Posts Tagged ‘consumo’

Peugeot: como perder um cliente

sábado, maio 1st, 2010

Há tempos que ando ensaiando a compra de um carro. Entre um mundo de opções, acabei me decidindo por um Peugeot 207. Bom preço, boas referências e um carro bonitinho.

O negócio estava em andamento com uma concessionária até surgir o tal feirão no final do mês de março. Passei na loja Victoire, nome pomposo, mas onde o atendimento deixa bastante a desejar.

Esperamos cerca de 1 hora pelo atendimento, mas até aí minha empolgação relevou tal espera. Era feirão, mas não tinham colocado vendedores extras. De acordo com a recepcionista, não estavam todos os vendedores presentes da loja, pois era sábado. Ah, tá, é feirão, a busca aumenta, mas no quesito preparo para a demanda falharam. Foi aí meu grande erro em esperar um atendimento primoroso, mas aparentemente está tão fácil vender Peugeot, que a questão que fazem por você é bem mínima.

Apesar de ser feirão, eles não tinham também o carro para pronta-entrega, mas fizeram o pedido de modelo 2011 com preço de modelo 2010. Como o desconto era razoável (menos que 10%, diga-se de passagem), eu não me importei com o risco da volta do IPI, pois a vendedora Leandra me deu um prazo de 15 dias para a entrega.

Assinei o pedido, fiz a lista dos opcionais e fiz uma ficha para financiar o carro. Na semana seguinte entraram em contato comigo para pegar algumas indicações pessoais e dados do meu banco.

No 15º eu liguei para a Leandra para saber o status de entrega do meu carro, pois ninguém tinha entrado em contato comigo até então. Não consegui falar com ela, pois estava fora. Voltei a ligar no 23º dia e só fui atendida ao dizer para a recepcionista, que tinha informado que a Leandra estava com uma cliente, que eu só desligaria quando ela me atendesse.

A resposta foi bem vaga, mas gentil. Talvez o carro seja entregue na semana que vem, mas não temos data. Como não tem previsão de algo que tinha sido garantido a entrega em 15 dias? Falei para ela que eu sairia para ver carros e caso encontrasse algum que me agradasse e fosse pronta entrega, eu ligaria de volta para cancelar o pedido.

Não liguei e também ninguém me ligou. No 27º liguei novamente, mas a Leandra estava de folga. Insisti à recepcionista que verificasse o meu pedido no sistema e me desse alguma posição. Ela falou com o gerente e voltou com a informação que o carro chegaria em 2 dias. Acalmei os ânimos e resolvi que esperaria.

No dia prometido, eu liguei à Peugeot novamente, mas a Leandra não pode me atender, pois estava com um cliente. Dei um chilique no telefone e então ela me ligou na sequência. Quando perguntei sobre a entrega do carro, ela exclamou surpresa:

- Mas você cancelou o pedido!

Como eu cancelei o pedido? Ela insistiu para eu repensar e não cancelar e eu disse que pensaria a respeito, veria outras oportunidades e caso eu decidisse pelo cancelamento, eu retornaria a ligação, diferentemente dela que nunca me ligou para dar uma posição sequer sobre o meu pedido. Ela disse que iria verificar e voltaria a me ligar. Não me ligou, mas como sou bem insistente e gosto de ver até onde as coisas vão, eu liguei para ela 6 horas após o contato. A resposta foi:

- O banco não aprovou seu crédito.

Até poderia me convencer disso, mas o banco sequer me pediu qualquer documento, ou seja, o banco não teria como analisar a minha ficha financeira. Caso eles verificassem o meu saldo médio dos últimos dois anos, acho muito pouco provável que reprovariam a minha ficha. E era muita coincidência ela dizer primeiramente que cancelou o meu pedido e retornar com essa informação.

Mesmo que isso tivesse sido verdade, eu imagino que um atendimento primoroso (o que eu achava que teria de uma concessionária oficial da marca) teria entrado em contato para me informar e perguntar se eu teria alguma outra opção. No dia da compra eu informei a ela que eu tinha crédito do meu banco para financiar o carro, mas acabei optando pelo banco com quem eles trabalham porque a taxa era um pouco inferior. Ok, ela não deve se lembrar disso.

