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R.E.M. ao vivo em São Paulo. Pronto, acabou.

terça-feira, novembro 11th, 2008

O negócio é o seguinte: R.E.M. é “a” banda e R.E.M. faz “o” show. E não tem pra mais ninguém.

Todos os shows que eu vi essa últimas semans na temporada de festivais que tem por aqui, todos, de verdade, eu trocaria por um único show do R.E.M.

Michael Stipe canta como se fosse o show mais feliz da vida dele. Mesmo num via funchal ridiculamente quente, e ele de terno e gravata o tempo inteiro, mostrando que nada o incomodava. Ele até comentou que “isso aqui tá muito HOT. São Paulo é muito HOT”, mas isso depois de 1 hora e meia de show impecável.

Na primeira música, “Liveing Well Is The Best Revenge”, o som do lugar tava pésimo e eu fiquei com medo. Mas já em “I Took Your Name” tudo ficou lindo. A banda é perfeita, o público que lotou o lugar cantava tudo, público que foi pra ver o show mesmo, sabe?

Por quase duas horas os caras mostraram como uma reputação construída em mais de 20 anos de carreira faz valer em 2 horas de puro êxtase.

Eu tinha certeza que minha música preferida do R.E.M. era “Drive”, tanto que fiz um video dela inteira, mesmo tremendo e chorando (de verdade, não quando a gente vai num show bacana e diz que chorou. dessa vez eu chorei mesmo, ficava arrepiado). Veja o vídeo a seguir:

Daí, os caras tocaram “Ignoreland”, “Imitation of Life”, “Everybody Hurts”, “The One I Love”, “Orange Crush” e eu não tive mais certeza de nada. Qual era, depois de todas essas, a minha música preferida do R.E.M. Isso sem falar em “Loosing My Religion”, “It’s The End Of The World (As We Know It)”, “Man On The Moon”. Fora todas as músicas mais novas e as mais antigas, como a antigona “(Dont Go Back To) Rockville, cantada pelo baixista Mike de chapéu de cowboy e camiseta da seleção brasileira, com Stipe de backing vocal.

Stipe falou do Obama, claro, e de como ele tá animado pra voltar pra casa nessa nova era e tal. Disse que a primeira vez que veio a São Paulo foi 18 anos atrás, que quando viu do avisão o tamanho da cidade pensou em “Electrolite”, que originalmente foi escrita para Los Angeles mas disse que servia muito pra São Paulo. Foi lindo!

Quero mais sempre.

E aqui o set list do show de ontem:

Living Well is the Best Revenge
I Took Your Name
What’s the Frequency, Kenneth?
Fall on Me
Drive
Man-Sized Wreath
Ignoreland
Hollow Man
Imitation of Life
Electrolite
The Great Beyond
Everybody Hurts
She Just Wants To Be
The One I Love
Sweetness Follows
Let Me In
Bad Day
Horse To Water
Orange Crush
It’s The End of The World As We Know It (And I Feel Fine)

Encore:
Supernatural Superserious
Losing My Religion
Animal
(Don’t Go Back To) Rockville
Man on the Moon

(percebam, 5 músicas no bis!!!)

TIM Festival, do divino ao descartável.

domingo, outubro 26th, 2008

Eu ia fazer um post rápido escrevendo só uma frase que seria mais ou menos um pedido aos organizadores do TIM Festival que ano que vem, ao invés de trazerem um Kanye West da vida, pra eles pegarem o tal cachê de milhões de dólares (e isso não é uma metáfora, é a realidade, ao que consta) e dividirem essa dinheirama toda em vários shows de bandas como The National.

