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França e eu, eu e França

quinta-feira, julho 30th, 2009

Eu amo a França. Ponto. Sou fã da literatura, do cinema, da filosofia, do teatro, da música, da moda e amo o país. Resisti em admitir que a França é um dos meus países favoritos. Ponto. Admiti.

Esse ano meu plano era passar meu aniversário em Berlim, que é uma das minhas cidades favoritas no mundo e adoraria voltar lá no verão, mas quando vi, eu estava marcando minha passagem para 10 dias em Paris. Eu vou, eu volto, eu vou. Paris é a cidade que eu queria estar sempre. Adoro Londres, mas Paris é quem me derrete. Eu entendo a cidade, tenho meus cantos favoritos e quase suporto o mau humor dos franceses. Não é a toa que eu tenho uma única tatuagem e essa seja em francês. Poesia. Rimbaud. Poucas palavras resumindo o que sou.

eu&rimbaud

Meu apartamento atualmente tem referências francesas em todos os cantos. Não é pretensão. É paixão. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que eu pisei em solo francês. Não foi em Paris. Foi numa pequena estação no sul do país, em que eu saí do trem e bem caipiramente fiquei pulando e gritando para a minha amiga: ESTOU NA FRANÇA! Bem caipira mesmo.

A primeira cidade em que me estabeleci na França foi Nice. Depois disso passei por pequenas cidades e claro, várias vezes por Paris. Cada vez (não foram tantas, ok?) que vou à Europa, Paris é minha parada obrigatória e é sempre onde gasto mais tempo. Apenas por um motivo. Eu amo estar em Paris. Por isso sou adepta do ano da França no Brasil e tenho feito disso meu evento particular. Fiz a festa “ano da França na Lalai”, em que quase 40% dos presentes eram franceses. Tenho alugado diariamente meus filmes prediletos e outros que não conheço de produções vindas de lá. No cinema minhas escolhas tem se reduzido à França e assisti todos os filmes que tem PARIS no título.

Na terça-feira fui na livraria Martins Fontes, que aliás, eu confesso que é minha favorita e saí de lá com 5 livros novos de autores franceses, sendo na maioria autores contemporâneos.

Reparei que a maioria dos artistas que tenho trazido para tocar aqui são franceses. São meras coincidências. Thieves Like Us não é francês, mas sua base é na França. E tem uma lista infinita que quando analiso, me dou conta de que mais do que 50% também vem de lá. Chego a acreditar que a França deveria era me patrocinar! hahahaha…

Para quem, assim como eu, tem uma queda pela cultura francesa, aí vão pequenas dicas de como aproveitar um pouquinho do que a França tem a nos oferecer aqui em São Paulo. Claro, que se você é obsessivo como eu, já foi em tudo, mas caso a França não é exatamente o lugar que mais lhe diga alguma coisa, aproveite e curta um pouco. Vale a pena.

Leia “O convidado surpresa”, de Gregóire Boullier, que é o autor da fatí­dica carta de rompimento a Sophie Calle, que desencadeou a exibição “Sophie Calle: Cuide de você”, que está em cartaz até 7 de setembro no Sesc Pompéia.

O livro, apesar de narrar a história da noite em que Gregóire conhece Sophie Calle, não é exatamente sobre ela que ele fala, mas talvez pela exposição estar por aqui, o que a mídia tem explorado é que o livro é sobre a noite em que ele a conheceu. Não é verdade. Sophie é mera coadjuvante na história. Gregóire narra com paixão a tentativa de esquecer um grande amor e tentar entender o rompimento. Ou melhor, a fuga do seu amor sem qualquer explicação. Ele fala da sua angústia de anos em tentar entender o porquê. Na oportunidade que tem para o confronto, ele se encolhe na sua blusa de “malha rulê” e na sua dor-de-cotovelo e acaba tendo uma noite não muito confortável. A parte boa é que o desfecho traz conclusões inesperadas, que traz um entendimento do rompimento que ele procurava (ou se consolou com o que achou para fechar a sua história).

