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O primeiro vídeo a gente nunca esquece

quarta-feira, fevereiro 17th, 2010

Rendi-me aos apelos da Ana Laura e comprei uma filmadora. Não filmei o suficiente das minhas férias, mas consegui produzir meu primeiro vídeo (tosco) com alguns dos melhores momentos. Como faltaram alguns, eu roubei no jogo e coloquei fotos, o que fez o vídeo ficar mais tosquinho, mas como o primeiro vídeo a gente nunca esquece, eu estou aqui me derretendo com minha primeira produção.

Aproveito para desejar PARABENS para a Gaby Hunnicutt, que viajou comigo e agora está em Lisboa com o restante do grupo comemorando seu novo ano. Por aqui brindamos por ela e desejamos o melhor, afinal a moça merece.

Entre os melhores momentos do vídeo, não há como negar que a parte 2:29 é a melhor, mas virou piada interna. Nesse momento temos o Marcos com as pernocas cruzadas com medo de se soltar, a Gaby, Renato e o Roger no chão. Eu estou filmando e também congelada com medo de soltar o corpicho e deslizar na neve, que como já sabem pelos posts anteriores, foi um desastre.

A trilha sonora é  Wouldn’t It Be Nice (The Girls Can Hear Us Remix), do Beach Boys:

Estreando no esqui

quinta-feira, fevereiro 11th, 2010

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Desde que comecei a ter vontade própria e fazer meus próprios roteiros, eu nem sequer cogitei viagens que envolvessem esqui, afinal eu fui um desastre na patinação na minha adolescência. Ter um namorado que cresceu em meio a neve foi pedir para encarar seu maior medo.

Como falei no meu post anterior, em junho eu decidi que viria para a Europa em pleno ápice do inverno e enfrentaria uma montanha de esqui. Alternei nos meses que antecederam minha viagem entre ansiedade, medo, vontade e desânimo. Um mês após ter decidido que eu tiraria férias para esquiar e ter convencido mais 4 amigos a nos acompanhar. Dos 4 apenas uma, a Gaby, bateu o pé que não se arriscaria e ficaria em casa colocando a leitura em dia. Os demais só falavam sobre o assunto cada vez que nos encontrávamos.

O tempo voou e cá estamos. O primeiro dia rolou uma expectativa inacreditável. Acordamos às 8h da manhã com o dia um pouco nublado, em que o céu e as montanhas se uniam transformando-se em uma coisa única. A temperatura era -9ºC. Tomamos um super café e seguimos para a estação. A Gaby decidiu que encararia a empreitada com a gente.

Confesso que ter um profissional, o Ola no caso, a tiracolo ajuda bastante. O primeiro choque veio ao experimentar a bota de esqui, que causa uma sensação bizarra de desconforto. Eu tinha a sensação de ter 5 quilos em cada pé. Pedi para experimentar uma maior, mas o Ola me convenceu que a bota tem que ficar bem justa. Com exceção do Roger, que optou pelo snow board, os demais seguiram para a próxima etapa para pegar os esquis, andando como um bando de patos.

minhas lindas botas

minhas lindas botas

A partir daí as coisas começaram a piorar. Andar já não era uma tarefa fácil, mas seguimos animados para comprar nossos passes para a semana. Depois fomos para a pista. Quando chegamos lá o desafio foi encaixar nossas botas nos esquis. Eu, que mal conseguia ficar em pé, entrei em desespero e tremia descontrolavelmente, enquanto tinha a sensação que meus amigos sorriam de orelha a orelha mal esperando pela primeira deslizada na neve.

Não foi tão simples. Todos, sem exceção, espatifaram na primeira investida. O Ola, que provavelmente ria por dentro, foi o mais paciente e tentou ajudar todos. Eu fiquei uns 5 minutos caída na neve, pois simplesmente não conseguia me levantar. Aos poucos eles foram se sentindo mais confortáveis, com exceção de mim e o Roger (o do snow board), que mal conseguiam parar em pé. A cada queda minha, eu tinha que esperar o Ola me alcançar e me levantar.

Os demais se arriscavam mais, enquanto eu soltava gritos histéricos cada vez que eu tentava qualquer movimento. A Gaby, que até então dizia que não ia esquiar, foi a a melhor no controle dos esquis. O segundo desafio foi o ski lift, em que nas primeiras vezes utilizamos o infantil. Mesmo assim eu caí na primeira e então o Ola decidiu me dar uma “carona” e eu fui junto com ele.

