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Reality show da Claro: onde está o reality?

sábado, março 6th, 2010

Ontem vi no CCSP uma ação que a operadora Claro está fazendo em conjunto com o Blackberry, utilizando as mídias sociais. O conceito é bem bacana: a campanha, chamada NASOCIAL irá recrutar 4 usuários nas redes e dividi-los em dupla para um reality show que irá durar 2 dias e o objetivo será cumprir 10 tarefas que serão realizadas no smartphone para produzirem uma festa.

Como a ação é composta por duas frentes que me interessam, mídias sociais e produção de festas, eu resolvi dar uma olhada mais atenta ao projeto, mas sem muito êxito. Foi feito um hotsite, em que os usuários fazem suas inscrições enviando um vídeo de 1 minuto.

O problema começa no site, que hoje, inclusive, está fora do ar e ontem fiz uma navegação sofrível, em que eu não consegui sequer abrir o regulamento ou entender o que deveria conter nesse vídeo de um minuto.

Não consegui entender também onde entra o reality show no projeto. As duas equipes ficarão trancadas por dois dias em  hotéis em São Paulo e Rio de Janeiro. Elas serão vigiadas por câmeras e imagens serão postadas online em três edições diárias para mostrar os melhores momentos.

Eu faço festas há 5 anos e sempre produzi as minhas festas utilizando emails & redes. Há 5 anos atrás tínhamos duas grandes redes em destaque aqui, o Orkut e o Fotolog, que eram minhas principais ferramentas, além do email, para produzir e promover uma festa. Ou seja, não há novidade no desafio e hoje produzir uma festa utilizando redes sociais está ainda mais fácil, pois elas estão cada vez mais recheadas de detalhes e raramente eu preciso pedir material extra aos DJs que contrato, por exemplo.

A premiação parece atrativa, mas não consegui também saber o que se refere os R$ 10.000 em prêmios, pois isso deve constar no regulamento. A dupla vencedora levan dois smartphones Blackberry Bold 9700 e 10 modelos Curve 8520 para presentear os amigos.

A pergunta é: onde está o reality show nesse conceito? Acertaram na fórmula, que é bem simples, mas aparentemente estão falhando na execução e no conceito principal, já que no meu entendimento, reality show é algo um pouco maior do que estão propondo. Falar que o reality será acompanhar todo o processo através das mídias sociais pode estar certo, mas as nossas vidas nesses meios já virou um reality show faz tempo. E só postar fotos com melhores momentos não torna a ação em um reality show. Já se as câmeras ficarem ligadas full-tim transmitindo em streaming tudo que está rolando com as equipes, aí sim (fica a dica), porém aparentemente isso não faz parte da ação.

Vamos acompanhar para ver como vai ser, inclusive o quanto a ação irá impactar nas redes e se o hotsite se tornará ao menos “navegável”.

Did you know? Fall 2009 edition

domingo, outubro 4th, 2009

Os dados estatísticos no vídeo abaixo não são novidades, mas sempre causam impacto, especialmente quando comparados com a “velha mídia”:

via

O celular é antisocial?

quinta-feira, abril 16th, 2009

Li há um tempo atrás um ensaio na revista Época escrita pela Ruth de Aquino que ela discorre sobre a forma exagerada como nos relacionamos com nosso celular. Inclusive ela cita um romance do Philip Roth, Fantasma sai de cena, que depois de viver isolado nas montanhas por dez anos, ele chega a Nova York: “O que mais me surpreendeu foi a coisa mais óbvia – os telefones celulares. Na Manhattan de que eu me lembrava, as únicas pessoas que andavam pela Broadway aparentemente falando sozinhas eram os loucos. O que acontecera que agora havia tanto a dizer e com tanta urgência que não dava para esperar? (…) Alguma coisa que antes inibia as pessoas agora havia desaparecido, e por isso falar sem parar ao telefone se tornara preferível a caminhar pelas ruas sem estar sendo controlado por ninguém. (…) Para mim, isso tinha o efeito de fazer com que as ruas se tornassem cômicas, e as pessoas, ridículas. Havia também um lado trágico nisso. A anulação da experiência da separação. (…) Você sabe que pode ter acesso à outra pessoa a qualquer momento, e, se isso se torna impossível, você fica impaciente e zangado, como um deusinho idiota. (…) Tendo vivido parte da minha vida na era da cabine telefônica, cujas portas dobradiças podiam ser hermeticamente fechadas, impressionava-me aquela falta de privacidade. (…) Eu não conseguia compreender como alguém podia imaginar que levava uma vida humana falando ao telefone metade do tempo em que estava acordado”.

Quando li este texto na época, eu me vi bastante nele, pois eu passo boa parte do tempo olhando para o meu celular ou fazendo algo nele. Não necessariamente esperando ele tocar, porque não sou muito fã de falar ao telefone, mas para ver emails, twitter, meus feeds. Acabei refletindo e comecei a tentar deixa-lo um pouco mais de lado, pois notei muito facilmente o quanto alguém ao seu lado grudado no celular pode ser chato. Você está conversando com alguém que mal presta atenção nas suas palavras, pois está fazendo alguma coisa no celular. E não presta mesmo, por mais que diga o contrário.

Se você olhar a sua volta vai ver quantas pessoas estão no seu próprio mundinho mesmo ao lado de amigos. Acabo chegando a conclusão que o celular não conecta, mas disconecta. Torna o próximo em distante, o real em virtual. Nos transportamos para nossos pequenos aparelhos e nos trancamos como se ali fosse um meio seguro e muito mais interessante do que fora dele. Eu não sou muito diferente do perfil descrito, mas tive a sorte (ou azar, depende do ponto de vista) do meu smartphone dar pane e na pressa eu peguei um celular que a principal função é música, ou seja, pensar em utilizar a internet nele é algo quase impraticável. Percebi nestas duas semanas que estou com ele que tenho estado mais presente com as pessoas que estão comigo.

Não quero ir na contra-mão da tendência do celular, da publicidade que cada mais tem que pensar nele como um meio imprescindível, não quero voltar para trás, mas depois de uma boa auto-análise, eu quero me desconectar um pouco dele e curtir mais as pessoas que dividem minha atenção com ele. Deixar o celular para momentos mais solitários, quando ele me salva do tédio no trânsito, e urgentes.

Ontem meu namorado me enviou um vídeo de uma palestra dada pelo Renny Gleeson. Ele foi escolhido pelo Chris Anderson para dar uma palestra curta (3 minutos) durante o TED 2009. Ele fala sobre o perigo do celular e o quanto ele nos isola. E ele mostra isso de uma forma divertida, mas que faz muita gente se identificar.