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Só Garotos por Patti Smith

sexta-feira, janeiro 7th, 2011

foto por Steven Sebring

Patti Smith é uma das minhas artistas favoritas. Já passei épocas ouvindo-a incansavelmente.

Além de acha-la genial, compartilho com ela uma paixão em comum: Rimbaud. Para mim ela é um dos maiores ícones femininos do rock’n roll. Marcou época, fez um dos melhores shows que vi na vida, me dando uma porrada no estômago.

Não tinha como deixar passar “Só Garotos“, não apenas por ela, mas pelo Robert Mapplethorpe, que eu também gosto, mas não conheço sua biografia muito a fundo.

“Só Garotos” é um livro sobre amor, música e arte. Patti narra sua história ao lado do Robert com uma maestria poética, que faz com que o leitor devore página por página, ávido por esmiuçar detalhes que, provavelmente, não sabia.

Eu sabia da história que viveram juntos e do quanto ela tinha sido intensa e conturbada, mas não sabia das suas nuances, ora romântica, ora trágica, ora cômica.

Patti passou maus bocados no início da sua aventura em NY e Robert foi uma das primeiras pessoas que conheceu por lá. Como o destino muitas vezes adora pregar deliciosas peças, eles acabaram se cruzando de forma inusitada posteriormente e não se largaram mais.

Primeiro veio o romance, a paixão, o amor, a dedicação, as decepções, as separações, as voltas até finalmente ela admitir, mais que ele, sua homossexualidade, que a deixava de fora da relação. Ainda assim continuaram dividindo a mesma casa, depois de uma grande odisséia pelo famoso Hotel Chelsea, que foi com certeza o estopim para eles saírem da miséria em que viveram e começarem a acontecer, afinal boa parte do sucesso são bons contatos, não? Aliás, as histórias que ela viveu e as pessoas com quem ela cruzou enquanto viveu no Chelsea são sensacionais.

Ela conta a história de como o Robert migrou dos desenhos e colagens para a fotografia, onde acabou se firmando de fato.

Além da história dos dois juntos, o livro discorre sobre a cena efervescente que rolava no final dos anos 60 e início dos 70; do Max’s Kansas City, que foi frequentado pelo Andy Warhol e abrigou a cena do glam rock e shows de artistas como Iggy Pop, The Velvet Underground, David Bowie, Lou Reed e após a sua reabertura após um breve fechamento, mais um monte de nomes conhecidos, incluindo a banda recém-lançada da Patti Smith, que até então nunca tinha cogitado cantar na vida, que dedicava totalmente à poesia, Rimbaud e desenhos, sempre acompanhada de bons discos rolando na vitrola.

Há curiosidades, como o fato da Patti Smith nunca ter sido ligada em droga e bebida, apesar do tipo meio junkie que ela tinha. A história termina como já sabemos, com Robert sucumbindo junto com seu companheiro Sam Wagstaff, um dos seus grandes mentores, que acabou o levando um ano antes.

O livro foi escrito por um pedido do próprio artista quando já estava no leito de morte. Ao ler o livro, percebe-se que não deve ter sido uma tarefa fácil, tanto que o livro saiu do forno no ano passado, após 22 anos desde a morte do Robert Mapplethorpe.

Se você gosta de rock’n roll, arte e literatura não pode deixar de cogitar a leitura. O livro vale cada linha e é daqueles que quando você termina, você quer ir atrás da lista de referências que foi anotando ao longo da leitura.

Coincidentemente eu emendei no “A Vida dos Artistas”, Calvin Tomkins, que acaba complementando de alguma forma “Só garotos”, já que retrata alguns artistos muito citados pela Patti Smith, mas essa é uma história para um próximo post. :)

Pinacoteca abrigará exposição de Andy Warhol

quinta-feira, janeiro 14th, 2010

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Parece que 2010 vai ser um ano muito bom nas artes aqui no Brasil. Primeiro foi a ótima notícia da exposição do Tim Burton e nessa semana a outra grande notícia foi a vinda da maior exposição do Andy Warhol, que esteve no Grand Palais, em Paris, seguiu para Buenos Aires, no Malba e em março aterrissa na Pinacoteca, em São Paulo.

A exposição é uma retrospectiva do artista, que foi muito além dos 15 minutos de fama. Li que qualquer biografia que seja lançada sobre Warhol, tem sempre recordes de vendas. O trabalho selecionado é, principalmente, do período de 1961 e 1968, com várias peças famosas como retratos da Marilyn Monroe, Jackie O., Mao Tsé-Tung, além da série de latas de sopas Campbell, auto-retratos e filmes, totalizando 170 obras.

No ano passado eu pude conferir essa exposição em Paris, que era mais completa do que a que chega aqui. Lá eu pude conferir 250 obras, com trabalhos produzidos dos anos 60 aos 80. A exibição foi concebida com o objetivo de desconstruir o estigma de “pop art” em torno de Warhol, que, de acordo com o curador Alain Cueff, nós ficamos preguiçosos sem querer olhar de perto o que ele fez e dessa forma nunca compreenderemos o trabalho dele de fato.

