.

Somos humanos e errar é inerente. E claro, muitas vezes erramos justamente com quem mais amamos. Muitas vezes são nas pessoas próximas que descarregamos nossos infortúnios. Mas acho que (quase) todo erro merece perdão desde que o outro assuma o erro, que nem sempre tem um motivo. Só não espero perdão das pessoas perfeitas, mas ainda não conheci nenhuma. E estou falando dos erros que citei acima. Dos erros que cometemos, mas que necessariamente não mude todo o curso da vida de alguém.

Isso tudo pode ser clichê, mas funciona e ajuda dar leveza à minha vida. Sempre aprendi com meus erros e eles aumentaram meu cuidado para que sejam cada vez menores, mas sei que posso deslizar, assim como você que está lendo esse texto também.

E quem nunca errou que atire a primeira pedra no monitor.

(imagem: http://www.flickr.com/photos/pauljmuk/2692517585/)

Memória de leão!

sábado, julho 5th, 2008

Esse talvez seja um dos vídeos mais gays que eu vi ultimamente. E não tem homem pelado nem nada.
Sem mais comentários!

Cool é cu – divagações

quarta-feira, junho 18th, 2008

Desculpe-me o título mal-criado. Não sou de falar palavrões (mentira). Ontem eu dei uma rápida passada no São Paulo Fashion Freak e posso falar? Preguiça. Claro que adoraria assistir desfiles, sentar na primeira fila para ganhar brinde, conhecer algumas pessoas geniais que ali estão. Mas só. O resto é preguiça.

Recentemente eu e o Larry (Tee) tricotamos horas sobre a “descolândia”. A conclusão foi que atualmente o povo cool (pelo menos que se acha cool) é cu. Ser blasé é algo que deveria estar em desuso. Ser chique é ser bacana. Ser cool é ser bacana. Andaram confundindo as coisas por aí (e faz tempo).

Pode ter toda uma teoria desfiada sobre o “carão”, mas está tão batido que perdeu a graça. Gosto dos excêntricos, mas os de verdade e estes são poucos. Todo mundo quer bancar o excêntrico, fazer tipo, fingir que é amigo de todo mundo, posar de simpático com quem interessa no momento, mas ser blasé com quem não serve mais. No fundo é uma insegurança que só anos de terapia pode dar jeito. É de bocejar.

Talvez algumas pessoas me achem parte dessa “descolândia”, mas eu gosto de tratar as pessoas bem. Claro que cometo meus deslizes, às vezes meu sarcasmo é confundido como “ser do mal”, mas a minha consciência sabe que não. Meu maior tesão em produzir festas é justamente para tentar fazer as pessoas se divertirem. Gosto de fazer o bem.

Ontem também estava conversando com um amigo enquanto ouvíamos músicas de doer os ouvidos. Aí ele disse “ah, sinto tantas saudades de quando só existia o vinil. Porque você tinha que pagar para ouvir e ouvia coisa boa de fato. Agora a gente ouve qualquer lixo o tempo inteiro”.

Claro que eu amo ter a liberdade de ouvir o que eu quiser e depois pagar pelo o que eu realmente acho que vale a pena. Mas o ponto não é esse. O ponto é que tudo é líquido. O amor é líquido, as relações são líquidas e até as músicas são líquidas. A banda de hoje é a esquecida de amanhã.

Aí vemos bandinhas meia-boca posando de fodonas, fazendo carão, contando vantagens para todos os cantos, blá, blá, blá. Preguiça. Ontem encontrei uma amiga querida. Ela tem uma banda bacana, faz um certo sucesso e tem batalhado bastante para conseguir seu espaço. E ela é uma das pessoas mais bacana que eu conheço. É acessível, conversa com todo mundo, é atenciosa. E não importa quem. E aí que isso faz eu achá-la chique.

Claro que nada disso vai mudar. O que está mudando é a minha percepção em relação as pessoas que estão à minha volta. Sou meio do interior, saca? Acho todo mundo legal e já saio confiando. Não dá para ser assim. Falo minhas bobagens, tiro sarro e o povo leva a sério, passa pra frente. Dá merda.

Na segunda eu estava chateada porque parece que uma FOFOCA vazou de dentro da minha casa numa roda de poucos amigos. Na verdade não era fofoca, era tiração de sarro que ganhou uma dimensão que me deixou chocada. Liguei para um dos meus anjinhos da guarda para chorar no ombro dele e a resposta foi:

- Por que você acha que estou sempre sorrindo e falando pouco?

É… para quem fala pelos cotovelos e não mede as palavras, eu sei que estou ferrada. Agora é acender velinhas para o meu santinho pedindo luz para eu perceber as pessoas que de fato valem a pena ter na minha vida.

Muito resumidamente o que falta nas pessoas é elas serem de verdades. Elas se transvestem em seres “modernos”, disfarçam sua insegurança e saem escalando o mundo passando por cima do que der. Algumas ainda estão na adolescência e a gente até entende a fase, mas e quem já passou dela há tempos?

E o mantra da vida agora vai ser: boca fechada não entra mosquito, boca fechada não entra mosquito, boca fechada não entra mosquito, boca fechada não entra mosquito…

Uma passagem só de ida para Berlin, por favor?