Posts Tagged ‘lollapalooza’

Lollapalooza: Arcade Fire

segunda-feira, agosto 9th, 2010

Tenho muito a falar. O Lollapalooza, mesmo com um line-up que deixou a desejar, incluiu shows memoráveis. Quero ainda falar de cada um: Balkan Beat Box, Chromeo, Cut Copy, The Temper Trap, Nneka, Erykah Badu, Phoenix, The National, The Xx, Erol Alkan, mas o que valeu de verdade, de fazer cair lágrimas, de não ter mais pés, de ter bolhas, de querer sentar e desaparecer um pouquinho, mas esquecer tudo e pular sem parar foi Arcade Fire. Inesquecível, lindo, empolgante, show de 1h30 que passa em 20 minutos.

O som tá péssimo, mas dá para sentir um cadinho do que foi a última 1h30 do Lollapalooza 2010:

*Dani, faltou você aqui com a gente!!!

Fuck Lou Reed, fuck Lou Reed

quarta-feira, agosto 12th, 2009

Desde que cheguei em Chicago, acordo todos os dias ouvindo Band of Horses (todos os créditos para meu anfitrião, Roger Macedo, que tem um excelente gosto musical). Acho que assim como eu e ele – o Roger -, mais centenas de pessoas estavam ansiosas para que o penúltimo show do LollaPalooza finalmente pudesse começar. Não, a banda não estava atrasada, nem enrolada em centenas de toalhas brancas no camarim. Muito pelo contrário: os caras são tudo, menos pop stars. Todo mundo só tava esperando que o Lou Reed terminasse a performance que desafiou todos os limites – dos tímpanos e da paciência do povo – que, rapidinho, começou a reclamar em coro (e com a maior finesse): fuck Lou Reed, fuch Lou Reed. E o mais engraçado (ou não), um coro muito mais afinado que o solo de guitarra do moço. Se eu fosse ele, depois dessa, pendurava as chuteiras, a guitarra, o microfone, pendurava tudo. Mas vamos lá, voltando ao que interessa: eu que já tinha gostado da banda – e ouvido a mesma música até o itunes reclamar -, fiquei passada com o show. Além da boa música, eles são super carismáticos. Meu melhor argumento para isso é que eles conseguiram deixar os americanos animados. Se não fosse o figurino das locais, eu ía até achar que a gente tava no Brasil. Outro argumento dos bons: perdi a vontade de ver The Killers. Convencidos? Para quem não conhece a banda, recomendo The Funeral e  Is There a Ghost

band of horses

Melhores álbuns de 2008

domingo, dezembro 21st, 2008

Top 10 é algo muito relativo. Ontem fiquei zapeando na web várias listas e comparando. Há unanimidades, mas há disparidades também. Nem sempre o que eu considero o melhor foi o que eu mais ouvi. Depois de pedir a cada um dos meus colaboradores para fazer suas listinhas eu esbarrei na dificuldade de fazer a minha. Percebi que o que mais ouvi este ano foram cds lançados no final de 2007 e que ando mesmo atrasada com a música. 2008 também foi um ano em que ouvi mais músicas soltas do que cds inteiros. Para mim 2008 foi o ano do remix. Então retirei muita coisa do fundo do baú que foi revisitado numa nova versão por alguém. Há três listas que preciso fazer: top 10 dos melhores lançamentos do ano, top 10 das melhores músicas do ano e top 10 do que eu mais ouvi no ano. Vou começar pela primeira lista.

O que eu acho é que em 2008 saíram muitas coisas boas do forno e 2009 é um ano que promete musicalmente. Vamos ao que, na minha opinião, foram os melhores álbuns deste ano que está chegando ao seu fim. Não leve a ordem em consideração:

1) TV on the Radio - Dear Science,

2) Cut Copy - In Ghosts Colours

3) Primal Scream - Beautiful Future

4) The Presets - Apocalypso

5) Nine Inch Nails - Slip

6) MGMT - Oracular Spetacular

7) Fleet Foxes - Fleet Foxes

8 ) Portishead - Third

9) Santogold - Santogold

10) Girl Talk - Feed the Animals

Ainda estico a minha lista para Hot Chip (Made in the Dark), Glasvegas (Glasvegas), Ladytron (Velocífero), The Kills (Midnight Boom), The Whip (X Marks Destinations), The Ting Tings (We started nothing).

Do top10 eu apenas vi 3 ao vivo este ano: NIN no Lollapalooza, MGMT no Lollapalooza e no Tim Festival e Girl Talk no Lollapalooza e no All Points West. O NIN foi o mais lindo e emocionante, o MGMT, apesar de um belíssimo trabalho de estúdio, não me empolgou ao vivo, mas durante o dia e em local aberto funcionou melhor do que no Tim e Girl Talk me proporcionou uma das experiências mais empolgantes da minha vida, quando eu saí da pista e virei dançarina dele no All Points West. Dos demais eu vi apenas a nova turnê do The Kills no Lollapalooza, que fez um show muito superior ao apresentado aqui há alguns anos atrás.

