Eu demorei para decidir ir aos EUA e este ano fui levada para lá pela música, já que o objetivo das férias deste ano era ver Radiohead.
Depois de me esbaldar no Lollapalooza em Chicago, a próxima parada seria NY, que era o único lugar que eu tinha qualquer desejo de conhecer (mas uma preguiça danada).
Sempre que eu pensava em ir para NY, eu pensava em Manhattan e obviamente seus bairros elegantes, mas o choque inicial foi desolador: caí na famosa Times Square e achei tão horrível, que deu vontade de gritar e voltar para Chicago, que foi uma cidade pela qual eu me derreti.
Passado o susto, lá fui eu para o meu lar temporário em Williamsburg, no Brooklyn, que fica do outro lado da ilha. Manhattan tinha ficado para trás. Alguns amigos (chatos) diziam:
- Ahhh, lá é muito longe. O negócio é ficar em Manhattan onde está tudo.
Tudo o quê? Ok… no terceiro dias eu já estava babando por NY e me sentindo em casa. Conhecia todo mundo, andava pra cima e pra baixo, fazia baldeações no metrô num piscar de olhos, tinha referências para marcar encontros e já dominava a cidade que, inteligentemente, tem suas toda numerada.
E nada me alegrou tanto como estar em Williamsburg, que era um bairro que eu não tinha a menor vontade de sair de lá. Pois bem, assim como boa parte dos moradores de NY eu estava de quatro pelo bairro mais charmoso e descolado da cidade.

Obviamente os amigos que ficaram em Manhattan tiveram uma preguiça danada de ter que atravessar a ponte, que na verdade é feita de metrô e é uma estação apenas da ”ilha”. E eles perderam a chance de conhecer um dos lugares mais bacana pelo qual eu já passei na vida.
Há não muito tempo atrás Williamsburg não era o que é atualmente, que nasceu como um bairro industrial e foi um grande celeiro de imigrantes. Nos últimos 20 anos o lado Norte começou a receber vários artistas devido aos aluguéis baratos em espaços muito amplos, que outrora tinham sido fábricas. O bairro é repleto de lofts e foi em um deles que eu fiquei.
Após a invasão artística começaram a surgir galerias, cafés, bares, restaurantes e lojas. Hoje os aluguéis estão nas alturas, por todo canto se vê empreendimentos milionários sendo construídos, mas mesmo assim o bairro mantém seu charme.
Os melhores bares e festas que fui durante minha estadia em NY foi em Williamsburg onde é possível encontrar cerveja em um bar por US$ 2,00 (que com o tip vai para 3,00, mas ainda é um alívio quando não se paga menos de US$ 5,00 numa cerveja em qualquer bar em NY); jantar bem por US$ 20,00; ir nas block parties no final de semana durante a tarde; revirar o Beacon’s Closet, que é o brechó mais incrível de NY e onde arrematei um Ferragamo + 3 scarpins incríveis, além de vários casacos, vestidos e camisetas num gasto total de US$ 200,00; pegar algum show grátis (ou não) no McCarren Park Pool; ver gente mega-fashion a cada metro quadrado e ainda chance de cruzar com Agyness Deyn ou algum integrante do YYY, Larry Tee (que foi quem me hospedou) ou Rapture, que também moram lá.
Aliás, fui vizinha por alguns dias da Agyness, que mora no apartamento debaixo do que eu fiquei, mas não tive tal sorte de cruzar com a diva no elevador, mas entrei numa festa pequena em que não tinha valor de entrada e dei de cara com o Scottie B. tocando.
A minha dica é: se for a NY não deixe Williamsburg de fora do seu roteiro. Pegue o metro linha L e desça na estação Bedford e saia batendo perna. O blog Free Williamsburg é recheado de dicas bacana e se joga porque vale a pena. Se conseguir estadia por lá, sinta-se felizardo! Se quiser se sentir ainda mais em casa, fantasie-se de hipster caso ainda não seja um.
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