Posts Tagged ‘londres’

Mumford & Sons

sexta-feira, maio 28th, 2010

Foi então que, inocentemente, voltando do mercadinho de toldo azul do lado da minha casa com minha sacola de pano já meio desgastada pelo peso da feira da semana e passando, cabisbaixa, em frente ao Music Hall of Williamsburg, deparo-me com uma cena um tanto comum: alguns moços carregando instrumentos musicais de uma banda que iria tocar mais tarde. Não sei o que me chamou atenção , mas olhei pra cima e no letreiro estava escrito: “Mumford & Sons”. Nome estranho pra uma banda, pensei. Mas gravei mentalmente a informação e segui meu caminho pelo meu bairro hipster (agora moro em Williamsburg, mas who cares?). Cheguei em casa, guardei as compras (who cares again?) e procurei no tio google que diabo de som era aquele. A partir desse dia (que dia? sou atemporal), não consigo parar de ouvir esse quarteto indie folk de Londres, minha cidade natal (sonha, filha). A banda foi formada no final de 2007, mas seu primeiro álbum, Sigh No More, foi lançado em outubro de 2009 em Londres e início de 2010 nos EUA. E, sim, perdi o show desses homens e amo contar histórias.

Chew Lips, meu novo vício

sexta-feira, fevereiro 26th, 2010

Sabe o vício que rolou com o The XX quando saiu o ‘Crystalized‘? Aqueles moods suaves, deliciosos para ficar num namorico cool no sofá da sala? E lembra quando veio o La Roux com aquele pop dançante de video-game? Quem não ouviu ‘Bulletproof‘ no repeat?

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Caiu no meu colo essa semana a indicação do Chew Lips, e a paixão foi imediata. Isso porque o trio londrino conseguiu juntar as batidas de Atari com melodias suaves, daquelas que você ouve o dia inteiro e não enjoa nunca. Tigs, Will e James se juntaram em 2008 e no primeiro ensaio escreveram 10 músicas. Depois de pencas de shows no ano passado, lançaram agora em janeiro o primeiro álbum chamado ‘Unicorn’ e desde então já figuraram em várias watch-lists de mídias como o NME e a Nylon. A revista The Fly disse que o primeiro single ‘Solo’ é um pop eletrônico que vai fica grudado no cérebro na primeira ouvida.

CHEW LiPS – Solo from huziii123 on Vimeo.

Chew Lips – Play Together from Adrian Hylton – adrianhylton.com on Vimeo.

Corre lá para conhecer.

Heathrow instala um escritor residente no aeroporto

quinta-feira, agosto 20th, 2009

O Heathrow, de Londres, mais uma vez inova e convida o escritor e filósofo Alain de Botton para ser o escritor com residência no aeroporto por uma semana. Ele ficará no terminal 5 escrevendo sobre tudo que acontece à sua volta, o que para ele é um prato bem cheio, basta ler qualquer um de seus livros para sacar isso. O livro se chamará “A week at the airport – a Heathrow diary” e será lançado já em setembro e é uma boa combinação com suas últimas publicações “A arte de viajar” e “As alegrias e tristezas do trabalho” (que eu acho que ainda não foi lançado por aqui).

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Para os sortudos que passarem por lá, aproveite e pegue um autógrafo dele para mim? Quando o livro for lançado, o aeroporto distribuirá 10.000 cópias gratuitas para os passageiros.

Gostei bastante da ideia e mais ainda por terem escolhido o Alain de Botton. Deve ser uma experiência e tanta, especialmente nessa época do ano, em que a Europa está em férias de verão e o aerorpoto lotadíssimo.

Anorak Mag, o review

terça-feira, junho 30th, 2009

Eu conheci a Anorak magazine há algum tempo, pois como trabalhava com moda infantil, o centro das minhas pesquisas era o universo dos pequeninos. A revista é publicada a cada três meses e tem como maior apoiador (patrocinador?) ninguém mais ninguém menos que a H&M.

Há umas semanas me lembrei da revista, e resolvi comprar um exemplar pela internet. Que por sinal chegou semana passada, embalada num envelope com o meu endereço e nome escritos à mão – achei fofo.

