O que eu percebi na minha última viagem, é que nesse ano uma leva muito maior de brasileiros seguiu rumo à Europa através dos festivais de verão. Alguns dos principais já rolaram, mas a Suécia abriga alguns bem interessantes no eixo Gotemburgo-Estocolmo para quem ainda está decidindo como pegar carona nos festivais e ter um bom motivo para, finalmente, conhecer a Suécia, especialmente agora com os dias longuíssimos com cerca de 3h apenas de uma escuridão bem mais ou menos.
Aí vão 3 bons motivos para embarcar na Suécia em agosto, não só para quem gosta de música, mas também para quem é apaixonado por cultura em geral. De quebra ainda visita as duas cidades, que ainda está fora do circuito de turismo do brasileiro no geral.
O Way Out West acontece em Gotemburgo entre os dias 11 e 13 de agosto, reunindo grandes nomes da música que inclui pop, rock, hip-hop e eletrônica, como Prince, Kanye West, Pulp, Robyn, Fleet Foxes, Thåström, Explosions In The Sky, Janelle Monáe, James Blake, Santigold, Aloe Blacc. A programação acontece durante o dia e à noite, se estendendo aos clubes da cidade, teatros, museus, igrejas e parques. O passe para acesso a tudo custa em média R$ 350,00. Mais informações aqui (infelizmente já está quase tudo esgotado).
Na semana seguinte, entre os dias 16 e 21 de agosto, em Estocolmo, a grande pedida é o Festival da Cultura que rola na cidade. São cerca de 500 shows apresentados por cerca de 250 artistas, sendo que 99% da programação é gratuita, já que parte da programação acontece nas ruas e tem atraído anualmente cerca de 300.000 visitantes no período. O festival abrange jazz, opera, música clássica, pop, rock, soul, standup comedy, atividades para crianças, leituras, street art, fimes, artes, dança, etc. Clique para saber mais.
Para quem gosta de teatro, performances e dança, entre os dias 24 e 27 de agosto acontece o Stockholm Fring Festival, com artistas de mais de 40 países, que são escolhidos através de inscrições que são abertas para quem tiver o que mostrar. O valor é quase simbólico, R$ 65,00. Corra aqui para ver como funciona.
Na minha odisséia em torno do lançamento do Volvo V60, eu tive a sorte de ter sido convidada para ir até Gotemburgo conhecer a marca mais de perto.
Claro que pulei de alegria, pois é a cidade do Ola, então eu poderia dar uma esticadinha até lá para visitar a família dele, rever a Suécia depois de 6 meses e, quem sabe ainda carregar o namoradão pra lá. Acabou dando tudo certo. O Ola seguiu para o norte, enquanto eu dava uma flanada pela parte baixa (França & Itália), atrás de arte, ócio, vinho, comilança e, claro, para curtir o evento que me levou até a Europa, o lançamento do V60.
Cheguei às 23h55 da quinta-feira na Suécia. Ao contrário do calor italiano, Gotemburgo fez eu tirar o uniforme de inverno da mala. Encontrei o Ola, matamos as saudades e às 8h30 da matina, tomávamos um típico café da manhã sueco no Hotel Elite Plaza, onde ficamos a primeira noite.
Às 9h30 seguimos para Torslanda a bordo de um Volvo, claro. Jabá a parte, vamos ao que interessa, porque eu estava bem preocupada em como seria o meu dia enfiada numa fábrica de carros. Estava um pouco cansada, afinal quem disse que o ócio só nos faz relaxar? Mas surpresas vieram atrás de boas surpresas. Eu me senti uma criança acompanhada pelo pai visitando o local onde ele trabalha.
a chegada
Já lá dentro fomos levadas até o “meeting point”, que é de onde sai o trem que percorre toda a fábrica para que possamos contemplar como se produz um carro. No local tinha o novo Volvo S60 exposto e uma roda de americanos tricotando, olhando folhetos e esperando o trenzinho. Também tem uma loja. Para quem não sabe, a Volvo tem uma coleção de roupas, bolsas, cacarecos e até uma linha de esmalte (com cores horríveis)!!!!!
