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Vivendo a arte: Marina Abramovic

terça-feira, outubro 5th, 2010
Marina Abramovi?. Portrait with Flowers. 2009

Marina Abramovi?. Portrait with Flowers. 2009

Sempre gostei muito de pessoas que entregam seus corpos à arte, seja em performance, body art, dança, etc. Não conhecia o trabalho da iugoslava Mariana Abramovic (ou não lembrava dela), que é uma das pioneiras na arte da performance. Em 1973 ela estreava com seu primeiro trabalho, Rhythm 10 e depois disso não parou mais.

Na Monocle desse mês ela conta toda sua experiência e também faz uma análise bem crítica sobre o trabalho do artista, em que defende veemente que artista não tem que produzir obra pra ganhar dinheiro. A partir do momento que ele produz algo como um produto, isso deixa de ser arte.

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Claro que quando você analisa todas as conquistas dela, que hoje tem 3 propriedades em NY, você fica com aquele ponto de interrogação na testa. E não são quaisquer 3 lugares: são um loft no SoHo, um teatro na Hudson (é, um teatro!!!) e uma casa no formato de estrela, onde vive, na Upstate NY. Parece um tanto contraditório depois de entender sua crença, mas pelo que acabei pesquisando sobre ela, posso dizer que não é, suas conquistas são apenas consequencia do trabalho que tem feito.

Ela acredita que acabou se tornando uma marca. Assim como as pessoas ouvem Coca-Cola e sabem do que se tratam, quando elas ouvem “Marina Abramovic”, elas sabem que é sobre performance e não sobre pintura. Por isso almeja abrir em 2012 um instituto de performance no teatro que possui, com seu nome.

Ela conta que depois de formada, ela (entre 75 e 80) viveu por 5 anos dentro de um carro, pois não tinha dinheiro, ninguém pagava pelo trabalho dela, mas ela acreditava no que fazia e persistiu. Hoje tá aí… fazendo o que acredita e faturando.

Esse ano muita gente falou sobre ela, pois rolou uma retrospectiva do seu trabalho no MoMa no primeiro semestre, a exposição “The Artist is Present”,  que recebeu 700.000 visitantes. A performance totalizou 736,5 horas de trabalho da artista durante o tempo que ficou em cartaz e causou reações diversas. Algumas personalidades passaram por lá como James Franco, Rufus Wainwright, Matthew Barney, Björk e sua filha, Isadora, que conseguiu ficar  3 minutos encarando a artista.

Para essa retrospectiva, ela fez teste com 100 pessoas e selecionou 39 para trabalhar com ela. Ela mesmo afirma que o trabalho não foi fácil. Eles ficaram trancados na casa dela como sardinhas, ou seja, sem qualquer conforto; sem comer e falar por 3 dias (eu teria despirocado). Eles tomavam banho num rio geladíssimo e passavam o dia fazendo exercícios diversos (e severos). Um deles era separar areia de gergelim e depois conta-los. Ela também levou-os vendados para uma floresta e eles tiveram que encontrar o caminho de volta. Depois de 3 dias, parte da galera já andava desmaiando pelos cantos. Ela perguntou se eles queriam desistir, mas todo mundo quis ir em frente.

Ela diz que seus espaços favoritos são mosteiros e sanatórios, porque nesses lugares se lida com a regularidade. O corpo para ela é uma ferramenta de trabalho, como uma máquina. Ela acredita que o corpo tem que ter essa regularidade, como um relógio suíço, pois assim se consegue a almejada libertação da mente.

um dos seus trabalhos expostos na retrospectiva

um dos seus trabalhos expostos na retrospectiva*

Gostei também do que ela fala sobre ideias, que surgem sempre como uma surpresa. Se temos uma ideia, gostamos dela, temos certeza de que a ideia é boa e é só executar, ela diz que provavelmente a ideia não é boa o suficiente. Marina afirma que uma boa ideia faz você ficar obcecado por ela, causando sensações diversas no estômago. Um misto de medo e pânico. Aí sim, pode levar a sério porque a ideia é boa. E é assim que ela vive, sempre atrás de ideias que a deixam atormentada, para só então se transformarem em algo concreto. Sua casa é cheia de blocos de anotações espalhados para que ela não deixe uma ideia escapar caso tenha uma.

Para a exposição “The Artist is a Present” ela teve uma preparação no nível de treinamento do programa espacial da NASA. Ela tinha uma nutricionista, que criou uma dieta com o mínimo que ela poderia comer, pois teve que regular o organismo para dias seguidos sem almoço, já que a performance durava 7 horas ininterruptas e às sextas-feiras, eram 10 horas! Ou seja, horas e horas sem comer e beber absolutamente nada.

Ela termina a entrevista falando sobre a última obra do Damien Hirst, o “Fim de uma era”. Ela enxerga como o fim da arte como mercadoria, o que ela considera insano. Para a artista, dinheiro não tem nada a ver com arte. Os artistas ficam ricos e a sociedade não vê nada de errado nisso. Mas não é a proposta de um artista: ser famoso e rico. Então a arte não funciona se o objetivo do artista é esse.

