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Ecofriendly, Ecofail

quarta-feira, setembro 30th, 2009

Nunca me considerei exatamente uma ameaça ao meio ambiente. Ah, separo minhas latinhas das outras coisas, não jogo lixo na praia, e fico comovida de verdade olhando ursinhos polares bebês no Discovery agonizando porque a casinha deles está derretendo e tal. A consciência começou a apertar mais ultimamente. Iniciou-se a saga em um churrasco que organizei outro dia, no qual participarem um casal de homo sapiens ambientalicius (aquelas colegas que tem casa ecológica com energia solar e tudo mais) – que apontaram, desapontados, minha incauta escolha de talheres, copos e pratos: descartáveis.

Como tais convidados não eram exatamente íntimos, achei de bom tom não sugerir que eles limpassem os práticos utensílios e cinzeiros com a língua, fazendo o favor. Superior, iniciei uma ardente discussão sobre as dificuldades de ser ecofriendly na “vida real”. Essas nossas, moradores da cidade grande, cujo edifício não tem coleta seletiva, a máquina de café do escritório já sai com copinho e que não são legítimos proprietários de 50 conjuntos de pratos e talheres à disposição nos seus churrascos.

Comentaram-nos tais elucidados, que todos nós temos a responsabilidade por mudar as pequenas decisões do dia-a-dia e consumir de forma consciente, que o fardo da saúde do planeta está nas nossas costas. Ou seja, me chamaram basicamente de assassina de ursos polares bebês. Culpada, resolvi assumir um desafio: tentar por 7 dias uma vida Ecofriendly e relatar para eles minhas descobertas e incautos.


[Gostei do meu momento Globo Repórter. Posso até ver a chamada “E a seguir, a saga de uma garota normal da cidade de São Paulo. Quais as dificuldades atuais da vida ecologicamente correta? Como mudar seus hábitos em poucos dias? Veja após os comerciais”. ]

Compartilho com vocês também.

consumption

1º dia – Segunda-feira- 28/09
Um ser superior

Acordei empolgada com a idéia, que nem primeiro dia de regime que você come alface no café da manhã. Guardei a chave do carro. Que ônibus que nada, caminhada! Super ecológico. Foi divertido caminhar ao lado do parque Ibirapuera, nem tanto engolir fumaça na São Gabriel, mas o planeta merece. Logo descobri que demoro tanto chegando a pé quanto de carro, vejam só. Menos gasolina E calorias.

No escritório, minha primeira dose de café – achei uma caneca feia de empresa de seguros no armário. A descoberta de como tirar café da máquina, sem cair o copinho, deveria me dar direito a um diploma de engenharia (ei, eu não consigo instalar um DVD, mereço o mérito).

Passei o dia sem imprimir uma folha sequer. O relatório de 100 páginas revisei na tela mesmo. Demorou umas 2 horas a mais (damn emails, facebook e MSN), mas saiu. Em algum lugar do mundo, uma árvore sorriu.

Supermercado à noite. Desfilando com minha linda ecobag preta, de mais de um ano de idade e segundo dia de uso, olhei com ar superior para todos demais clientes consumidores de malignas sacolas de plástico.

Verduras orgânicas e xampu ecológico, que não é testado em animais. Na área de frios, solicitei para tirar a bandejinha de isopor. O moço me olhou com cara de cuméquié. Expliquei, pacientemente: - Veja bem, Sr. seu Zé, que isopor na natureza demora mais de 930 anos para se deteriorar, por isso é melhor não utilizarmos sempre que for possível. [Não, eu não sei quantos anos se deterioram isopores, mas achei um bom chute e o Sr. Seu Zé também achou, pareceu.] Coloquei o queijo e peito de peru bamboleando dentro do carrinho.

Dúvida surgiu na garrafa de água: PET deve estar errado. Acho até descobrir o que fazer, vou ter que tomar água ligeiramente amarelada da torneira de casa.

Nota mental ao chegar em casa: comprar uma ecobag cuja alça não estoure nas duas quadras caminhando de volta. Graças a deus, todos meus produtos amigos-de-bichinhos continuam intactos.