Eu recomendo a leitura, pois isso muda um pouco a ótica de quem analisa a exposição da Sophie Calle, que para mim é resultado bonito de um final de relacionamento em que ela transformou quase em novela mexicana. Não quero tirar os méritos da Sophie, afinal ela é uma grande artista e a exposição é grandiosa em todos os sentidos (fiquei quase 2 horas por lá), mas não deixa de ser uma “punhetação” de alguém que levou um fora e não conseguiu entendê-lo. A sua escolha foi ter mais de uma centena de mulheres interpretando a tal carta de rompimento e achei várias das conclusões bem feministas. Para mim as mais sensatas foram da Victoria April, palhaça, mãe da artista, adolescente (que resume a carta e um sms “ELE SE ACHA”) e da escritora. Algumas soaram cansativas e dramáticas demais. Admiro quem consegue transformar sua dor em arte e foi o que ela fez. Mas, ah… não dá para desmerecer seu sofrimento, afinal parece que ela realmente amou demais mr. X, ou Gregóire Boullier, que foi quem dividiu a mesa com ele no Flip, em Parati, para autografar seus respectivos livros. Basta olhar para a foto e sacar que mr. Boullier, apesar de todas suas angústias com a vida, não passa muito de um Don Juan.

Claro que a exposição abre para participação do público, que pode enviar sua própria releitura da carta para, quem sabe, fazer parte da exposição em algum momento. Vale a leitura do livro e vale a visita à exposição.

Filmes obrigatórios: 2 Dias em Paris, Dans Paris e Paris. Todos tem a cidade como participante da história de alguma forma, sendo que em “Paris”, ela praticamente ganha o papel de protagonista. Afinal Paris tem história suficiente para o papel. Dos três, o meu favorito é “Paris”, pois achei o filme despretensioso, agradável e filme para sentir e não pensar.

E claro, para entrar no clima, nada como ir jantar e/ou almoçar em algum restaurante francês na cidade. Tem vários e alguns a preços bem acessí­veis. Aproveita e dá uma passada no post que eu fiz sobre eles e não deixe de ir no Robin des Bois comer mexilhões de entrada.

Produção musical francesa está em alta há algum tempo. Vide Kitsuné e EdBanger, que nos trouxeram os mais variados tipos e vários deles aterrissaram no último ano no Brasil. Sábado tem Thieves Like Us, que apesar de ser uma mistura de nações, tem residência na França. Em setembro tem Jane Birkin, que toca com Caetano Veloso nos dias 3 e 4 no Sesc Pinheiros. No dia 17 quem toca no Sesc Pompéia e no dia 19 no Circo Voador (RJ) é o Sebastian Tellier, além de tocar no Coquetel Molotov (em Recife) com Zombie Zombie e François Virot. As 3 atrações são obrigatórias. Anota aí e entre todos os dias no site do Sesc para não perder o início da venda dos ingressos, que costuma esgotar sempre no máximo no segundo dia.

E a lista de músicos franceses bons para ouvir é gigante: Serge Gainsbourg, Françoise Hardy, Charlotte Gainsbourg, Dat Politics, Yelle, SebastiAn, Yuksek, Daft Punk, Air, m83 entre outros.

Leia Rimbaud, Baudelaire, Flaubert, Proust, Racine entre tantos outros clássicos, além de Muriel Barbery (o ótimo “A elegância do ouriço“), Raymond Queneau (com Zazie no Metrô, que virou filme), Olivier Dam com A Salvo de Nada, Paris de Colin Jones e Paris é uma Festa de Hemingway e A Sombra da Guilhotina de Hilary Mantel. A lista de escritores franceses de tirar o fôlego é interminável.

E ainda tem o vinhos, os queijos, as artes plásticas e mais uma infinidade de coisas em que eu poderia gastar dias aqui escrevendo loucamente.

E eu assumo, esse é um post de declaração de amor à França, onde eu espero voltar muitas vezes e quem sabe, viver um pouquinho por lá.

O MacBook que voa.

sexta-feira, julho 10th, 2009

Tô aqui no interior, e depois de 2 dias de zole cachoeira, hoje tá friozinho e eu não saí. Navegando em uma conexão via rádio (!!!) achei esse vídeo de um francês que estava trabalhando em seu computador e ele se transforma e sai voando.

