Não canso de dizer como eu amo fazer festa, mesmo estando longe de ser uma atividade rentável quando você trabalha com clubes mais “undergrounds” (odeio esse termo, mas não vem nada melhor à cabeça).
Já são 4 anos na ralação com a noite e, às vezes, uma vontadezinha de me aposentar dela. Aí rola aquela festa de arromba em que vejo todo mundo pulando, gritando, rindo e volto atrás na minha decisão. Comentei que no ano que vem eu pararia por completo, mas já desisti. Vou abrir mão de algumas coisas e focar em outras, pois haja saúde e tempo para dar conta do recado. E nem sempre dou.
Na sexta-feira rolou a parte II da festa de 2 anos da CREW, que não tem jeito, é minha festa xodó. Eu estava bem tensa como sempre. Quem me conhece bem sabe o estado em que fico nas horas que antecedem uma festa. O frio na barriga faz parte como num namoro. No dia que ele acabar é que eu vou de fato começar a me preocupar.
Foi uma sexta-feira cheia de opções na cidade. Tinha Ritchie Hawtin na Clash, Loco Dice no D-Edge, Sany Pitbull no Secreto, Baixaria & It’s Alive no Vegas, só para citar algumas boas festas que estavam rolando por aqui. Mesmo assim a festa rendeu bem, o clube encheu, mas sem aquele clima desagradável em que o calor fica insuportável e as pessoas mal conseguem dançar.
Quem abriu a noite foi o I’m the Machine, para uma pista vazia e gelada, mas que no final do set já tirava gritos e pulos do público que ia se formando na pista. Aí entrou o Fabilipo, que também chacoalhou o Glória e, na sequência, o Database, que foram os escolhidos para abrir a noite para o Yuksek. Fizeram um set incrível e terminaram de aquecer a pista. Aí o momento mais esperado, a entrada do Yuksek, que tinha deixado aquela vontade do público ver o live, mas tínhamos apenas o dj set para nos contentar. Quer saber? Ele se superou! Foi um dos sets mais incríveis que rolaram na CREW nesses dois anos.
Durante 1h35 de set Yuksek segurou a pista, que pulava e gritava loucamente. Tocou boa parte do seu último álbum, além dos vários remixes que fez. A boa notícia para quem perdeu, é que gravamos o set e logo mais disponibilizaremos aqui no blog para quem quiser ouvir.
Aí na sequência a área da pickup virou uma festa com Sexistalk, Roots Rock Revolution, Fabrizio e o Tchiello K., além de mim que não resisti em brincar com a mpc.
É esse tipo de noite que me traz uma felicidade tão grande, que é difícil pensar em largar tudo para ter uma vida mais calminha. Ver todo mundo saindo satisfeito de uma noite bacana, receber emails & mensagens agradecendo pela festa é algo que, como diria qualquer campanha do Mastercard, não tem preço.
Na sexta-feira várias pessoas se queixaram do valor de bilheteria da CREW, que do habitual R$ 20 saltou para R$ 30. Claro que isso me chateia, pois quem produz festas sabe o quanto custa trazer um gringo de peso. Quando faço pesquisas para saber quem o público quer ver tocar, a lista é imensa e tentamos na medida do possível atendê-la, porém quando conseguimos, as pessoas não compreendem que a noite pode custar 4 vezes mais do que o normal, especialmente um nome como o Yuksek, que tem sido headliner em grandes festivais, lançou um álbum aclamadíssimo e difícil encontrar uma data vaga na agenda do produtor francês.
Eu tenho um lema, que é nunca inviabilizar a noite para o público das minhas festas. Enquanto a maioria dos clubes cobram mais do que R$ 50,00 em noites com atração internacional, eu tenho fazer com que a gente consiga bancar a noite com uma lista de no máximo R$ 30,00, que foi o valor para ver o Yuksek. E conseguimos cobrar R$ 30,00 porque os vips são contadíssimos e os amigos também encaram pagar entrada. Acho justo, todo mundo contribuí com menos e mais pessoas tem acesso à festa. E, ao contrário do que imaginam, essas festas rendem menos para nós, justamente porque o preço da bilheteria aumenta apenas 50%, enquanto o custo da noite chega a se elevar em quase 200%.
Já tem um monte de festas por vir: a Top Top Top, no dia 20 de novembro no Vegas; a Crash, no dia 21 com o The Twelves no Glória e no dia 28 tem a última comemoração dos 2 anos de CREW, com Toxic Avenger, no Glória.
E uma coisa eu antecipo: prepare as emoções para março de 2010, porque uma das atrações mais aguardada por muita gente que conheço vai dividir uma noite grandiosa com a CREW. A outra notícia boa é que nessa estaremos em mais 3 cidades além de São Paulo com essa super atração. Aguardem, porque essa vai ser a maior das noites quebradeiras que já fizemos. E ainda digo, depois dessa vai ser difícil a gente se superar, mas não desistiremos.
Vida longa à ótima noite paulistana. Fico bem feliz por fazer parte num pedacinho dela.