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Dublando na caruda!

terça-feira, dezembro 16th, 2008

Bom, o negócio é o seguinte: a Madonna canta sobre bases pré-gravadas sim, galera. Claro que a gente sabe (e se não sabe é só pensar um pouco e a conclusão é óbvia) que dançar do jeito que ela dança e cantar ao mesmo tempo não há yoga, nem cabala, nem nada que aguente. Ela, Britney, Kyllie, Beyonce e afins, pulam, correm, dão cambalhota e cantam e a voz sai linda e loira? Não né, galera! Daí o povo vem com desculpas que é só uma base pré-gravada de guia, que não influencia diretamente, mas quando a Madonna levou o tombo no show do Rio de domingo na chuva, a voz dela continua límpida e bem alta pra todo mundo ouvir enquanto o microfone estava bem longe da sua linda boca. Veja o vídeo:

Não tô aqui julgando… Quer dizer, tô sim. O que eu fico pensando é se vale mesmo a pena ter um show desse tamanho com palco, telão e o caralho a quatro se a mulher dubla. Sei lá, pra quem gosta dela de verdade e se preocupa mais com o casamento dela do que com qualidade musical, vale a pena sim. Mas no meu caso, acho meio trash demais. Não nego toda a importância da Madonna na música pop do fim do século XX, a mulher quebrou tabus, falou das bichas, das sapatas, dos heteros, dos michês, casou, apanhou, separou, casou de novo com playboy, tentou ter sotaque inglês pra ser mais, hmmm, aristocrática, justo quem, separou de novo, teve casos, cabalas, filmes ruins e tudo mais e dubla no show? Isso me corta o coração.

E falando em cortar o coração, sábado passado o “geniozinho playba” do hip hop americano, aquele do show fraquinho do TIM, o Kanye West, cantou no sábado no Saturday Night Live. Telão lindo, enorme atrás dele, imagens bacanas, e o que o cara fez? Dublava também! Ah! No vídeo abaixo, que é uma reportagem de um programa americano de variedades, eles explicam a história das bases pré-gravadas de novo, que servem pra garantir uma boa performance se o artista não está com a voz em perfeito estado na hora e blá blá blá. Papo furado pra cima de mim, Kanye? O pior (pra ele) é que nesse caso, ele tava na tv e em close, ao vivo, num programa bombado na tv americana. E manda uma dessas:

Que vergonha! E só pra fechar com chave de ouro, uma banda lixo teen alemã, que segundo a Lalai eu adoro (não sei de onde ela tira essas conclusões), o Tokio Hotel tá fazendo uma tour de publicidade pelos EUA em shows de rádio e deixaram pra trás numa das rádios seu set list que comprova que os caras dublam mesmo. Você pode ver que no papel tem o momento que o microfone deve ser ligado pro vocalista falar alguma coisa com o público.

Triste demais!

R.E.M. ao vivo em São Paulo. Pronto, acabou.

terça-feira, novembro 11th, 2008

O negócio é o seguinte: R.E.M. é “a” banda e R.E.M. faz “o” show. E não tem pra mais ninguém.

Todos os shows que eu vi essa últimas semans na temporada de festivais que tem por aqui, todos, de verdade, eu trocaria por um único show do R.E.M.

Michael Stipe canta como se fosse o show mais feliz da vida dele. Mesmo num via funchal ridiculamente quente, e ele de terno e gravata o tempo inteiro, mostrando que nada o incomodava. Ele até comentou que “isso aqui tá muito HOT. São Paulo é muito HOT”, mas isso depois de 1 hora e meia de show impecável.

Na primeira música, “Liveing Well Is The Best Revenge”, o som do lugar tava pésimo e eu fiquei com medo. Mas já em “I Took Your Name” tudo ficou lindo. A banda é perfeita, o público que lotou o lugar cantava tudo, público que foi pra ver o show mesmo, sabe?

Por quase duas horas os caras mostraram como uma reputação construída em mais de 20 anos de carreira faz valer em 2 horas de puro êxtase.

Eu tinha certeza que minha música preferida do R.E.M. era “Drive”, tanto que fiz um video dela inteira, mesmo tremendo e chorando (de verdade, não quando a gente vai num show bacana e diz que chorou. dessa vez eu chorei mesmo, ficava arrepiado). Veja o vídeo a seguir:

Daí, os caras tocaram “Ignoreland”, “Imitation of Life”, “Everybody Hurts”, “The One I Love”, “Orange Crush” e eu não tive mais certeza de nada. Qual era, depois de todas essas, a minha música preferida do R.E.M. Isso sem falar em “Loosing My Religion”, “It’s The End Of The World (As We Know It)”, “Man On The Moon”. Fora todas as músicas mais novas e as mais antigas, como a antigona “(Dont Go Back To) Rockville, cantada pelo baixista Mike de chapéu de cowboy e camiseta da seleção brasileira, com Stipe de backing vocal.