(E pra mim o mais legal á o sky line de Paris ao final do vídeo)

Ah, Paris!

quarta-feira, junho 10th, 2009

Paris está entre minhas cidades favoritas e para mim é a cidade mais linda que já conheci. Não me canso de me perder por lá. Cada esquina é uma surpresa e a cada passagem minha pela cidade, eu tenho a impressão de que enxergo uma Paris diferente.

Nessa minha última passagem, em que passei 8 dias na cidade, eu resolvi explorar lojas de design ao invés das minhas habituais buscas por brechós e galerias, afinal estou montando minha casa “nova” e tudo que vejo na frente, eu quero levar para lá. Infelizmente não dá, mas Paris, mesmo sendo uma cidade cara, tem preços ótimos no que diz respeito à decoração.

Também foi a primeira viagem para lá, que eu fiz questão de almoçar e jantar praticamente todos os dias fora, o que já não dá para dizer o mesmo que o parágrafo acima. Comer e beber em Paris é caro, por isso o melhor é nem cogitar pensar em reais. O velho ditado de que quem converte, não se diverte é real.

Resumindo: minha viagem foi gastronômica e consumista, além de algumas poucas exposições que visitei, mas que valeram bastante a pena. O que foi ótimo é que o verão está chegando, então os dias são longos e terminam por volta das 22h30.

Os quatro restaurantes mais deliciosos que fui, sempre acompanhada de amigos franceses:

Le Sainte Marthe Bistrot é bem escondido e fica no meio de uma vila pequena, próximo ao metrô Belleville. Frequentado 99% por locais é um lugar bem típico.  O restaurante tem um menu bem diversificado e a melhor pedida é o “Magret de Canard”.  O Le Sainte Marthe tem uma área externa, que mesmo com uma temperatura mais baixa, é a mais concorrida. Para se safar um pouco do frio é só solicitar um cobertor e se deleitar com os vinhos da casa. O custo médio de um jantar com vinho e sobremesa é de 28 euros. Vale a pena reservar mesa antes: 32 rue Saint Marthe – das 17 às 2h todos os dias. Tel 0144843696

Chez Papa tem a cozinha especializada no sudoeste da França. A grande pedida são as gigantescas saladas, mas o pato ao molho de pêssego é um dos pratos mais deliciosos que eu já comi. É também um restaurante bem típico e com um atendimento excelente. O Chez Papa fica no badalado bairro de Montmartre – 153, rue Montmartre (metrô Bourse). Tel 0140130731

Restaurant des Beaux Arts, que fica perto do metrô Odeon em meio à confusão de turistas que se instala na área, o restaurante foi uma boa surpresa. O atendimento é ótimo, a comida bem servida e saborosa. Como eu estava sem fome, optei por uma salada de queijo de cabra, mas meus amigos que estavam mais famintos se deleitaram entre carne de pato, coelho e vaca. Todos elogiaram. É uma boa pedida para quem está nas mediações de San Michel e perdido entre tantas opções. O gasto médio com vinho, sobremesa e prato principal é de 25 euros. 80 rue Mazarine. Tel 0143257116

Les Pissenlits par la racine fica fora da área mais turística da cidade, no metrô Place d’Italie ou Corvisart, que é uma região cheia de bares e tabernas bem rústicas, com cerveja a bom preço e com discussões políticas acaloradas. O restaurante é pequeno, tem uma decoração mais modernosa e requintada. Ótima opção para ir a dois. Os preços dos pratos variam entre 14 e 29 euros e são bem servidos. 11, rue de la Butte aux Calles. Tel 0145802722

Caso esteja nessa região, não deixe de passar no bar La Folie en tête (a tradução combina com o local: a loucura da mente), que é bem rústico, com um banheiro não muito animador, mas com muitos instrumentos musicais pendurados no teto nos quatro cantos do bar, colagens divertidas e de diversas partes do mundo nas paredes e com cerveja a um bom preço, além de servirem uma ótima caipirinha, não se restringindo somente a de limão.

