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O primeiro vídeo a gente nunca esquece

quarta-feira, fevereiro 17th, 2010

Rendi-me aos apelos da Ana Laura e comprei uma filmadora. Não filmei o suficiente das minhas férias, mas consegui produzir meu primeiro vídeo (tosco) com alguns dos melhores momentos. Como faltaram alguns, eu roubei no jogo e coloquei fotos, o que fez o vídeo ficar mais tosquinho, mas como o primeiro vídeo a gente nunca esquece, eu estou aqui me derretendo com minha primeira produção.

Aproveito para desejar PARABENS para a Gaby Hunnicutt, que viajou comigo e agora está em Lisboa com o restante do grupo comemorando seu novo ano. Por aqui brindamos por ela e desejamos o melhor, afinal a moça merece.

Entre os melhores momentos do vídeo, não há como negar que a parte 2:29 é a melhor, mas virou piada interna. Nesse momento temos o Marcos com as pernocas cruzadas com medo de se soltar, a Gaby, Renato e o Roger no chão. Eu estou filmando e também congelada com medo de soltar o corpicho e deslizar na neve, que como já sabem pelos posts anteriores, foi um desastre.

A trilha sonora é  Wouldn’t It Be Nice (The Girls Can Hear Us Remix), do Beach Boys:

Escandinávia em duas estações diferentes

quarta-feira, fevereiro 10th, 2010

Quando planejamos férias e temos apenas uma grande oportunidade por ano, buscamos por lugares novos pelos quais ainda não passamos. Eu sempre fui assim, inclusive tinha um plano por 5 anos, que ia além da Europa e América, mas ainda não consegui sair desses dois continentes.

Nas minhas férias do ano passado eu vim passar o verão na Suécia com direito a uma esticada até a Noruega e Paris, que é a melhor conexão para chegar na Escandinávia e me faz separar uma semana para a capital francesa. Durante essas férias eu fui a uma estação de esqui pela primeira vez na vida, em Trysil, Noruega, porém era verão e o máximo que consegui foi contemplar a paisagem e sonhar com ela no inverno. Voltei ao Brasil decidida que voltaríamos para esquiar, num lugar que está totalmente fora da rota de esqui de qualquer pessoa que esteja em algum canto do mundo que não seja na Escandinávia.

Cá estou com o sol batendo na minha cara através da janela, que tem neve até a metade. A temperatura marca -9ºC lá fora, mas aqui dentro nos aquecemos com mais de 20 graus graças a um bom aquecimento. Hoje podemos diferenciar o que é céu e o que é montanha, enquanto ontem tudo parecia se condensar, já que o branco tomava conta tanto da terra quanto do céu.

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A nossa viagem começou em Gotemburgo, que para quem não conhece, é a segunda maior cidade sueca, mas para nós ela é menor que Campinas, com pouco menos que 1 milhão de habitantes. A cidade esbanja charme no verão e no inverno, mas mostra faces diferentes. Eu mal reconheci a cidade em que estive há 8 meses atrás. As ruas são movimentadas mesmo no inverno o que me chamou a atenção foi a quantidade de carrinhos de bebês indo e vindo por todos os cantos.

O Centro é um dos melhores lugares para ficar e 2 dias são mais que suficientes para conhecer a cidade. Do aeroporto o melhor é pegar o ônibus que vai até a cidade caso estejam em até duas pessoas, se o grupo for maior, vale rachar um táxi. A corrida custa em torno de R$ 100,00, enquanto de ônibus custa R$ 20,00/pessoa. Quanto a hospedagem, recomendo o Hotel Flora, que tem uma ótima localização e é bem charmoso. O preço é bem acessível: a diária para casal gira em torno de R$ 250,00, incluindo café da manhã, ou seja, mesmo preço que um hotel 3 estrelas em SP.

Para os amantes de design, a cidade é uma ótima pedida, pois há lojas e mais lojas e a Suécia é um dos países que oferece o melhor do design no mundo. Para presentinhos a Design Torget é uma das melhores alternativas, pois tem muitos objetos curiosos e coisinhas para casa que você olha e se pergunta porque ninguém pensou naquilo antes. Os preços são bem acessíveis.  Outra loja indispensável é a Engelska Tapetmagasinet, que tem um acervo incrível de papel de parede e dá vontade de encher o carrinho de rolos e mais rolos, pena que os preços não são tão atrativos, como em Buenos Aires, por exemplo. De qualquer forma ainda são melhores que no Brasil, onde papel de parede custa uma fortuna.

Para quem está atrás de cultura, a cidade oferece também boas opções. Uma delas é o Museum of World Culture, que tem sempre mostras temporárias de arte contemporânea, além de abrigar performances, teatro e mostras de filmes. Agora por exemplo, o museu está com uma mostra de cinema Bollywood. A boa é que a entrada é gratuita. A arquitetura do museu também é magnífica e assinada pelos arquitetos Cécile Brisac and Edgar Gonzales.

Gotemburgo é também um paraíso gastronômico, mas com preços salgados. Para quem quer experimentar a comida típica sueca, recomendo separar uma hora para almoçar no “mercadão“, que fica no Centro, o Östermalms Saluhall. O almoço concorrido é no Kåges Hörna, que tem um preço bem convidativo, mas nada de conforto. A comida é bem típica e servida no balcão, o preço do prato do dia é em torno de R$ 20,00 por um almoço bem servido.

