Posts Tagged ‘literatura’

Final de semana

sexta-feira, junho 19th, 2009

Ultimamente tenho o mundo dentro de mim. Meus sonhos e desejos. Todos eles num só coração. A vontade de viver que não se ausenta. Abro uma cerveja, acendo um cigarro e coloco todas minhas ânsias nesses pequenos vícios. A vida é cheia de vícios. Bons ou ruins. Depende de quem os julga. Para mim são todos bons. E não há nada além disso. Meus vícios, minha música, minha literatura, meus textos sem sentido. Todos eles aqui, num coração absurdamente grande. Sigo nesse turbilhão de possibilidades. A vida cheia de coisas por fazer. A casa por limpar, a louça suja, as roupas amassadas, o meu caos individual. Sigo com o mundo. Sigo sonhando. Sigo com todos os amores da minha vida. Sigo cantando. Mesmo não entendendo nem o francês da minha banda de agora predileta. Mas entendo a melodia. E isso basta. Todas elas aqui dentro. Tudo isso parece fazer sentido agora. O caos sempre faz sentido. O caos é a minha felicidade. E tive um dia cheio de felicidade. Vi amigos, conversei. Sorri. Chorei. Sofri. Sofro por tudo o que não consigo alcançar. Sofro. Calada. Mas a minha noção exata de quem sou, a minha noção exata do universo me faz ter a esperança de um dia ter tudo ao mesmo tempo em uma só cidade, de uma só vez. Meus amores agora virtuais. E a certeza de que seguirei em frente em busca de qualquer possibilidade. Minha vida cheia de vocês.

A Vila

sábado, maio 30th, 2009

Nunca mais voltarei para aquela cidade miúda, dizia. Nunca mais. E o nunca nunca significou tanto como naquela hora. Aquela gente pequena, naquelas ruas retas, as distâncias milimetricamente calculadas, sua família torta. Olhava agora para o passado como se olhasse para um muro. Um muro tão alto que mal conseguia enxergar o amor que havia deixado para trás. Engraçado como o sangue às vezes não significa nada. Nada. Seguia em negativas. Não conseguia mais distinguir o que era realidade e o que era a sua vida de agora. Sua mania de achar que tudo é relativo, sua mania de idealizar. Sofria por tudo que havia sentido. Sofria pelos outros. Sofria pela insignificância de todos esses assuntos que já nao fazem parte do seu cotidiano. Sentiu-se fraca. Saber que o mundo é muito maior do que uma vila às vezes não traz felicidade.

Batatas

terça-feira, maio 19th, 2009

Camila descascava batatas como se desvendasse a vida. Olhar distante, mãos firmes e já enrugadas pelo trabalho doméstico. Parecia alheia a tudo, mas tinha a exata noção de que, mais uma vez, teria de passar por um caminho que não havia traçado. E, ao mesmo tempo em que se atentava às batatas, seu pensamento já não a pertencia. Lembrava tristemente dos motivos que a levaram até ali e onde, exatamente aonde, ela havia falhado. Onde me perdi mesmo? Pensava ela. Acho que foi quando acreditei demais em mim e me tornei algo que nao sou. Sim, acho que foi exatamente nesse momento. Mas não, pode ter sido quando me apaixonei. Sim, pode ser também. O amor às vezes não é bom. Para ela, o amor era a essência do antagonismo. O amor era abrir mão da sua própria vida e ter de descascar batatas mesmo não sabendo o que fazer para o jantar.