Bom, num primeiro momento a sensação é a de: “poxa, por que não temos algo assim no Brasil?” A publicação é toda colorida, com uma pegada esperta e cheia de ilustrações legais! O que eu achei mais bacana, é que a revista fala numa linguagem sem tratar a criança como “boba”. E dá dicas legais até para os crescidos. Tanto que uma das indicações de um bom programa a se fazer em Londres, logo nas primeiras páginas, era ir conferir algum show do Michael Jackson… :(

Ainda tem indicações de crianças sobre livros que elas gostaram de ler, tem uma fotonovela fofa de um urso de pelúcia e um macaco em Amsterdam e mais algumas histórias ilustradas – por ilustradores diferentes – que focam no público dos 6 aos 12 anos.

Como a temática dessa edição era “Palavras”, a parte dedicada aos passatempos é cheia de espaços e lacunas onde o pequeno tem que completar sentenças – e até criar as suas! E ainda nessa linha, uma parte bacana é a seção de coisas antigas, que conta que há muito tempo, o idioma falado na Inglaterra era o francês!  (Nem eu sabia dessa!)

Impressão geral? A Anorak com certeza é feita por adultos que, além de serem legais, adoram o universo infantil. Um prato cheio para amantes de brinquedos, toy arts, cultura e novidades fora do trivial.  :)

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Mais sobre a Anorak

Menina prodígio

terça-feira, março 31st, 2009

Eu adoro grafite e sempre me deslumbro com os muros espalhados pela cidade. Na Ilustrada do último domingo saiu uma matéria sobre a inglesa Solveig Barlow, que tem apenas 11 anos e coloca muito artista no chinelo. A garota começou a grafitar com 9 anos ao lado do pai depois de cansar em apenas acompanhar o pai e ficar só contemplando. Nem o pai imaginou que ela teria tanto talento, tanto que hoje nem ousa comparar seu trabalho com o dela.

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Ela tem sido chamada de “o jovem Picasso da arte de rua” e de “mini Banksy“. O melhor é a resposta dela sobre as comparações. Quanto ao Picasso ela acha que não tem nada a ver, já que ela resume que ele desenhava as pessoas com o rosto em formato de triângulo. Quanto ao Banksy, primeiro ela corrige que ele não é grafiteiro (ele trabalha com stencil) e depois ainda completa que ele é uma trapaça.

A coisa mais incrível é que no ano passado a garota tatuou pela primeira vez a cabeça de um lobo na perna de um cara. Ela conta que ficou com medo de errar, pois grafitando ela pode jogar spray por cima quando erra, já na tatuagem não dá para fazer a mesma coisa. Dêem uma olhada no resultado:

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Confiram o flickr dela… essa vai beeeem longe. Já desenhou em muros de Brighton, Londres e Berlin e disse que ainda quer grafitar num muro do Rio de Janeiro. Parabéns a Sol, como é chamada e como assina suas obras.

Arte para todos

sexta-feira, janeiro 23rd, 2009

Não tenho dúvidas de que investir em arte pode ser um bom negócio. O problema é que por não termos tal hábito, acabamos achando que arte custa caro e então direcionamos nossos reais para outras necessidades, sejam elas reais ou não.

De qualquer forma, a arte tem ficado acessível de uns tempos para cá. O Fabiano escreveu um post sobre o artista Adam Neat, que hoje tem seu trabalho avaliado o em 43.000 libras, espalhou na rua 1.000 de suas obras na cidade Londres. Na época meu amigo Ennio estava por lá e teve a grande sorte de encontrar uma delas quando retornava do trabalho para casa. Fico me perguntando em quanto já está avaliada tal arte.

Adam Neat

A Surface To Air em setembro/08 abrigou a exposição “Lápis Lapin”, com curadoria de Eduarda Porto de Souza, com obras nos valores de R$ 5 a 300,00, muitas assinadas por artistas de renome no mercado. Foi uma grande oportunidade para quem quis comprar um trabalho bacana assinado por alguém bacana. O dinheiro arrecadado foi destinado ao PETA e hoje eu me arrependo de não ter arrematado um trabalho sequer.