O passeio pela fábrica é aberto a qualquer um. No caso dos americanos, a história é mais interessante e acho que ela deveria valer também para o Brasil. Quem compra um Volvo 0km nos Estados Unidos, é levado para a Suécia para ver seu carro sair do forno.
Embarcamos no trenzinho e entramos na fábrica, que surpreende em números. Eu nunca tinha visto um carro ser fabricado e poucas vezes na vida eu entrei em uma fábrica. A fábrica da Volvo é repleta de robôs, mas infelizmente é proibido fotografa-la. Eu me senti no reino dos Transformers, pois são 900 robôs, muitos deles gigantes, com braços longos e movimentos similares aos nossos. Levanta o bracinho, encaixa uma peça, abaixa o bracinho, pega outra peça….
Fiquei maravilhada. Se um dia as máquinas se rebelarem e quiserem dominar o mundo, essa revolta pode começar por lá. Percorremos o processo completo da fabricação de um carro, em que pouco mais de 20% tem intervenção humana, e sempre nos detalhes. Outro dado interessante, é que 23% das pessoas que trabalham na fábrica são mulheres (e sim, todas loiras e bonitonas). Eu mal conseguia prestar atenção na guia, pois meus olhinhos saltavam diante das peças se encaixando, percorrendo os trilhos para seguir para outra fase de acabamento. Gostei também de uma área chamada “Wedding Point”, que é onde a parte de cima do carro se encaixa na parte debaixo. Nome perfeito!
Saí de lá empolgada. Tudo pareceu tão simples e rápido.
A próxima parada foi no Branding Experience Centre. Um guia com a cara do apresentador do American Idol nos conduziu para mostrar como se fabrica um carro seguro.
Primeiro assistimos um filme que apresenta a marca, conta rapidamente a história dela e aí seguimos para falar um pouco sobre sustentabilidade. Nessa área vemos os estudos que eles fazem relacionados a consumo e ao futuro do combustível, opções menos poluentes, com direito a teste no final da aulinha para ver se você prestou atenção. Claro que eu fui reprovada.
Para mim a parte mais interessante foi a segurança, afinal a marca é conhecida por fabricar os carros mais seguros do mundo. Nesse centro se vê todos os estudos e análises que são feitas para garantir o máximo de segurança possível.
Além de saber mais sobre os estudos que fazem, há também boas demonstrações, não só em vídeos, mas experiências emocionantes que você acaba vivenciando por lá. Não só isso, mas também se conscientizando sobre alguns cuidados que deveríamos tomar e não tomamos. Quer um exemplo básico? Quem no Brasil usa cinto de segurança no banco traseiro? Eu não uso por pura preguiça e por ele me impedir de ficar largadona no banco de trás. O Ola desde sempre, quando senta na parte traseira de um carro, a primeira coisa que faz é colocar o cinto de segurança.
Essa parte, apesar de parecer chata, afinal SEGURANÇA, foi bem interessante. Tenho certeza que todas as grandes montadoras tem uma preocupação grande com esse quesito. Porém, quando se fabrica um carro barato, as limitações aumentam. Basta olhar o estado que qualquer carro popular fica em qualquer batidinha. Encostou com mais vontade, amassou.
Claro que conforme as categorias dos carros vão aumentando, eles vão ficando mais caros e, provavelmente, mais seguros. A Volvo abraçou esse item, que hoje é um dos principais pilares da marca e onde, provavelmente, deve investir mais dinheiro.
Começamos pelo básico (e voltamos ao item que mencionei acima): o cinto de segurança. Para entender a diferença que faz utiliza-lo: há um trilho com um banco de carro munido de cinto de segurança, em que você senta bonitinha, se sente com 6 anos de idade e aí o apresentador do American Idol o solta. Você desce a uma velocidade impressionante, chega no final e bate com a sensação de que vai voar no carro cortado pela metade que está bem em frente a esse trilho.
o Ola fazendo o teste
Claro que não voei. A velocidade impressionante, que me assustou e fez eu abrir o sorrisão aliviada, era de apenas 8km/h. Nada!!! Mas você tem a sensação do que uma batida nessa velocidade pode causar. Obviamente nada sério, mas com certeza um grande susto.
eu no teste da batida
Lá vamos nós para a chamada oral. Sigo em direção a uma balança, que marca meu peso e onde eu incluo minha altura. Escolho uma velocidade e, então, o apresentador do American Idol pede para eu adivinhar qual é o peso equivalente num acidente, em que meu corpo é jogado para frente (no caso, ele queria de fato me assustar, e disse que eu estava sentada atrás do motorista). Escolhi 50km/h e tripliquei meu peso. Novamente eu fui reprovada no teste.
