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Circuito R-Design: um dia por São Paulo – parte 2

quinta-feira, fevereiro 3rd, 2011

O centro de São Paulo tem um ar nostálgico, os calçadões, o vai e vem de pessoas de todos os tipos possíveis, o ar que transpira pressa. No final de semana o ar nostálgico continua, mas dá lugar a calmaria que se instal nas suas ruas, as portas do comércio cerrado.

No post anterior, eu terminei o circuito R-Design no Edifício Martinelli, que eu coloco as mãos no rosto envergonhada ao assumir que pouco reparei nele até essa última passeada. Vou falar: a construção é de encher os olhos!!!! Imponente com seu estilo art-deco, ele deve estar no roteiro de quem está afim de se aprofundar um pouco mais na história da arquitetura da nossa cidade. Além disso, ele é um marco na arquitetura nacional e foi um símbolo de progresso para a cidade (na mesma época em que a bolsa de NY quebrou).

Para quem não sabe, a festa luxo de 15 anos do SPFW foi no topo do edifício. Dá uma olhada na vista incrível:

foto por Carlos Prates pra RG

Imprescindível conhecer. Ele é lindo de morrer. Aproveita e siga a minha dica final de marcar uma visita guiada e se jogar  nas histórias recheadíssimas que a construção abriga.

Subindo a Av. São João, eu cheguei no meu canto favorito dessa parte do Centro: a Praça Antonio Prado, que possui em estilo retrô um coreto, dois quiosques com engraxates à moda antiga, uma banca de jornal e cabine telefônica. Em volta tem a Bovespa (que eu tenho um certo fetiche, confesso), o famoso prédio do Banespa, que é um dos principais pontos da região e o São Jorge, para dar uma parada, sentar para contemplar esse delicioso canto enquanto se deleita com um copo de chopp bem tirado (recomendo sentar na varanda). Estando ali durante a semana, recomendo fortemente uma subida no topo do Banespa, que tem 161,22m de altura e proporciona uma das vistas mais lindas de São Paulo. As visitas rolam de 2ª à ª das 10 às 15h.

Os prédios que cercam a praça com o Banespa ao fundo:

foto by Eduardo Záratefoto tirada por Eduardo Zárate

Depois de uma relaxada por ali, seguimos para o Centro Cultural Banco do Brasil, que fica na Rua Álvares Penteado x Rua da Quitanda (olha no mapa antes, porque é super fácil se perder por ali). O prédio foi construído para abrigar a 1ª agência do Banco do Brasil, em São Paulo, nos anos 20. O arquiteto que executou o projeto foi Gustavo Pujol e se diferencia por janelas emolduradas por imensas pilastras. Quando decidiram transformar o local num centro cultural, acabaram convidando Luiz Telles para executar o projeto. O CCBB foi inaugurado em abril de 2001 com toda pompa merecida. A programação é sempre intensa e vale a pena ficar de olho. Várias exposições importantes, assim como espetáculos, já passaram por lá. Atualmente o CCBB está com a exposição “Islã: Arte e Civilização”, que reúne 300 obras contando 1.400 anos de história do Islã. A exposição fica por lá até 27 de março com acesso gratuito.

foto tirada por Ola Persson

Além da agenda cultural, o CCBB conta com um delicioso café, com uma charmosa área externa para dias ensolarados. Também tem uma pequena loja, que sempre tem achados literários e objetos de design.

foto tirada por Ola Persson

Vale se perder nas ruas XV de Novembro, da Quintada, Álvares Penteado, entre outras, apenas apreciando os edifícios construídos na primeira metade do século XX e que muito contam sobre a história de São Paulo.

Ao redor tem várias coisas, mas como o tempo estava se esgotando, acabamos nos refrescando no jardim do Pateo do Collegio, que tem um pequeno restaurante, com preços honestos e atendimento bem simpático.  Vale lembrar que o Pateo já tem cerca de 450 anos de história pra contar. Com um país tão novinho como o nosso, ele é super jovem. Super bem conservado, arborizado, com aquele sino imenso na entrada disponível para quem quiser tocar, o jardim interno e a vista de um lado da cidade mais degradado (o Parque Dom Pedro).

eu no pateo by ola persson

área interna do pateo by ola persson

O Pateo é sede de diversos eventos,casamentos, além de abrigar o museu, a cripta de José de Anchieta, a igreja no local onde foi realizada a primeira missa da cidade, a biblioteca temática, e abriga ainda diversos projetos sociais, como o Centro Loyola,projeto OCA e o projeto EMBU.

Eu tive o privilégio de tocar lá numa edição da Virada Cultural em plena luz do dia. Foi um contraponto para mim a festa e o local, o que eu adorei.

