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SWU: dia 3

terça-feira, outubro 12th, 2010
Foto: Divulgação / In Press

Foto: Divulgação / In Press

Ontem me rendi ao SWU, promovi carona no Twitter para não ir sozinha até Itu e às 17h40 eu conseguia finalmente estacionar meu carro e correr para tentar pegar o final do show do Yo La Tengo, que acabou não dando tempo.

Estava curiosa com o festival, que foi comentado com amor e ódio por um grande público no Twitter, blogs, etc. Queria ver de perto para poder dar minha opinião também.

Nunca escondi de ninguém que o papo de Sustentabilidade nunca me convenceu nesse festival. Eu louvo a iniciativa de criar um novo festival de música desse porte, em São Paulo, e não acho que um festival de música precisa de uma desculpa qualquer para acontecer.

O local, apesar de muito longe, foi perfeito para abrigar um festival como o SWU. Ao contrário dos primeiros dias, que tiveram grandes problemas com o som, ontem ele estava perfeito.

O problema foi convencer sobre ser um festival “sustentável” com erros tão básicos:

1) estacionamento a R$ 100,00? Gostei do incentivo de quem chegava com 4 pessoas no carro e o estacionamento saía pela metade, mas ainda não consegui entender o valor abusivo. Se era incentivo para as pessoas irem de transporte público, falharam em não organizarem melhor essa parte, que ficou a desejar e como todos sabem, houve caos no primeiro dia, pois não tinha ônibus do evento para a rodoviária de Itu.

2) cerveja a R$ 6,00, que era entregue em copo de plástico. Lata e copo de plástico num evento sustentável? Com a marca da cerveja patrocinando o evento, que custo de cerveja de balada era esse? Sei que as pessoas pagam esse valor numa balada, mas uma balada não dura 12 horas. Festivais sempre tem bebidas a um preço um pouco mais acessível. Fora a ficha que só era válida no dia em que era comprada. Como assim? Até os clubes mais antigos mantém seus créditos comprados numa festa para serem usados em outra.

3) água a R$ 4,00!!! Um festival sustentável deveria ter estandes só para distribuição de água filtrada, em que cada um chegaria com sua garrafa e a enchesse. Pronto, simples assim.

4) Não podia entrar com comida!!! Essa parte beira o absurdo, pois um festival que tem o preço que o SWU tem, que tem a duração que o SWU tem, em que muita gente junta tudo que tem para poder ir e chegar lá, ter que ser obrigado a consumir somente a comida que eles vendem? Qualquer festival no mundo você pode chegar com sua marmita que você vai entrar feliz com ela e ainda vai ter lugar adequado para degusta-la.

Iniciativas que gostei:

1) gostei bastante do formato que a Oi criou sua presença no festival: o trocadores e a celularia. O trocador era um lugar que você poderia trocar sua roupa com a de alguém. Claro que tinha que levar uma roupa limpinha e escolher outra para troca-la. Vi fila rolando o tempo inteiro. Já a celularia servia para os participantes recarregarem seus celulares. Ficaram 10 tipos de carregadores disponíveis e a energia utilizada era solar. Ok, eu trabalho com a Oi e me orgulhei dela sim. :-)

Foto by Oi Moda

Foto by Oi Moda

2) gostei também do UoD abrigar shows paralelos, que manteve o estande deles lotado o tempo inteiro, entre outras iniciativas que fizeram.

3) gostei do local, mesmo com toda a “lonjura”, para abrigar o festival.

Ontem a minha ida foi para ver duas bandas que gosto muito: o QOTSA, que iniciou o show com cerca de 1h de atraso, mas soube que foi o único dia que tiveram atrasos nos shows. E o Pixies, que já foi minha banda num repeat eterno por anos.

Foto: Divulgação / Aeroplane by In Press

Foto: Divulgação / Aeroplane by In Press

Antes, porém, pude dançar até o quadril doer com o BNegão e os Seletores, que rolou no Oi Novo Som, que emendou (Funk) Até o Caroço, Prioridades e Dorobo. Ninguém arredou o pé, ninguém parou de dançar, o palco estava lotado. No paralelo (palco Heineken) rolava o Aeroplane, que também fez uma apresentação primorosa e me fez ficar dividida entre os dois palcos. Fiquei indo e vindo para curtir os 2 shows, que foram impecáveis e um ótimo momento para encontrar os amigos, que também estavam entre um palco e outro.

Foto: Divulgação / Incubus by In Press

Foto: Divulgação / Incubus by In Press

Depois seguimos para ver Incubus, que eu conheço pouco, mas que me convenceu com um show em que todos à minha volta cantavam em coro, especialmente quando soltaram Drive, que animou mais que a conhecida Megalomaniac, que abriu o show.

