
Hoje saiu um artigo bem interessante no caderno Mais, da Folha de São Paulo, em que o escritor Bernardo Carvalho relata sua experiência de ter passado 3 dias no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A convite do próprio jornal, que aparentemente se baseou na recente experiência do filósofo Alain de Botton, que a passou uma semana morando no Heathrow, em Londres, convidado pelo próprio aeroporto. Ao contrário de Botton, Bernardo Carvalho relata a dificuldade que foi obter informações por aqui. Tudo passou por uma burocracia sem fim e na maioria das vezes ele não obteve uma resposta final, desde questões simples como “objetos mais achados & perdidos” até questões mais relevantes.
Presenciou “mulas” sendo pegas pela Polícia Federal, que depois contou ao escritor que muitos são delatados pelos próprios aliciantes, justamente para “distrair” o controle e conseguir passar outras “mulas”. Quem é pego leva até 15 anos de prisão.
Das histórias contadas, há uma que chega a emocionar, que é a de um casal de hippies, ela uma costa-riquenha e o rapaz, um francês, que estão viajando há 1,5 ano e acabaram parando no Brasilviajaram 1.600km de bicicleta pelo Brasil dependendo de ajuda das pessoas por onde passavam e citam o quanto o brasileira é generoso, que enquanto aqui ganhavam comida vencida de restaurantes, na Argentina eles tinham que pagar pelo mesmo prato.
Bernardo cita também a reclamação de estrangeiros sobre o fato de que poucas pessoas no aeroporto falam inglês, o que acaba dificultando a “estadia” deles no aeroporto, mas ao mesmo tempo dizem, que diferentemente de outros aeroportos internacionais, ninguém os incomoda caso tenham que dormir por lá.
O nosso aeroporto está um pouco longe de ser o mais movimentado do mundo, são 58.000 pessoas passando por lá diariamente contra 8 milhões pessoas por dia que passam pelo Aeroporto Internacional de Atlanta, que é o aeroporto com maior movimentação de pessoas do mundo, enquanto o do Heathrow é o que possui maior tráfego, com cerca de 460.000 pousos por ano.
Desembarquei em Cumbica no sábado, quando retornava do Rio de Janeiro. Apesar de não gostar de aeroportos, sempre gostei bastante de observar a movimentação, as pessoas chegando, saindo, esperando, se despedindo. Eu já dormi em aeroporto e posso dizer que é uma das coisas mais entediantes do planeta, porque enquanto durante o dia tudo acontece, à noite o aeroporto vira uma cidade fantasma.