Caso eu esteja no banco traseiro e aconteça uma colisão com o carro a 50km/h, o meu peso pode chegar ao equivalente a 1200kg, se eu voar pra cima do passageiro e/ou motorista à minha frente. Ou seja: PERIGOSO! Usem cinto atrás!!! Sempre!
Saí um pouco atordoada do teste. Queria ficar apertando os botõezinhos para ver o quanto era possível pesar. Próximo jogo. Esse era mais bacana e pudemos jogar os três juntos (eu, Ola e a Cris). O jogo era simples: tinha uma tela na frente com uma estrada, que ficavam aparecendo alces (comuns na Suécia) atravessando-a. O único desafio era não atropela-lo. O objetivo era avaliar quem de nós três dirigia de forma mais segura. Eu acabei sendo eliminada logo no início, matei todos os alces e só não fui chochada pelo apresentador do American Idol, porque ele é sueco e educado.
Daí pra frente eu comecei a temer os testes, afinal eu já estava chegando à conclusão que sou um grande perigo na direção (o Ola diz que eu sou uma motorista agressiva). Depois disso veio uma parte bem conceitual, com carros recortados, em que era possível ver todos os seus detalhes internos e explicações de segurança. Por exemplo: a Volvo costuma comprar os carros que tiveram perda total em acidente. O objetivo é estudar o acidente, os amassos, o corpo do ser humano (o que machucou, como o corpo se movimentou, para que lado ele bateu, como os air bags funcionaram, o que amassou internamente, o quanto amassou, etc).
Assisti à uma reconstituição de um acidente bem feio que aconteceu em uma estrada sueca. Aparentemente o motorista cochilou, mudou de pista sem perceber e foi parar na pista contrária. Outro carro vinha em alta velocidade e entrou de frente na porta direita.
A porta estava completamente destruída (foto acima). Ao lado dela o banco repousava sem muitos danos, que fez eu demorar um pouco para entender como a entrada da porta não tinha destruído o banco. O passageiro teve apenas uma pequena lesão, que é surpreendente nesse caso. Aí veio a explicação: ao fazer um carro, a Volvo tem a parte interna da carcaça, que sobe até o teto com uma porta interna. Acoplado nessa porta de ferro, há 3 barras de ferro colocadas na diagonal, preenchendo parte dela. Depois é colocada a porta externa. Ou seja, a porta tem 2 camadas separadas. Numa colisão, a porta entra, porém as barras de ferro não permitem que ela atravesse a segunda camada da porta. Isso também explica o porquê do design largo, mas a sensação de um carro mais compacto quando você está dentro de um.
Na parede se vê escrito em letras garrafais “Segurança é muito mais do que número de airbags” e sim a segurança que ele oferece além dos seus airbags.
Os estudos feitos para melhorar e garantir a segurança do carro, eles recriam a realidade nos menores detalhes. Por exemplo: simulam acidentes para testarem componentes individuais e todo o sistema de segurança sem precisar destruir um carro inteiro. Eles possuem uma tecnologia que única na indústria de carros, que consegue recriar os movimentos exatos que um carro fez numa colisão.
Para concluir esse assunto de segurança, a Volvo criou uma comunidade com relato de pessoas que sobreviveram a acidentes a bordo de um, para reunir diversos relatos que já circulavam na Internet e também emails que eles recebiam, agradecendo a Volvo por terem suas vidas salvas. Pode conferir aqui!
Claro que nesse ponto eu consegui compreender o custo alto de qualquer modelo Volvo, que no Brasil é vendido a partir de R$ 80.000,00 (o bonitão esportivo C30, o menor carro que a marca possui).