Das exposições que eu vi, eu curti 3, sendo que duas eu considero imperdíveis e obrigatória para quem passar pela cidade até julho, que são “Le Grand monde d’Andy Warhol“, que fica em cartaz até dia 13 de julho no Grand Palais e é maior mostra já feita do artista. São 250 obras entre retratos, serigrafias, polaroides, vídeos e é dividida em salas temáticas: auto-retratos, Telas de testes, Mao, Dolares, Catástrofes e Última Ceia. É uma exposição fantástica para ver sem pressa e entender mais sobre pop-art e o mundo de Warhol. A segunda, que é minha favorita, foi a “Une Image peut en cacher une autre“, ou “Uma imagem que esconde outra”, também no Grand Palais. Essa entrou para a minha lista favorita de exposição. A exposição é focada em obras com duplas imagens, e discorre trabalho de artistas de diversos séculos (desde 1500) e culturas. Variando entre Arcimboldo e Dalí, e incluíndo vários exemplos contemporâneos, a exibição traz 250 obras selecionadas rigorosamente, em que o artista brincou com as composições e imagens mútliplas. O ideal é separar uma tarde para ver as duas, pois valem a pena e são de tirar o fôlego.

A terceira que eu gostei foi “Fables & Fragments” na Escola de Belas Artes, feita com vários artistas recém-formados. É uma mostra contemporânea com instalações, fotografia, vídeo e pinturas. Bacana para sentir mais de perto a nova safra de artistas.

Já a parte consumista, que gritou o tempo todo, fez eu percorrer especialmente Marais, que tem muitas lojas de decoração, mas como não sou de ferro, claro que eu fiz uma parada longa na Colette. Infelizmente não dá para sair de lá com a sacola cheia, mas deu para comprar uns mimos. Aliás, é uma das lojas em que mais pessoas saem de mãos abanando. Uma das coisas que eu curto na Colette, é a seleção que eles fazem de revistas de moda. Acabei comprando uma edição Primavera/Verão 2009 da revista Plastique.

Saí apenas um dia, que foi no meu aniversário (no último dia 05) e o lugar escolhido foi o Social Club, pois o Calvin Harris tocaria por lá. O lugar estava entupido, quente e encontrei o Dat Politics por lá também. Foi ótimo, mas em meio a um final de dia sobrecarregado, eu consegui sobreviver a menos de 1h do set do Calvin Harris. A cerveja tem um preço bem salgado: custa em torno de 9 euros e pequena.

Vou fazer um post só com as lojas de decoração & design, mas para fechar quero indicar a deliciosa loja Passage du desir, que fica na 23 Rua Sainte Croix de la Bretonneire, no meio de Marais. A loja é dividida por seções como divertidas como “seduce me”, “tease me”, “talk to me”, “toy me”. As prateleiras são recheadas de brinquedos sexuais como vibradores, jogos, algemas, livros, roupas, etc., mas os preços são bem salgados.

As fotos da viagem estão no meu flickr e no do Ola. E na semana que vem, eu faço numa nova parada rápida em Paris antes de retornar para São Paulo. Enquanto isso curto os dias que não terminam aqui na Suécia.

36 anos festejando

sexta-feira, junho 5th, 2009

Adoro fazer retrospectivas em viradas de ano e aniversário. Hoje completo 36 anos e confesso que ainda não consegui me encontrar nos 30, apesar de estar num dos melhores momentos da minha vida. O bacana de escrever isso é que eu já disse isso outras vezes, ou seja, estou sempre achando que estou melhor! hahahahaha…

Devido a alguns problemas pessoais, eu resolvi que esse ano eu passaria meu aniversário longe dos amigos, por isso vim parar em Paris com a desculpa de reencontrar o namorado e rever uma grande amiga. Estou feliz com a opção que fiz. Paris faz bem a qualquer um sempre, especialmente no início do verão, quando os dias são longos e o bom-humor toma conta da cidade. Os parques ficam lotados e onde quer que você passa, tem gente sentada no chão com uma garrafa de água ou vinho com um livro na mão ou apenas contemplando a vida.

Sempre que venho para cá, eu acho que preciso vir com mais tempo, curtir mais a cidade e desbravar melhor seus cantinhos secretos. Tenho meio que uma preguiça constante de acordar cedo e correr pra cima e pra baixo para não perder nada. Eu sempre perco. Tenho preguiça de me preocupar com o tempo quando me dou férias. Já me repreendi o suficiente por isso e acho que finalmente eu aprendi a curtir férias. Durmo até a hora que quero, faço o que eu quero e se eu decidir não fazer nada, eu não faço e fico bem. Isso eu acredito que tem um pouco a ver com a idade, quando tudo ou nada passa a ser importante.

