Planeta Terra: saldo
quarta-feira, novembro 24th, 2010O festival Planeta Terra chegou na sua 4ª edição e se consagra como um dos melhores festivais brasileiros de música. Line-up, estrutura, local e organização impecáveis a preço acessível. Público estimado: 20.000 pessoas.
Cheguei no Planeta Terra às 18h, depois de largar o carro no estacionamento vip e seguir numa van para o Playcenter. Até esse momento posso dizer que a organização estava impecável e ágil. A entrada também aconteceu sem problemas, o parque já estava com um tráfego intenso de pessoas e a tarde se encerrava nos presenteando com um belo por do sol.
Seguimos para o show do Holger, que fez um show empolgante com muita gente cantando junto e pulando. Eles falaram bastante, agradecerem infinitamente o convite para tocarem no festival, fizeram brincadeiras. Enfim, percebia-se claramente a emoção da banda em estar ali (também pudera).
Aproveitei para experimentar a montanha russa ao lado, enquanto assistia ao show. De cara encontrei muitos amigos na fila. Lá fomos nós para nosso primeiro momento de adrenalina, deslizar pelos frenéticos trilhos da montanha. Emoção, pernas bambas, rosto pálido, foi assim que eu, Ola, Caio e a Anny saímos do nosso carrinho e iniciamos nossa presença no Planeta Terra. Voamos para o main stage (festival é sempre correria, o fato de “ter que escolher” é com certeza o charme de qualquer festival).
O show do Of Montreal começou pontualmente às 19h. A banda tinha declarado que esse foi o maior palco em que já tocaram na vida, mas fizeram bom uso do espaço. Admiro artistas que são do tamanho (ou maiores) que o palco, independente do tamanho deles. Fizeram um show decente, animado e com direito a performances (que eu fiquei com inveja e queria fazer parte). Esse show marcou a final da turnê em que estão há um bom tempo.
Eu nunca tinha visto ao vivo e ao assisti-los, concluí “se Empire of the Sun” fosse bom, seria o “Of Montreal”. Confesso: a única atração que fiz careta ao conferir o line-up, foi o “Empire of the Sun”, que eu gostava até conferi-los ai vivo há alguns meses atrás e senti vergonha alheia.
A partir daí me dei conta de que me concentraria no Main Stage, pois no Indie Stage eu queria mesmo era ver Passion Pit e rever Girl Talk. Como já tinha conferido Yeasayer 2 vezes, resolvi ver Mika do começo ao fim. Assim como a maioria, eu me surpreendi. Achei o Mika O cara. O show foi divertidíssimo, a performance dele no palco é impecável. Tocou por uma hora e meia como se não houvesse amanhã, entoando seus hits animados e dançantes como Take it Easy, Grace Kelly, We are Golden e Relax, surpreendendo o público com sua simpatia, fazendo a mulherada delirar (só via tweet “mika, quero casar com você”).
Eu ouso dizer que o Mika fez a melhor apresentação do festival, pois surpreendeu a todos com uma produção impecável. Parabéns Mika, virei fã!!!!
Claro que a maior expectativa estava no Phoenix. Eu vi duas vezes e acho que os caras são realmente bons ao vivo, mas o show não é dos mais empolgantes. É show calminho, pra ver coladinho, mas não decepcionam mesmo (ao contrário). Teve gente que não gostou. Eu me empolguei a ponto de perder Passion Pit, que nunca vi ao vivo (me arrependi um cadinho). Fiquei por lá, curtindo, dançando, cantando. Parte do público debandou para o outro palco, perdendo a segunda parte, que foi muito mais animada, com direito ao Mars se jogar no meio da galera e ser carregado por boa parte da platéia, levando todos ao delírio (eu queria ter encostado um tiquinho pelo menos).
Phoenix – Lisztomania @ Planeta Terra 2010 from Ola Persson on Vimeo.
Acabei fugindo e pegando uma parte do Hot Chip, que apesar de gostar bastante do trabalho deles, nunca me empolgaram ao vivo, mas dessa vez não teve jeito: Over and Over, One Life Stand e Ready for the Floor fizeram eu me animar e dançar feliz. O som estava bom, a platéia animadíssima também, todo mundo cantando. Parecia uma baladona. Valeu a passada por lá.
Aí foi a vez de voltar para o Main Stage e conferir o Pavement, que eu estava bem curiosa. Gostei do começo, mas Stephen Malkmus não é das pessoas mais simpáticas. Fez um show pontual e bem feito, mas cumprindo seu papel. Claro que os hits como Gold Soundz, Silence Kid, Stereo e Cut Your Hair fizeram seus fãs saírem satisfeitos (pelo menos para mim foi bem ok).
E finalmente chegou a atração mais esperada: Smashing Pumpkins, que eu gosto bastante, mas como já tinha dito por aqui, andava meio de bode do Billy Corgan depois dele atacar o Pavement em seu twitter, ao saber que a banda abriria para eles.
Infelizmente e para a decepção de muitos, Smashing Pumpkins deixou a desejar e acabou entrando na lista dos shows mais chatos do festival. Achei que começaram bem, mas depois desandaram.
Não tive dúvidas, corri para um dos meus artistas favoritos do Planeta Terra: o Girl Talk!!! E não me decepcionou, ao contrário, continua na minha lista de melhores performances ao vivo. Ver os amigos pulando no palco e o Gregg pulando e tocando como um retardado, fechou a noite com chave de ouro. Encostei na grade e só saí quando o show se encerrou. Escolha perfeita: Girl Talk não decepciona nunca! Pena que boa parte do pessoal já tinha zarpado sem dar chance a esse show, que é imperdível. Quem não viu, senta e chora (com gosto, por favor), porque é para mim a melhor tradução de “felicidade”. Adoro show feliz, que faz eu pular, gritar, fechar os olhos e não querer nunca que o show acabe. Como definiu o próprio Terra, Girl Talk leva a selvageria ao palco e só fica parado quem não está lá. Eu conferi os seguranças remexendo os quadris. Ninguém segura esse homem e quem o assiste!!!!
O saldo final foi que o Planeta Terra fez a escolha certa do line-up. As bandas que acabaram não agradando, eram esperadíssimas e alguém tinha que trazer. Que venha a 5ª edição…. porque dessa eu não tenho nada a reclamar.
Epílogo: domingo às 2h20 da manhã eu fui puxada pelo Kevin Barnes (vocalista do Of Montreal) para ser sua bailarina, enquanto discotecava no Clube Glória, na festa BSide. Eu fui muito animada, até me dar conta de que a música que ele tocava era ruim de chorar. Como ele não queria parar de tocar e o público começava a debandar (ele é melhor vocalista do que dj), eu sugeri que tocaríamos juntos. Ele concordou animado, mas fiquei com medo dele emendar qualquer música que eu tocasse, com um heavy metal já pesado demais ao meu velho ouvido. Soltei “Beach Boys”, num remix lindo de morrer. Ele riu feliz e começou a dançar comigo. Quando a pista encheu novamente, ele sorriu e fugiu, finalmente deixando a pista para mim. Achei fofo da parte dele, que fui reencontrar horas depois sendo tirado do telhado do clube pelo segurança.




