Eles tem como objetivo não ter mais morte em acidentes com Volvo até 2020, o que parece totalmente pertinente. Acho só difícil se livrar de morte em caso de explosão, porque aí não tem jeito….
Já aviso que ainda faltam 2 posts com a minha cobertura feita na viagem: a entrevista com Peter Horbury, o VP de Design da Volvo e, por fim, o test-drive que fiz com o novo S60, que será lançado aqui no Salão de Automóveis.
Quando planejamos férias e temos apenas uma grande oportunidade por ano, buscamos por lugares novos pelos quais ainda não passamos. Eu sempre fui assim, inclusive tinha um plano por 5 anos, que ia além da Europa e América, mas ainda não consegui sair desses dois continentes.
Nas minhas férias do ano passado eu vim passar o verão na Suécia com direito a uma esticada até a Noruega e Paris, que é a melhor conexão para chegar na Escandinávia e me faz separar uma semana para a capital francesa. Durante essas férias eu fui a uma estação de esqui pela primeira vez na vida, em Trysil, Noruega, porém era verão e o máximo que consegui foi contemplar a paisagem e sonhar com ela no inverno. Voltei ao Brasil decidida que voltaríamos para esquiar, num lugar que está totalmente fora da rota de esqui de qualquer pessoa que esteja em algum canto do mundo que não seja na Escandinávia.
Cá estou com o sol batendo na minha cara através da janela, que tem neve até a metade. A temperatura marca -9ºC lá fora, mas aqui dentro nos aquecemos com mais de 20 graus graças a um bom aquecimento. Hoje podemos diferenciar o que é céu e o que é montanha, enquanto ontem tudo parecia se condensar, já que o branco tomava conta tanto da terra quanto do céu.
A nossa viagem começou em Gotemburgo, que para quem não conhece, é a segunda maior cidade sueca, mas para nós ela é menor que Campinas, com pouco menos que 1 milhão de habitantes. A cidade esbanja charme no verão e no inverno, mas mostra faces diferentes. Eu mal reconheci a cidade em que estive há 8 meses atrás. As ruas são movimentadas mesmo no inverno o que me chamou a atenção foi a quantidade de carrinhos de bebês indo e vindo por todos os cantos.
O Centro é um dos melhores lugares para ficar e 2 dias são mais que suficientes para conhecer a cidade. Do aeroporto o melhor é pegar o ônibus que vai até a cidade caso estejam em até duas pessoas, se o grupo for maior, vale rachar um táxi. A corrida custa em torno de R$ 100,00, enquanto de ônibus custa R$ 20,00/pessoa. Quanto a hospedagem, recomendo o Hotel Flora, que tem uma ótima localização e é bem charmoso. O preço é bem acessível: a diária para casal gira em torno de R$ 250,00, incluindo café da manhã, ou seja, mesmo preço que um hotel 3 estrelas em SP.
Para os amantes de design, a cidade é uma ótima pedida, pois há lojas e mais lojas e a Suécia é um dos países que oferece o melhor do design no mundo. Para presentinhos a Design Torget é uma das melhores alternativas, pois tem muitos objetos curiosos e coisinhas para casa que você olha e se pergunta porque ninguém pensou naquilo antes. Os preços são bem acessíveis. Outra loja indispensável é a Engelska Tapetmagasinet, que tem um acervo incrível de papel de parede e dá vontade de encher o carrinho de rolos e mais rolos, pena que os preços não são tão atrativos, como em Buenos Aires, por exemplo. De qualquer forma ainda são melhores que no Brasil, onde papel de parede custa uma fortuna.
Para quem está atrás de cultura, a cidade oferece também boas opções. Uma delas é o Museum of World Culture, que tem sempre mostras temporárias de arte contemporânea, além de abrigar performances, teatro e mostras de filmes. Agora por exemplo, o museu está com uma mostra de cinema Bollywood. A boa é que a entrada é gratuita. A arquitetura do museu também é magnífica e assinada pelos arquitetos Cécile Brisac and Edgar Gonzales.
