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O primeiro vídeo a gente nunca esquece

quarta-feira, fevereiro 17th, 2010

Rendi-me aos apelos da Ana Laura e comprei uma filmadora. Não filmei o suficiente das minhas férias, mas consegui produzir meu primeiro vídeo (tosco) com alguns dos melhores momentos. Como faltaram alguns, eu roubei no jogo e coloquei fotos, o que fez o vídeo ficar mais tosquinho, mas como o primeiro vídeo a gente nunca esquece, eu estou aqui me derretendo com minha primeira produção.

Aproveito para desejar PARABENS para a Gaby Hunnicutt, que viajou comigo e agora está em Lisboa com o restante do grupo comemorando seu novo ano. Por aqui brindamos por ela e desejamos o melhor, afinal a moça merece.

Entre os melhores momentos do vídeo, não há como negar que a parte 2:29 é a melhor, mas virou piada interna. Nesse momento temos o Marcos com as pernocas cruzadas com medo de se soltar, a Gaby, Renato e o Roger no chão. Eu estou filmando e também congelada com medo de soltar o corpicho e deslizar na neve, que como já sabem pelos posts anteriores, foi um desastre.

A trilha sonora é  Wouldn’t It Be Nice (The Girls Can Hear Us Remix), do Beach Boys:

Cross country e a Oscar Freire

sábado, fevereiro 13th, 2010

Ontem eu resolvi que desencanaria do esqui e iria relaxar no cross country skiing. Obviamente me enganei. Apesar do esporte ser mais fácil, pois na maior parte do tempo você está em lugares planos, ele exige mais força física. Assim como o esqui, ele também exige equilíbrio, inclusive a prancha é mais leve e fina, ou seja, se você não conseguiu ficar em pé na prancha de esqui, não ficará tão facilmente na de cross country.

Meu desempenho, de qualquer forma, foi melhor. No primeiro dia percorremos cerca de 3km  com pequenas descidas, em que consegui deslizar sem quedas.

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O mais interessante dessa prática esportiva, pelo menos por aqui, foi que nos lembrou passeios de finais de semana com a família, que comparamos com a Oscar Freire num domingo, em que famílias ou turmas de amigos andam pra cá e pra lá falando em seus celulares, passeando com as crianças ou cachorros, ou apenas tomando seus cafés enquanto apreciam o que acontece à sua volta, que obviamente não é muita coisa.

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No cross country skiing é a mesma coisa. Há muita gente sozinha indo e vindo, muitas vezes falando no celular e se equilibrando nos esquis de uma maneira invejável, mas logo percebemos que eles praticamente nascem calçados neles. As roupas são mais bonitas e justas, as botas são bem estilosas, ao contrário das de esqui, que parecem botas de gesso.

As famílias passam com as crianças e bebês, que vão seguindo em berço-trenó, o que também me envergonhou ao ver mães subindo ladeira puxando seus bebês e eu mal conseguindo parar em pé nas subidas, pois meus esquis teimavam em voltar para trás.

casal passeando com o cachorro

casal passeando com o cachorro

Quanto ao café, as pessoas levam suas garrafas térmicas e lanchinhos e param no meio de uma paisagem inóspita, cavam buracos na neve, sentam e ficam lá conversando, tomando café e vendo as pessoas passarem.

lavando a xícara do café

lavando a xícara do café

Hoje eu ousei e percorri um trecho de 6km, que quase matou minhas pernas, mas fez meu coração tremer de emoção por dois motivos: eu deslizei em declives ousados para mim e a paisagem me tirou o fôlego (que já era sofrível) com a paisagem linda de morrer.

Eu super recomendo para quem nunca esquiou na vida, que passe um dia fazendo cross country e depois se joga montanha abaixo nos esquis. E aproveita para dar uma geral na população local, na tendência da moda de inverno.

A caminhada também proporciona uma paz absoluta, afinal para os principiantes é necessária concentração, então quando você se dá conta, tem apenas você, seus esquis e a natureza a sua volta.

Estreando no esqui

quinta-feira, fevereiro 11th, 2010

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Desde que comecei a ter vontade própria e fazer meus próprios roteiros, eu nem sequer cogitei viagens que envolvessem esqui, afinal eu fui um desastre na patinação na minha adolescência. Ter um namorado que cresceu em meio a neve foi pedir para encarar seu maior medo.

