Como uma rockeira de coração, não tem como deixar passar essa data em branco, então escolhi dois ícones para minha homenagem: Mick Jagger e Andy Warhol. E claro, hoje aqui em casa tá rolando só rock’n roll, incluíndo Velvet Underground que eu não ouvia há séculos ao delicioso indie-rock do Louis XIV.
Ninguém em sã consciência beatlemaníaca gosta da Yoko Ono, eu incluso.
Apesar dos pesares, em 2007 rolou uma comoção geral em torno da mulher com exposição no CCBB e “show” dela no Teatro Municipal aqui em São Paulo. Sim, show dela e sim, no Teatro Municipal. Não sei porque cargas d’água acabei indo ao show com o amigo Renato Salles (bom deixar claro quem entrou na roubada comigo) e nessas eu tiro a minha responsabilidade por ter ido a esse fiasco e afirmo aqui que foi ele quem me levou amarrado ao teatro.
Bom, foi triste. O teatro lotado e um bando de “paga-pau” aplaudindo qualquer absurdo que ela fazia, cantando sozinha, fazendo uns barulhos e nem me lembro mais o que. Bom, a cereja de chuchu do bolo de porcaria foi uma hora, quando ela saiu do palco, entra de volta pelo lado direito, dentro de um tipo de um túnel de tecido, se arrastando pelo chão, até que ela demorou e se enroscou e não conseguiu ir adiante e voltou por onde entrou. Foi no mínimo constrangedor. Triste.
Pra terminar a história, saímos antes do final e isso virou uma piada inerna por muito tempo. Até que hoje eu me deparo com um vídeo muito bom doMick Jagger apresentando John Lennon tocando com uma banda histórica com Eric Clapton na guitarra, Keith Richards no baixo e Mitch Mitchell da banda do Jimmy Hendrix na bateria. Até aí lindo, mas eis que a 1min07 quando eles começam a tocar, vemos no canto do palco ninguém menos que a primeira dama da discórdia dona Yoko, toda de preto, entrando em seu túnel de tecido e provavelmente fazendo a tal performance 30 anos atrás que deu mega errado em 2007 aqui em São Paulo. Tipo um fantasma!
Se você nasceu em Marte e chegou por aqui nos últimos 3 dias e não sabe, “Watchmen” é uma graphic novel lançada nos anos 80, em 12 edições entre 1986 e 1987, escrita pelo inglês Allan Moore e ilustrada por Dave Gibbons que mudou o modo como os super heróis dos quadrinhos eram vistos até então, fazendo com que eles fossem mais, hmm, plausíveis, ou possíveis, sem todos aqueles super poderes, tirando os quadrinhos desse tipo de um nicho infanto juvenil e levando aos “adultos” o mundo dos justiceiros.
Desde então todo mundo quer filmar “Watchmen” e esse mesmo todo mundo desiste sempre no início, nem chegando a metade do caminho. Desses que desistiriam, o grande Terry Gilliam, de quem a gente pode esperar quase tudo, fazendo com que eu perdesse minhas esperanças, até que aquele filme quase gay de gregos “300″ foi o sucesso que foi e seu diretor Zack Snyder teve o poder de dizer que filmaria “Watchmen” e o povo bancou.
O filme é demais. Claro que todo mundo está dizendo que é diferente da história original, que o final não é exatamente o mesmo e toda essa papagaiada, mas como eu já disse mais de uma vez aqui, cinema não é igual a livro nem quadrinhos nem teatro nem nada. Se uma obra vai ser “adaptada”, friso, “adaptada” ao cinema, para virar um filme, claro que muita coisa vai ser perdida ou mudada e muitas outras coisas vão ser incluídas no produto final.
“Watchmen” é muito bem filmado, bem adaptado, a história é ótima, começa bem tranquila e vai ganhando um ritmo alucinante, diferente até dos quadrinhos, que não tem toda essa emoção que vemos no filme. Ponto para o filme, que me deixou tenso e inquieto o tempo todo, como deveria mesmo. O diretor Snyder, com todo seu senso estético apurado e todo o seu lado meio “homo-erótico”, faz do filme um primor, misturando muito anos 50 e muito anos 80, muito neon e muita fumaça.
A história da “gangue” de super heróis vingadores é melhor contada (e isso é um mérito total do diretor, na minha opinião) por atores menos conhecidos, onde a gente não se identifica com personagens anteriores, deixando nossa imaginação fluir bem e nos fazendo crer que aqueles ali são quem nos mostram na telona. Desses atores, 3 se sobressaem, claro que o elenco todo principal é ótimo, mas Patrick Wilson como um quase-Batman mais amargurado ainda, Jackie Earle Haley como o Rorschach mais punk que poderia existir e Billy Crudup como o Dr. Manhattn, o único com superpoderes e com um super pênis, fazem o filme mais bacana ainda. (Só pra lembrar que Patrick Wilson e Jackie Harley formaram uma quase outra dupla absurda no filmaço “Pecados Íntimos” e com isso na cabeça, a relação dos dois em “Watchmen” fica até mais bizarra.)
E a trilha sonora? Ah, uma delícia ver um filme onde músicas que a gente tanto gostam tocam durante, e não só no cd que eles lançam depois: Hendrix, Dylan, Tears For Fears, Simon & Garfunkel, Nena, Nat King Cole. Ah, a hora que toca “Unforgettable” é muito boa demais!
E “Watchmen”, como um dos ícones da cultura pop, mostra alguns outros ícones ali no filme enquanto conta toda a saga desses heróis sem super poderes que ajudam, mas as vezes atrapalham, consagrando essa mesma cultura pop como uma das mais importantes do nosso tempo junto com política, religião, história, Lennon, Warhol, música, Bowie, Mick Jagger. Só não vi ali nada muito explícito em relação aos quadrinhos, o que pode ser um tapa na cara do Allan Moore pelo Snyder, por aquele dizer que o filme seria uma porcaria antes mesmo de ser filmado.
Sir Mick Jagger, o véinho do bocão, fã de esportes e amigo de todo mundo, resolveu prestar uma homenagem às Olímpiadas que vão acontecer em Londres em 2012.
Primeiro fechou dos Rolling Stones tocarem na festa de abertura, e depois começou a convidar uns amigos pra tocarem junto.
Gente do “nível” de David Bowie, Elton Jonh, Phil Collins, Sting, Van Morrison, Dave Gilmour e Jimmy Page.
Deve ter sido, “oi, vou ligar pros amiguinhos pra ver se eles topam fazer um showzinho daqui 4 anos. Será?”.
A única coisa que eu fico pensando é que esse bando de velhinhos doidos podia trocar os blazers que têm usado em shows por um figurino e uma atitude mais “retardada”, digamos assim, daí o show seria imperdível!
Sou várias e às vezes todas estão no mesmo lugar. Aqui escrevo sobre meus projetos noturnos, diurnos, andanças, leituras, música, tecnologia e claro, muito papo furado.