Gotemburgo é também um paraíso gastronômico, mas com preços salgados. Para quem quer experimentar a comida típica sueca, recomendo separar uma hora para almoçar no “mercadão“, que fica no Centro, o Östermalms Saluhall. O almoço concorrido é no Kåges Hörna, que tem um preço bem convidativo, mas nada de conforto. A comida é bem típica e servida no balcão, o preço do prato do dia é em torno de R$ 20,00 por um almoço bem servido.
Um dos melhores cafés da cidade é no Da Matteo, que tem duas lojas, uma menor que serve cafés e beliscos, na Södra larmgatan 14, 411 16, e a outra que serve comidinhas e uma deliciosa pizza, na Vallgatan 5, 411 16. E o público que frequenta o local é uma atração a parte.
O transporte é eficiente, mas não muito barato. Para passes de tram individuais, o preço é de 25 coroas suecas por viagem, ou seja, aproximadamente R$ 7,00 e nunca são comprados no próprio tram. Caso não seja inverno, sugiro um passeio de barco pelo canal principal que corta toda a cidade. Infelizmente no inverno ele congela completamente (como tudo por aqui).
Caso o interesse seja Estocolmo, mas haja um tempinho de sobra, eu recomendo passar por Gotemburgo. Para mais informações acesse o site oficial e o I love Goteborg.
A diferença maior entre as duas estações (verão e inverno) foi em Ljungskile, que fica no litoral a 50km de Gotemburgo e onde mora a família do Ola (aka meu namorado). É um vilarejo com cerca de 4.000 habitantes e com uma paisagem de tirar o fôlego. Fiquei numa casa que fica incrustada numa pedra de frente para o mar com uma ilha bem em frente.
Casa do Ola - foto tirada by Rseefo do mar
No verão o lugar é ótimo para velejar, no inverno o mar congela totalmente e vira uma área de pesca, em que os moradores fazem buracos no gelo e ficam pacientemente esperando um peixe fisgar sua isca. Nesse inverno a neve chegou a 30cm e cerca de 1m de gelo. A paisagem é inóspita e não tem como não achar curioso estar caminhando sobre o mar, ir e voltar de uma ilha para outra andando, puxando um banquinho e treinando a paciência com a pesca e até passeando com os cachorros. Olha abaixo a foto que eu tirei no verão e a que tirei no último final de semana, no ápice do inverno:
no verao
no inverno
Gosto bastante dessa mudança mais marcante, em que os lugares se transformam em cada estação do ano. A Suécia é um dos lugares mais lindos que já visitei. A natureza é abundante e tudo é muito bem cuidado. O inverno restringe a ida a alguns lugares, que se recolhem no frio e não há muito o que fazer.
Depois da Suécia seguimos para Trysil, na Noruega, onde fica a maior estação de esqui da Escandinávia e recebe turistas suecos, noruegueses e dinamarqueses, que são considerados por aqui os piores esquiadores do norte. Viajamos via Oslo e a vista é bem repetitiva, pois são grandes campos brancos com pinheiros altos cobertos de neve. Não tem como não fica embasbacada com os grandes rios completamente congelados.
Trysil by Ola Matsson
Trysil foi a região mais branca em que chegamos. Num dia fechado o céu se confunde com as montanhas. É um pouco surreal, pois você não sabe onde termina a montanha e começa o céu. As casas tem neve até a metade delas pelo menos. A vista da nossa casa é de frente para uma das montanhas e não há como não se emocionar com ela. O silêncio é puro aconchego e a roupa adequada nos aquece no meio da temperatura baixíssima fazendo com que a gente role na neve sem qualquer problema.
eu fantasiada de esquiadora
Os preços na Noruega são exorbitantes. Numa estação de esqui eles dobram. O copo de 500ml de cerveja custa num bar no mínimo o equivalente a R$ 20,00. Converter é algo proibido caso queira diversão. Uma semana de aluguel de equipamento completo e acesso as estações somam mais ou menos R$ 1.000, além de gastos com comida, viagem e hospedagem caso não tenha onde ficar.
Nos lugares que fomos as pessoas estranham bastante o fato de sermos brasileiros e vir esquiar por aqui, pois a Escandinávia não está listada nos melhores lugares para se esquiar no mundo.
