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Dia Internacional da Mulher: uma homenagem a uma grande mulher

segunda-feira, março 8th, 2010

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Faz exatamente 100 anos que foi criado o “Dia Internacional das Mulheres”. Coincidentemente li uma das entrevistas mais incríveis dos últimos tempos na última Another Magazine, feita com a atriz alemã Luise Rainer, que completou 100 anos no último dia 12 de Janeiro.

A atriz ganhou 2 Oscars e a única que ganhou o prêmio nos anos 30 e ainda está viva. Ela começou sua carreira aos 16 anos no teatro com ninguém menos que Max Reinhardt. Aos 25 anos ela foi descoberta pela MGM e se mudou para os Estados Unidos. Fez filmes até os anos 50 e depois só voltaria à tela para aparições nos anos 80 em séries de TV. Retornou ao cinema em “The Glamber“, de Dostoyevsky, em 1997.

A entrevista foi feita pelo crítico Hans Ulrich Obrist, me emocionou e fez eu colocá-la no topo da lista das pessoas que se eu pudesse convidar para um café, seria ela. Como bem definiu o Hans, a entrevista foi um testemunho de um século e não sobre nostalgia, em que ele resume que “o futuro é sempre feito de fragmentos tirados do passado”.

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Luise é uma mulher divertidíssima, perpicaz e com uma memória fantástica. A entrevista se tornou uma conversa deliciosa, em que Luise também faz várias perguntas ao Hans. Obviamente para quem viveu por tanto tempo, ela tem histórias fantásticas e a maioria envolvendo grandes nomes do teatro e cinema.

Eu sou muito fã de Brecht e não sabia, mas foi ela quem o ajudou a ir para a América, que em agradecimento ofereceu escrever uma peça para ela. Como ele estava duro na época e ela estava prestes a viajar, ela pediu para o seu agente paga-lo para escrever a peça. Ela acabou tendo vários problemas nesse meio tempo. Pegou malária na África, depois foi para a Itália e quando retornou à NY, seu agente a procurou desesperado, pois pagava Brecht  semanalmente pela peça, porém havia passado bastante tempo e ele não entregou uma página sequer. Ela foi atrás do Brecht para cobrar a peça e ele enviou 2 páginas apenas. Depois de uma bela canseira, de ter reclamado que o que ele enviou não era nada, acabou desistindo e disse para ele fazer o que quisesse com a peça, que virou “O círculo do giz caucasiano”, que ele levou 2 anos para concluir.

Luise também trabalhou com Pirandello, mas a melhor história é com Fellini, que a convidou para atuar em La Dolce Vita, porém ela não quis pela forma como ele trabalhava, filmando esporadicamente. Ele não aceitou a resposta e a bombardeou com telegramas e depois a levou para Roma para conversar mais a respeito. Ela acabou aceitando com a condição de que ela escreveria sua cena e ele topou, que seria sobre o relacionamento de Marcello com uma velha escritora que vivia em uma torre. No final a cena foi feita, mas os dois tiveram tantos problemas, que a cena foi cortada.

Depois discorre sobre o filme “The Good Earth“, que lhe rendeu o segundo Oscar de sua carreira.

Hans termina a entrevista perguntando se ela tem correspondências de todas essas pessoas que ela conheceu e conviveu. Ela responde que não tem nenhum arquivo organizado. O que ela tem são pequenas notas de lembranças que ela tem e encerra dizendo que tem muitas coisas em particular e que não estava brincando quando disse que toda a sua vida era amor, mas que consequentemente tinha também uma dose de tristeza. Ela estava vivendo como todo mundo. A vida não é a mesma para cada um, pois depende do quanto você é sensível, observador e como as pessoas que entram na sua vida podem tocá-lo. A vida é enorme e ela sempre tem respirado em várias direções.

E minha homenagem nesse dia vai especialmente a ela, que é uma grande mulher com uma história de vida incrível. E abaixo uma cena de Luise Rainer atuando em “The Great Zigfield“, em que ela ganhou seu primeiro Oscar:

Para quem curte assistir filme online

sábado, janeiro 2nd, 2010

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Acabei de conhecer o “Criterion”, que tem uma vasta coleção de filmes dividido por categorias: filmes cults, francês, italianos, novo cinema alemão, documentários, noir, japonês, etc. Dá uma conferida nos diretores clássicos com filmes disponíveis no site: Renoir, Godard, Kurosawa, Cocteau, Fellini, Bergman, Tarkovsky, Hitchcock, Fuller, Lean, Kubrick, Lang, Sturges, Dreyer, Eisenstein, Ozu, Sirk, Buñuel, Powell e Pressburger.

A Criterion disponibiliza filmes para vendas em dvd e blu-ray, além de também ser possível pagar apenas para assisti-lo online com alta definição. A parte bacana é que qualquer locação custa US$ 5 e o filme pode ser assistido no decorrer de uma semana, quantas vezes quiser. No período de um ano, cada US$ 5 gastos com filmes online, são transformado em créditos para compras dos filmes.

Para os cinéfilos de carteirinha, a cinemateca online é um bom lugar para se esbaldar, pois opções não faltam.

A parte ruim é que o Criterion ainda não está disponível no Brasil. Poderiam pelo menos disponibilizar para versão online, não?

Uma homenagem ao Henry Miller

segunda-feira, agosto 17th, 2009

Incrível essa versão do livro “Trópico de Câncer“, do Henry Miller, feita por Luther Blisset com uma colagem de cenas de filmes de Antonioni, Truffaut, Fellini, Anthony Quinn. Chega a emocionar:

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