Stipe falou do Obama, claro, e de como ele tá animado pra voltar pra casa nessa nova era e tal. Disse que a primeira vez que veio a São Paulo foi 18 anos atrás, que quando viu do avisão o tamanho da cidade pensou em “Electrolite”, que originalmente foi escrita para Los Angeles mas disse que servia muito pra São Paulo. Foi lindo!

Quero mais sempre.

E aqui o set list do show de ontem:

Living Well is the Best Revenge
I Took Your Name
What’s the Frequency, Kenneth?
Fall on Me
Drive
Man-Sized Wreath
Ignoreland
Hollow Man
Imitation of Life
Electrolite
The Great Beyond
Everybody Hurts
She Just Wants To Be
The One I Love
Sweetness Follows
Let Me In
Bad Day
Horse To Water
Orange Crush
It’s The End of The World As We Know It (And I Feel Fine)

Encore:
Supernatural Superserious
Losing My Religion
Animal
(Don’t Go Back To) Rockville
Man on the Moon

(percebam, 5 músicas no bis!!!)

Só Jesus (and Mary Chain) salva!

segunda-feira, novembro 3rd, 2008

Lá nos idos de 1990, quando eu era um moleque que estudava cinema, em 2 dias de junho eu fui aos primeiros shows de uma das minhas bandas preferidas da vida, The Jesus and Mary Chain. Na época, uns amigos meus da faculdade trabalhavam na única rádio rock que existia, a 89FM e sempre essa rádio que fazia as promoções dos shows que aconteciam no Projeto SP, um dos lugares mais bacanas que já existiram por aqui. Na Barra Funda dos anos 80 (não nesse hype de hoje), num galpão bem legal no meio do nada eu vi shows do Iggy Pop, Nick Cave, Toy Dolls, Gene Loves Jezebel, só pra citar alguns. E nesse dia de junho, fui nervoso ver o show do Jesus. Pegando carona nessas promos, eu sempre conseguia os convites pros shows e de vez em quando até ver os caras que iam na rádio dar entrevista, daí levava maues vinis, pegava autógrafo e tal. O que não foi o caso do Jesus. Os caras já eram grandes. E chatos, rezava a lenda. Sem entrevistas, sem sair do hotel, eles vinham tocar e pronto.

Mas fui lá eu e tive uma das melhores experiências musicais da vida. O lugar lotado, eu na cara do palco, sentindo o suor dos irmãos cair perto de mim e quase ficando surdo com a distorção da guitarra dos caras e querendo que meus tímpanos explodissem, porque se aquilo era felicidade, eu tava no cú. O show foi impecável, claro que não me lembraria de detalhes se não fosse por esse set list que eu peguei do chão do palco assim que terminou. na época não tinha cordão de isolamento na frente do palco, nem seguranças. A gente ficava mesmo grudado no palco, era bom demais.

A hora que eles tocaram “Just Like Honey”, minha música preferida deles até hoje, eu me lembro de pensar que eu queria que aquele momento ficasse marcado na minha memória pra eu poder depois de 20 anos, contar pra alguém o que tinha sido. E foi assim que eu em êxtase chorei pela primeira vez num show de rock.

Ano passado, 2007, 17 anos depois, eu vi o show dos caras de novo. Estava na Europa e eles eram os headliners do Rock En Seine, em Paris. Claro que programei toda a minha viagem de 5 semanas para que no dia do show eu estivesse por lá. E melhor ainda, como quem tem amigo não morre pagão, meus amigos do CSS tocavam no mesmo dia no mesmo festival e conseguiram pra mim convites free pass pros 3 dias. Era mais um sonho realizado, tanto tempo depois ver um show deles e o melhor, com todo mundo dizendo que eles estavam melhores do que nunca. E era verdade, o show deles foi inacreditável. Barulhento ao extremo, com perfeição de banda que deve ter ensaiado horrores e não deixou a desejar em momento algum. Uma amiga foi comigo e o sonho dela era ver o show deles e ela ficou paralisada o show inteiro, não acreditando que aquilo estivesse acontecendo. Só digo que de todos os shows maravilhosos que vão ter no Festival Terra, a maioria que eu nunca vi, acho que mais uma vez eu tô super ansioso pelo show dos irmãos Reid.