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Bizarro Food World

quinta-feira, setembro 24th, 2009

Sempre me considerei uma desbravadora no universo da culinária, uma verdadeira bandeirante, penetrando em universos nunca dantes explorados. Nas andanças pelo planeta a gastronomia regional é sempre o bocadinho cultural que mais me atrai – a alta culinária sim, porém ainda mais os pratos de mãe e aqueles que você pensa ““Eita Gi-suizzz, ma-né-qui eles comem isso?”, doravante denominados “peculariedades regionais”.

Assumindo o estômago peregrino, já comi saquinho de formigas na Colômbia (vendidos ao lado da Pringles na loja de conveniência), testículos de boi na Espanha, rins de vitela na França, guzano (vide verminho da tequila) no México, ou grilos importados da Tailândia.

[Confesso que nunca tive mesmo a esperança de encontrar o sabor mais divino que minhas papilas já se depararam... mas sempre são bons ganchos quando você tenta protagonizar-se em histórias em mesas de bar - numa tentativa patética de parecer alguém interessante]

Sempre afirmei com veemência uma daquelas frases decoradas, tipo filosofia de Miss, que “experimentaria tudo pelo menos uma vez”. Mas recentes descobertas abriram meus olhos, e fecharam minha boca.

Na Noruega, por exemplo, você sai da sauna com um casal semi-albino simpático que gentilmente o convida para um Smalahove na cabana deles (é, na minha Noruega as pessoas moram em cabanas). Qual sua primeira sensação ao olhar para o prato – e o prato te olhar de volta?

[E rola ainda uma etiqueta no Smalahove: o olho e a orelha primeiro, daí de trás pra frente, mastigando ao redor do crânio. A língua e os músculos dos olhos são as partes mais saborosas, afirmam seus anfitriões. Não sei você, mas eu cairia na gargalhada e falaria “Hahaha, boa essa... quase vocês me pegaram, seus malandrinhos!”]

E no México comem taco. Taco mesmo. Aquelas conchinhas de milho recheadas que custam um milhão de dólares a unidade no Brasil e 1 peso no México? Aqui temos carne ou frango (invariável e tenebrosamente temperados com pimenta do reino e tabasco). Lá tem trinta e quatro mil e sete sabores, incluindo, por exemplo, Tacos Sesos. Sesos, no caso, é o cérebro da vaca. Mas não se preocupe, acompanham cebola, salsa e guacamole. É só dar uma misturadinha com a guacamole que duvido que dê pra diferenciar um do outro.

É, talvez não, né?

Mas então nas suas férias sonhadas em Jacarta, passeando por um mercado local, uma mocinha oferece um aperitivo: pequenos morceguinhos de fruta. Defumados. Ratinhos, com asas, defumados. Parece ruim? Não se preocupe, você também pode comê-los na sopa. Iguaria, hoje em dia só restaurantes premium oferecem:

Hum, talvez não também?

Então aproveite que você está lá pro lado de lá, e dê um pulo nas Filipinas, comer um Baalut. Ou fazer o seu próprio! Anota aí: Vá a um galinheiro e espere o galo ir lá e tandandan na galinha. A galinha põe o ovo fertilizado. Você pega o ovo fertilizado, e enterra. Depois de umas duas ou três semanas, tira o ovo e come o feto de pintinho que se formou. Assim:

[Não ainda? Bom, a essas alturas não precisa de uma perspicácia tão aguçada para notar que esse post só vai daqui downhill, então se pretende almoçar ainda hoje, ou alguma outra vez na vida, eu, se fosse você, parava por aqui.]

Mas, se não quiser, você pode ir para o ao interior do sul da China e comprar um macaco. Sim, um macaquinho. Daí você apelida ele de Chico, dá uma caneta pro Chico aprender a desenhar… leva o Chico pra casa. Ensina o Chico a entrar numa caixinha no meio da mesa de jantar, com o resto da cabecinha de fora da mesa. Daí você corta repentinamente uma tampa da cabeça dele e joga água fervente no cérebro do Chico, e todos em volta da mesa pegam seus hashis e comem o cérebro direto da cabecinha dele, enquanto estiver quente e se movimentando.

Tem gosto de frango misturado com esponja. Diz-se.

[Avisei antes pra parar de ler, você continuou porque quis - da mesma forma que faz questão de passar devagarzinho com o veículo ao lado do bombeiro no acidente de trânsito - e ficar propagando por 2 dias no trabalho “não sabe que coisa horrível que eu vi”.]

Abstraia, pois é cultural. É cultural. O Peta não deve considerar dessa forma, mas é cultural sim. Saiba você, que se chegar um asiático, e você falar que come secreção de mamíferos infectada com bactérias propositalmente até estragar bastante, ele também vai ter nojinho, ok?