O que eu mais gosto em Paris é justamente reparar nas pessoas. É contemplar os cafés, os parques, as pontes, as ruas, o trânsito, o metrô. Ontem estávamos no metrô e uma garota linda dançava loucamente com seu ipod. Era tanta felicidade, que mal cabia nela. Ficamos olhando e rindo, porque quando temos coragem de manifestar nossas alegrias tão publicamente? Estamos sempre nos reprimindo, não querendo chamar a atenção e é tão bom quando conseguimos colocar para fora a alegria do momento.

Depois do perrengue do primeiro dia, eu finalmente estou curtindo a viagem. E nada como vir a Paris com um amor ao lado. Estou feliz, vim me desejar feliz aniversário e quis compartilhar meus pensamentos soltos por aqui.

E para quem está em São Paulo, hoje tem a festa PostIt no Vegas com o Phelipe Cruz, Fabilipo, Enéas Neto, André Pomba, Johnny Luxo e a Maria Eugenia. E para quem está em Paris, meu aniversário será comemorado no Social Club com DJ Set do Calvin Harris.

Rumo a Paris

domingo, maio 31st, 2009

Maio foi um dos meses mais puxados da minha vida. Trabalhei, dormi pouco, me estressei, mas fiz coisas legais. Uma das mais bacanas foi o Festival de Música Casa de Criadores, mesmo que ainda tenha sofrido alguns problemas técnicos no último dia, que cortou o show da banda Subburbia no final da terceira música. Devido a esse problema, Subburbia tocará na edição de novembro.

As bandas que tocaram foram: The Cleaners, Nikita, Plano Próximo, Dark Disko Republik, The Junkie Dogs e Subburbia. Felizmente todas superaram as expectativas que eu tinha em relação a elas e fizeram shows fantásticos, dançantes. Entre as boas surpresas, acho que The Cleaners foi a maior delas, mas seria injusto não comentar a ótima performance da Nikita, que dominou o público rapidamente, dançou, brincou e provocou a quem a assistia. No final eu gostei mesmo de todas as bandas e todo mundo que viu os shows, comentou sobre as boas escolhas.

E ontem foi a despedida na Crew, que infelizmente não teve o Toxic Avenger, mas que será reagendado para o próximo semestre. A festa foi incrível também. Aliás, o Sexistalk é de fato uma ótima promessa musical. A dupla detona! Foi a merecida despedida depois de tanto trabalho, com direito a uma festa surpresa na minha casa antes de seguir para o Glória com bolo feito pelo Renato.

Agora aqui estou na sala de embarque contando os minutos para rever dois grandes amigos e claro, meu namorildo Ola. Paris é uma das minhas cidades favoritas e a melhor notícia da semana foi que Calvin Harris toca exatamente no dia do meu aniversário em uma festa no Social Club.

Enquanto isso, confira as fotos do Vitor para a Casa de Criadores e nosso blog oficial do evento.

I’m throwing my arms around Paris

segunda-feira, janeiro 19th, 2009

Dar dicas de programas em Paris é correr o risco de falar do óbvio: você abre o roteiro de filmes e estão lá A Bela Junie e A Fronteira da Alvorada; você confere os lançamentos em música e Morrissey canta I’m throwing my arms around Paris. A cidade-luz é onipresente.

De qualquer maneira, como cada um estabelece uma relação com as cidades que mais gosta (tem seus locais preferidos, pratos que não deixa de comer, ruas que não deixa de passar), selecionei alguns passeios na capital da França. Se você lê francês, a primeira coisa é comprar a Inrockuptibles da semana e dar uma geral na programação cultural, além de aproveitar a ótima mistura de matérias de cultura francesa e internacional da revista. Amuse toi bien!

Paris vista a partir do Georges PompidouParis vista a partir do Georges Pompidou

Paris vista a partir do Georges Pompidou

.Les Catacombs (metrô Denfert-Rochereau)
São as catacumbas. Você anda por baixo da terra por cerca de meia hora, só vendo ossos e ossos de cemitérios que foram transferidos do que hoje é o centro de paris (Beaubourg) pra esse local. É surreal, frio e úmido. Gosto pelo inusitado.