Ontem a Marisa me mandou um site, o 20×200 que torna a arte acessível para todos os bolsos. Toda obra é disponibilizada em três tamanhos: 8″x10″(200) por US$ 20,00, 16″x20″(20) por US$ 200,00 e 30″x40″(2 peças apenas) por US$ 2,000. Claro que tem muita gente desconhecida no meio, mas vale um bom olhar porque o acervo é gigante e tem muita coisa bacana no meio. Eu adorei o projeto. Confira!

lambert_whereis_sm_artworkimageWhere is that Middle Way? by Emily Noelle Lambert

Melhores do ano para a Rough Trade Records e para a revista Mojo

segunda-feira, dezembro 1st, 2008

E começaram as listas de melhores discos do ano. A primeira importante a sair foi a da Rough Trade Records, loja e selo referência para o indie rock, que recém divulgou sua seleção de cinqüenta. Os três primeiros lugares parecem óbvios e preguiçosos (Bon Iver, Fleet Foxes e Vampire Weekend), mas o Metronomy em quinto foi acertado – disco original e divertidíssimo. Também gostei de ver o TV On The Radio em décimo-primeiro e o som 8-bit do Crystal Casltes em décimo-quinto, e achei mais justo ainda colocar o Third, do Portishead, láááá atrás, em quadragésimo-primeiro: um disco apenas bom, cujo hype é maior que o conteúdo, e que recebe uma posição apenas boa. A grande surpresa foi o Street Horrrsing, do Fuck Buttons, em vigésimo-quinto, disco difícil e bem experimental, colocado muito à frente de Foals, Breeders e Of Montreal. (A propósito, se você está indo para Londres ou está por lá, não deixe de dar uma passada na loja de Notting Hill: espaço pequeno e charmoso, atrolhado de discos, para amantes de música.)

Quem também publicou a lista dos mais mais foi a revista Mojo, com o Fleet Foxes na liderança e Bon Iver em quarto. Pelo que parece, só eu achei Fleet Foxes muito chato e Bon Iver morno… O shoegaze ensolarado do Glasvegas está em sétimo e o Beck em décimo-nono, dois artistas que pra mim lançaram discos irrepreensíveis em 2008. E Fuck Buttons também aparece aqui, vejam só, em posição próxima à do MGMT, como na lista da Rough Trade (alguém duvida que o duo vai estar em todas as listas?). Estranhei eles não terem dado o Primal Scream, se até o Metallica (!!!) está na lista.

Aguardo ansioso para ver se vão figurar e em qual posição discos do Mogwai, Primal Scream e Ladytron. E Benoît Pioulard, queridinho de quem adora dizer que descobriu sons novos? A seguir, cenas dos próximos capítulos.

Poderia ser São Paulo

sexta-feira, novembro 14th, 2008

Amei esse vídeo feito com 3.328 fotos de Londres com a música “Harder, Better, Faster, Stronger” do Daft Punk, que aliás, se encaixa perfeitamente para também retratar nossa São Paulo:


London (harder, better, faster, stronger) from David Hubert on Vimeo.

Via Rubbishcorp

RCA Secret 2008

sexta-feira, novembro 14th, 2008

O RCA Secret não é somente uma exposição e sim um grande evento de arte para arrecadar fundos para os estudantes de arte do Royal College.

Wish you were here: RCAs secret postcards

O evento convida artistas conhecidos e estudantes de arte para produzirem uma obra de arte. As regras são bem simples: a arte deve ser feita num cartão-postal e a assinatura do artista tem que ficar atrás. A exposição abre hoje com 2.700 postais em que não é possível saber quem é o autor de cada trabalho.

Entre os famosos tem Tracey Emin, Yoko Ono, Anish Kapoor, Paula Rego, David Bailey, Olafur Eliasson, James Dyson, o guitarrista do Clash Paul Simonon, o cantor Holly Johnson para citar alguns.

No dia 22 começam as vendas dos postais a 40 libras cada obra, porém você não sabe se está levando para casa uma assinatura “reconhecida” ou de alguém que está começando. O que eu acho bacana é que neste caso você está realmente comprando o trabalho que curtiu e não pelo fato dele ser assinado por alguém conhecido.

Via The Guardian

Breeders, Pixies e My Bloody Valentine. Velho, eu?

quarta-feira, novembro 5th, 2008

Lá lá lá longe, em 1988, eu morava na França. Fui pra Londres passar o natal e uma amiga minha, casada com um manager de umas bandas bacanas, me dava convites pra muitos shows que o marido dela recebia e não ia. Um desses shows foi o de natal do Duran Duran, no Wembley Arena. Eu sempre amei DDuran, ela sabia, então delirei, porque os ingressos estavam esgotados e tal. Quando cheguei na casa dela, comecei a olhar a NME de fim de ano, com os discos do ano, e o primeiro lugar de 88 foi o “Surfer Rosa”, dos Pixies. Já tinha ouvido um pouco, mas não tinha comprado o disco ainda. Corri até a Tower e saí de lá com a bolacha na mão. Desde então esse virou uma dos meus top 10 de todos os tempos.