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Depois disso eu praticamente desisti do esqui e fiquei jogada na neve. O trio Marcos, Renato e Gaby deslizavam montanha abaixo me causando uma inveja incontrolável. A pior parte eram as crianças de 4 anos olhando curiosas para mim caída na neve, enquanto eu soltava um sorriso amarelo. O Roger me acompanhava no ranking sendo o segundo pior.

Eu acabei me entregando a cerveja e fiquei mofando num bar, enquanto o restante se esbaldava no novo esporte. A minha frustração era uma das maiores sentidas na vida. Eu queria chorar, afinal eu estava tão empolgada e não tinha conseguido, uma vez sequer, ficar em pé sozinha nos esquis.

No segundo dia eu tentei inventar uma desculpa para não esquiar. Enquanto todos saíram saltitantes e já almejando a montanha maior, eu queria meu dinheiro de volta. Depois do almoço segui com a Gaby rumo à estação e nos deparamos com o Roger assim que chegamos totalmente quebrado, após um tombo surreal. Rolou um pequeno alívio, porque enquanto a Gaby foi para a pista, eu decidi ser solidária e acompanhar o Roger ao bar, mas logo a Gaby tomou o maior tombo que eu tinha visto até então, o que rendeu a ela algo em torno de 1h sentada no meio da pista. Apesar da minha preocupação em saber o que tinha rolado, eu não tive coragem de ir até ela e voltei para a minha ideia inicial de tomar cerveja.

Nada grave rolou com a Gaby, enquanto com o Renato a situação era outra. Eles tinham subido na montanha maior e ele, já todo soltinho e confiante, acabou espatifando e torcendo o pé, porque o esqui não soltou. Resultado: game is over. Logo uma bola surgiu no pé e ele mal conseguiu calçar a bota para caminhar até o carro. Na volta para casa, eu resolvi ir para o estacionamento esquiando, já que não tinha nenhum declive. Fui sendo puxada pelo Ola, como as crianças são geralmente puxadas pelos pais.

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Hoje acordei um pouco mais animada, enquanto o Renato assumia que era hora de aposentar as botas. A minha decisão era fazer uma aula e vencer meu pavor de soltar meu corpo e ter domínio sobre ele. O início foi bom, o Ola me deu algumas aulas, eu tomei vários tombos, mas finalmente aprendi a me levantar sozinha. Também comemorei ao subir sozinha duas vezes no ski lift de adulto e encarar uma descida mais assustadora (para mim).

A Gaby foi o grande orgulho da turma, pois controlava bem a velocidade, deslizava suavemente pela neve, mas mesmo assim resolveu me acompanhar numa aula para me animar. Fizemos a aula e senti um pequeno avanço, pois finalmente consegui deslizar pela montanha sem me apoiar em alguém. Claro que isso não me poupou de tombos, mas o fato de ter aprendido a me levantar me ajudou a encarar melhor as quedas. O grande mico foi num dos ski lifts que eu espatifei em frente a uma grande fila logo após pegá-lo.

Terminei a aula bem feliz, pois finalmente eu conseguia controlar melhor minha velocidade e passear sem ajuda de ninguém. Ainda tenho medo de encarar descidas mais difíceis, em que sei que controlar a velocidade é para mim algo tão simples. O Roger foi outro que melhorou consideravelmente no snow board, inclusive descobriu que a prancha dele estava montada ao contrário, o que triplicou a dificuldade dele. De qualquer forma eu não concordo com pessoas que falam que snow board é mais fácil que esqui.

Esquiar é mais difícil do que imaginei, mas percebi que essa dificuldade varia demais de pessoa para pessoa. Eu me dei conta de que sou mais medrosa do que imaginei ao mesmo tempo que encaro como desafio e a queda não me desanima. É meio assustador até, porém agora vem aquela vontade de treinar até poder subir ao topo e descer deslizando sem beijar o chão uma vez sequer. Talvez não seja dessa vez, mas o pouco que consegui, me mostrou que esquiar é uma das coisas mais legais que fiz e já me faz pensar no próximo inverno para melhorar a minha performance.

É necessário muita paciência, mas a sensação vale a pena, que é a LIBERDADE que eu falei no meu último post. Enquanto se desliza você tem a sensação que vai voar e que pode, nesse momento, abraçar o mundo.

Indico a todos que nunca pensaram no assunto.

E obrigada ao Ola que, pacientemente, deu uma grande força a todos e se empolga tanto quanto nós a cada melhora que fazemos.