Para encurrala-la, eu a relembrei a informação e disse que estávamos no 30º da data do meu pedido, então eu mandaria para ela no dia seguinte meu crédito aprovado e ela poderia liberar meu carro. A resposta foi que o meu carro não tinha vindo, que ela tinha um “perolado”. Quem compra carro perolado? Só se o desconto for realmente nas alturas. Você vai investir quase R$ 40.000 num produto e não pode escolher a cor que você quer? Seria o mínimo, não?

Expliquei toda a situação delicada em que ela me colocou, pois eu não contava com um atraso de 30 dias nessa entrega e então ela explicou que todas as entregas estavam atrasadas. Alguém já ouviu falar em planejamento de fábrica?

Isso aconteceu na quinta-feira e a tal vendedora Leandra, da concessionária Victoire, que fica na Av. Rebouças, 2357, disse que voltaria a me ligar para dar um posicionamento. Ela ligou para você? Não? Porque para mim também não.

Sou uma pessoa muito fiel às marcas que consumo e primo muito pelo serviço oferecido. Não basta ter um bom produto, precisa alia-lo a um bom atendimento. Sei que temos uma deficiência na qualidade de serviços por aqui, mas nessa guerra de marcas que vivemos atualmente e em tempos de mídias sociais, em que os consumidores tem uma voz muito mais poderosa, é um risco tremendo cometer esse tipo de deslize. E o CRM existe antes mesmo das mídias sociais e algumas marcas inteligentes o utilizam muito bem.

Obviamente a Peugeot é uma marca que eu risquei do meu caderninho. Das referências que tive, agora me volto às negativas que algumas pessoas me deram quando compartilhei minha decisão.

Não sei se existe uma marca ideal, mas vou atrás de alguma que me respeite como consumidora, porque se para alguns o respeito é “falar gentil”, as pessoas estão bem mal informadas sobre qualidade.

Se alguém comentar que vai trocar de carro (e ouço isso bastante), talvez eu  não dê a recomendação esperada, mas vou dizer “ah, só não procure a Peugeot, porque o atendimento pode fazer você ganhar uma gastrite”.

2010: tendências

terça-feira, dezembro 1st, 2009
future by h.koppdelaney

future by h.koppdelaney

Final de ano e as previsões para o ano seguinte já bombando. No ano passado eu tentei mapear as principais tendências para 2009 aqui no blog, além de dicas de sites focados no assunto. Muito do que se lê a respeito de “tendências” já é realidade. O próprio relatório FEED 2009 da Razorfish já demonstra isso. A experiência do consumidor é essencial, o diálogo entre ele e a marcar é algo que já deveria ser o básico, já que a informação é livre e o boca a boca é um dos maiores fatores de decisão na hora da compra.

2010 também é analisado como um ano de mudanças incríveis no marketing, eu diria que essas mudanças já estão rolando há algum tempo. Esses dias participei de uma reunião envolvendo uma grande marca, que tem foco no verão e sempre lança grandes campanhas nessa época do ano. A minha vizinha de mesa, que passou a vida trabalhando em agências “offline”, quase caiu para trás quando fomos informadas de que em 2010 a marca não faria a habitual campanha, que o foco e esforços seriam concentrados na web. Isso mesmo, a marca que passou os últimos anos gastando uma fábula com campanhas na TV e mídia impressa está mudando seu “jeito de fazer propaganda”. Para quem trabalha com Internet e está acostumado a lidar com budgets reduzidos, que geralmente não ultrapassam 10% do investimento anual estão invertendo: reduzindo o budget para marketing e aumentado o investimento para campanhas na web.

No último NBC09 alguns palestrantes afirmaram que o anúncio de TV não está morrendo (e também não acho que esteja), mas ele precisa se reinventar cada vez mais, especialmente numa década em que o sonho de qualquer marca é emplacar um “viral”, sendo que são poucos que conseguem e geralmente com um investimento altíssimo.

