Só Garotos por Patti Smith
sexta-feira, janeiro 7th, 2011
Patti Smith é uma das minhas artistas favoritas. Já passei épocas ouvindo-a incansavelmente.
Além de acha-la genial, compartilho com ela uma paixão em comum: Rimbaud. Para mim ela é um dos maiores ícones femininos do rock’n roll. Marcou época, fez um dos melhores shows que vi na vida, me dando uma porrada no estômago.
Não tinha como deixar passar “Só Garotos“, não apenas por ela, mas pelo Robert Mapplethorpe, que eu também gosto, mas não conheço sua biografia muito a fundo.

“Só Garotos” é um livro sobre amor, música e arte. Patti narra sua história ao lado do Robert com uma maestria poética, que faz com que o leitor devore página por página, ávido por esmiuçar detalhes que, provavelmente, não sabia.
Eu sabia da história que viveram juntos e do quanto ela tinha sido intensa e conturbada, mas não sabia das suas nuances, ora romântica, ora trágica, ora cômica.
Patti passou maus bocados no início da sua aventura em NY e Robert foi uma das primeiras pessoas que conheceu por lá. Como o destino muitas vezes adora pregar deliciosas peças, eles acabaram se cruzando de forma inusitada posteriormente e não se largaram mais.

Primeiro veio o romance, a paixão, o amor, a dedicação, as decepções, as separações, as voltas até finalmente ela admitir, mais que ele, sua homossexualidade, que a deixava de fora da relação. Ainda assim continuaram dividindo a mesma casa, depois de uma grande odisséia pelo famoso Hotel Chelsea, que foi com certeza o estopim para eles saírem da miséria em que viveram e começarem a acontecer, afinal boa parte do sucesso são bons contatos, não? Aliás, as histórias que ela viveu e as pessoas com quem ela cruzou enquanto viveu no Chelsea são sensacionais.
Ela conta a história de como o Robert migrou dos desenhos e colagens para a fotografia, onde acabou se firmando de fato.
Além da história dos dois juntos, o livro discorre sobre a cena efervescente que rolava no final dos anos 60 e início dos 70; do Max’s Kansas City, que foi frequentado pelo Andy Warhol e abrigou a cena do glam rock e shows de artistas como Iggy Pop, The Velvet Underground, David Bowie, Lou Reed e após a sua reabertura após um breve fechamento, mais um monte de nomes conhecidos, incluindo a banda recém-lançada da Patti Smith, que até então nunca tinha cogitado cantar na vida, que dedicava totalmente à poesia, Rimbaud e desenhos, sempre acompanhada de bons discos rolando na vitrola.
Há curiosidades, como o fato da Patti Smith nunca ter sido ligada em droga e bebida, apesar do tipo meio junkie que ela tinha. A história termina como já sabemos, com Robert sucumbindo junto com seu companheiro Sam Wagstaff, um dos seus grandes mentores, que acabou o levando um ano antes.
O livro foi escrito por um pedido do próprio artista quando já estava no leito de morte. Ao ler o livro, percebe-se que não deve ter sido uma tarefa fácil, tanto que o livro saiu do forno no ano passado, após 22 anos desde a morte do Robert Mapplethorpe.
Se você gosta de rock’n roll, arte e literatura não pode deixar de cogitar a leitura. O livro vale cada linha e é daqueles que quando você termina, você quer ir atrás da lista de referências que foi anotando ao longo da leitura.
Coincidentemente eu emendei no “A Vida dos Artistas”, Calvin Tomkins, que acaba complementando de alguma forma “Só garotos”, já que retrata alguns artistos muito citados pela Patti Smith, mas essa é uma história para um próximo post.