. Château D’Eau (metrô Châteu D’Eau)
É uma região onde habitam africanos de ex-colônias francesas. Vale dar uma passeada porque tem mercadinhos com produtos indianos, restaurantes ótimos com comidas bizarras e acessíveis (menos de 10 euros a refeição), além de você ouvir as mais variadas línguas e dialetos, exceto o francês. Evidente que este bairro não aparece em nenhum guia. Ao descer do metrô, você será abordado por um monte de gente com ofertas para cortar cabelo e para vender coisas. Em Château D’Eau,  paga-se bem menos por produtos básicos (como cartões telefônicos para fazer ligações internacionais).

. Château Rouge (metrô Châteu Rouge)
Também bairro de descendentes de ex-colônicas francesas na África. Esse metrô é curioso, não parece Paris: muitos pulam a roleta,  óculos/cintos são comercializados nos corredores e os fiscais da RATP fazem vista grossa. Tipo Brasil. Saindo do metrô, você vai ver que de um lado tem milhões de ruelas, cheias de africanos vendendo comida na rua (de frutas a peixes) e bares mais trashs, estilo centrão. Do outro lado, atravessando o boulevard, você está quase em Montmartre – ou seja, o oposto. Dá pra seguir pela Rue Custine e subir uma escadinha que tem nela pra chegar no Sacre Couer.

. os arredores da estação Glacière do metrô
Gostava muito de caminhar e me perder por essas ruas. É totalmente parisiense: feirinhas, pequenas casas, hotéis baratinhos, lavanderias e todo o clima de Paris, inclusive a sede do jornal Le Monde.

. Bibliothèque Nationale de France François Mitterrand
Adoro o deck de madeira gigantesco e as linhas retas e áridas: é super fotográfico. Dá pra sentar e pegar um sol, dá pra ir no cinema e comprar dvds e livros, além de tomar um café.

. Parc de Bercy (metrô Bercy)
É lindo e tem a Cinemateca. Não tem como ir pra Paris e não dar uma passada por lá, seja pra ver algo ou pra pegar os guias de programação com vários textos longos sobre cinema cult.

. 13º arrondissement (metrô Place d’Italie)
O 13º é um bairro de urbanização mais recente, com torres e prédios altos. É, também, onde tem a maior concentração de restaurantes e supermercados de povos asiáticos. Um hit absoluto de podutos freak asiáticos é o supermercado Tang Frères  (48, avenue d’Ivry Paris): esse super vende suco de aloe vera, suco de coco queimado, além de outras delícias insuspeitas, como massas miojo turbinadas.

. Parc André Citroen (metrô Balard)
Tem que andar umas duas quadras a partir do metrô (veja no Google Maps). É um parque muito, muito legal e sem turistas. Tem parisienses, verde e a vontade de fazer piquenique.

. A creperia Chez Josselin (67, Rue du Montparnasse – metrô Edgar Quinet)
Um dos melhores crepes de Paris, segundo minha amiga francesa. Não é muito caro, é de fato bem bom e bem charmoso. De sobremesa peça o crepe de mel.

Programas óbvios que valem a pena
. Subir no Arco do Triunfo
A vista do Arco no fim de dia fala por si.  Não tem elevador; esteja preparado para enfrentar a escadaria.

. Canal de Saint Martin
Mais uma das incontáveis atrações lindas da cidade. Vá percorrendo toda a extensão do canal, a pé. Tem bares, cafés, lojas de livros e roupas e acessórios descolados, inclusive fotografia. Branché (descolado), como eles dizem.

. Parc de La Villette (metrô Porte de La Villette)
Parque gigante, onde rolam vários shows no verão. Vá em dia de sol! Tem um cinema incrível, com a arquitetura em formato de bola metálica, La Géode, que passa filmes numa tela que te cobre inteiro, tipo 360 graus (ok, não é 360 graus, mas você entendeu o que eu quis dizer).