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Aliás, uma curiosidade em torno da exposição em Paris é que Pierre Bergé, companheiro de Yves Saint Laurent, não permitiu que os quadros do estilista fossem exibidos, pois a curadoria queria colocá-los na categoria “Glamour”, enquanto Pierre achava que eles deveriam estar em “Artistes”, pois para ele YSL foi muito além de costureiro, foi um artista.

Para quem curte Andy Warhol e quer mergulhar mais em seu universo, foram lançados 4 novos livros  sobre ele no ano passado:

Andy Warhol – Arthur C. Danto (em inglês)
A filosofia de Andy Warhol – Andy Warhol
I sold Andy Warhol (too soon) – Richard Polsky
Pop – The Genius of Andy Warhol – David Dalton e Tony Scherman

Fique de olho na programação da Pinacoteca e não perca a exposição por nada.

Andy Warhol pinta Debbie Harry ao vivo

domingo, janeiro 10th, 2010

Andy Warhol pinta Debbie Harry ao vivo no lançamento do computador Amiga, em 1985. O melhor é Warhol comentando que nunca tinha mexido com um computador antes.

Ouvindo a conversa, eu lembrei da primeira vez em que mexi num computador, que foi um Apple gigante nos anos 80, que uma amiga ganhou num concurso de frases feito pela CET. Detalhe: eu que criei a frase para ela, pois éramos obrigadas a participar do concurso na escola. Eu chupei o dedo com a minha escolha e ela levou um Apple para casa.

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Andy Warhol e o mercado de arte

terça-feira, dezembro 1st, 2009

Acho que a arte nunca esteve tão em alta como esse ano. Fiquei espantada com os patamares que obras de artistas brasileiros tem alcançado no mercado de artes internacional. Há duas semanas atrás uma obra do artista Sergio Camargo foi leiloada na Sotheby’s por US$ 1,6 milhão. Ele não é o único artista a alcançar números estratosféricos. A obra “Bicho”, de Lygia Clark, estava à venda por US$ 850 mil, e “Metaesquema”, de Helio Oiticica, por US$ 270 mil superando em muito valores praticados até hoje.

A Economist publicou um slide-show interessante sobre o trabalho de Andy Warhol, de como ele mudou a cena da arte contemporânea e a mecânica do lucrativo mercado de arte:

Para quem se interessa pelo tema arte & mercado, vale também a leitura de um especial sobre o mercado de artes, na Economist.

Via Desculpe a Poeira

Ilustrações do Warhol em livro infantil vão a leilão

segunda-feira, novembro 16th, 2009

Essa eu não sabia. Andy Warhol, entre tantas coisas bacanudas que fez, ilustrou no início da sua carreira o clássico livro infantil “The little red hen“, entre 1957 e 59.

As ilustrações estão indo a leilão em 9 de dezembro, pela Bloomsbury, em Nova York. Quanto será que vai acabar custando a brincadeira, hein?

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Feliz dia do Rock

segunda-feira, julho 13th, 2009

Como uma rockeira de coração, não tem como deixar passar essa data em branco, então escolhi dois ícones para minha homenagem: Mick Jagger e Andy Warhol. E claro, hoje aqui em casa tá rolando só rock’n roll, incluíndo Velvet Underground que eu não ouvia há séculos ao delicioso indie-rock do Louis XIV.

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Ah, Paris!

quarta-feira, junho 10th, 2009

Paris está entre minhas cidades favoritas e para mim é a cidade mais linda que já conheci. Não me canso de me perder por lá. Cada esquina é uma surpresa e a cada passagem minha pela cidade, eu tenho a impressão de que enxergo uma Paris diferente.

Nessa minha última passagem, em que passei 8 dias na cidade, eu resolvi explorar lojas de design ao invés das minhas habituais buscas por brechós e galerias, afinal estou montando minha casa “nova” e tudo que vejo na frente, eu quero levar para lá. Infelizmente não dá, mas Paris, mesmo sendo uma cidade cara, tem preços ótimos no que diz respeito à decoração.

Também foi a primeira viagem para lá, que eu fiz questão de almoçar e jantar praticamente todos os dias fora, o que já não dá para dizer o mesmo que o parágrafo acima. Comer e beber em Paris é caro, por isso o melhor é nem cogitar pensar em reais. O velho ditado de que quem converte, não se diverte é real.

Resumindo: minha viagem foi gastronômica e consumista, além de algumas poucas exposições que visitei, mas que valeram bastante a pena. O que foi ótimo é que o verão está chegando, então os dias são longos e terminam por volta das 22h30.