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Corte rápido pra março de 89, eu em Lyon, onde morava. Andando na rua com um amigo americano, mega cabaço, que não conhecia nada de nada, vi um poster de um show do My Bloody Valentine. Lembrem-se, 89, o “Isn’t Anything” tinha saído há poucos meses, eeu tinha ouvido mais que tudo e o show era em 3 dias. Fui comprar o ingresso com o americano que também comprou (e odiou o show, claro) e tinha pra vender ingresso pro show dos Pixies no Bataclan em Paris, em junho do mesmo ano. Comprei também e comecei a me programar pra viajar. Agradeço até hoje meu amigo americano por ter visto o poster do MBV, btw!
Um parêntese aqui. Na época eu estudava lá na França, fazia faculdade. E fazia uns bicos de uns trampos trash pra conseguir grana pra comprar disco e viajar pra ver show, era meu esporte preferido. Descobria, me programava, trampava e ia. Era lindo. Bons tempos de menores responsabilidades. Fecha parêntese.
Bom, saí do show do MBV chocado, achando que nada no mundo podia ser melhor que aquilo. Lembrem-se de novo, 89, auge dos shoegazers, das guitar bands, da barulheira, das distorções. Em dezembro de 88 tinha tido um banho de barulheira em Londres com shows do Loop e Spacemen 3 e achei que aquilo seria o máximo de guitarrada. Até que vi e ouvi e desmaiei com o My Bloody Valentine.

Em junho fui pra Paris pra ver os Pixies e ao fim do show tive uma certeza na minha vida: Black Francis era DEUS. Todas as noites eu passei a rezar pra ele, e agradecê-lo e pedir perdão dos meus pecados. Não sei se foi lavagem cerebral, eletro choque ou sei-lá-o-quê, mas o show dos Pixies foi um dos momentos que mais marcou minha vida inteira, sem exageros. Pra se ter uma idéia, eu tenho todos (todos!) os álbuns e singles em cd e vinil dos Pixies. E além deles só do Radiohead, que talvez seja minha banda número 1. Pixies rulez 4ever!

Quando as Breeders vieram fazer show em Curitiba, no festival, comprei ingresso, me programei e não me lembro porque cargas d’água não fui ao show. Só me lembro que na noite do show, eu em São Paulo, puto da vida, queimei meu ingresso de raiva de mim mesmo, claro.

Anos se passaram, anunciaram que Pixies, que tinham acabado de voltar aos palcos, tocariam em Curitiba. Por obra do destino, ou no meu caso, como prefiro acreditar, por obra do meu deus Black Francis, fui chamado pela MTV para dirigir o Mochilão Curitiba, aquele programa de viagem bacana deles que não existe mais. E o melhor, o ponto alto do programa seria o rock festival com o show dos Pixies! Bom, eu não só iria ao show, como iria credenciado, com câmera, pra chegar pertinho dos caras e tudo. Tive o meu momento de palco no meio do show, mas não me deixaram ficar. Lembro que uma hora peguei a segunda câmera de vídeo, fui pro meio da galera gravar imagens do show e fiquei chorando sozinho ali enquanto a Kim Deal cantava “Gigantic”.

Um outro parêntese. Duas curiosidades em relação a Lalai nesse show. Primeiro, quando liguei pra ela pra contar que iria dirigir o Mochilão ela não acreditou, porque foi num primeiro de abril, coincidência bizarra. Segundo, encontrar a Lalai na saída do show dos Pixies em Curitiba, ela vir correndo rpa cima de mim gritando que me amava foi um dos pontos altos da nossa amizade. Fecha parêntese de novo.

Pronto, tinha me redimido pela perda do show das Breeders, porque eu achava que nunca mais veria. Até que o santo santo santo Festival Planeta Terra anuncia o shows das gêmeas Deal e sua Breeders pra esse ano. E o melhor de tudo: o show é exatamente na hora do show do (gasp) Offspring, o que quer dizer que não vou perdeer nadinha de nada.

Posso estar mais feliz?