Breeders, Pixies e My Bloody Valentine. Velho, eu?

quarta-feira, novembro 5th, 2008

Lá lá lá longe, em 1988, eu morava na França. Fui pra Londres passar o natal e uma amiga minha, casada com um manager de umas bandas bacanas, me dava convites pra muitos shows que o marido dela recebia e não ia. Um desses shows foi o de natal do Duran Duran, no Wembley Arena. Eu sempre amei DDuran, ela sabia, então delirei, porque os ingressos estavam esgotados e tal. Quando cheguei na casa dela, comecei a olhar a NME de fim de ano, com os discos do ano, e o primeiro lugar de 88 foi o “Surfer Rosa”, dos Pixies. Já tinha ouvido um pouco, mas não tinha comprado o disco ainda. Corri até a Tower e saí de lá com a bolacha na mão. Desde então esse virou uma dos meus top 10 de todos os tempos.

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Corte rápido pra março de 89, eu em Lyon, onde morava. Andando na rua com um amigo americano, mega cabaço, que não conhecia nada de nada, vi um poster de um show do My Bloody Valentine. Lembrem-se, 89, o “Isn’t Anything” tinha saído há poucos meses, eeu tinha ouvido mais que tudo e o show era em 3 dias. Fui comprar o ingresso com o americano que também comprou (e odiou o show, claro) e tinha pra vender ingresso pro show dos Pixies no Bataclan em Paris, em junho do mesmo ano. Comprei também e comecei a me programar pra viajar. Agradeço até hoje meu amigo americano por ter visto o poster do MBV, btw!
Um parêntese aqui. Na época eu estudava lá na França, fazia faculdade. E fazia uns bicos de uns trampos trash pra conseguir grana pra comprar disco e viajar pra ver show, era meu esporte preferido. Descobria, me programava, trampava e ia. Era lindo. Bons tempos de menores responsabilidades. Fecha parêntese.
Bom, saí do show do MBV chocado, achando que nada no mundo podia ser melhor que aquilo. Lembrem-se de novo, 89, auge dos shoegazers, das guitar bands, da barulheira, das distorções. Em dezembro de 88 tinha tido um banho de barulheira em Londres com shows do Loop e Spacemen 3 e achei que aquilo seria o máximo de guitarrada. Até que vi e ouvi e desmaiei com o My Bloody Valentine.

Em junho fui pra Paris pra ver os Pixies e ao fim do show tive uma certeza na minha vida: Black Francis era DEUS. Todas as noites eu passei a rezar pra ele, e agradecê-lo e pedir perdão dos meus pecados. Não sei se foi lavagem cerebral, eletro choque ou sei-lá-o-quê, mas o show dos Pixies foi um dos momentos que mais marcou minha vida inteira, sem exageros. Pra se ter uma idéia, eu tenho todos (todos!) os álbuns e singles em cd e vinil dos Pixies. E além deles só do Radiohead, que talvez seja minha banda número 1. Pixies rulez 4ever!

Quando as Breeders vieram fazer show em Curitiba, no festival, comprei ingresso, me programei e não me lembro porque cargas d’água não fui ao show. Só me lembro que na noite do show, eu em São Paulo, puto da vida, queimei meu ingresso de raiva de mim mesmo, claro.

Anos se passaram, anunciaram que Pixies, que tinham acabado de voltar aos palcos, tocariam em Curitiba. Por obra do destino, ou no meu caso, como prefiro acreditar, por obra do meu deus Black Francis, fui chamado pela MTV para dirigir o Mochilão Curitiba, aquele programa de viagem bacana deles que não existe mais. E o melhor, o ponto alto do programa seria o rock festival com o show dos Pixies! Bom, eu não só iria ao show, como iria credenciado, com câmera, pra chegar pertinho dos caras e tudo. Tive o meu momento de palco no meio do show, mas não me deixaram ficar. Lembro que uma hora peguei a segunda câmera de vídeo, fui pro meio da galera gravar imagens do show e fiquei chorando sozinho ali enquanto a Kim Deal cantava “Gigantic”.

Um outro parêntese. Duas curiosidades em relação a Lalai nesse show. Primeiro, quando liguei pra ela pra contar que iria dirigir o Mochilão ela não acreditou, porque foi num primeiro de abril, coincidência bizarra. Segundo, encontrar a Lalai na saída do show dos Pixies em Curitiba, ela vir correndo rpa cima de mim gritando que me amava foi um dos pontos altos da nossa amizade. Fecha parêntese de novo.