Como falei no meu post anterior, em junho eu decidi que viria para a Europa em pleno ápice do inverno e enfrentaria uma montanha de esqui. Alternei nos meses que antecederam minha viagem entre ansiedade, medo, vontade e desânimo. Um mês após ter decidido que eu tiraria férias para esquiar e ter convencido mais 4 amigos a nos acompanhar. Dos 4 apenas uma, a Gaby, bateu o pé que não se arriscaria e ficaria em casa colocando a leitura em dia. Os demais só falavam sobre o assunto cada vez que nos encontrávamos.

O tempo voou e cá estamos. O primeiro dia rolou uma expectativa inacreditável. Acordamos às 8h da manhã com o dia um pouco nublado, em que o céu e as montanhas se uniam transformando-se em uma coisa única. A temperatura era -9ºC. Tomamos um super café e seguimos para a estação. A Gaby decidiu que encararia a empreitada com a gente.

Confesso que ter um profissional, o Ola no caso, a tiracolo ajuda bastante. O primeiro choque veio ao experimentar a bota de esqui, que causa uma sensação bizarra de desconforto. Eu tinha a sensação de ter 5 quilos em cada pé. Pedi para experimentar uma maior, mas o Ola me convenceu que a bota tem que ficar bem justa. Com exceção do Roger, que optou pelo snow board, os demais seguiram para a próxima etapa para pegar os esquis, andando como um bando de patos.

minhas lindas botas

minhas lindas botas

A partir daí as coisas começaram a piorar. Andar já não era uma tarefa fácil, mas seguimos animados para comprar nossos passes para a semana. Depois fomos para a pista. Quando chegamos lá o desafio foi encaixar nossas botas nos esquis. Eu, que mal conseguia ficar em pé, entrei em desespero e tremia descontrolavelmente, enquanto tinha a sensação que meus amigos sorriam de orelha a orelha mal esperando pela primeira deslizada na neve.

Não foi tão simples. Todos, sem exceção, espatifaram na primeira investida. O Ola, que provavelmente ria por dentro, foi o mais paciente e tentou ajudar todos. Eu fiquei uns 5 minutos caída na neve, pois simplesmente não conseguia me levantar. Aos poucos eles foram se sentindo mais confortáveis, com exceção de mim e o Roger (o do snow board), que mal conseguiam parar em pé. A cada queda minha, eu tinha que esperar o Ola me alcançar e me levantar.

Os demais se arriscavam mais, enquanto eu soltava gritos histéricos cada vez que eu tentava qualquer movimento. A Gaby, que até então dizia que não ia esquiar, foi a a melhor no controle dos esquis. O segundo desafio foi o ski lift, em que nas primeiras vezes utilizamos o infantil. Mesmo assim eu caí na primeira e então o Ola decidiu me dar uma “carona” e eu fui junto com ele.

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Depois disso eu praticamente desisti do esqui e fiquei jogada na neve. O trio Marcos, Renato e Gaby deslizavam montanha abaixo me causando uma inveja incontrolável. A pior parte eram as crianças de 4 anos olhando curiosas para mim caída na neve, enquanto eu soltava um sorriso amarelo. O Roger me acompanhava no ranking sendo o segundo pior.

Eu acabei me entregando a cerveja e fiquei mofando num bar, enquanto o restante se esbaldava no novo esporte. A minha frustração era uma das maiores sentidas na vida. Eu queria chorar, afinal eu estava tão empolgada e não tinha conseguido, uma vez sequer, ficar em pé sozinha nos esquis.

No segundo dia eu tentei inventar uma desculpa para não esquiar. Enquanto todos saíram saltitantes e já almejando a montanha maior, eu queria meu dinheiro de volta. Depois do almoço segui com a Gaby rumo à estação e nos deparamos com o Roger assim que chegamos totalmente quebrado, após um tombo surreal. Rolou um pequeno alívio, porque enquanto a Gaby foi para a pista, eu decidi ser solidária e acompanhar o Roger ao bar, mas logo a Gaby tomou o maior tombo que eu tinha visto até então, o que rendeu a ela algo em torno de 1h sentada no meio da pista. Apesar da minha preocupação em saber o que tinha rolado, eu não tive coragem de ir até ela e voltei para a minha ideia inicial de tomar cerveja.