2º dia – Terça-feira – 29/09
Ecofail

Acordou chovendo. Juro que pensei em ir para Congonhas a pé. Observem que, apesar de eu estar colaborando com o meio ambiente, ele não está colaborando comigo. Fui de táxi.

E avião para o Rio.

Resultado: Sentimento de culpa equivalente a big mac, milk shake e bolo prestígio no segundo dia de regime.

3º dia – Quarta-feira – 30/09
Reenergizando

Sem desanimar, acordei com a brilhante idéia de neutralizar minhas emissões de carbono. Fui pesquisar  e calculei quanto custou ao planeta minha viagem ontem. Com uma árvore apenas consigo neutralizar não só minhas emissões, como mais 80 passageiros!

Vim de carro (coloquei na conta da árvore). Como um sinal divino, ali na R. Veneza do Jardim Europa. um caminhão de árvores com placa “Jabuticabeiras Produzindo”. R$ 25,00.

Sabe aqueles raciocínios que você pensa pela metade? Assim foi a compra da jabuticabeira produzindo. Pobre jabuticabeira, produzindo no meu porta-mala.

Alguma idéia onde enfiar uma jabuticabeira produzindo em SP?

(Obs 1: Algo me diz que perguntar na internet onde enfiar uma muda não gerará boas recomendações.

Obs 2: Continuarei oportunamente o relato da semana, incluindo o ainda incerto destino da muda de jabuticabeira produzindo. [Propaganda para você não trocar de canal. Quer mais Globo Repórter que isso?])

Árvore virou moeda?

domingo, junho 22nd, 2008

A histeria em torno do aquecimento global está tomando proporções tão cansativas que logo mais a gente vai querer é que o mundo aqueça de uma vez e acabe com tudo só para dar cabo a essa lenga-lenga toda. Quer ajudar, feche a torneira ao escovar os dentes e lavar a louça, vá até o supermercado a pé (e leve sua eco-bag), separe o lixo reciclável, fale mais baixo, não buzine, qualquer iniciativa é válida. Mas tem que vir espontaneamente, não?

O deputado Manato (PDT-ES) acha que não. Ele apresentou à Câmara dos Deputados um projeto de lei que obriga as pessoas a plantarem árvores sempre que casam, compram carro ou constroem uma casa, entre outras atividades. Para se ter uma idéia, a lei prevê que cada um que pretenda por um anel no dedo deve plantar 10 árvores. Quem se divorcia, 25. Além de tudo, achei a proposta bastante prejudicial. O coitado que vai perder a casa, os filhos, o carro, o cavalo e o yacht para a esposa sanguessuga ainda tem que procurar um cantinho de terra para oferecer para um mundo injusto como esse? Mais fácil cortar os pulsos. Até porque não está nada fácil achar terra fértil em Sâo Paulo para uma, imagina 25!

Pense então o que aconteceria naqueles casamentos coletivos que fazem em estádios. Teria que mandar todo mundo para a Amazônia para plantar nas áreas desmatadas. E com quem não plantar, acontece o que? Vai preso junto com estupradores e pais-que-atiram-filhos-de-janelas? Ou vai arar as terras da Granja do Torto por um mês? Pior, o que acontece com quem não só não planta, mas corta fora as existentes? Muito nebuloso isso tudo.

Não sou nenhum tree-hugger, mas acho a iniciativa de se plantar por livre e espontânea vontade sim, deveria ser posta em prática. Nisso devemos louvar a idéia das revistas Trip e TPM, que no mês passado se uniram com a Adidas no projeto Adidas Grün (verde em alemão) e cada exemplar vendido vinha com uma simpática caixinha de fósforos recheada com seis sementinhas de guajuvira.

Brinde das revistas Trip e TPM no mês de maio

Eles explicam que esta é uma árvore que vinga facilmente, em qualquer lugar e em diferentes temperaturas, e convidam os leitores a tomarem uma atitude sem pagar por nenhum dano ao meio ambiente, just for the fun. Com a tiragem mensal da revista e a boa vontade dos leitores, 360 mil possíveis novas árvores podem aparecer.

PS: Vou retomar com força meu blog pessoal de arquitetura. www.rseefo.com.br passa lá [/jabá]