Foto: Divulgação / QOTSA by In Press

Foto: Divulgação / QOTSA by In Press

O QOTSA fez um show vigoroso e não decepcionou. Abriu com Feel Good Hit of Summer emendando com The Lost Art of Keeping a Secret, seguindo num repertório impecável e interagindo com o público na maior parte do tempo. Foi o que eu chamo de show “quebradeira”, porque com certeza entrou no Top 3 de melhores shows do festival. O som também estava perfeito e bem alto, aparentemente mais do que o normal em relação aos outros shows. A apresentação foi encerrada com as músicas Go with the Flow, No One Knows e A Song for the Dead, todas do álbum Songs for the Deaf, que levou todos ao delírio absoluto. Só por esse show, já fez valer a ida. Tenho certeza de que não houve um fã decepcionado nesse show.

Foto: divulgação / CSS by In Press

Foto: divulgação / CSS by In Press

Não vi o show do CSS, mas queria muito ter visto. Quem viu disse que eles arrasaram, como tem arrasado nos últimos anos. Mesmo depois de umas boas férias do palco, a banda parece não ter esfriado ou dado uma enferrujada. Tocou para um público grande, animadíssimo que teve até Superafim e os hits Alala, Art Bitch, Let’s Make Love and Listen to Death From Above eLeft Behind. Juro que fiquei com vontade, mas tive que optar entre eles e o QOTSA, como já vi show do CSS, optei pelo primeiro que era inédito para mim.

Enquanto aguardava minha amiga para seguirmos para ver Pixies, eu acabei espiando o Erol Alkan, que não me animou continuar por lá, assim como no Lollapalooza, e fez eu seguir feliz para ver o Pixies.

Foto Divulgação / Frank Black by In Press

Foto Divulgação / Frank Black by In Press

Quando cheguei no Pixies, o show já tinha começado. Assim como o show que vi há anos em Curitiba, a banda toca sem muita interação entre os integrantes. Frank Black praticamente não se comunica com a platéia e a simpatia fica nas mãos da Kim Deal, que agradeceu várias vezes e comentou que era a primeira vez que tocavam em São Paulo. Tocaram todos os hits, que a gente adora, fez todo mundo cantar Debaser, Here comes your Man, Wave of Mutilation, Velouria, Dig for Fire. Foram 21 músicas e surpreenderam com um bis com 3 músicas, provavelmente o único bis que rolou em todo o festival, terminando com Planet of Sound, Where Is My Mind e Gigantic. Kim teve alguns ataques de risos, comentou com o público que iria direto pra cama depois do show e conseguiu a proeza de fazer o Frank Black falar e tirar os óculos escuros. Enfim, encerraram a minha  noite de uma maneira que eu não esperava. Eu dancei e cantei como se não houvesse amanhã ao lado de um público super animado (provavelmente todos com minha faixa etária), que vibravam a cada acorde.

Depois foi encarar a volta, nada fácil, pois o cansaço já tinha tomado conta da alma, os olhos queriam fechar para se entregarem a um sono profundo, mas felizmente conseguimos sair de lá sem nenhum problema e chegar em SP em menos de 1h para um merecido descanso (afinal sábado tem de novo!!!).

Pixies @ Hammerstein

terça-feira, novembro 24th, 2009

Picture 1

Depois de, no ano de 2003, perder o show do Pixies em Londres e, depois de dois anos, não conseguir vê-los em Curitiba, nada me faria desistir do show deles aqui em Nova York, ontem, no Hammerstein Ballroom. Nem o torcicolo que não me deixava mover a cabeça direito. Chegamos no teatro lotado e conseguimos achar um lugarzinho na frente do palco em meio a protestos de alguns gringos. Problema deles, pensei. Não saio daqui sem cantar “Here Comes Your Man” quase que no microfone! :-)

O show começou no horário previsto, às 9 horas (aliás, uma coisa que eles sabem fazer por aqui é respeitar o público: nada de atrasos!). O  palco era simples, sem frescuras: um telão pra vídeos e umas bolas de papel que subiam e desciam de acordo com a música. E, pra falar a verdade, o público não parecia se preocupar nem um pouco com isso. A banda entra e abre o show com “Dancing The Manta Ray”, um dos quatro B sides que eles levaram, todos do Doolittle. A platéia vai ao delírio (inclua-me nisso!) e o show segue seu curso delirantemente natural: “Debaser”, “Wave of Mutilation”, “Here Comes Your Man”, “Hey”, “Gouge Away”, “Where is My Mind” e, por fim, “Gigantic”. Surtei…

Pixies @ Hammerstein Ballroom in NYC – 11/23/2009

“Dancing The Manta Ray”
“Weird At My School”
“Bailey’s Walk”
“Manta Ray”
“Debaser”
“Tame”
“Wave of Mutilation”
“I Bleed”
“Here Comes Your Man”
“Dead”
“Monkey Gone to Heaven”
“Mr. Grieves”
“Crackity Jones”
“La La Love You”
“No. 13 Baby”
“There Goes My Gun”
“Hey”
“Silver”
“Gouge Away”

Bizz 1:
“Slow Wave of Mutilation (UK Surf)”
“Into the White”

Bizz 2:
“Isla De Encanta”
some of “Vamos”
“Nimrod’s Son”
“Where is My Mind”
“Gigantic”