Nada grave rolou com a Gaby, enquanto com o Renato a situação era outra. Eles tinham subido na montanha maior e ele, já todo soltinho e confiante, acabou espatifando e torcendo o pé, porque o esqui não soltou. Resultado: game is over. Logo uma bola surgiu no pé e ele mal conseguiu calçar a bota para caminhar até o carro. Na volta para casa, eu resolvi ir para o estacionamento esquiando, já que não tinha nenhum declive. Fui sendo puxada pelo Ola, como as crianças são geralmente puxadas pelos pais.

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Hoje acordei um pouco mais animada, enquanto o Renato assumia que era hora de aposentar as botas. A minha decisão era fazer uma aula e vencer meu pavor de soltar meu corpo e ter domínio sobre ele. O início foi bom, o Ola me deu algumas aulas, eu tomei vários tombos, mas finalmente aprendi a me levantar sozinha. Também comemorei ao subir sozinha duas vezes no ski lift de adulto e encarar uma descida mais assustadora (para mim).

A Gaby foi o grande orgulho da turma, pois controlava bem a velocidade, deslizava suavemente pela neve, mas mesmo assim resolveu me acompanhar numa aula para me animar. Fizemos a aula e senti um pequeno avanço, pois finalmente consegui deslizar pela montanha sem me apoiar em alguém. Claro que isso não me poupou de tombos, mas o fato de ter aprendido a me levantar me ajudou a encarar melhor as quedas. O grande mico foi num dos ski lifts que eu espatifei em frente a uma grande fila logo após pegá-lo.

Terminei a aula bem feliz, pois finalmente eu conseguia controlar melhor minha velocidade e passear sem ajuda de ninguém. Ainda tenho medo de encarar descidas mais difíceis, em que sei que controlar a velocidade é para mim algo tão simples. O Roger foi outro que melhorou consideravelmente no snow board, inclusive descobriu que a prancha dele estava montada ao contrário, o que triplicou a dificuldade dele. De qualquer forma eu não concordo com pessoas que falam que snow board é mais fácil que esqui.

Esquiar é mais difícil do que imaginei, mas percebi que essa dificuldade varia demais de pessoa para pessoa. Eu me dei conta de que sou mais medrosa do que imaginei ao mesmo tempo que encaro como desafio e a queda não me desanima. É meio assustador até, porém agora vem aquela vontade de treinar até poder subir ao topo e descer deslizando sem beijar o chão uma vez sequer. Talvez não seja dessa vez, mas o pouco que consegui, me mostrou que esquiar é uma das coisas mais legais que fiz e já me faz pensar no próximo inverno para melhorar a minha performance.

É necessário muita paciência, mas a sensação vale a pena, que é a LIBERDADE que eu falei no meu último post. Enquanto se desliza você tem a sensação que vai voar e que pode, nesse momento, abraçar o mundo.

Indico a todos que nunca pensaram no assunto.

E obrigada ao Ola que, pacientemente, deu uma grande força a todos e se empolga tanto quanto nós a cada melhora que fazemos.

Escandinávia em duas estações diferentes

quarta-feira, fevereiro 10th, 2010

Quando planejamos férias e temos apenas uma grande oportunidade por ano, buscamos por lugares novos pelos quais ainda não passamos. Eu sempre fui assim, inclusive tinha um plano por 5 anos, que ia além da Europa e América, mas ainda não consegui sair desses dois continentes.

Nas minhas férias do ano passado eu vim passar o verão na Suécia com direito a uma esticada até a Noruega e Paris, que é a melhor conexão para chegar na Escandinávia e me faz separar uma semana para a capital francesa. Durante essas férias eu fui a uma estação de esqui pela primeira vez na vida, em Trysil, Noruega, porém era verão e o máximo que consegui foi contemplar a paisagem e sonhar com ela no inverno. Voltei ao Brasil decidida que voltaríamos para esquiar, num lugar que está totalmente fora da rota de esqui de qualquer pessoa que esteja em algum canto do mundo que não seja na Escandinávia.