Abaixo algumas apresentações, relatórios e posts sobre 2010:

16 tendências em Social Media pelo Agent Wildfire, que não tem nenhuma novidade para quem vive focado em mídias sociais há pelo menos 1 ano: conteúdo diferenciado, SEO, ser o primeiro a fazer, construir relações influentes e por aí vai, mas tem insights interessantes.

Web 2010 – Ten trends defining your future, feito pelo Jay Berkowitz, CEO do Ten Golden Rules, em que ele fala sobre as inovações que estão conduzindo negócios ao sucesso, os melhores sites de social media para negócios, futuro do Google, como usar a internet para construir sua marca de forma personalizada, como ganhar dinheiro com Social Media, etc. O objetivo da apresentação é mostrar como as empresas e pessoas podem se diferenciar e ter sucesso online.

10 Trends to watch in 2010, por David Stutts, mostrando o que vai ser a bola da vez no próximo ano e o porquê. Entre suas previsões tem realidade aumentada indo ao mainstream, P2P (pagamento por celular), QR Codes (aqui será que vai pegar?), e-commerce nas redes sociais, crowdsourcing, aplicativos para celular, etc.

Five Social Media Predictions for 2010, pelo Social Media Today, também traz realidade aumentada em primeiro lugar, depois cita geotagging e colaborações em desenvolvimento de aplicativos.

8 Social Media Predictions for 2010, pela Navstar Inc., em que para mim o ponto principal é que o 2.0 vai  (já está chegando) ao mainstream. Se você não está no Twitter, Facebook e Youtube, vocês simplesmente não está na Internet.

Six Social Media Trends for 2010, pela Harvard Business, em que aponta em primeiro lugar que Social Media será cada vez menos social, fazendo com que as redes se tornem cada vez mais exclusivas.

O ZDNet publicou um artigo bacana questionando se em 2010 as mídias sociais vão alcançar a ubiquidade (a capacidade de estar em todos os lugares ao mesmo tempo).

A Techflash promoveu uma mesa redonda para tentar prever o futuro do Twitter, Google e outras marcas. Chegam a prever até os valores das ações dessas companias até o final de 2010. Para eles o twitter é um veículo promocional, enquanto o facebook é um veículo social, ou seja, o twitter tem mais potencial de fazer receita. Vamos ver!

A CNBC fez uma previsão sobre consumo no próximo ano e já começa afirmando que os consumidores voltarão no estado de hibernação após as férias, pois aprenderam a viver com menos.

Para quem é da indústria, vale a leitura das previsões feita pela Luxoft, que também não deixa a Social Media de fora.

A Mintel fez previsões para as tendências que impactarão no desenvolvimento global de produtos novos focado no ramo alimentício.

Vale sempre conferir os briefings do Trendwatching e assinar os feeds do WGSN, The Cool Hunter, Trendspotting, Trendcentral, Springwise e também recomendo o 180360720.

O que eu acho bem interessante é fazer comparativos das previsões que rolaram para 2009, analisando o que realmente se tornou realidade, o que ainda se apresenta como tendência ou o que foi uma previsão furada.

Achei interessante essas previsões globais feitas em 1996 para o ano de 2010 pelo NIC. Também há previsões globais para 2015, 2020 e 2025. Isso que é ter bola de cristal.

Aproveitei para dar uma olhada no Google Zeitgeist, que aponta as palavras mais buscadas. Apesar da crise econômica, escândalos diversos, Olimpíadas, catástrofes, as maiores buscas foram relacionadas às redes sociais, sendo que o Orkut lidera o ranking, depois vem youtube, hotmail e os dois grandes termos buscados foram “futebol” e “gripe suína”. A Geisy não apareceu.

Ainda em dezembro eu vou fazer uma análise do previsto para 2009, o que de fato aconteceu e o que continua como previsão para 2010. Acho que vale o exercício.

Também agradeço contribuições para esse post com novas sugestões de relatórios e/ou posts relacionados à 2010.

Razorfish: FEED 2009

segunda-feira, novembro 9th, 2009

Saiu no início do mês o novo report da Razorfish, o FEED, focado no comportamento do consumidor. Esse ano eles mudaram um pouco o foco para entender melhor como o mundo digital tem mudado a interação dos consumidores com as marcas.