A minha expectativa é que em 2009 eu possa ver ao vivo o restante da lista e acho que não será uma tarefa tão árdua.

Confira também os top10 que a Dani, Ana Laura, Fabilipo, Renato e do João Perassolo fizeram aqui no blog. E a próxima lista será meu top 10 com os melhores shows que vi em 2008. Aguardem!

Kanye West vale o show

domingo, outubro 19th, 2008

Eu não sou grande fã do hip-hop. O último Lollapalooza só evidenciou o quanto o estilo está em alta (ele esteve em baixa alguma vez?). O festival conhecido por sua veia rockeira, teve seu último dia dedicado 50% à atrações hip-hop e com nomes de peso.

Eu acabei mudando de lado neste dia, já que até então eu estava sempre do lado direito do parque. Não tinha grandes intenções de ver Kanye West, porém como começaram a espalhar que o Obama passaria por lá, o Jade do rraurl.com pediu para que eu tentasse ver, afinal seria um momento histórico.

Minha credencial não dava direito ao pit, mas eu tinha recebido um email da assessora do NIN perguntando quem gostaria de fotografar o show, pois ela iria analisar os veículos e liberaria acesso para alguns. Como grande fã da banda, eu tratei logo de tentar a sorte e recebi o email confirmando que meu nome estaria na entrada.

O grande problema é que o show do Kanye West começaria meia-hora antes do NIN e eu não conseguiria chegar a tempo do outro lado para poder usufruir da minha conquista. Choramingando eu abri mão e segui com minhas amigas para ver o Kanye. Confesso que demorou para eu relaxar e resolver curtir.

Quando os primeiros gritos vindo lá da frente ecoaram no parque anunciando o início do show e um show de luzes e fumaça invadiu o palco, eu confesso que me arrepiei. Kanye West é o que podemos chamar de show-man. Ele é do tamanho do palco! Se esparrama por ele dançando de um lado para o outro. Envolve de uma forma que, mesmo não sendo grande apreciadora de sua música, eu me rendi. Os primeiros acordes de Stronger para então dar forma a Good Morning, que foi a música de abertura de um show que durou 2 horas, levou o público ao delírio.

Eu já não esperava mais a presença do Obama e uma aflição tomou conta por ter NIN do outro lado me aguardando. Nunca me senti tão dividida. Obama de fato não apareceu e eu curti as 4 primeiras músicas do show: Good Morning, I wonder, Through the Wire, Champion. De lá voei e consegui ver o NIN (ainda bem, pois eu até estava tranquila, já que assistiria a banda aqui em São Paulo e o show acabou sendo cancelado) num show inacrível.

Depois desta experiência, eu retornei ao Brasil querendo rever as duas atrações e somente o Kanye West é que vai acabar acontecendo (se nada rolar até quarta-feira). Sei que o ingresso está absurdamente caro (R$ 250,00 a inteira, mas a meia + desconto Tim acaba saindo por R$ 100 e quem comprou para ver Gossip, ainda pode pegar um ingresso adicional de graça para qualquer dos dias) e Kanye nem é tão unanimidade aqui quanto nos EUA, mas o show vale a pena ser visto. Esqueça Madonna, Kanye é muito mais show e música. Quarta-feira estarei lá, provavelmente me arrepiando como me arrepiei no Grant Central Park em Chicago.

Segue o setlist do show no Lollapalooza 2008:

Good Morning
I Wonder
Through the Wire
Champion
Put on For My City
Get ‘Em High*
Diamonds From Sierra Leone
Can’t Tell Me Nothing
Flashing Lights
Homecoming
Touch the Sky
“Tell your kids about me”/70s Computer–>Computer in your Phone (with Macbook Air tease)/Kanye West/ James Brown/Jimi Hendrix
Golddigger
Jesus Walks

Bis
Hey Mama
Don’t Stop Believing
Stronger

Radiohead: 1+1=2

segunda-feira, setembro 8th, 2008

Ver o Radiohead uma vez já é algo grandioso, imaginem ver duas! Claro que isso para nós, brasileiros, que ainda não tivemos a grande sorte de tê-los por aqui e nem sempre temos a sorte de poder pegar um show deles lá fora, seja por falta de oportunidade de viajar ou pela falta de coincidência de agendas.

O meu grande objetivo de 2008, depois de passar meses me dilacerando com o “In Rainbows”, era ir para onde o Radiohead fosse. Deste ano não passaria, afinal sempre tenho pânico que depois de grandiosos trabalhos, a banda resolva “dar um tempo”.

Quando começaram a soltar os line-ups dos festivais e um deles apontou Radiohead como atração confirmada, eu decidi que seria para lá que eu iria. O festival era o All Points West, que estreou este ano de forma modesta em Nova York, mas com Radiohead como headliner nos dois primeiros dias. Logo soltaram a programação do Lollapalooza, que aconteceria uma semana antes em Chicago, aí decidi que iria para lá antes. Já tinha sacado que Radiohead é o tipo de banda que, se você nunca viu, precisa vê-los pelo menos uma segunda para digerir.