Para voltar para o local onde partimos, decidimos subir a Rua São Bento até a Praça do Patriarca, que em em 2002 ganhou o pórtico-cobertura-monumental de estrutura metálica e fatura ultra-contemporânea, projetado por Paulo Mendes da Rocha, juntamente com Eduardo Colonelli.

A Praça do Patriarca já foi um lugar bem feio onde eu sempre passava para ir até a antiga loja Woodstock, que ficava em frente ao metrô Anhangabaú. A nova obra deu uma cara mais acolhedora e artística ao local. Sempre há intervenções por ali, além dar uma visual bem mais arrojado, que contrasta com a arquitetura que cerca o pórtico:

Pórtico Cobertura @ Praça do Patriarca

Atravessamos o Viaduto do Chá, que dá uma bela visão do Vale do Anhangabaú por completo; atravessamos a Barão de Itapetininga até alcançar a Praça da República. Confesso que por ali pouco chama a minha atenção com exceção dos pregadores de vida extra-terrena, que estão sempre com cartazes e TV ligada no meio do calçadão.

Antes de terminar nossa jornada, acabamos caminhando até o Copan, um dos marcos mais lindos de São Paulo. Acabamos tirando fotos, percorrendo as lojas. Por ali há dois lugares que valem um parada, seja durante o dia ou à noite: o Bar da Onça (não sou fã de almondegas, mas eles fazem as melhores do mundo) e a Padaria Santa Efigênia (opte pelo sanduíche mineiro, que é com queijo branco e filé).

Copan by Ola Persson

No próximo post, que é a terceira e última do Circuito R-Design, eu falo sobre a parte gastronômica, que me fez lamber os beiços e também de onde a noite terminou (e foi longa!!!).

Tim Burton @MoMa NY

terça-feira, abril 20th, 2010

Screen shot 2010-04-20 at 12.22.53 AM

Há algumas semanas consegui ver a exposição do tio Tim Burton aqui no MoMa NY. E como esperado, entrar em seu “estranho mundo” foi singular. Mas  confesso que não tive muita paciência para me acotovelar com todas as pessoas que estavam ali e sai de lá com uma sensação de dever não cumprido. Não curti a exposição como deveria e não vi tudo o que deveria ver e como deveria ver…  Enfim, os pacientes fãs de Burton tiveram que enfrentar filas (aguentei essas filas por alguns momentos, mas logo desisti) para apreciar desenhos do início de sua carreira, estudos de personagens como Beetlejuice e Noiva Cadáver, pinturas, instalações, fotografias e roupas de personagens do cinema como Batman, Eduardo Mãos de Tesoura, Mulher Gato etc.

E para os que não moram em NY ou estavam aqui, mas não conseguiram ingresso, “O Estranho Mundo de Tim Burton” chega ao Rio de Janeiro ainda esse ano. Só espero que os organizadores do CCBB tenham um pouco mais de noção de espaço e façam com que as pessoas não se sintam tão frustradas como eu.

Exposição do Tim Burton no Brasil

quinta-feira, janeiro 7th, 2010

timburton

Quem não morreu de inveja quando estreou a exposição do Tim Burton, no MoMa, em NY porque não podia ir? Eu fui uma delas, pois nunca imaginei que essa exposição aterrissaria por aqui, mas não é que ela vem?

O CCBB divulgou hoje a lista de projetos aprovados para esse ano. A lista está primorosa como sempre e “O estranho mundo de Tim Burton” é uma delas, porém ainda sem data fechada, mas chega seguida da presença do diretor. De acordo com a programação, a exposição passará apenas pelo CCBB, do Rio de Janeiro. Ou seja, caravana para lá porque essa é obrigatória e quem viu garante que é imperdível. Dá uma conferida no teaser da que está rolando em NY:

Além do Tim Burton, o CCBB traz o “Mundo mágico de Escher” e uma mostra da Tarsila do Amaral, além de muitos filmes, peças, shows, etc.

Cinema Paulista no CCBB

terça-feira, janeiro 27th, 2009

Dica para quem gosta de cinema nacional. O Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo começa hoje uma mostra de cinema paulista. Retrospectiva do Cinema Paulista: da Vera Cruz à Retomada vai até 8 de fevereiro, e mostra 24 filmes realizados no Estado de São Paulo entre 1953 e 2008, em três sessões diárias.

Tem vários filmes raros, e a exibição em película de dois de meus preferidos, ever: São Paulo S/A (1965), do Luiz Sérgio Person, e Noite Vazia (1964), do Walter Hugo Khouri.  Os dois você encontra em dvd, mas nada se compara a vê-los na tela grande, ainda mais em 35mm.