Cá estou com o sol batendo na minha cara através da janela, que tem neve até a metade. A temperatura marca -9ºC lá fora, mas aqui dentro nos aquecemos com mais de 20 graus graças a um bom aquecimento. Hoje podemos diferenciar o que é céu e o que é montanha, enquanto ontem tudo parecia se condensar, já que o branco tomava conta tanto da terra quanto do céu.

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A nossa viagem começou em Gotemburgo, que para quem não conhece, é a segunda maior cidade sueca, mas para nós ela é menor que Campinas, com pouco menos que 1 milhão de habitantes. A cidade esbanja charme no verão e no inverno, mas mostra faces diferentes. Eu mal reconheci a cidade em que estive há 8 meses atrás. As ruas são movimentadas mesmo no inverno o que me chamou a atenção foi a quantidade de carrinhos de bebês indo e vindo por todos os cantos.

O Centro é um dos melhores lugares para ficar e 2 dias são mais que suficientes para conhecer a cidade. Do aeroporto o melhor é pegar o ônibus que vai até a cidade caso estejam em até duas pessoas, se o grupo for maior, vale rachar um táxi. A corrida custa em torno de R$ 100,00, enquanto de ônibus custa R$ 20,00/pessoa. Quanto a hospedagem, recomendo o Hotel Flora, que tem uma ótima localização e é bem charmoso. O preço é bem acessível: a diária para casal gira em torno de R$ 250,00, incluindo café da manhã, ou seja, mesmo preço que um hotel 3 estrelas em SP.

Para os amantes de design, a cidade é uma ótima pedida, pois há lojas e mais lojas e a Suécia é um dos países que oferece o melhor do design no mundo. Para presentinhos a Design Torget é uma das melhores alternativas, pois tem muitos objetos curiosos e coisinhas para casa que você olha e se pergunta porque ninguém pensou naquilo antes. Os preços são bem acessíveis.  Outra loja indispensável é a Engelska Tapetmagasinet, que tem um acervo incrível de papel de parede e dá vontade de encher o carrinho de rolos e mais rolos, pena que os preços não são tão atrativos, como em Buenos Aires, por exemplo. De qualquer forma ainda são melhores que no Brasil, onde papel de parede custa uma fortuna.

Para quem está atrás de cultura, a cidade oferece também boas opções. Uma delas é o Museum of World Culture, que tem sempre mostras temporárias de arte contemporânea, além de abrigar performances, teatro e mostras de filmes. Agora por exemplo, o museu está com uma mostra de cinema Bollywood. A boa é que a entrada é gratuita. A arquitetura do museu também é magnífica e assinada pelos arquitetos Cécile Brisac and Edgar Gonzales.

Gotemburgo é também um paraíso gastronômico, mas com preços salgados. Para quem quer experimentar a comida típica sueca, recomendo separar uma hora para almoçar no “mercadão“, que fica no Centro, o Östermalms Saluhall. O almoço concorrido é no Kåges Hörna, que tem um preço bem convidativo, mas nada de conforto. A comida é bem típica e servida no balcão, o preço do prato do dia é em torno de R$ 20,00 por um almoço bem servido.

Um dos melhores cafés da cidade é no Da Matteo, que tem duas lojas, uma menor que serve cafés e beliscos, na Södra larmgatan 14, 411 16, e a outra que serve comidinhas e uma deliciosa pizza, na Vallgatan 5, 411 16. E o público que frequenta o local é uma atração a parte.

O transporte é eficiente, mas não muito barato. Para passes de tram individuais, o preço é de 25 coroas suecas por viagem, ou seja, aproximadamente R$ 7,00 e nunca são comprados no próprio tram. Caso não seja inverno, sugiro um passeio de barco pelo canal principal que corta toda a cidade. Infelizmente no inverno ele congela completamente (como tudo por aqui).

Caso o interesse seja Estocolmo, mas haja um tempinho de sobra, eu recomendo passar por Gotemburgo. Para mais informações acesse o site oficial e o I love Goteborg.

A diferença maior entre as duas estações (verão e inverno) foi em Ljungskile, que fica no litoral a 50km de Gotemburgo e onde mora a família do Ola (aka meu namorado). É um vilarejo com cerca de 4.000 habitantes e com uma paisagem de tirar o fôlego. Fiquei numa casa que fica incrustada numa pedra de frente para o mar com uma ilha bem em frente.