Era uma sexta-feira bem quente. A temperatura no Grant Central Park em Chicago chegava aos 38oC e festival grande é uma verdadeira maratona. Tentei me poupar para estar inteira na hora do show. Depois de dois dias praticamente sem dormir eu me dei conta que quando vamos ver algo que ansiamos por ano não precisamos de energia, ela surge do nada.

Às 20h cerca de 75.000 pessoas se acotovelavam diante de um dos palcos principais. Felizmente (ou não) colocaram apenas eles como headliners no primeiro dia, mas quem teria dúvida em escolher outra atração ao Radiohead?

O sol ainda raiava alto e não houve impacto visual causado pela iluminação imponente do show, mas Thom Yorke sem qualquer dificuldade causou um impacto maior ao entrar no palco com a canção “15 Step”. Silêncio absoluto na platéia e ao redor todos boquiabertos tentando digerir que estavam diante de Radiohead. Eu não conseguia me mexer, fechar a boca, cantar, piscar os olhos. Um arrepio percorreu meu corpo pela emoção de estar ali com aquela platéia gigante tão atenta ao show quanto eu, o que faz com que o momento seja ainda mais especial. Foram 2 horas de shows com direito a 2 bis e 24 músicas. Paranoid Android, House of Cards e Idioteque levou o público ao delírio.

Foi um dos primeiros shows que eu praticamente não me mexi. Uma hora depois fomos agraciados com a famosa iluminação desta turnê, quando finalmente o sol resolveu dar trela. O momento mágico foi quando fora do parque se iniciou uma queima de fogos com “Everything In Its Right Place”. Foi nesse momento que eu chorei e que alguma reação aconteceu, porque até então eu estava praticamente em transe. E então junto com o término da música e da queima de fogos, entrou “Fake Plastic Trees”. Haja coração para aguentar!

Não é preciso dizer que é um show intenso e forte. Quando entraram os acordes de “Idioteque” e o prenúncio de que seria a última música da noite, finalmente eu saí do transe em que estava e desabei. Assistir Radiohead ao vivo é uma experiência única que só foi superada por outro show da própria banda.

O final de semana foi recheado de emoções musicais, pois o line-up do Lollapalooza estava caprichadíssimo. Gnarls Barkley, The National, Broken Social Scene, Bloc Party, Explosions in the Sky, Gogol Bordello, Kanye West, Rage Against the Machine, NIN entre outras atrações. A cada saída do Grant Central Park era a sensação de uma noite perfeita com um final perfeito. E NIN e Kanye West fechando a última noite foi uma noite quase tão grandiosa como a primeira com o Radiohead.

Aí veio a ansiedade pela próxima sexta-feira em que eu veria novamente o Radiohead no Parque da Estátua da Liberdade em NY. Depois de uma tarde com ótimos shows e ainda tendo sido convidada para ser dançarina do Girl Talk, foi a vez de me acotovelar para novamente ver Radiohead. Desta vez o público era menor. Cerca de 40.000 pessoas, mas o público era menos atento, o que facilitou a minha chegada mais próxima ao palco.

A noite caiu cedo e desta vez o impacto foi duplo: Thom Yorke e a iluminação. Como o primeiro show digerido, o segundo eu curti de uma forma diferente. É como se de repente a banda tivesse ficado mais próxima e mais “real”. O show teve a mesma duração e a mesma quantidade de músicas, mas algumas alterações no playlist e o final veio com “Everything In Its Right Place” e a estátua da Liberdade reinando absoluta no fundo do público parecia parte do cenário que se fechava à frente com os infindáveis leds no palco.

Neste segundo show eu dancei, eu cantei, eu pulei, eu gritei. Thom Yorke também estava mais solto no palco e falou mais. Foram duas horas não só de contemplação como na primeira vez, mas de curtição. Dei-me conta de que precisei de um show só para me dar conta de que eu estava realmente vendo Radiohead e digerir o que eles são ao vivo. E outro para tirá-los um pouco do altar que eu os coloquei e curti-los num grandioso show de rock, que é o que eles sabem fazer muito bem.

(texto publicado originalmente no site Página Dois)

De volta

terça-feira, agosto 19th, 2008

Voltei depois de quase 20 dias zanzando na Terra do Tio Sam. Muita coisa para contar, muitas experiências fantásticas e já muitas saudades de lá.

Passei rapidamente por Lafayette (em Indiana), Chicago (3 dias no Lollapalooza) e depois em NY (All Points West Festival em que fui dançarina do Girl Talk).

Agora estou na fase de desfazer mala e colocar a casa em ordem, além de baixar fotos e começar a dar uma geral no flickr. Amanhã a noite tudo estará em ordem e no ar, inclusive meu texto sobre o All Points West com bastante atraso e minha emoção ao ver Radiohead ao vivo 2x.

Hoje tem festa Crew no D-Edge para comemorar meu retorno ao Brasil e rever os amigos. A festa marca também o retorno do Zegon e Mixhell de longa temporada do outro lado do mar.

E passem aqui amanhã para as novidades mais caprichadas.