(*aliás, essa obra está exposta atualmente no Byblos Art Hotel, que coincidentemente vi no dia que comprei a Monocle e li a entrevista com a Marina Abramovic)

As revistas que vieram na mala

domingo, junho 21st, 2009

Sempre que viajo, eu reviro bancas atrás de revistas desconhecidas, mas também sempre trago as conhecidas, afinal o preço de revista importada no Brasil é um ABSURDO. Infelizmente revistas pesam, o que me impede de trazer tudo o que eu gostaria. E, queira ou não, as revistas na Europa custam entre 5 e 15 euros (em média), o que na hora de converter, não sai tão barato assim.

Dessa vez eu consegui trazer um pouco mais e vamos dividir alguns achados:

- Monocle: essa revista é sempre imperdível, apesar do tema da penúltima não ter me animado muito, a última, que saiu quase na minha partida ao Brasil veio a calhar com as minhas discussões com o Ola sobre lugar perfeito para viver. O tema da edição de julho é “onde viver e trabalhar? as 25 melhores cidades para morar”, que foi feita baseada em vários indicadores. O que me surpreendeu é que na América toda apenas duas cidades entraram para a lista: Vancouver e Montreal. O top 10 é: Zurique, Copenhagen, Toquio, Munique, Helsinki, Estocolmo, Viena, Paris, Melbourne e Berlim. A edição traz várias mini entrevistas com prefeitos de grandes cidades e o Kassab é um dele. Ao ser questionado quais são as cidades que são referências em qualidade de vida, ele cita seu projeto de cidade limpa, em que tirou 30.000 outdoors da cidade. Sinceramente não entendo muito o que isso tem a ver com qualidade de vida. Toquio é a terceira melhor cidade do mundo para se viver e não é uma boa referência no que se refere à cidade limpa.

- Wallpaper: claro que depois de escrever sobre a última edição, em que a pauta da revista foi sexo no século XXI, eu não tinha opção a não ser comprá-la. Tem coisas beeem interessantes como um artigo sobre “Prazeres desconhecidos”, em que fala sobre práticas e objetos de sadomasoquismo; tem a baguete em forma de pênis (Baguette Magique) feita na Boulangerie Legay Choc, em Paris; uma vending machine, que como afirma a revista, é nosso dispenser dos sonhos; uma matéria questionando para onde foi o amor, em que fala sobre os principais pontos de “diversão” em cidades como NY, Amsterdã, Hamburgo, Paris, Singapura e Bangkok; tem até modelos ideais de carro para pegação noturna (Jaguar XFR, Audi S4 e Toyota iQ), além de um editorial incrível feito pelo Nick Knight. Compre!

- Soon: uma revista francesa, que tem uma capa linda e clean, perfeita para deixar de enfeite na mesa central da sala. A revista está na nona edição e é primorosa. Todos os textos estão em francês, inglês e japonês e os editorias são incríveis. O principal é do fotógrafo britânico David Hamilton, que parece um conto de fadas. A revista aborda moda, cultura, arte, arquitetura e design. Não sei se é porque é uma revista nova, mas o preço x qualidade é bem atraente: 5 euros.

- i-D: edição em comemoração a 300a edição e vendida com três capas diferentes. Eu acabei comprando a que tem a Raquel Zimmermann na capa. Essa edição veio com 300 coisas/ideias/pessoas consideradas bacanas pela revista. A idéia número 1 foi o Terry Jones ter começado a revista, o que ele considera sua melhor i-dea; a 2 é o fotógrafo Oliviero Toscani, que o Terry Jones considera o grande responsável por ele ter decidido fazer a revista.

- Plastique Magazine: revista inglesa de moda – edição primavera/verão 2009. Entrou para a minha lista das favoritas. Tem muita referência bacana de moda, arte, tendências, comportamento, cultura, música. Os editoriais de moda são incríveis com tudo que vai rolar (ou melhor, já está rolando) no verão europeu.

- Booklet: revista alemã de fotografia, moda, design, cinema, lifestyle, música, sexo e arte. A edição é verão/outono 2009. Os editoriais também são impecáveis e provocativos.

- Vogue Paris: junho/julho. Nada muito novo, mas tem um editorial bacana com a Isabeli Fontana, que foi fotografada pelo Patrick Demarchelier e styling Véronique Didry. Eu gostei do editorial “30 Avenue Montaigne”, clicado pelo Walter Pfeiffer e sytling de Anastasia Barbieri.

E aí passei a mão também nas duas revistas da Air France: a Madame Air France focada em moda (edição verão) e a revista tradicional, que como sempre tem várias dicas boas de viagem e cultura.

Faltaram revistas, mas a compra foi adiada para a minha segunda parada em Paris, que não aconteceu com o tempo que eu queria. Nada tão novo, mas uma boa distração para os próximos dias.

Um dos achados mais legais foi a revista Esopus, que o Ola comprou. Veio um poster gigante com o diálogo do filme Top Gun, que vamos colocar na parede.