FEED09_Tat_BackCover

O que eles identificaram? Que a experiência é essencial. Tanto é, que as experiência estão se tornando a nova publicidade. E essas experiências estão impactando diretamente na forma como o consumidor percebe a marca e decide pela compra do produto e/ou serviço.

Também perceberam que os consumidores estão envolvidos com as marcas em todo o meio digital.

A Razorfish deu uma boa incrementada na forma de distribuição do relatório, além da versão em pdf, também disponibilizaram todos os charts e uma versão no Blurb, para quem prefere o estudo em versão impressa.

Pegando carona no espírito do Stewart Brand, que proclamou que a “informação deve ser livre”, disponibilizaram todos os dados e gráficos utilizados no estudo para aumentar a análise e utilização do material, além de convidarem todos para debater o relatório, tanto no blog quanto no Twitter, utilizando a hashtag #FEED09.

Mãos à obra!

Relatório ‘Você Sabia?’ edição 4

terça-feira, setembro 22nd, 2009

Essa é mais uma daquelas vídeo-aulas que a gente acha pelos YouTubes e SlideShares da vida. Mas esse vale a pena. Bem completo, o vídeo – que foi produzido pela Shift Happens em parceria com o The Economist – consolida muito dos achismos da gente que fica de olho nas tendências de web e comportamento do usuário quanto aos meios de comunicação tradicionais e seus números, os digitais, convergência, as novas tendências…

É aquela história: “It’s easier than ever to reach a large audience, but harder than ever to REALLY CONNECT” — todo mundo hoje pode ter os seus 15 minutos de fama. Mas esses 15 minutos já não duram mais nem 15 minutos. Aparecer e impactar milhões não é mais tão difícil. O desafio hoje está em criar experiência, fidelização, seguidores.

O conteúdo é parte do Fórum Anual de Convergência de Mídia, que acontece em Nova York, em outubro.
Clique aqui se quiser ver o relatório Você Sabia em sua edição 2, de 2007.

[a dica foi do Daniel Perlin]

Quer se vestir bem, gastar pouco e ainda ganhar uma graninha?

domingo, setembro 20th, 2009

Num Brasil que está se esforçando para se tornar cada vez mais americanizado (no pior sentido possível), algumas boas idéias ainda podem ser importadas dos yankees.

Foi inaugurada há mais ou menos um mês em SP a loja Super Cool Market, que pega onda no famoso brechó Buffalo Exchange, em Williamsburg, NY. As sócias da loja Carla Lamarca, Samantha Barbieri, e Daniela Klaiman querem estimular o consumo consiente, promovendo a reciclagem daquelas peças que você a-m-o-u em 2003 mas não usa desde o Natal de 2006.

Funciona assim: você leva tudo aquilo que está só pegando pó no teu armário, leva lá e elas avaliam. Você pode receber 30% do valor de revenda das peças em dindin, ou pegar 50% desse valor em crédito para usar na própria loja. Lá elas têm várias araras com calças, camisetas, casacos, sapatos, tênis, acessórios e até máquinas fotográficas Lomo para você escolher, e ainda alguns corners de marcas próprias (delas e de outros estilistas).

Eu, que sou consumista convicto de camisetas e casacos, com certeza vou agora por na roda um monte de coisa que já não fazem a minha cabeça. Nessa minha primeira visita, que eu estava desprevenido, me coube apenas pagar pelas peças que gostei – uma camiseta linda (R$19,90) e uma calça jeans beeeem chupín da Triton (R$79,00).  Claro que a sessão masculina ainda é um pouco mais restrita que a feminina, mas acho que a loja tem tudo para dar certo, e logo logo as meninas vão ter que procurar um galpão enorme para dar conta do que vai chegar.

CIMG7306

Além disso, elas têm um projeto super bacana de promover eventos de música, disponibilizar WiFi numa mesona na entrada, e um cantinho só para doações de peças não comercializáveis para instituições de caridade. Nada mais ‘super cool’ que isso.

Interessou? Passa lá:

Super Cool Market

Rua Purpurina, 219 – Vila Madalena
Tel: 11 3031.1663

Seg-sex 10-20hs / sáb 10-18hs