Um dos melhores cafés da cidade é no Da Matteo, que tem duas lojas, uma menor que serve cafés e beliscos, na Södra larmgatan 14, 411 16, e a outra que serve comidinhas e uma deliciosa pizza, na Vallgatan 5, 411 16. E o público que frequenta o local é uma atração a parte.

O transporte é eficiente, mas não muito barato. Para passes de tram individuais, o preço é de 25 coroas suecas por viagem, ou seja, aproximadamente R$ 7,00 e nunca são comprados no próprio tram. Caso não seja inverno, sugiro um passeio de barco pelo canal principal que corta toda a cidade. Infelizmente no inverno ele congela completamente (como tudo por aqui).

Caso o interesse seja Estocolmo, mas haja um tempinho de sobra, eu recomendo passar por Gotemburgo. Para mais informações acesse o site oficial e o I love Goteborg.

A diferença maior entre as duas estações (verão e inverno) foi em Ljungskile, que fica no litoral a 50km de Gotemburgo e onde mora a família do Ola (aka meu namorado). É um vilarejo com cerca de 4.000 habitantes e com uma paisagem de tirar o fôlego. Fiquei numa casa que fica incrustada numa pedra de frente para o mar com uma ilha bem em frente.

Casa do Ola - foto tirada by Rseefo do mar

Casa do Ola - foto tirada by Rseefo do mar

No verão o lugar é ótimo para velejar, no inverno o mar congela totalmente e vira uma área de pesca, em que os moradores fazem buracos no gelo e ficam pacientemente esperando um peixe fisgar sua isca. Nesse inverno a neve chegou a 30cm e cerca de 1m de gelo. A paisagem é inóspita e não tem como não achar curioso estar caminhando sobre o mar, ir e voltar de uma ilha para outra andando, puxando um banquinho e treinando a paciência com a pesca e até passeando com os cachorros. Olha abaixo a foto que eu tirei no verão e a que tirei no último final de semana, no ápice do inverno:

no verao

no verao

no inverno

no inverno

Gosto bastante dessa mudança mais marcante, em que os lugares se transformam em cada estação do ano. A Suécia é um dos lugares mais lindos que já visitei. A natureza é abundante e tudo é muito bem cuidado. O inverno restringe a ida a alguns lugares, que se recolhem no frio e não há muito o que fazer.

Depois da Suécia seguimos para Trysil, na Noruega, onde fica a maior estação de esqui da Escandinávia e recebe turistas suecos, noruegueses e dinamarqueses, que são considerados por aqui os piores esquiadores do norte. Viajamos via Oslo e a vista é bem repetitiva, pois são grandes campos brancos com pinheiros altos cobertos de neve. Não tem como não fica embasbacada com os grandes rios completamente congelados.

Trysil by Ola Matsson

Trysil by Ola Matsson

Trysil foi a região mais branca em que chegamos. Num dia fechado o céu se confunde com as montanhas. É um pouco surreal, pois você não sabe onde termina a montanha e começa o céu. As casas tem neve até a metade delas pelo menos. A vista da nossa casa é de frente para uma das montanhas e não há como não se emocionar com ela. O silêncio é puro aconchego e a roupa adequada nos aquece no meio da temperatura baixíssima fazendo com que a gente role na neve sem qualquer problema.

eu fantasiada de esquiadora

eu fantasiada de esquiadora

Os preços na Noruega são exorbitantes. Numa estação de esqui eles dobram. O copo de 500ml de cerveja custa num bar no mínimo o equivalente a R$ 20,00. Converter é algo proibido caso queira diversão. Uma semana de aluguel de equipamento completo e acesso as estações somam mais ou menos R$ 1.000, além de gastos com comida, viagem e hospedagem caso não tenha onde ficar.

Nos lugares que fomos as pessoas estranham bastante o fato de sermos brasileiros e vir esquiar por aqui, pois a Escandinávia não está listada nos melhores lugares para se esquiar no mundo.

Essa é a primeira vez que eu me aventuro no esqui e confesso, não nasci para ele. Mal consigo me equilibrar nos esquis e passo a maior parte do tempo tentando levantar do chão, pois mais caio do que fico em pé. Do grupo de 6 eu fui o grande desastre da turma e por enquanto não consegui ultrapassar o espaço onde as crianças treinam suas primeiras esquiadas. Porém a sensação de esquiar (no pouco que eu consegui) é de uma liberdade inacreditável e é o que me faz encarar o esporte novamente. Vale a penca cada queda, cada centavinho, cada mico.

Vir para uma estação de esqui é alternar o tempo entre esquiar e ficar em casa sem fazer nada, o que é muito bom, já que pouquíssimas vezes temos oportunidade de não fazer nada. Mal ligamos os computadores e nem mesmo os livros. Apenas nos entregamos às nossas taças de vinhos e muita conversa, sempre com nosso cartão-postal como contemplação.

nossa paisagem diária vista pela janela da sala

nossa paisagem diária vista pela janela da sala

A dica que dou aos iniciantes como eu que desejam se aventurar a tal arte, é que dêem um jeito no condicionamento físico antes, pois isso ajuda bastante, especialmente a se levantar de cada queda. Aos que nunca pensaram no assunto, eu sugiro colocar na lista de coisas para se fazer antes de morrer, pois a sensação é realmente inacreditável.

*eu dedico esse post à saudosa Marisa (in memorian) pela Suécia ter sido um dos seus cantos favoritos no mundo e ela sempre se mais faz presente quando estou por aqui, inclusive nos meus sonhos