Casa do Ola - foto tirada by Rseefo do mar

Casa do Ola - foto tirada by Rseefo do mar

No verão o lugar é ótimo para velejar, no inverno o mar congela totalmente e vira uma área de pesca, em que os moradores fazem buracos no gelo e ficam pacientemente esperando um peixe fisgar sua isca. Nesse inverno a neve chegou a 30cm e cerca de 1m de gelo. A paisagem é inóspita e não tem como não achar curioso estar caminhando sobre o mar, ir e voltar de uma ilha para outra andando, puxando um banquinho e treinando a paciência com a pesca e até passeando com os cachorros. Olha abaixo a foto que eu tirei no verão e a que tirei no último final de semana, no ápice do inverno:

no verao

no verao

no inverno

no inverno

Gosto bastante dessa mudança mais marcante, em que os lugares se transformam em cada estação do ano. A Suécia é um dos lugares mais lindos que já visitei. A natureza é abundante e tudo é muito bem cuidado. O inverno restringe a ida a alguns lugares, que se recolhem no frio e não há muito o que fazer.

Depois da Suécia seguimos para Trysil, na Noruega, onde fica a maior estação de esqui da Escandinávia e recebe turistas suecos, noruegueses e dinamarqueses, que são considerados por aqui os piores esquiadores do norte. Viajamos via Oslo e a vista é bem repetitiva, pois são grandes campos brancos com pinheiros altos cobertos de neve. Não tem como não fica embasbacada com os grandes rios completamente congelados.

Trysil by Ola Matsson

Trysil by Ola Matsson

Trysil foi a região mais branca em que chegamos. Num dia fechado o céu se confunde com as montanhas. É um pouco surreal, pois você não sabe onde termina a montanha e começa o céu. As casas tem neve até a metade delas pelo menos. A vista da nossa casa é de frente para uma das montanhas e não há como não se emocionar com ela. O silêncio é puro aconchego e a roupa adequada nos aquece no meio da temperatura baixíssima fazendo com que a gente role na neve sem qualquer problema.

eu fantasiada de esquiadora

eu fantasiada de esquiadora

Os preços na Noruega são exorbitantes. Numa estação de esqui eles dobram. O copo de 500ml de cerveja custa num bar no mínimo o equivalente a R$ 20,00. Converter é algo proibido caso queira diversão. Uma semana de aluguel de equipamento completo e acesso as estações somam mais ou menos R$ 1.000, além de gastos com comida, viagem e hospedagem caso não tenha onde ficar.

Nos lugares que fomos as pessoas estranham bastante o fato de sermos brasileiros e vir esquiar por aqui, pois a Escandinávia não está listada nos melhores lugares para se esquiar no mundo.

Essa é a primeira vez que eu me aventuro no esqui e confesso, não nasci para ele. Mal consigo me equilibrar nos esquis e passo a maior parte do tempo tentando levantar do chão, pois mais caio do que fico em pé. Do grupo de 6 eu fui o grande desastre da turma e por enquanto não consegui ultrapassar o espaço onde as crianças treinam suas primeiras esquiadas. Porém a sensação de esquiar (no pouco que eu consegui) é de uma liberdade inacreditável e é o que me faz encarar o esporte novamente. Vale a penca cada queda, cada centavinho, cada mico.

Vir para uma estação de esqui é alternar o tempo entre esquiar e ficar em casa sem fazer nada, o que é muito bom, já que pouquíssimas vezes temos oportunidade de não fazer nada. Mal ligamos os computadores e nem mesmo os livros. Apenas nos entregamos às nossas taças de vinhos e muita conversa, sempre com nosso cartão-postal como contemplação.

nossa paisagem diária vista pela janela da sala

nossa paisagem diária vista pela janela da sala

A dica que dou aos iniciantes como eu que desejam se aventurar a tal arte, é que dêem um jeito no condicionamento físico antes, pois isso ajuda bastante, especialmente a se levantar de cada queda. Aos que nunca pensaram no assunto, eu sugiro colocar na lista de coisas para se fazer antes de morrer, pois a sensação é realmente inacreditável.

*eu dedico esse post à saudosa Marisa (in memorian) pela Suécia ter sido um dos seus cantos favoritos no mundo e ela sempre se mais faz presente quando estou por aqui, inclusive nos meus sonhos