Pronto, tinha me redimido pela perda do show das Breeders, porque eu achava que nunca mais veria. Até que o santo santo santo Festival Planeta Terra anuncia o shows das gêmeas Deal e sua Breeders pra esse ano. E o melhor de tudo: o show é exatamente na hora do show do (gasp) Offspring, o que quer dizer que não vou perdeer nadinha de nada.

Posso estar mais feliz?

Myspace de segunda. PRAVDA!

terça-feira, julho 1st, 2008

PRAVDA é uma banda francesa que eu conheci 2 anos atrás através do meu amigão o Dj Dunwich, francês fodão. Ele é amigo da dupla doida, segundo ele mesmo.

Ano passado fui tocar em Paris no O.P.A. e os caras apareceram lá pra me ver/ouvir e ficamos amigos. Dias antes tinha ido ao show deles no Rock En Seine, o festival de rock francês mais bacana do verão e o show deles, logo depois do Calvin Harris foi matador. Electro rock de primeira com uma sonoridade bem peculiar, perfeito, sem soar com nada parecido.

Só o casal no palco, bateria eletrônica, baixo e guitarra, uma mina maravilhosa e um doidão de cabelo descolorido que fazem um som que não deixa nada devendo pra The Kills, por exemplo.

Ouçam, adicionem os caras e mandem recado. Eles são ótimos e bem gente boa.

Aqui o mais recente clipe dos caras.

(*o post atrasou um dia por problema de postagem do wordpress)

PARISien

quarta-feira, maio 14th, 2008

O João hoje postou no twitter um link para o vídeo PARISien, que alguém me mostrou há um tempo atrás e eu me derreti. Hoje foi bom revê-lo. Caiu como uma luva para o momento, já que eu estava bem estressada. Ver Paris de uma forma tão poética acaba com qualquer mal humor. Paris me delicia e me encanta sempre. Vê-la percorrida pelo Soy Panday em cima de um skate com uma trilha perfeita é daqueles presentes únicos:


PARISien (Version Longue)
by prospective

A coroa da rainha

quarta-feira, março 26th, 2008

Saiu o resultado do concurso da comemoração dos 120 anos da mundialmente famosa Torre Eiffel, proposto pela Société d’Exploitation de la Tour Eiffel. O vencedor foi o escritório Serero Architects, com um projeto que não poderia ser mais surpreendente e ao mesmo tempo polêmico, considerando que estamos mexendo no âmago do orgulho francês.

Nova cara da Torre Eiffel

A torre, que hoje é o maior emblema do turismo arquitetônico mundial, foi concluída em 1889 pelo engenheiro Gustave Eiffel como uma base para comportar os mais diversos equipamentos para estudos relacionados à gravidade e à força do vento, sendo portanto, capaz de abarcar inúmeras vezes o peso suportado hoje. Tanto que até a Primeira Guerra Mundial, a torre servia de suporte para inúmeras antenas de rádio com transmissão para todo o país. Com seu sucesso do seu potencial turístico, a estrutura centenária foi despida de suas capacidades físicas e científicas, mas se viu refém de seu próprio sucesso, e hoje opera em capacidade máxima, deixando seus visitantes esperando até mais de uma hora por uma viagem ao topo.

Vista inferior

Tendo estas premissas em mãos, unindo tecnologia de ponta e uma boa dose de ousadia, o escritório vencedor propõe uma plataforma temporária que dobra a área do terceiro andar da torre (de 280 para 580m2), e com isso reduz as filas no térreo. A estrutura é feita em Kevlar, uma fibra polimérica da Dupont cinco vezes mais resistente que o aço, que além de ser apenas amarrada e não interferir na estrutura original, pesa absurdos 1.200kg (você pensou certo, o peso de um carro médio).

Para mim, como velho e cansado brasileiro, o fato mais chocante deste projeto é o custo previsto da obra, em míseros 1,3 milhões de euros, dinheiro que aqui seria suficiente para TALVEZ construir um ponto de ônibus. E dos mais simples, nada de sofisticação, hein? Por isso vou começar a guardar minhas moedinhas para ver se consigo conferir de perto o aniversário da ‘dama de ferro’.