Essa é a primeira vez que eu me aventuro no esqui e confesso, não nasci para ele. Mal consigo me equilibrar nos esquis e passo a maior parte do tempo tentando levantar do chão, pois mais caio do que fico em pé. Do grupo de 6 eu fui o grande desastre da turma e por enquanto não consegui ultrapassar o espaço onde as crianças treinam suas primeiras esquiadas. Porém a sensação de esquiar (no pouco que eu consegui) é de uma liberdade inacreditável e é o que me faz encarar o esporte novamente. Vale a penca cada queda, cada centavinho, cada mico.
Vir para uma estação de esqui é alternar o tempo entre esquiar e ficar em casa sem fazer nada, o que é muito bom, já que pouquíssimas vezes temos oportunidade de não fazer nada. Mal ligamos os computadores e nem mesmo os livros. Apenas nos entregamos às nossas taças de vinhos e muita conversa, sempre com nosso cartão-postal como contemplação.
nossa paisagem diária vista pela janela da sala
A dica que dou aos iniciantes como eu que desejam se aventurar a tal arte, é que dêem um jeito no condicionamento físico antes, pois isso ajuda bastante, especialmente a se levantar de cada queda. Aos que nunca pensaram no assunto, eu sugiro colocar na lista de coisas para se fazer antes de morrer, pois a sensação é realmente inacreditável.
*eu dedico esse post à saudosa Marisa (in memorian) pela Suécia ter sido um dos seus cantos favoritos no mundo e ela sempre se mais faz presente quando estou por aqui, inclusive nos meus sonhos
Todo mundo sabe que ando uma fã de carteirinha da Suécia, mas antes mesmo do Ola, eu já morei no país por 3 longos meses invernais. Sobrevivi à escuridão e à depressão que se abateu nos meus amigos suecos na época, afinal não é nada fácil encarar graus e graus negativos e ter no máximo duas horas de claridade por dia.
Na época eu fiquei numa cidade afastada do mundo chamada Örebro, que fica no meio do nada. Hoje entendo perfeitamente a razão do meu tédio, mesmo em meio a um pouco de diversão que tive. De qualquer forma, eu voltei certa de que a Suécia estava entre os países mais bonitos do mundo (ok, eu não conheço o mundo inteiro). As cidades pequenas parecem que são de contos de faz-de-conta. Estocolmo beira à perfeição e só estando lá para entender.
Em junho eu retornei ao país, mas dessa vez com sorte triplicada: com um namorado sueco (lindo) a tiracolo, verão e fui para uma cidade maior, Gotemburgo. Passei dias dizendo que eu estava no país do “uau”, afinal a cada canto que o Ola me levava, eu ficava sempre embasbacada com tamanha beleza. Com certeza estive nos lugares mais lindos que já fui na minha vida. Dessa vez sem qualquer exagero. Desde então me tornei fã oficial do país e a vida perfeitinha seria passar o verão lá e o restante do tempo por aqui. Who knows?
Hoje vi no NotCot uma campanha de turismo da Suécia focado no público inglês: Dave goes to Skåne , que mistura animação (Dave) com o real. Os vídeos são tão bons, que não tem como não parar e assistir todos:
A marca de roupa Elvine criou um projeto chamado Creators Inn em Gotemburgo, na Suécia. o Creators Inn é um hotel para criativos e o melhor, de graça. Agora a idéia se estende à Estocolmo, que está entre uma das cidades mais caras do mundo.
O conceito é inédito no mundo, o hotel-in-hotel, pois estão levando o Creators Inn para dentro do Scandic Malmen. O período do projeto é de 1 de agosto a 13 de setembro. Para participar, basta preencher o formulário. A parte boa é que eles dão preferências a estrangeiros ou criativos residentes em Gotemburgo.
Pena que minha ida para a Suécia acontece 2 meses antes do projeto entrar no ar.
Sou várias e às vezes todas estão no mesmo lugar. Aqui escrevo sobre meus projetos noturnos, diurnos, andanças, leituras, música, tecnologia e claro, muito papo furado.