Os quatro restaurantes mais deliciosos que fui, sempre acompanhada de amigos franceses:

Le Sainte Marthe Bistrot é bem escondido e fica no meio de uma vila pequena, próximo ao metrô Belleville. Frequentado 99% por locais é um lugar bem típico.  O restaurante tem um menu bem diversificado e a melhor pedida é o “Magret de Canard”.  O Le Sainte Marthe tem uma área externa, que mesmo com uma temperatura mais baixa, é a mais concorrida. Para se safar um pouco do frio é só solicitar um cobertor e se deleitar com os vinhos da casa. O custo médio de um jantar com vinho e sobremesa é de 28 euros. Vale a pena reservar mesa antes: 32 rue Saint Marthe – das 17 às 2h todos os dias. Tel 0144843696

Chez Papa tem a cozinha especializada no sudoeste da França. A grande pedida são as gigantescas saladas, mas o pato ao molho de pêssego é um dos pratos mais deliciosos que eu já comi. É também um restaurante bem típico e com um atendimento excelente. O Chez Papa fica no badalado bairro de Montmartre – 153, rue Montmartre (metrô Bourse). Tel 0140130731

Restaurant des Beaux Arts, que fica perto do metrô Odeon em meio à confusão de turistas que se instala na área, o restaurante foi uma boa surpresa. O atendimento é ótimo, a comida bem servida e saborosa. Como eu estava sem fome, optei por uma salada de queijo de cabra, mas meus amigos que estavam mais famintos se deleitaram entre carne de pato, coelho e vaca. Todos elogiaram. É uma boa pedida para quem está nas mediações de San Michel e perdido entre tantas opções. O gasto médio com vinho, sobremesa e prato principal é de 25 euros. 80 rue Mazarine. Tel 0143257116

Les Pissenlits par la racine fica fora da área mais turística da cidade, no metrô Place d’Italie ou Corvisart, que é uma região cheia de bares e tabernas bem rústicas, com cerveja a bom preço e com discussões políticas acaloradas. O restaurante é pequeno, tem uma decoração mais modernosa e requintada. Ótima opção para ir a dois. Os preços dos pratos variam entre 14 e 29 euros e são bem servidos. 11, rue de la Butte aux Calles. Tel 0145802722

Caso esteja nessa região, não deixe de passar no bar La Folie en tête (a tradução combina com o local: a loucura da mente), que é bem rústico, com um banheiro não muito animador, mas com muitos instrumentos musicais pendurados no teto nos quatro cantos do bar, colagens divertidas e de diversas partes do mundo nas paredes e com cerveja a um bom preço, além de servirem uma ótima caipirinha, não se restringindo somente a de limão.

Das exposições que eu vi, eu curti 3, sendo que duas eu considero imperdíveis e obrigatória para quem passar pela cidade até julho, que são “Le Grand monde d’Andy Warhol“, que fica em cartaz até dia 13 de julho no Grand Palais e é maior mostra já feita do artista. São 250 obras entre retratos, serigrafias, polaroides, vídeos e é dividida em salas temáticas: auto-retratos, Telas de testes, Mao, Dolares, Catástrofes e Última Ceia. É uma exposição fantástica para ver sem pressa e entender mais sobre pop-art e o mundo de Warhol. A segunda, que é minha favorita, foi a “Une Image peut en cacher une autre“, ou “Uma imagem que esconde outra”, também no Grand Palais. Essa entrou para a minha lista favorita de exposição. A exposição é focada em obras com duplas imagens, e discorre trabalho de artistas de diversos séculos (desde 1500) e culturas. Variando entre Arcimboldo e Dalí, e incluíndo vários exemplos contemporâneos, a exibição traz 250 obras selecionadas rigorosamente, em que o artista brincou com as composições e imagens mútliplas. O ideal é separar uma tarde para ver as duas, pois valem a pena e são de tirar o fôlego.

A terceira que eu gostei foi “Fables & Fragments” na Escola de Belas Artes, feita com vários artistas recém-formados. É uma mostra contemporânea com instalações, fotografia, vídeo e pinturas. Bacana para sentir mais de perto a nova safra de artistas.

Já a parte consumista, que gritou o tempo todo, fez eu percorrer especialmente Marais, que tem muitas lojas de decoração, mas como não sou de ferro, claro que eu fiz uma parada longa na Colette. Infelizmente não dá para sair de lá com a sacola cheia, mas deu para comprar uns mimos. Aliás, é uma das lojas em que mais pessoas saem de mãos abanando. Uma das coisas que eu curto na Colette, é a seleção que eles fazem de revistas de moda. Acabei comprando uma edição Primavera/Verão 2009 da revista Plastique.

Saí apenas um dia, que foi no meu aniversário (no último dia 05) e o lugar escolhido foi o Social Club, pois o Calvin Harris tocaria por lá. O lugar estava entupido, quente e encontrei o Dat Politics por lá também. Foi ótimo, mas em meio a um final de dia sobrecarregado, eu consegui sobreviver a menos de 1h do set do Calvin Harris. A cerveja tem um preço bem salgado: custa em torno de 9 euros e pequena.

Vou fazer um post só com as lojas de decoração & design, mas para fechar quero indicar a deliciosa loja Passage du desir, que fica na 23 Rua Sainte Croix de la Bretonneire, no meio de Marais. A loja é dividida por seções como divertidas como “seduce me”, “tease me”, “talk to me”, “toy me”. As prateleiras são recheadas de brinquedos sexuais como vibradores, jogos, algemas, livros, roupas, etc., mas os preços são bem salgados.

As fotos da viagem estão no meu flickr e no do Ola. E na semana que vem, eu faço numa nova parada rápida em Paris antes de retornar para São Paulo. Enquanto isso curto os dias que não terminam aqui na Suécia.