Sobre o Sonique

quinta-feira, fevereiro 12th, 2009

Fui conhecer o Sonique, bar que abriu esta semana na Rua Bela Cintra. Ao entrar, fui imediatamente transportado para um disco do Massive Attack. Ou seria Moloko? Bem, se estivesse tocando Portishead, também me sentiria em casa. Adorei o clima fim dos anos 90/sofisticado do lugar, com som num volume que te deixa conversar com os amigos, pouca iluminação e teto de neon branco que pisca. Sim, grata surpresa, a região da Paulista estava carente de bons bares com proposta happy hour/chill in descolada.

Espaçoso, dificilmente você vai ficar espremido entre os freqüentadores, o ar condicionado efetivamente funciona e a rede wifi é aberta, sem senhas; a parte com as mesinhas de neons e espelhos é linda, de tal forma que, se você está sentado num sofá, não fica nem muito perto nem muito longe dos outros sofás – o que pode favorecer a interação com desconhecidos, eventualmente. E o banheiro todo branco com as torneiras vermelhas? Menos é mais. Para completar, o sistema de cartões individuais de consumo é prático e o atendimento, ágil.

Se quem gosta de drinks está bem servido (o amarguinho do Apple Martini é uma delícia; R$ 14), o Sonique poderia ter mais opções de boas cervejas e comidas. Numa cidade em que o supermercado da esquina vende pelo menos dez rótulos de cervejas, incluindo importadas a preços acessíveis, é chato ficar limitado às (poucas) marcas tradicionais que a casa oferece. E por quê o cardápio só te deixa escolher meia porção do mix de nuts (R$ 14 a inteira; R$ 8 a meia) e não dos outros petiscos? Pedi bolinhos de arroz recheados com funghi (R$ 20 a porção, bem cara), que vieram servidos mornos e tinham gosto insosso.

A casa tem potencial para se tornar um ótimo ponto de encontro, tanto pela localização na região que mais ferve na cidade quanto pelo conforto. Sabe o que eu senti, também? Que o Sonique poderia estar em qualquer grande capital do mundo: é um espaço hiperconectado, no bom sentido. 

Mesas do Sonique Bar

 

La ri ca!

sexta-feira, novembro 28th, 2008

Uma das atrações mais bacanas de São Paulo são as padarias. Poderiam ser simples casas que vendem baguetes, mas na paulicéia elas oferecem não só vários tipos de pães (integrais, com grãos, recheados, cobertos por queijos, etc), mas refeições básicas (coxinha, pão com manteiga na chapa) e sanduíches mais elaborados. E o mais legal de tudo isso é que você não precisa ir nas padarias hype da região da Paulista para comer boas iguarias: basta estar no seu bairro, ou andando pelas ruas da vizinhança. Vou dar dicas de lanches que descobri ao acaso e que viraram rotina:

Padaria Letícia (Rua Cerro Corá, 748 – Alto da Lapa): a tradicional Letícia tem um cardápio incrível. Os sanduíches no mini-ciabatta são o que há. Meu preferido é o Angra, com salame hamburguês, camembert e patê roquefort. Para variar peço o Cancun: mortadela com pistache, queijo brie e mostarda. Sim, todos têm nomes de praias.

Padaria Elite das Perdizes (Rua Cardoso de Almeida esquina com Caiubi – Perdizes): tradicional padaria de Perdizes que serve o melhor croissant misto que já comi em São Paulo. Peça prensado na chapa! Se você não estiver a fim de tanta massa, o básico sanduíche de rosbife no pão integral da casa dá conta do recado. Sempre cheio de manhã, pelo ótimo custo-benefício – cerca de R$ 6 por salgado e café.

Casa do Pão de Queijo (qualquer uma das unidades): esqueça o carro-chefe da casa, que é meio sem gosto, e peça o suco de morango com leite. É tipo um leite com quick turbinado, ou um iogurte feito na hora e mais saudável. Nem precisa pedir pra pôr açúcar, já é suficientemente doce. Só alegria!

Lanchonete VIP (Rua da Consolação, 881, térreo – Centro): este prédio da PUC tem uma lanchonete insuspeita, que serve o enroladinho de presunto e queijo mais saboroso que já comi em São Paulo. Esqueça o ambiente feio, com aquelas mesas de plástico amarelas, e acredite nos salgados.

Canibal inglês na cozinha!

terça-feira, outubro 21st, 2008

A parada é a seguinte: um ex mister Gay Uk, Anthony Morley, foi preso mês passado por canibalismo e agora foi sentenciado a pelo menos 30 anos de prisão.

Sim, o cara levou um “bonitão” pra casa e comeu o cara. Literalmente. Papou, jantou o moço. E ainda guardou uns pedaços dele na geladeira.

Bom, o pior não é isso. Um amigo do Hannibal inglês, dono de um restaurante que se chama Citrus que fica em Leeds (só pra dar uma idéia, Leeds é a cidade do Kaiser Chiefs), contratou os serviços do doidão pra ser o chef do restaurant. Isso mesmo, o cara vai criar o menu e dar consultoria ao estabelecimento.

Piadas prontas pululam em minha cabeça e com certeza na de quem lê isso aqui. Então, minha pergunta é: você se arriscaria numa refeiçnao em tal estabelecimento? Será?