Setlist e fotos via http://www.brooklynvegan.com/archives/2009/11/pixies_hammerst_3.html

Breeders, Pixies e My Bloody Valentine. Velho, eu?

quarta-feira, novembro 5th, 2008

Lá lá lá longe, em 1988, eu morava na França. Fui pra Londres passar o natal e uma amiga minha, casada com um manager de umas bandas bacanas, me dava convites pra muitos shows que o marido dela recebia e não ia. Um desses shows foi o de natal do Duran Duran, no Wembley Arena. Eu sempre amei DDuran, ela sabia, então delirei, porque os ingressos estavam esgotados e tal. Quando cheguei na casa dela, comecei a olhar a NME de fim de ano, com os discos do ano, e o primeiro lugar de 88 foi o “Surfer Rosa”, dos Pixies. Já tinha ouvido um pouco, mas não tinha comprado o disco ainda. Corri até a Tower e saí de lá com a bolacha na mão. Desde então esse virou uma dos meus top 10 de todos os tempos.

http://farm4.static.flickr.com/3198/3005441191_2540ec3157.jpg?v=0
Corte rápido pra março de 89, eu em Lyon, onde morava. Andando na rua com um amigo americano, mega cabaço, que não conhecia nada de nada, vi um poster de um show do My Bloody Valentine. Lembrem-se, 89, o “Isn’t Anything” tinha saído há poucos meses, eeu tinha ouvido mais que tudo e o show era em 3 dias. Fui comprar o ingresso com o americano que também comprou (e odiou o show, claro) e tinha pra vender ingresso pro show dos Pixies no Bataclan em Paris, em junho do mesmo ano. Comprei também e comecei a me programar pra viajar. Agradeço até hoje meu amigo americano por ter visto o poster do MBV, btw!
Um parêntese aqui. Na época eu estudava lá na França, fazia faculdade. E fazia uns bicos de uns trampos trash pra conseguir grana pra comprar disco e viajar pra ver show, era meu esporte preferido. Descobria, me programava, trampava e ia. Era lindo. Bons tempos de menores responsabilidades. Fecha parêntese.
Bom, saí do show do MBV chocado, achando que nada no mundo podia ser melhor que aquilo. Lembrem-se de novo, 89, auge dos shoegazers, das guitar bands, da barulheira, das distorções. Em dezembro de 88 tinha tido um banho de barulheira em Londres com shows do Loop e Spacemen 3 e achei que aquilo seria o máximo de guitarrada. Até que vi e ouvi e desmaiei com o My Bloody Valentine.

Em junho fui pra Paris pra ver os Pixies e ao fim do show tive uma certeza na minha vida: Black Francis era DEUS. Todas as noites eu passei a rezar pra ele, e agradecê-lo e pedir perdão dos meus pecados. Não sei se foi lavagem cerebral, eletro choque ou sei-lá-o-quê, mas o show dos Pixies foi um dos momentos que mais marcou minha vida inteira, sem exageros. Pra se ter uma idéia, eu tenho todos (todos!) os álbuns e singles em cd e vinil dos Pixies. E além deles só do Radiohead, que talvez seja minha banda número 1. Pixies rulez 4ever!

Quando as Breeders vieram fazer show em Curitiba, no festival, comprei ingresso, me programei e não me lembro porque cargas d’água não fui ao show. Só me lembro que na noite do show, eu em São Paulo, puto da vida, queimei meu ingresso de raiva de mim mesmo, claro.

Anos se passaram, anunciaram que Pixies, que tinham acabado de voltar aos palcos, tocariam em Curitiba. Por obra do destino, ou no meu caso, como prefiro acreditar, por obra do meu deus Black Francis, fui chamado pela MTV para dirigir o Mochilão Curitiba, aquele programa de viagem bacana deles que não existe mais. E o melhor, o ponto alto do programa seria o rock festival com o show dos Pixies! Bom, eu não só iria ao show, como iria credenciado, com câmera, pra chegar pertinho dos caras e tudo. Tive o meu momento de palco no meio do show, mas não me deixaram ficar. Lembro que uma hora peguei a segunda câmera de vídeo, fui pro meio da galera gravar imagens do show e fiquei chorando sozinho ali enquanto a Kim Deal cantava “Gigantic”.

Um outro parêntese. Duas curiosidades em relação a Lalai nesse show. Primeiro, quando liguei pra ela pra contar que iria dirigir o Mochilão ela não acreditou, porque foi num primeiro de abril, coincidência bizarra. Segundo, encontrar a Lalai na saída do show dos Pixies em Curitiba, ela vir correndo rpa cima de mim gritando que me amava foi um dos pontos altos da nossa amizade. Fecha parêntese de novo.

Pronto, tinha me redimido pela perda do show das Breeders, porque eu achava que nunca mais veria. Até que o santo santo santo Festival Planeta Terra anuncia o shows das gêmeas Deal e sua Breeders pra esse ano. E o melhor de tudo: o show é exatamente na hora do show do (gasp) Offspring, o que quer dizer que não vou perdeer nadinha de nada.

Posso estar mais feliz?