Num festival em que um rapper mauricinho que se acha “a estrela mais brilhante do universo” e que faz um show que parece um musical infanto-juvenil baseado tanto em 2001 como na Xuxa, dirigido por alguém do nível do Hans Doner cobrando por um lixo desses o que cobra.  Ainda por isso a organização cobra vergonhosos R$ 250,00 de entrada fazendo com que um público minguado assistisse a palhaçada espacial do Kanye, não dava pra esperar mais nada o resto dos dias. E esse foi o primeiro deles. O show é tão meia boca que o telão poderoso falhou várias vezes durante a apresentação e em vários momentos o Kanye tinha que se virar pra alguém que estava no canto do palco, na mesa de controle do elevador que tinha no meio do palco e pedia pra baixar a tal plataforma ou subí-la e insistia, quebrando qualquer possível clima que ele vinha tentando criar durante sua apresentação. Na minha opinião, o único momento bom do show foi a música Gold Diger, que nada a ver com o tema futurista, pareceu um oásis no meio de um deserto (marciano?) de lixo pseudo-cabeça-espacial.

O bom é que no outro dia, na quinta feira, teve Neon Neon e Klaxons, duas bandas que mostraram que num festival decente com mais gente tocando e não com atrações diluídas em vários dias pra poder cobrar uma entrada abusiva por dia, o TIM seria muito relevante, como vai ser com certeza o Haagen Dasz Mix Music e o Planeta Terra.

Neon Neon mostrou que a mistura do indie com a eletrônica é super pertinente e funciona muito bem e surpreendeu os incautos presentes que não pararam de dançar com a banda de abertura. E o melhor, a atração principal Klaxons, uma banda porrada que faz o real disco-punk, não parava de falar do Neon Neon e elogiar e dedicar música, isso pra dar idéia da relevância de uma Gruff Rhys do Super Furry Animals no cenário da música atual. Klaxons quebrou tudo, não deixou ninguém parado e a ótima banda ao vivo parecia melhor ainda que suas músicas gravadas. Foi surpreendente ver os caras não deixando pedra sobre pedra.

Eu perdi a sexta feira, o Gogol, Yoda, Dan Deacon e afins, me arrependi, mas paciência, minha sexta foi um cu mesmo!

Mas sábado, ah, sábdo. The National mostrou que eu estava certo em esperar tanto esse show e estava mais certo ainda por ter passado horas e horas e mais horas esse ano ouvindo tanto seu álbum Boxer. “I know I dreamed about, for 29 years before I saw you”. Uma banda com uma letra dessas numa música não é qualquer coisa, gente. Que banda, que músicos, que engenheiro de som fudido que equalizou o som perfeitamente durante o show, deixando com que todos nós tivéssemos a oportunidade de nos deliciarmos com canções perfeitas tocadas e interpretadas mais perfeitamente ainda. Eu confesso que em dois momentos eu chorei durante o show de alegria e de emoção: Matt Berninger, o vocalista, é o tipo de cara que durante uma canção morre e faz com que morramos juntos. Fazia tempos que eu não via um show de rock que me pegasse não só pelas entranhas, mas também pelo cérebro e pelo coração. Geralmente essas coisas de dissociam num show de rock, que pra mim é o melhor de música ao vivo que existe. Eu pirei com Muse uns meses atrás ao vivo, mas The National, ai ai ai , me lembrou os shows do Nick Cave, do Jesus And Mary Chain, do Radiohead no lançamento do OK Computer. Foi o show do ano pra mim.

E depois veio a farsa MGMT. O que me irrita em bandas hoje em dia é essa necessidade de se mostrarem roqueiras, com influências do heavy metal, nesse caso do Led Zeppelin. Bom, geralmetne essas bandinhas aparecidas são umas farsas e o MGMT não é exceção. Bandinha que começou com uma pegada psicodélica, hippie porcaria e que agora resolveu que o leggal é fazer show e vem tentando ao vivo. Eles deviam ensaiar uns 2 anos e em 2010 saírem em turnê. Alguém por favor avisa pra eles que deixar o som super alto não atenua a falta de talento? Com 3 músicas boas, um show de 1 hora é um saco, constrangedor.

Conclusão? Só por terem trazido The National eu tiro meu chapéu pro TIM, via-se que era uma banda perdida no tipo de festival que fizeram. Mas, por favor, repensem ano que vem, façam direito, espelhem-se em quem tem feito certo.

(foto by HelenaN)